{"id":607500,"date":"2026-08-02T09:50:13","date_gmt":"2026-08-02T13:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=607500"},"modified":"2026-08-02T09:50:13","modified_gmt":"2026-08-02T13:50:13","slug":"por-que-turistas-estrangeiros-estao-deixando-mais-dinheiro-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=607500","title":{"rendered":"Por que turistas estrangeiros est\u00e3o deixando mais dinheiro no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O n\u00famero de turistas estrangeiros que o Brasil vem recebendo quase n\u00e3o mudou. O dinheiro que eles deixaram no pa\u00eds, sim: R$ 25 bilh\u00f5es nos primeiros cinco meses deste ano, alta de 11% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2025 e <strong>o maior valor j\u00e1 registrado para o per\u00edodo<\/strong>, segundo o Minist\u00e9rio do Turismo, com base em dados do Banco Central.<\/p>\n<p>O descompasso entre os dois n\u00fameros aponta para uma pergunta que interessa mais do que contar visitantes na fronteira: o que faz um turista gastar mais depois que j\u00e1 est\u00e1 no Brasil. Os dados dispon\u00edveis, no entanto, imp\u00f5em um limite a essa an\u00e1lise.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas oficiais detalham a origem do visitante, o estado pelo qual ele entrou no Brasil e a via utilizada, mas n\u00e3o acompanham o roteiro que ele faz a partir da\u00ed nem mostram como o gasto foi dividido ao longo da viagem. A base da Embratur (Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o Internacional do Turismo) \u00e9 formada por registros migrat\u00f3rios coletados nos postos de fronteira, tratados para chegar ao n\u00famero de entradas de turistas internacionais \u2013 visitantes n\u00e3o residentes que passam ao menos uma noite no Brasil.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Argentina, Chile e Estados Unidos respondem pela maior concentra\u00e7\u00e3o de turistas estrangeiros no Brasil<\/h2>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis permitem enxergar com mais clareza quem chega e por onde entra no pa\u00eds. Entre janeiro e maio, a Argentina respondeu por 1.912.095 visitantes, seguida pelo Chile, com 421.354, e pelos Estados Unidos, com 338.010.<\/p>\n<p>O tamanho de cada fluxo, por\u00e9m, \u00e9 apenas uma parte desse retrato. Os argentinos chegam por diferentes corredores, com forte presen\u00e7a nas fronteiras terrestres do Sul, mas tamb\u00e9m desembarcam de avi\u00e3o no <strong>Rio de Janeiro<\/strong> e em <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre os norte-americanos, as entradas a\u00e9reas por esses dois estados concentram a maior parte do movimento. As pr\u00f3prias formas de acesso j\u00e1 indicam que o turismo internacional no Brasil re\u00fane viagens com l\u00f3gicas bastante diferentes.<\/p>\n<p>O c\u00e2mbio ajuda o Brasil a entrar na compara\u00e7\u00e3o com destinos mais pr\u00f3ximos, mesmo quando a viagem exige um deslocamento maior. \u201cPrincipalmente para os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte, a possibilidade de fazer uma viagem de longa dist\u00e2ncia gastando um valor equivalente a uma viagem de curta dist\u00e2ncia, pelo mesmo per\u00edodo, faz com que o turista estrangeiro coloque o Brasil em sua cesta de compras\u201d, afirma Andr\u00e9 Coelho, especialista em Turismo da FGV Projetos.<\/p>\n<p>Essa vantagem ajuda a colocar o Brasil no radar do estrangeiro, mas n\u00e3o explica, sozinha, o valor deixado no pa\u00eds. Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, a competitividade brasileira est\u00e1 no <strong>custo-benef\u00edcio formado pelo c\u00e2mbio e pela oferta tur\u00edstica<\/strong>. Para que o gasto avance, o visitante precisa encontrar raz\u00f5es para estender a viagem depois que a passagem j\u00e1 foi comprada.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse ponto que as ag\u00eancias identificam uma <strong>mudan\u00e7a no comportamento do estrangeiro<\/strong>. Segundo Ana Carolina Medeiros, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagens (Abav Nacional), S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro continuam funcionando como grandes portas de entrada, mas j\u00e1 n\u00e3o encerram necessariamente o percurso.<\/p>\n<p>\u201cUma mudan\u00e7a percebida pelo setor est\u00e1 na nova forma de consumo: <strong>h\u00e1 um prolongamento das viagens<\/strong>. Hoje, o turista estrangeiro desembarca em grandes port\u00f5es de entrada, como S\u00e3o Paulo ou Rio de Janeiro, mas, em vez de limitar sua experi\u00eancia \u00e0 metr\u00f3pole, busca ir al\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Ana Carolina, as ag\u00eancias t\u00eam vendido mais extens\u00f5es para cidades situadas a tr\u00eas ou quatro horas desses grandes centros. Os roteiros podem levar o visitante a munic\u00edpios hist\u00f3ricos ou a destinos ligados ao litoral e ao ecoturismo. \u201cEsse novo comportamento amplia o tempo de perman\u00eancia no pa\u00eds, distribui melhor o fluxo tur\u00edstico e fortalece economicamente destinos que antes ficavam de fora dos roteiros tradicionais\u201d, destaca.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Al\u00e9m do port\u00e3o de entrada e a busca por roteiros personalizados<\/h2>\n<p>Os grandes destinos continuam concentrando a maior parte do movimento, favorecidos pela oferta de voos e pela estrutura consolidada. A percep\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias aponta, ao mesmo tempo, para um interesse crescente pelo Nordeste e por viagens ligadas \u00e0 natureza.<\/p>\n<p><strong>Recife<\/strong> e <strong>Natal<\/strong> ganham espa\u00e7o ao lado de destinos conhecidos, enquanto <strong>Bonito<\/strong>, <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> e <strong>Len\u00e7\u00f3is Maranhenses<\/strong> aparecem em roteiros que avan\u00e7am para al\u00e9m da combina\u00e7\u00e3o tradicional entre praia e grandes centros urbanos. \u00c9 nesse \u201calargamento\u201d da viagem que aparecem as primeiras pistas sobre onde a receita pode crescer.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/20170239\/lencois-01-960x540.jpg.webp\" \/><i>Len\u00e7\u00f3is Maranhenses \u00e9 um dos roteiros nacionais que avan\u00e7am para al\u00e9m da combina\u00e7\u00e3o tradicional entre praia e grandes centros urbanos, no gosto do turista estrangeiro. (Foto: Biaman Prado\/Minist\u00e9rio do Turismo)<\/i><\/p>\n<p>Os dados oficiais informam quanto os estrangeiros deixaram no Brasil, mas n\u00e3o repartem os R$ 25 bilh\u00f5es por atividade ou destino. Segundo a Abav, cresce a procura por <strong>roteiros personalizados<\/strong>, nos quais a gastronomia e o contato com a cultura local passam a ocupar uma parte maior da viagem. A busca por natureza tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para experi\u00eancias ligadas ao turismo de aventura e ao bem-estar.<\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9 Coelho, a hospedagem costuma ser o primeiro ponto dessa circula\u00e7\u00e3o. A partir dela, o visitante movimenta outros neg\u00f3cios ao contratar servi\u00e7os e consumir no destino.<\/p>\n<p>O dinheiro pode aparecer em atividades abertas, como festas de rua e praias, ou em propostas mais sofisticadas, como hot\u00e9is de luxo e experi\u00eancias gastron\u00f4micas. Para o especialista, a oportunidade econ\u00f4mica n\u00e3o est\u00e1 necessariamente concentrada em um \u00fanico segmento, mas na variedade de neg\u00f3cios que passam a fazer parte da viagem.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>A conta que come\u00e7a depois da chegada<\/h2>\n<p>Um n\u00famero maior de visitantes, por si s\u00f3, n\u00e3o garante que o dinheiro permane\u00e7a na economia local. \u201cReceber turistas \u00e9 o primeiro passo para um destino conseguir se posicionar em um mercado e ter um fluxo regular de visitantes. A transforma\u00e7\u00e3o disso em receita local leva tempo e precisa ser monitorada de acordo com a capacidade de carga de cada regi\u00e3o\u201d, afirma Coelho.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, a diferen\u00e7a entre receber turistas e capturar o gasto que eles deixam se torna ainda mais importante fora dos grandes centros. Uma paisagem atraente ou a repercuss\u00e3o de um destino nas redes sociais pode despertar interesse, mas dificilmente sustenta um fluxo internacional regular.<\/p>\n<blockquote>\n<p>C\u00e2mbio favor\u00e1vel pode trazer o turista ao Brasil, mas n\u00e3o elimina os atritos que surgem quando ele encontra barreiras para se comunicar ou pagar.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O visitante precisa conseguir chegar ao local e entender o que pode encontrar ali, o que depende de uma oferta preparada antes mesmo da promo\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula exata para compor um destino de interesse internacional, mas h\u00e1 quest\u00f5es que precisam ser observadas, como a exist\u00eancia de bons hot\u00e9is, acessibilidade a\u00e9rea ou terrestre, servi\u00e7os em l\u00ednguas estrangeiras, sinaliza\u00e7\u00e3o e, claro, boa promo\u00e7\u00e3o tur\u00edstica \u2013 considerando que exista, de fato, um produto j\u00e1 formatado\u201d, explica Coelho.<\/p>\n<p>A mesma l\u00f3gica vale para os neg\u00f3cios que esperam aproveitar o aumento da receita. Um c\u00e2mbio favor\u00e1vel pode trazer o consumidor ao Brasil, mas n\u00e3o elimina os atritos que surgem quando ele encontra barreiras para se comunicar ou pagar. Esses obst\u00e1culos ajudam a definir se a vantagem de pre\u00e7o ser\u00e1 percebida apenas na compra da passagem ou continuar\u00e1 fazendo diferen\u00e7a durante a estada.<\/p>\n<p>\u201cO visitante estrangeiro valoriza uma experi\u00eancia completa, que inclui qualidade no atendimento, facilidade de pagamento, disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es em diferentes idiomas, boa infraestrutura, conectividade e servi\u00e7os qualificados. O Brasil re\u00fane atributos muito competitivos, mas seguir investindo na experi\u00eancia do visitante \u00e9 fundamental para ampliar  a sua promo\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora\u201d, afirma a presidente da Abav.<\/p>\n<p>O mapa do turismo internacional brasileiro ainda \u00e9 desenhado, em grande parte, pelos pa\u00edses vizinhos, mas a oportunidade econ\u00f4mica vai al\u00e9m dos recordes de chegadas \u2014 ela come\u00e7a quando o desembarque deixa de ser o principal indicador e o pa\u00eds passa a olhar para o valor gerado ao longo da viagem. Afinal, trazer mais turistas estrangeiros \u00e9 uma conquista para o Brasil. Fazer com que o dinheiro permane\u00e7a e circule melhor \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de turistas estrangeiros que o Brasil vem recebendo quase n\u00e3o mudou. 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