{"id":608112,"date":"2026-08-02T17:00:00","date_gmt":"2026-08-02T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=608112"},"modified":"2026-08-02T17:00:00","modified_gmt":"2026-08-02T21:00:00","slug":"os-exemplos-que-reacendem-a-esperanca-de-um-brasil-rico-decente-e-seguro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=608112","title":{"rendered":"Os exemplos que reacendem a esperan\u00e7a de um Brasil rico, decente e seguro"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Dias atr\u00e1s, neste espa\u00e7o, a <strong>Gazeta do Povo<\/strong> diagnosticou o que chamamos de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/editoriais\/brasil-crise-institucional-economica-etica\/\">\u201ccrise da alma\u201d<\/a> brasileira: uma perda de esperan\u00e7a que nasce da conjun\u00e7\u00e3o de uma crise institucional, uma crise econ\u00f4mica e uma crise civil, \u00e9tico-cultural, que se alimentam mutuamente. Esta perda de esperan\u00e7a se traduz, com muita frequ\u00eancia, em uma afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o apocal\u00edptica quanto \u2013 mostraremos a seguir \u2013 enganosa: a de que \u201co Brasil n\u00e3o tem jeito\u201d. Ainda que haja muitos motivos para tal constata\u00e7\u00e3o, temos a ousadia de afirmar que ela \u00e9 um engano grave, que costuma se alastrar e acompanhar os pa\u00edses em crise. Considerar que o presente \u00e9 permanente, que as coisas sempre foram assim e sempre ser\u00e3o \u00e9 um fatalismo que a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do mundo desmente.<\/p>\n<p>\u00c9 um pessimismo que deve diminuir nos pr\u00f3ximos meses, at\u00e9 porque, ao longo da campanha eleitoral que est\u00e1 para come\u00e7ar, muitos candidatos afirmar\u00e3o que sim, o Brasil tem solu\u00e7\u00e3o \u2013 desde que sejam eles os eleitos. N\u00e3o se trata, no entanto, de um processo t\u00e3o simples. Mesmo quando se trata de candidatos que de fato defendem um conjunto de ideias correto (pois muitos tamb\u00e9m oferecer\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o f\u00f3rmulas que apenas agravar\u00e3o os atuais problemas), os casos de pa\u00edses que mudaram para melhor mostram que \u00e9 preciso construir uma dire\u00e7\u00e3o clara e mant\u00ea-la por muitos anos. \u00c9 disso, e n\u00e3o de passes de m\u00e1gica nem de salvadores da p\u00e1tria, que depende a concretiza\u00e7\u00e3o dos nossos desejos de um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-rico\/\">Brasil rico<\/a>, um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-decente\/\">Brasil decente<\/a> e um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-seguro\/\">Brasil seguro<\/a>.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel, por exemplo, que o Brasil deixe de ser um pa\u00eds de renda m\u00e9dia e passe a integrar, em um horizonte de 20 anos, o grupo das na\u00e7\u00f5es de alta renda, aquelas que t\u00eam renda <em>per capita<\/em> superior a cerca de US$ 14 mil, nos crit\u00e9rios do Banco Mundial? Nosso ponto de partida \u00e9 uma renda <em>per capita<\/em> de US$ 9,5 mil \u2013 o salto seria de quase 50% em duas d\u00e9cadas. Parece imposs\u00edvel, mas tr\u00eas exemplos, inclusive alguns bem pr\u00f3ximos, mostram que n\u00e3o se trata de utopia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Os casos de pa\u00edses que mudaram para melhor mostram que \u00e9 preciso construir uma dire\u00e7\u00e3o clara e mant\u00ea-la por muitos anos<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A Costa Rica, geograficamente muito pr\u00f3xima de pa\u00edses de baixa renda e em crise, acaba de atingir esse mesmo objetivo que gostar\u00edamos de ver tra\u00e7ado para o Brasil. Em julho de 2025, o Banco Mundial reclassificou o pa\u00eds como economia de alta renda, resultado de duas d\u00e9cadas de crescimento consistente \u2013 cerca de 3% ao ano, em m\u00e9dia, entre 2004 e 2024. O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/chile\/\">Chile <\/a>\u00e9 outro exemplo: em 1990, 39% dos chilenos viviam na pobreza; em pouco mais de 15 anos, esse n\u00famero caiu para menos de 14%, enquanto a renda por habitante quase sextuplicou entre 1990 e 2018. Em 2010, o Chile tornou-se o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul a ingressar na OCDE, o grupo das na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidos do mundo. E h\u00e1 o exemplo mais radical: o da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/coreia-do-sul\/\">Coreia do Sul<\/a>. Nos anos 1960, a renda <em>per capita<\/em> sul-coreana era inferior \u00e0 brasileira e o pa\u00eds figurava entre os mais pobres do planeta. Hoje, a Coreia do Sul \u00e9 uma pot\u00eancia tecnol\u00f3gica, industrial e cultural, cuja renda <em>per capita<\/em> \u00e9 o triplo da brasileira.<\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameros outros casos bastante documentados, com boa literatura analisando esses movimentos. O que ela mostra \u00e9 que nenhum desses pa\u00edses \u201cganhou na loteria\u201d, por exemplo encontrando alguma reserva abundante de commodities valiosas. O que eles fizeram foi mais dif\u00edcil: criaram institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, investiram pesado na educa\u00e7\u00e3o (especialmente a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica), mantiveram responsabilidade fiscal, abriram-se ao com\u00e9rcio internacional \u2013 e preservaram esse rumo ao longo de diferentes governos. A palavra-chave \u00e9 consist\u00eancia.<\/p>\n<p>O que vale para a economia vale para a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/seguranca-publica\/\">seguran\u00e7a p\u00fablica<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2026\/ny-modelo-escandinavo-medelin-bogota-combate-a-violencia\/\">como demonstram os casos de Nova York, Col\u00f4mbia, Escandin\u00e1via e It\u00e1lia<\/a>. Em 1990, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/nova-york\/\">Nova York<\/a> registrou 2.245 homic\u00eddios; era a cidade mais violenta dos Estados Unidos, um s\u00edmbolo mundial de viol\u00eancia urbana, retratada inclusive em cl\u00e1ssicos do cinema. Tamb\u00e9m l\u00e1 n\u00e3o houve milagre algum, mas decis\u00e3o pol\u00edtica, intelig\u00eancia policial, aplica\u00e7\u00e3o efetiva da lei e recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a nas for\u00e7as de seguran\u00e7a. Duas d\u00e9cadas depois, os homic\u00eddios anuais giravam em torno de 300, uma queda de mais de 80% em compara\u00e7\u00e3o com os piores dias da \u201ccidade que nunca dorme\u201d. Nova York havia se tornado refer\u00eancia mundial em redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u2013 e o aumento verificado no in\u00edcio desta d\u00e9cada se deveu justamente ao abandono de algumas das medidas que haviam ajudado a reduzir a criminalidade, o que apenas ressalta a import\u00e2ncia da consist\u00eancia nas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Brasil mostra que isso \u00e9 poss\u00edvel. As sucessivas edi\u00e7\u00f5es de estudos como o Atlas da Viol\u00eancia apontam que h\u00e1 estados com baixos \u00edndices de homic\u00eddios, e outros com n\u00fameros compar\u00e1veis aos de pa\u00edses em guerra. A diferen\u00e7a est\u00e1 nas institui\u00e7\u00f5es, nas prioridades e nas pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o caem no erro de achar que a defesa da dignidade humana exige desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia ou complac\u00eancia com os criminosos \u2013 isso s\u00f3 leva a aceitar a impunidade. \u00c9 o contr\u00e1rio: uma sociedade verdadeiramente humana n\u00e3o tem medo de ser firme e de proteger prioritariamente as v\u00edtimas, as fam\u00edlias honestas, que s\u00f3 desejam viver em paz.<\/p>\n<p>Por fim, na esfera civil e \u00e9tico-cultural nem \u00e9 preciso buscar exemplos externos. Gra\u00e7as \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/lava-jato\/\">Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/a>, milh\u00f5es de brasileiros passaram a considerar poss\u00edvel combater aquilo que, por d\u00e9cadas, foi tratado quase com resigna\u00e7\u00e3o: a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/corrupcao\/\">corrup\u00e7\u00e3o<\/a>. Por mais que uma rea\u00e7\u00e3o organizada e interesses pol\u00edticos tenham conseguido desmontar a maior e mais bem-sucedida opera\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/combate-a-corrupcao\/\">combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o<\/a> da hist\u00f3ria do Brasil, essa demoli\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda o fato de que a cultura de descren\u00e7a quanto \u00e0 possibilidade de atacar a corrup\u00e7\u00e3o mudou profundamente. E o que muda uma vez pode voltar a mudar.<\/p>\n<p>Nossa sociedade est\u00e1 aprendendo. H\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o crescente de rediscutir temas sem recorrer automaticamente a l\u00f3gicas est\u00e9reis, como a surrada oposi\u00e7\u00e3o entre opressor e oprimido ou o vitimismo permanente. A cultura do cancelamento e a afetada sinaliza\u00e7\u00e3o de virtude est\u00e3o sendo cada vez mais questionadas. E uma raz\u00e3o adicional para esperan\u00e7a \u00e9 o fato de o Brasil n\u00e3o \u201cpartir do zero\u201d. O pa\u00eds tem estabilidade monet\u00e1ria desde o Plano Real; nosso agroneg\u00f3cio est\u00e1 entre os mais competitivos do mundo; reformas importantes como a da Previd\u00eancia e a trabalhista, marcos regulat\u00f3rios como o do saneamento, e medidas como a autonomia do Banco Central foram aprovadas no Congresso (ainda que algumas delas enfrentem retrocessos). O bom trabalho, portanto, j\u00e1 est\u00e1 em andamento \u2013 mas precisa ser terminado.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A pergunta n\u00e3o \u00e9 se o Brasil pode mudar, pois a hist\u00f3ria de muitos pa\u00edses j\u00e1 respondeu que sim. A verdadeira pergunta \u00e9 outra: teremos coragem e perseveran\u00e7a para construir essa mudan\u00e7a?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, agress\u00f5es e repress\u00f5es n\u00e3o foram capazes de conter a cultura de valoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, da vida, da liberdade, do empreendedorismo, do associativismo, da participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, cultura essa que vem crescendo nos \u00faltimos 20 anos \u2013 em parte, tamb\u00e9m como rea\u00e7\u00e3o a essas agress\u00f5es e repress\u00f5es. Temos, assim, um pano de fundo de valores humanos extremamente fecundo. E tamb\u00e9m a tecnologia \u00e9 um elemento de esperan\u00e7a. A dissemina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da intelig\u00eancia artificial traz desafios gigantescos, especialmente no mundo do trabalho, mas pode acelerar o crescimento e encurtar o tempo de implementa\u00e7\u00e3o de medidas que levem \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das crises.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 bem posicionado para iniciar um ciclo de grande desenvolvimento institucional, econ\u00f4mico e \u00e9tico-cultural. Mas ele depende de escolhermos l\u00edderes capazes de iniciar uma transforma\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o correta, com medidas assertivas e capazes de sobreviver ao pr\u00f3prio mandato, porque \u00e9 assim que os pa\u00edses mudam. A virada n\u00e3o ocorre em quatro anos, mas n\u00e3o exige um s\u00e9culo inteiro; basta que uma sociedade decida caminhar na mesma dire\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel por 20 anos, com a capacidade de manter boas pol\u00edticas p\u00fablicas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>O brasileiro nunca deixou de ser um povo otimista, mas precisa trazer essa caracter\u00edstica de volta \u00e0 superf\u00edcie. A hist\u00f3ria nunca est\u00e1 completamente escrita e o Brasil n\u00e3o est\u00e1 condenado ao fracasso. Temos problemas profundos, mas tamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es que podem ser reconstru\u00eddas, uma economia que pode voltar a crescer, e uma sociedade que segue mostrando enorme capacidade de reagir quando encontra lideran\u00e7as, ideias e objetivos claros. A pergunta n\u00e3o \u00e9 se o Brasil pode mudar, pois a hist\u00f3ria de muitos pa\u00edses j\u00e1 respondeu que sim. A verdadeira pergunta \u00e9 outra: teremos a lucidez, a coragem e a perseveran\u00e7a para construir essa mudan\u00e7a?<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias atr\u00e1s, neste espa\u00e7o, a Gazeta do Povo diagnosticou o que chamamos de \u201ccrise da alma\u201d brasileira: uma perda de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":608113,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-608112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/608112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=608112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/608112\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/608113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=608112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=608112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=608112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}