{"id":608478,"date":"2026-07-28T09:53:48","date_gmt":"2026-07-28T13:53:48","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=608478"},"modified":"2026-07-28T09:53:48","modified_gmt":"2026-07-28T13:53:48","slug":"psicologo-preso-no-8-1-escreve-livro-em-embalagens-de-suco-relatando-o-que-viveu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=608478","title":{"rendered":"Psic\u00f3logo preso no 8\/1 escreve livro em embalagens de suco relatando o que viveu"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Preso nos atos do 8 de janeiro, o psic\u00f3logo Jo\u00e3o Giffoni, de Bras\u00edlia, atendeu voluntariamente cerca de 300 pessoas na pris\u00e3o e, enquanto ajudava os colegas, decidiu escrever um livro relatando sua experi\u00eancia e apresentando dicas de como enfrentar situa\u00e7\u00f5es de sofrimento.<\/p>\n<p>Sem acesso a folhas sulfite ou cadernos, o livro foi escrito em restos de papel que encontrava no ch\u00e3o e em embalagens de suco que Giffoni conseguiu reunir nos sete meses em que permaneceu no Complexo Penitenci\u00e1rio da Papuda, em Bras\u00edlia. A obra foi intitulada \u201cCruzando a Tempestade do 8 de janeiro\u201d e teve o primeiro estoque esgotado na Amazon nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>\u201cRealmente me surpreendeu!\u201d, comenta o autor, em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>. Segundo ele, o livro apresenta diversos documentos, cartas, relatos do c\u00e1rcere e reflex\u00f5es sobre sofrimento e f\u00e9 que podem beneficiar qualquer leitor, independentemente de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. No entanto, como o brasiliense n\u00e3o era conhecido nacionalmente, n\u00e3o sabia como seria a aceita\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/27172348\/8-de-janeiro-1-960x540.jpg.webp\" \/><i>O livro foi escrito, principalmente, em embalagens de suco que o psic\u00f3logo Jo\u00e3o Giffoni conseguiu na pris\u00e3o. (Foto: Arquivo pessoal\/ Jo\u00e3o Giffoni)<\/i><\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o lendo, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/psi.joaogiffoni?igsh=cGlkdHVlc2tpejl4\">me seguindo nas redes sociais<\/a> e apoiando\u201d, comemora, ao informar que o estoque na plataforma virtual j\u00e1 foi renovado, e que os livros est\u00e3o dispon\u00edveis novamente para venda. <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Cruzando-tempestade-janeiro-escritos-psic%C3%B3logo\/dp\/6584341224\/ref%3Dsr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;sr=8-1&amp;utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAb21jcATUmqFleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAaf0XFwdNIv1Wvy1PG7uPB90ySP0If6X6N33Ddjxeu9AahV_X_hVXJ4kiFu5jA_aem_HgNbHwPEhQcTNsJieOr9OQ\">O valor unit\u00e1rio \u00e9 R$ 59<\/a>.<\/p>\n<p>Natural de Bras\u00edlia, Jo\u00e3o Giffoni tem 28 anos, \u00e9 especialista em neuropsicologia, e usou o conhecimento adquirido em seu trabalho para enfrentar os desafios na pris\u00e3o. De acordo com ele, os fatos que viveu o lembraram da experi\u00eancia do psiquiatra judeu Viktor Frankl, que foi v\u00edtima do regime nazista na Segunda Guerra Mundial e escreveu o livro \u201cEm Busca de Sentido: um psic\u00f3logo no campo de concentra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cBusquei seguir os passos de Frankl para tamb\u00e9m encontrar sentido naquela situa\u00e7\u00e3o, sobreviver e n\u00e3o enlouquecer\u201d, disse o brasileiro, ao explicar que, ao mesmo tempo em que vivenciava a realidade da pris\u00e3o, come\u00e7ou a escrever \u201ccartas\u201d, como se estivesse contando tudo para um amigo. O resultado foi um relato detalhado sobre a manifesta\u00e7\u00e3o do 8\/1 e as dificuldades di\u00e1rias no c\u00e1rcere.<\/p>\n<p>Depois que saiu da pris\u00e3o \u2014 em 9 de agosto de 2023 \u2014, Giffoni organizou todos os registros, transcreveu o conte\u00fado e preparou a obra com quatro tem\u00e1ticas principais. Na primeira, o psic\u00f3logo relata acontecimentos do dia 8 de janeiro de 2023 por meio de fotografias, documentos processuais, imagens de c\u00e2meras e capturas de v\u00eddeos daquela data.<\/p>\n<p>Segundo Giffoni, ele agiu de forma pac\u00edfica durante toda a manifesta\u00e7\u00e3o e foi conduzido por policiais sob a alega\u00e7\u00e3o de que seria retirado da \u00e1rea de confronto, por seguran\u00e7a. \u201cMas fomos levados a uma delegacia instalada no subsolo do Congresso Nacional, e presos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Giffoni passou sete meses na Papuda, foi liberado com tornozeleira eletr\u00f4nica e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) \u00e0 pena de 14 anos. Ele vive atualmente na Argentina.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Busquei seguir os passos de Frankl para tamb\u00e9m encontrar sentido naquela situa\u00e7\u00e3o, sobreviver e n\u00e3o enlouquecer.<\/p>\n<p><cite>Jo\u00e3o Giffoni, psic\u00f3logo preso nos atos de 8 de janeiro de 2023<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<h2>Livro descreve a atua\u00e7\u00e3o como psic\u00f3logo volunt\u00e1rio na pris\u00e3o<\/h2>\n<p>J\u00e1 a segunda parte da obra est\u00e1 concentrada no tempo de c\u00e1rcere e em sua atua\u00e7\u00e3o como psic\u00f3logo e educador emocional volunt\u00e1rio naquele ambiente. De acordo com ele, mais de 300 pessoas receberam seu aux\u00edlio, entre participantes das manifesta\u00e7\u00f5es \u2014 chamados de \u201cpatriotas\u201d \u2014 e detentos condenados por outros crimes.<\/p>\n<p>O livro cita ainda como era a cela, projetada com oito camas de concreto, mas ocupada por cerca de 20 pessoas, e informa que as luzes permaneciam acesas durante a noite com um grande refletor instalado em uma torre. \u201cA gente brincava que a noite era mais clara que o dia\u201d, conta o psic\u00f3logo, que passou a aplicar din\u00e2micas de educa\u00e7\u00e3o emocional para melhorar a rela\u00e7\u00e3o entre os presos e ajud\u00e1-los a lidar com aquelas dificuldades.<\/p>\n<h2>Jo\u00e3o Giffoni tamb\u00e9m lidava com as pr\u00f3prias tempestades<\/h2>\n<p>O autor tamb\u00e9m revela, na terceira parte do livro, suas reflex\u00f5es e a maneira que usou para enfrentar aquela situa\u00e7\u00e3o. De acordo com ele, mesmo que o leitor seja contr\u00e1rio \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de 8\/1, poder\u00e1 encontrar ensinamentos que o ajudar\u00e3o a lidar emocionalmente com quadros de doen\u00e7as graves, desemprego, injusti\u00e7as ou problemas familiares, por exemplo.<\/p>\n<p>J\u00e1 no encerramento do livro, Giffoni \u2014 que \u00e9 crist\u00e3o \u2014, traz um olhar espiritual sobre sua experi\u00eancia. Para isso, relata epis\u00f3dios de reconcilia\u00e7\u00e3o, perd\u00e3o, cura e transforma\u00e7\u00e3o pessoal, como a de um preso comum que escreveu em carta como o contato com as pessoas do 8 de janeiro mudou sua vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/28123404\/Carta-de-preso-comum-sobre-os-presos-do-8-de-jan-Copia-960x498.jpeg.webp\" \/><i>Trecho da carta escrita por um &#8220;preso comum&#8221; do Complexo Penitenci\u00e1rio da Papuda. (Foto: Arquivo pessoal\/ Jo\u00e3o Giffoni)<\/i><\/p>\n<p>\u201cPor muito tempo da minha vida, deixei de acreditar nas pessoas e na humanidade\u201d, escreveu o preso, ao afirmar que via o ser humano como \u201cruim, corrosivo\u201d e que poderia, a qualquer momento, lhe fazer mal. \u201cPor\u00e9m, toda essa linha de percep\u00e7\u00e3o que estava presente em mim desmoronou logo que passei a conhec\u00ea-los\u201d, continuou no relato, ao afirmar que ele estava ali colhendo as consequ\u00eancias de suas escolhas, mas aqueles homens, n\u00e3o. \u201cS\u00e3o pessoas maravilhosas, gentis, dif\u00edceis de se encontrar\u201d.<\/p>\n<p>Giffoni n\u00e3o relata o motivo que levou esse homem \u00e0 pris\u00e3o, mas afirma que, assim como ele, outros tamb\u00e9m destacavam a educa\u00e7\u00e3o, f\u00e9 e uni\u00e3o dos presos do 8\/1. \u201cEles gostavam muito da forma como os classificados \u2018patriotas\u2019 os tratavam\u201d, comenta o autor, que agora pretende retomar seu espa\u00e7o profissional e ajudar pessoas por meio de seu relato de sofrimento, prop\u00f3sito e recome\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cMinha experi\u00eancia pode ajudar outras pessoas a cruzarem as tempestades da pr\u00f3pria vida\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preso nos atos do 8 de janeiro, o psic\u00f3logo Jo\u00e3o Giffoni, de Bras\u00edlia, atendeu voluntariamente cerca de 300 pessoas na&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":592155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[241],"tags":[],"class_list":["post-608478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-senado-federal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/608478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=608478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/608478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/592155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=608478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=608478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=608478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}