{"id":611480,"date":"2026-08-03T15:42:57","date_gmt":"2026-08-03T19:42:57","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=611480"},"modified":"2026-08-03T15:42:57","modified_gmt":"2026-08-03T19:42:57","slug":"santa-catarina-quer-ampliar-mercado-com-acordo-mercosul-ue-e-805-nichos-mapeados-para-exportacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=611480","title":{"rendered":"Santa Catarina quer ampliar mercado com acordo Mercosul-UE e 805 nichos mapeados para exporta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (ApexBrasil) mapeou 805 oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o para empresas de Santa Catarina no contexto do acordo comercial entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, apresentadas no f\u00f3rum Conex\u00f5es Produtivas em Itaja\u00ed. Segundo dados oficiais de com\u00e9rcio exterior, 761 empresas catarinenses j\u00e1 vendem para o bloco europeu, em uma pauta que inclui motores el\u00e9tricos, compressores, m\u00f3veis, carnes e produtos de madeira.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo da ApexBrasil, a maior parte dessas oportunidades est\u00e1 ligada \u00e0 <strong>ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o<\/strong>, com destaque para m\u00e1quinas e equipamentos, motores el\u00e9tricos, compressores frigor\u00edficos, transformadores, m\u00f3veis e artigos de madeira. O levantamento indica que esses segmentos concentram boa parte das vendas industriais catarinenses para a Uni\u00e3o Europeia, enquanto informa\u00e7\u00f5es do governo estadual apontam carnes de frango e su\u00ednos entre os principais itens do agroneg\u00f3cio local direcionados ao bloco.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o desenho do acordo tende a favorecer, em um primeiro momento, as empresas que j\u00e1 dominam as exporta\u00e7\u00f5es. \u201cAs empresas j\u00e1 capacitadas a exportar ter\u00e3o melhores condi\u00e7\u00f5es, o que deve levar a um aumento de <em>quantum<\/em> exportador \u2014 efeito de curto prazo\u201d, avaliou o economista-chefe da Fiesc, Pablo Felipe Bittencourt, ao comentar os impactos iniciais do tratado.<\/p>\n<p>Bittencourt destaca que a oferta europeia de redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria abrange um conjunto amplo de produtos industriais brasileiros, com peso relevante de m\u00e1quinas e equipamentos, alimentos processados, produtos met\u00e1licos e m\u00e1quinas el\u00e9tricas. Para o economista, isso cria um ambiente mais favor\u00e1vel para empresas que j\u00e1 operam nesses segmentos, porque elas passam a competir em condi\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias mais pr\u00f3ximas \u00e0s de fornecedores de pa\u00edses que tinham acordos com a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para um segundo efeito no lado das importa\u00e7\u00f5es: a <strong>maior concorr\u00eancia entre fornecedores de bens de capital e de tecnologia<\/strong> usados pela ind\u00fastria catarinense. Com a entrada gradual de m\u00e1quinas, equipamentos e insumos industriais europeus em condi\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias mais vantajosas, Bittencourt avalia que produtos hoje importados principalmente de pa\u00edses como China e Estados Unidos podem enfrentar mais competi\u00e7\u00e3o, o que tende a pressionar os custos desses investimentos no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cNo curto prazo, quem j\u00e1 exporta tende a se beneficiar mais\u201d, avaliou o economista-chefe da Fiesc. \u201cMas o acordo abre uma porta para outras empresas, desde que estruturem \u00e1reas de com\u00e9rcio exterior, busquem informa\u00e7\u00e3o sobre mercados e encontrem fontes de financiamento para sustentar uma atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no mercado europeu\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Pequenas empresas enfrentam mais obst\u00e1culos para aproveitar acordo\u00a0<\/h2>\n<p>O Servi\u00e7o de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae-SC) faz uma leitura mais cautelosa para as pequenas empresas. \u201cAs 805 oportunidades n\u00e3o possuem o mesmo grau de acessibilidade para uma pequena ou m\u00e9dia empresa\u201d, avaliou Jefferson Reis Bueno, gestor dos projetos de internacionaliza\u00e7\u00e3o do Sebrae-SC.<\/p>\n<p>Segundo ele, parte desses nichos est\u00e1 ligada a produtos que exigem grande escala industrial, capital intensivo e certifica\u00e7\u00f5es complexas, o que restringe o acesso de neg\u00f3cios menores. Na leitura dele, o maior potencial para micro e pequenas empresas estaria em segmentos nos quais o estado tem uma base produtiva consolidada, mas onde \u00e9 poss\u00edvel competir por especializa\u00e7\u00e3o, flexibilidade, <em>design<\/em>, tecnologia ou valor agregado \u2014 como m\u00e1quinas e componentes de nicho, madeira e m\u00f3veis com rastreabilidade, alimentos processados diferenciados e t\u00eaxteis e cal\u00e7ados de nicho.<\/p>\n<p>Bueno ressalta que uma pequena empresa n\u00e3o precisa necessariamente se tornar exportadora direta para se beneficiar do acordo. \u201cEla pode se inserir como fornecedora de componentes, insumos ou servi\u00e7os para empresas catarinenses que j\u00e1 vendem ao mercado europeu\u201d, explicou, ao lembrar que muitas oportunidades passam pela participa\u00e7\u00e3o em cadeias produtivas lideradas por grandes exportadores.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o gestor do Sebrae-SC identifica tr\u00eas barreiras principais para que pequenas empresas transformem o tratado em contratos com a Uni\u00e3o Europeia:<\/p>\n<ul>\n<li><span><strong>adequa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, regulat\u00f3ria e ambiental:<\/strong> cumprimento de normas de seguran\u00e7a do produto, rotulagem, rastreabilidade, certifica\u00e7\u00f5es, requisitos sanit\u00e1rios e fitossanit\u00e1rios e comprova\u00e7\u00e3o de origem exigidos pelo acordo.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>capacidade interna para exportar de forma cont\u00ednua:<\/strong> forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o internacional, organiza\u00e7\u00e3o da log\u00edstica, capital de giro, capacidade produtiva, atendimento em outros idiomas e gest\u00e3o de riscos cambiais e comerciais.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>acesso a compradores e prospec\u00e7\u00e3o:<\/strong> identifica\u00e7\u00e3o de canais adequados, adapta\u00e7\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o comercial, participa\u00e7\u00e3o em feiras e rodadas e manuten\u00e7\u00e3o de uma rotina de acompanhamento das negocia\u00e7\u00f5es, lembrando que encontrar um mercado potencial n\u00e3o significa automaticamente encontrar um cliente.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Como as pequenas empresas do estado est\u00e3o sendo preparadas\u00a0<\/h2>\n<p>Para tentar aproximar as empresas catarinenses do mercado europeu, a ApexBrasil lan\u00e7ou em junho o Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul\u2013Uni\u00e3o Europeia, ferramenta digital que cruza produtos, pa\u00edses, tarifas e prazos de redu\u00e7\u00e3o em cada nicho identificado. O Sebrae-SC incorporou o painel ao Programa de Qualifica\u00e7\u00e3o para Exporta\u00e7\u00e3o (Peiex), executado em parceria com a ag\u00eancia federal, e passou a us\u00e1-lo como refer\u00eancia padr\u00e3o com empresas interessadas em exportar para o bloco.<\/p>\n<p>Segundo Bueno, todos os t\u00e9cnicos do programa no estado foram capacitados para operar a ferramenta e a utilizam para tornar mais objetiva a escolha de mercados. \u201cO painel ajuda a analisar oportunidades por produto e pa\u00eds, ver valores exportados, tarifas atuais, prazos de redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria e se o mercado \u00e9 de abertura, manuten\u00e7\u00e3o, consolida\u00e7\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o\u201d, explicou, ao destacar que <strong>o objetivo \u00e9 evitar decis\u00f5es baseadas apenas em percep\u00e7\u00e3o ou afinidade pessoal com determinados pa\u00edses<\/strong>.<\/p>\n<p>O gestor pondera, por\u00e9m, que o instrumento ainda \u00e9 recente e n\u00e3o pode ser visto como atalho para vendas imediatas. At\u00e9 o momento, o painel n\u00e3o est\u00e1 associado a casos concretos de pequenas empresas catarinenses que tenham se aproximado de compradores europeus exclusivamente por meio da ferramenta, segundo o Sebrae-SC.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o define o recurso como um componente de intelig\u00eancia comercial e prioriza\u00e7\u00e3o de mercados, que orienta a decis\u00e3o, mas n\u00e3o substitui a prepara\u00e7\u00e3o interna nem a prospec\u00e7\u00e3o ativa. Essa prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada na jornada &#8220;Acelera mercados \u2013 global&#8221;, estruturada pelo Sebrae para acompanhar pequenos neg\u00f3cios desde o primeiro contato com o tema exporta\u00e7\u00e3o at\u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o com compradores e parceiros internacionais.<\/p>\n<p>A trilha inclui uma fase de sensibiliza\u00e7\u00e3o, uma etapa de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com o programa e um momento de conex\u00e3o com rodadas de neg\u00f3cios, miss\u00f5es e feiras, em que empresas como a <em>Carbon Smart<\/em>, de Chapec\u00f3, participaram de eventos como a <em>Hannover Messe<\/em>, na Alemanha, ap\u00f3s passarem pelo processo de qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Para economista, acordo aprofunda depend\u00eancia de poucos setores<\/h2>\n<p>As assimetrias no cronograma de redu\u00e7\u00e3o de tarifas e o desenho do acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia provocam pontos de aten\u00e7\u00e3o para parte dos analistas em Santa Catarina. O Acordo Provis\u00f3rio de Com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, em vigor desde 1\u00ba de maio de 2026, prev\u00ea elimina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida ou gradual das tarifas sobre mais de 5 mil produtos brasileiros, sobretudo industriais, ao mesmo tempo em que concede ao Brasil prazos de at\u00e9 10 ou 15 anos para reduzir tarifas sobre milhares de itens europeus.<\/p>\n<p>Em alguns setores sens\u00edveis, como automotivo e novas tecnologias, o prazo pode chegar a 30 anos, segundo an\u00e1lises do Senado Federal. Para o economista Nildo Ouriques, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e presidente do Instituto Latino-Americano de Estudos Avan\u00e7ados (IELA), esse desenho tarif\u00e1rio consolida uma abertura assim\u00e9trica desfavor\u00e1vel ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil fez um acordo em que abre o mercado interno para produtos industriais europeus, enquanto tenta ampliar vendas de produtos agr\u00edcolas e minerais\u201d, avaliou. Na leitura dele, os prazos de 10 a 15 anos para redu\u00e7\u00e3o de tarifas n\u00e3o significam necessariamente uma janela de prepara\u00e7\u00e3o, mas podem funcionar como \u201csenten\u00e7a\u201d para setores industriais que n\u00e3o contem com uma pol\u00edtica de fortalecimento estruturada ao longo desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Ouriques tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para o papel das chamadas barreiras n\u00e3o tarif\u00e1rias, como exig\u00eancias de sustentabilidade, rastreabilidade e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, que v\u00eam sendo destacadas por entidades empresariais europeias e brasileiras como elementos centrais do acordo. Ele argumenta que, mesmo com tarifas mais baixas, o cumprimento dessas regras tende a depender de estruturas t\u00e9cnicas e burocr\u00e1ticas mais robustas, o que pode ser mais acess\u00edvel a grandes grupos internacionais do que a pequenas e m\u00e9dias empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista, o risco \u00e9 que, sem uma pol\u00edtica industrial consistente, o acordo contribua para aprofundar a especializa\u00e7\u00e3o do Brasil \u2014 e de Santa Catarina \u2014 em alguns poucos <em>clusters<\/em> exportadores, como carnes, madeira e determinados bens industriais, enquanto amplia a exposi\u00e7\u00e3o a produtos manufaturados europeus no mercado interno. \u201cSe n\u00e3o houver uma estrat\u00e9gia clara de diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e de investimento em tecnologia, a tend\u00eancia \u00e9 refor\u00e7ar a depend\u00eancia de setores prim\u00e1rio-exportadores e tornar mais dif\u00edcil o desenvolvimento de uma base industrial mais ampla\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (ApexBrasil) mapeou 805 oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o para empresas de Santa Catarina&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":611481,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-611480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/611480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=611480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/611480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/611481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=611480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=611480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=611480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}