{"id":611375,"date":"2026-08-03T13:21:40","date_gmt":"2026-08-03T17:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=611375"},"modified":"2026-08-03T13:21:40","modified_gmt":"2026-08-03T17:21:40","slug":"estados-mais-dependentes-do-bolsa-familia-tem-qualidade-de-vida-mais-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=611375","title":{"rendered":"Estados mais dependentes do Bolsa Fam\u00edlia t\u00eam qualidade de vida mais baixa"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Os estados do Par\u00e1 e do Maranh\u00e3o s\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios do programa social do governo federal Bolsa Fam\u00edlia, enquanto tamb\u00e9m s\u00e3o os estados brasileiros que apresentam os menores indicadores de qualidade de vida. Levantamento da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) e do \u00cdndice de Progresso Social (IPS), aponta que o n\u00edvel de depend\u00eancia de programas sociais \u00e9 inversamente proporcional na avalia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos como nas \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, economia e infraestrutura.<\/p>\n<p>Segundo a Pnad Cont\u00ednua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 46,1% dos domic\u00edlios paraenses recebem benef\u00edcios de programas sociais. S\u00e3o mais de 1,2 milh\u00e3o de fam\u00edlias que recebem aux\u00edlios do governo federal no Par\u00e1, sendo que 83% s\u00e3o atendidos pelo Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O Maranh\u00e3o \u00e9 o segundo estado mais dependente, com 45,6% das fam\u00edlias atendidas pelo governo federal, principalmente por meio do Bolsa Fam\u00edlia. Segundo o IBGE, o estado tem o menor rendimento <em>per capita<\/em> do pa\u00eds. A m\u00e9dia por fam\u00edlia maranhense \u00e9 de R$ 1.231.<\/p>\n<p>Em termos regionais, o Nordeste (39,8%) e o Norte (38,8%) t\u00eam as maiores propor\u00e7\u00f5es de domic\u00edlios beneficiados por programas sociais, enquanto o Sul (10,8%) apresenta a menor depend\u00eancia. Santa Catarina \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/santa-catarina\/estado-mais-conservador-pais-menos-recebe-bolsa-familia\/\">estado com o menor percentual de domic\u00edlios<\/a> atendidos pelo Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por outro lado, o \u00cdndice de Progresso Social Brasil aponta que os estados com maior depend\u00eancia de aux\u00edlios ocupam as posi\u00e7\u00f5es mais baixas no <em>ranking <\/em>de qualidade de vida do brasileiro. Em uma escala de 0 a 100, o Par\u00e1 \u00e9 o \u00faltimo colocado, com a pontua\u00e7\u00e3o de 53,71, seguido do Maranh\u00e3o, com 55,96.<\/p>\n<p>O progresso social \u00e9 definido como a capacidade da sociedade de atender \u00e0s necessidades humanas b\u00e1sicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para a popula\u00e7\u00e3o. Com base nesse conceito, o IPS Brasil \u00e9 formulado a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em tr\u00eas dimens\u00f5es: necessidades humanas b\u00e1sicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Par\u00e1 e Maranh\u00e3o t\u00eam os piores indicadores de acesso ao ensino superior<\/h2>\n<p>Segundo o pesquisador de Economia Aplicada do FGV\/Ibre Daniel Duque, regi\u00f5es que t\u00eam uma menor qualidade de vida s\u00e3o consequentemente mais vulner\u00e1veis, o que as coloca como as principais benefici\u00e1rias dos programas sociais. Conforme os indicadores do IPS Brasil, as regi\u00f5es Norte e Nordeste concentram as piores pontua\u00e7\u00f5es em componentes como nutri\u00e7\u00e3o e cuidados m\u00e9dicos b\u00e1sicos, al\u00e9m de \u00e1gua e saneamento.<\/p>\n<p>Duque lembra que estudos longitudinais apontam que, de cada 100 crian\u00e7as que recebiam o Bolsa Fam\u00edlia em 2005, mais de 60 estavam fora do programa social ap\u00f3s duas d\u00e9cadas. Por isso, ele defende pol\u00edticas p\u00fablicas complementares ao assistencialismo.<\/p>\n<p>\u201cEm todo o planeta existem regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis em que as pessoas mais pobres v\u00e3o precisar de pol\u00edticas compensat\u00f3rias. Mas \u00e9 poss\u00edvel melhorar a qualidade de vida com pol\u00edticas de desenvolvimento que v\u00e3o aumentar a renda do pa\u00eds como um todo\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Um dos pontos avaliados pelo IPS \u00e9 a oportunidade para o desenvolvimento pessoal por meio do estudo e da profiss\u00e3o. Esse \u00e9 o pilar mais fr\u00e1gil do Brasil, com m\u00e9dia de 46,82, mas a situa\u00e7\u00e3o nos estados do Norte e Nordeste \u00e9 ainda mais grave, onde est\u00e3o os munic\u00edpios com desempenhos mais deficit\u00e1rios em acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>Entre os estados brasileiros, Maranh\u00e3o e Par\u00e1 t\u00eam os piores indicadores de acesso ao ensino superior, com notas de 34,49 e 34,60, respectivamente. \u201c\u00c9 de se esperar que regi\u00f5es mais empobrecidas, mais vulner\u00e1veis, tenham pouco acesso \u00e0 universidade. [&#8230;] O estudante precisa ter o tempo dispon\u00edvel para fazer a universidade em vez de trabalhar. Ou seja, uma menor press\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o baixo desenvolvimento econ\u00f4mico de regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis, com raros setores produtivos din\u00e2micos, gera poucos empregos e, consequentemente, deixa a popula\u00e7\u00e3o com renda abaixo da m\u00e9dia. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o de jovens rumo aos grandes centros, onde est\u00e3o as universidades e oportunidades de desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da universidade privada, o estudante precisa ter algum recurso para pagar a mensalidade. [&#8230;] Na maioria das vezes, requer que a pessoa mude de cidade. Ela deixa a regi\u00e3o e vai para um centro maior para conseguir um emprego que fa\u00e7a jus ao diploma\u201d, comenta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Capital paraense recebeu mais de R$ 1 bilh\u00e3o em investimentos para sediar COP 30<\/h2>\n<p>A capital do Par\u00e1, Bel\u00e9m, foi sede da COP 30, confer\u00eancia da ONU, em novembro do ano passado. Para receber a c\u00fapula internacional do clima, o governo federal destinou mais de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/parana\/itaipu-anuncia-investimento-bilionario-para-a-realizacao-da-cop30-em-belem\/\">R$ 1 bilh\u00e3o na infraestrutura da cidade<\/a>. No entanto, o legado do evento \u00e9 questionado pela baixa qualidade de atendimento da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas b\u00e1sicas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pesquisador Daniel Duque lembra do que foi deixado para a popula\u00e7\u00e3o brasileira ap\u00f3s outros grandes eventos internacionais no pa\u00eds, como a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/obras-copa-do-mundo-10-anos-depois\/\">Copa do Mundo de futebol de 2014<\/a> e as Olimp\u00edadas do Rio de Janeiro, dois anos depois. \u201cBel\u00e9m tem muito menos infraestrutura do que o Rio, com necessidade de melhorias em \u00e1reas como saneamento, pavimenta\u00e7\u00e3o e outros atendimentos b\u00e1sicos que n\u00e3o seriam vis\u00edveis ou percebidos durante a COP 30\u201d, compara.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, <strong>houve uma expectativa exagerada<\/strong> de que esses investimentos atrelados \u00e0 COP 30 levariam a uma melhora estrutural do Par\u00e1, sendo que h\u00e1 muitas coisas a serem feitas que n\u00e3o teriam como ser sentidas ap\u00f3s o evento\u201d, pondera.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Maranh\u00e3o oferece benef\u00edcio estadual e aponta crescimento na renda de quase 50%<\/h2>\n<p>Procurado pela reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, o governo do Maranh\u00e3o afirma que atende a popula\u00e7\u00e3o com assist\u00eancia financeira e com a inclus\u00e3o dos trabalhadores ao mercado de trabalho, por meio de programas sociais. Al\u00e9m disso, o governo estadual aponta que a renda domiciliar <em>per capita<\/em> do Maranh\u00e3o \u2014 a menor entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o \u2014 teve um aumento de 50%.<\/p>\n<p>\u201cEm um ano, passou de aproximadamente R$ 840 para R$ 1.240, um aumento pr\u00f3ximo de 50%, percentual superior \u00e0 m\u00e9dia nacional\u201d, diz o governo maranhense. Segundo a nota enviada \u00e0 reportagem, o programa \u201cMaranh\u00e3o Livre da Fome\u201d complementa o benef\u00edcio social do Bolsa Fam\u00edlia, atendendo fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, o programa atende cerca de 74 mil fam\u00edlias, beneficiando mais de 432 mil maranhenses, com mais de R$ 141,7 milh\u00f5es investidos\u201d, informa. Paralelamente ao aux\u00edlio financeiro, segundo o governo do Maranh\u00e3o, o estado oferece \u201cum eixo de inclus\u00e3o socioprodutiva, que funciona como uma porta de sa\u00edda da vulnerabilidade\u201d, com parcerias com institui\u00e7\u00f5es como Senai, Senac e Sinduscon.<\/p>\n<p>Os benefici\u00e1rios s\u00e3o encaminhados para cursos de qualifica\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o profissional e oportunidades de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e de empreendedorismo. \u201cNos \u00faltimos tr\u00eas anos, segundo o IBGE, mais de 566 mil maranhenses sa\u00edram da pobreza e da extrema pobreza, enquanto o n\u00famero de pessoas ocupadas passou de 2,1 milh\u00f5es para 2,7 milh\u00f5es\u201d, argumenta o governo estadual.<\/p>\n<p>Por sua vez, a gest\u00e3o do governo estadual do Par\u00e1 n\u00e3o respondeu ao contato da reportagem.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estados do Par\u00e1 e do Maranh\u00e3o s\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios do programa social do governo federal Bolsa Fam\u00edlia, enquanto&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":611139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-611375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/611375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=611375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/611375\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/611139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=611375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=611375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=611375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}