{"id":605331,"date":"2026-08-01T20:29:40","date_gmt":"2026-08-02T00:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=605331"},"modified":"2026-08-01T20:29:40","modified_gmt":"2026-08-02T00:29:40","slug":"como-lula-se-tornou-o-presidente-mais-antissemita-desde-getulio-vargas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=605331","title":{"rendered":"Como Lula se tornou o presidente mais antissemita desde Get\u00falio Vargas"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Durante o ano de 1935, mesmo per\u00edodo em que os judeus perderam sua cidadania na Alemanha Nazista ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o das Leis de Nuremberg, o Brasil, \u00e0 \u00e9poca liderado por Get\u00falio Vargas, passou a restringir o visto de imigrantes de origem judaica que tentavam fugir do antissemitismo europeu.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial, Vargas, de in\u00edcio, manteve uma posi\u00e7\u00e3o de neutralidade, tentando ora sinalizar aos nazistas, ora aos parceiros americanos. Durante esse processo, a medida mais radical adotada por seu governo ocorreu em abril de 1936, quando o Itamaraty permitiu a deporta\u00e7\u00e3o da gr\u00e1vida judia e comunista Olga Ben\u00e1rio para a Alemanha de Hitler, onde, seis anos depois, ela foi assassinada em uma c\u00e2mara de g\u00e1s no campo de exterm\u00ednio de Bernburg.<\/p>\n<p>Passados quase 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo, o Brasil volta a escrever uma p\u00e1gina sombria na rela\u00e7\u00e3o com a comunidade judaica nacional e internacional: o terceiro mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT).<\/p>\n<p>Para especialistas, as a\u00e7\u00f5es e posicionamentos da atual gest\u00e3o federal \u2014 que v\u00e3o muito al\u00e9m de leg\u00edtimas discord\u00e2ncias com o governo israelense, liderado pelo advers\u00e1rio pol\u00edtico Benjamin Netanyahu \u2014 t\u00eam influenciado negativamente o cotidiano dos judeus conterr\u00e2neos e t\u00eam aberto margem para uma campanha aberta de antissemitismo por expoentes de extrema-esquerda.<\/p>\n<p>Dados divulgados pela Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil (CONIB), \u00f3rg\u00e3o representante da comunidade judaica brasileira, d\u00e3o conta de que, entre 2022 e 2024, os casos de antissemitismo cresceram 350%. Um dos maiores picos registrados veio justamente no m\u00eas de outubro de 2023, logo ap\u00f3s os ataques do grupo terrorista Hamas em Israel, que vitimaram mais de 1.200 israelenses, incluindo quatro brasileiros.<\/p>\n<p>Em outro levantamento da mesma institui\u00e7\u00e3o, com 1.427 judeus brasileiros, 86% disseram considerar o antissemitismo um problema no pa\u00eds, e 22% declararam ter deixado de se identificar como judeus em alguma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a professora judia e especialista em antissemitismo Daphne Klajman, &#8220;estamos diante do governo mais antissemita desde a Era Vargas&#8221;.<\/p>\n<p>Ela pontua que, embora j\u00e1 tenha havido momentos conturbados entre o Pal\u00e1cio do Planalto e a comunidade judaica nacional \u2014 como quando, durante o governo Geisel, o Brasil votou a favor de uma resolu\u00e7\u00e3o da ONU que qualificava o sionismo como uma forma de racismo, ou quando, durante a presid\u00eancia de Dilma Rousseff, ela se negou a aceitar a indica\u00e7\u00e3o de um embaixador israelense \u2014, para Klajman, situa\u00e7\u00f5es como essas foram &#8220;pontuais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Dentro do Brasil n\u00e3o havia uma excepcionalidade ou medo na exist\u00eancia judaica como hoje em dia. Vemos um aumento do antissemitismo n\u00e3o s\u00f3 nos n\u00fameros; vemos escolas judaicas pedindo para que as crian\u00e7as judias n\u00e3o usem s\u00edmbolos judaicos na rua [como a Estrela de David ou, para os homens, as <em>kipot<\/em> (solid\u00e9us)) usadas na cabe\u00e7a], a suspens\u00e3o do uso dos uniformes por identificarem que s\u00e3o de escolas judaicas e um aumento extensivo na prote\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Ela analisa que esse cen\u00e1rio se deu em raz\u00e3o das atitudes do governo Lula e seus &#8220;posicionamentos completamente infamat\u00f3rios&#8221; contra os judeus do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre as principais declara\u00e7\u00f5es que marcaram Klajman, ela aponta para quando o petista afirmou que \u00e9 &#8220;responsabilidade da comunidade judaica rejeitar as a\u00e7\u00f5es de Israel&#8221; e chamou o antissemitismo de &#8220;vitimismo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, ele diz que o antissemitismo \u00e9 culpa nossa por n\u00e3o tomar por responsabilidade um governo estrangeiro, aplicando ativamente o mito de lealdade dupla \u00e0 comunidade judaica&#8221;.<\/p>\n<p>Ela menciona que o presidente n\u00e3o faz o mesmo com outras comunidades, ou seja, n\u00e3o imp\u00f5e responsabilidade \u00e0 comunidade russa pelas a\u00e7\u00f5es de Putin contra a Ucr\u00e2nia; n\u00e3o imp\u00f5e responsabilidade \u00e0 comunidade chinesa pelas a\u00e7\u00f5es ditatoriais do regime de Xi Jinping; nem \u00e0 comunidade palestina ou libanesa.<\/p>\n<p>Para Daniel Osowicki, professor, mestre em Hist\u00f3ria e especialista em Oriente M\u00e9dio, &#8220;a experi\u00eancia brasileira ap\u00f3s outubro de 2023 demonstra que, \u00e0 medida que o conflito ganhou centralidade na m\u00eddia e nas redes sociais, observou-se um aumento expressivo de manifesta\u00e7\u00f5es hostis dirigidas \u00e0 comunidade judaica brasileira.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Em numerosos casos, judeus passaram a ser responsabilizados coletivamente pelas decis\u00f5es do governo israelense, estabelecendo-se uma associa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre identidade judaica e pol\u00edtica estatal israelense. O conflito deixou, assim, de permanecer restrito ao plano internacional para produzir efeitos diretos sobre uma minoria nacional que n\u00e3o possui qualquer responsabilidade institucional pelas decis\u00f5es tomadas pelo governo de outro pa\u00eds&#8221;, diz o professor.<\/p>\n<h2>Os posicionamentos na guerra, a passividade com o Hamas e o abandono de Michel<\/h2>\n<h4>O in\u00edcio da crise com Israel e com a comunidade judaica<\/h4>\n<p>\u00c9 bem verdade que o Brasil condenou os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro, mas as notas divulgadas pelo Itamaraty n\u00e3o s\u00f3 chamaram a aten\u00e7\u00e3o por sua passividade como tamb\u00e9m, diferentemente de grande parte dos pa\u00edses ocidentais, mantiveram certa &#8220;cautela&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao Hamas.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, al\u00e9m de sequer citar o grupo terrorista nos primeiros posicionamentos p\u00f3s-atentado, optou por n\u00e3o descrever os atos do Hamas como &#8220;terroristas&#8221;, focou em reiterar a posi\u00e7\u00e3o do governo de compromisso com a cria\u00e7\u00e3o de &#8220;um Estado Palestino economicamente vi\u00e1vel&#8221; e apontou para a &#8220;urg\u00eancia da retomada das negocia\u00e7\u00f5es de paz&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, diferentemente da posi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica do pa\u00eds, em suas redes sociais, Lula foi mais incisivo, condenou os &#8220;ataques terroristas realizados contra civis&#8221;, mas tamb\u00e9m, de in\u00edcio, n\u00e3o citou o nome do grupo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, alguns partid\u00e1rios do mandat\u00e1rio celebraram os ataques terroristas. \u00c9 o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que chamou os ataques palestinos de &#8220;brava resist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Esses posicionamentos foram alvo de cr\u00edticas por parte da oposi\u00e7\u00e3o, cujos discursos contrastaram n\u00e3o somente no tom adotado em rela\u00e7\u00e3o ao Hamas, mas tamb\u00e9m, e principalmente, no entendimento da necessidade e do direito \u00e0 autodefesa dos israelenses \u2014 algo n\u00e3o contemplado nas notas do Itamaraty e, diversas vezes, tratado como genoc\u00eddio pela pasta.<\/p>\n<p>Nos meses que precederam o in\u00edcio da guerra entre Israel e Hamas, o governo brasileiro foi adotando uma abordagem cada vez mais anti-Israel. De acordo com um levantamento feito pela <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, at\u00e9 junho do ano passado, o Itamaraty se posicionou mais de 60 vezes contra o governo de Benjamin Netanyahu, enquanto se posicionou em apenas 10 ocasi\u00f5es contra os grupos terroristas Hamas, Houthis, Hezbollah e o pr\u00f3prio Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o petista pareceu n\u00e3o ter demonstrado preocupa\u00e7\u00f5es com os dados alarmantes sobre o aumento do antissemitismo e o trabalho ficou para pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) chegou a protocolar um requerimento direcionado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, \u00e0 \u00e9poca liderado por Fl\u00e1vio Dino, pedindo que a pasta criasse um plano para garantir a seguran\u00e7a das sinagogas no Brasil. O pedido nunca foi respondido publicamente por integrantes do governo.<\/p>\n<h4>O abandono de Michel Nisenbaum<\/h4>\n<p>Durante os ataques do Hamas em Israel, em outubro de 2023, os terroristas mataram tr\u00eas brasileiros e sequestraram um, Michel Nisembaum, natural de Niter\u00f3i, no Rio de Janeiro, que foi capturado pelos palestinos ao sair de casa na tentativa de salvar sua neta no sul israelense.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/29140518\/PHOTO-2026-07-29-14-05-02-960x540.jpg.webp\" \/><i>Michel Nisembaum, morto por terroristas palestinos. (Foto: Conta oficial do Estado de Israel em espanhol)<\/i><\/p>\n<p>Embora publicamente o presidente Lula tenha demonstrado preocupa\u00e7\u00e3o e tenha at\u00e9 se encontrado com a fam\u00edlia de Michel no Pal\u00e1cio do Planalto em dezembro de 2023, o governo pouco fez para tentar repatriar o judeu brasileiro \u2014 e essa reclama\u00e7\u00e3o veio dos pr\u00f3prios familiares.<\/p>\n<p>Cerca de seis meses ap\u00f3s o encontro com o presidente brasileiro na capital do pa\u00eds, os familiares de Michel relataram que nunca mais foram procurados pelo Pal\u00e1cio do Planalto e se queixaram de que o sil\u00eancio do petista contrastava com uma promessa feita por ele de que &#8220;ningu\u00e9m ficaria para tr\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>A promessa em quest\u00e3o foi feita em novembro de 2023, quando o presidente se comprometeu a retirar os brasileiros da Faixa de Gaza, afirmando que &#8220;enquanto tiver lista e a possibilidade de a gente tirar uma pessoa, mesmo que seja uma s\u00f3, a gente vai estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para mandar buscar as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>\u201cRealmente tivemos esperan\u00e7a depois que a minha m\u00e3e foi l\u00e1 em dezembro [encontro no Planalto]. Ela disse para mim: \u2018O avi\u00e3o est\u00e1 esperando para o Michel. Ele [Lula] vai fazer tudo para ajudar\u2018. Faz mais de 4 meses desde que minha m\u00e3e foi l\u00e1. N\u00e3o ouvimos nada de Lula. Nada. N\u00e3o sabemos nada do Michel. Nem se ele est\u00e1 vivo ou n\u00e3o\u201d, disse, em maio de 2024, Ayala Harel, sobrinha do ex-sequestrado brasileiro.<\/p>\n<p>Se, por um lado, Lula falhou em resgatar Michel, por outro conseguiu repatriar 127 pessoas de Gaza, incluindo Hasan Rabee, um palestino naturalizado brasileiro que, no passado, chegou a defender a explos\u00e3o de \u00f4nibus em Israel.<\/p>\n<p>Michel Nisembaum foi resgatado sem vida pelo Ex\u00e9rcito israelense durante uma opera\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza em 24 de maio de 2024. O brasileiro deixou duas filhas e quatro netos.<\/p>\n<p>Embora Lula tenha lamentado a morte de Michel Nisembaum nas redes sociais, no discurso seguinte \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de seu falecimento, o presidente voltou a acusar Israel de &#8220;continuar matando mulheres e crian\u00e7as&#8221;, e n\u00e3o mencionou o brasileiro assassinado.<\/p>\n<p>Klajman tamb\u00e9m condena os posicionamentos do Brasil nesse caso, sobretudo quando comparado \u00e0s posi\u00e7\u00f5es do Itamaraty quanto ao suposto &#8220;sequestro&#8221; de ativistas que embarcaram nas Flotilhas rumo \u00e0 Faixa de Gaza, com a alegada miss\u00e3o de &#8220;furar o bloqueio israelense&#8221; ao enclave e levar ajuda humanit\u00e1ria, e que contaram com a presen\u00e7a do brasileiro Thiago \u00c1vila e da sueca Greta Thunberg.<\/p>\n<p>Ela reclama que o Brasil nunca tomou &#8220;a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para resgatar o Michel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00fanica a\u00e7\u00e3o tomada pelo Itamaraty foi o encontro com sua fam\u00edlia. N\u00e3o se reuniram com o governo de Israel, com o governo iraniano, com o qual, por sinal, o Brasil tem uma excelente rela\u00e7\u00e3o e que sabemos que tem uma grande influ\u00eancia sobre o Hamas&#8221;.<\/p>\n<p>Ela exemplifica outros casos em que governos pressionaram o grupo terrorista pela liberta\u00e7\u00e3o de seus conterr\u00e2neos, como o Kremlin, que logo ap\u00f3s o ataque terrorista do dia 7, imediatamente apelou pela liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns e teve seu pedido atendido pelo Hamas, que, &#8220;em reconhecimento \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do presidente Putin&#8221;, libertou, em novembro de 2023, dois sequestrados russos.<\/p>\n<p>&#8220;Em contrapartida, em uma das embarca\u00e7\u00f5es de Thiago \u00c1vila, quando sabia que seria detido pelas for\u00e7as israelenses, o Itamaraty na hora tomou diversas medidas diplom\u00e1ticas&#8221;.<\/p>\n<p>A professora diz que no dia em que uma das tripula\u00e7\u00f5es da Flotilha foi detida, o Brasil emitiu um comunicado afirmando que estava &#8220;acompanhando com aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o do brasileiro Thiago \u00c1vila&#8221;. Em outro comunicado, o pa\u00eds afirmou que &#8220;seguiria trabalhando em vista da libera\u00e7\u00e3o do brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Com o Michel n\u00e3o teve acompanhamento, n\u00e3o teve aten\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a professora.<\/p>\n<h4>A sa\u00edda do Brasil da Alian\u00e7a Internacional para a Mem\u00f3ria do Holocausto<\/h4>\n<p>Outro fato que marcou negativamente a atual gest\u00e3o de Lula com a comunidade judaica brasileira e que, para analistas, flertou com o antissemitismo foi a retirada do Brasil da Alian\u00e7a Internacional de Mem\u00f3ria do Holocausto (IHRA).<\/p>\n<p>A IHRA \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o intergovernamental criada em 1998 que une governos e especialistas para preservarem a mem\u00f3ria do Holocausto, e, nas palavras da institui\u00e7\u00e3o, &#8220;promover a educa\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria e a pesquisa sobre o que aconteceu no passado, para construir um mundo sem genoc\u00eddio no futuro&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2016, a institui\u00e7\u00e3o logrou \u00eaxito em aprovar sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo, que posteriormente foi adotada por mais de 40 pa\u00edses, incluindo o Brasil, que atuava como membro observador da organiza\u00e7\u00e3o desde 2021, pen\u00faltimo ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).<\/p>\n<p>A sa\u00edda do Brasil da IHRA n\u00e3o gerou apenas cr\u00edticas por parte da oposi\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m condena\u00e7\u00f5es por parte de organismos nacionais e internacionais, como a pr\u00f3pria CONIB e a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA).<\/p>\n<p>O assunto voltou \u00e0 tona no ano passado por meio de projetos idealizados por congressistas de diferentes campos pol\u00edticos, como Tabata Amaral (PSB-SP) e Eduardo Pazuello (PL-RJ), ambos com o objetivo de fazer com que o Brasil voltasse a adotar a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo utilizada pela Alian\u00e7a Internacional para a Mem\u00f3ria do Holocausto, por meio de distintos projetos de lei (PLs).<\/p>\n<p>Entretanto, as propostas, principalmente a de Tabata, foram recebidas com enorme repulsa por deputados e ativistas de extrema-esquerda, que tentaram \u2014 novamente \u2014 apontar uma suposta &#8220;interfer\u00eancia sionista&#8221; no pa\u00eds, o que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, levou especialistas a identificarem novas manifesta\u00e7\u00f5es de antissemitismo inflamadas por pol\u00edticos da base de Lula.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um absurdo que o Brasil, que tem tido uma postura importante perante a diplomacia internacional na cobran\u00e7a do Estado de Israel, exigindo o fim do genoc\u00eddio, de repente, tenha a sua posi\u00e7\u00e3o em defesa da Palestina criticada e tornada crime\u201d, opinou S\u00e2mia Bomfim (Psol-SP) sobre o projeto da pol\u00edtica paulista.<\/p>\n<p>Com posicionamento semelhante, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que o objetivo de Tabata, na realidade, visava colocar &#8220;uma morda\u00e7a na nossa boca, na boca dos professores, na boca de quem estuda, de quem trabalha, de quem faz uma luta contra o sionismo, contra o genoc\u00eddio, contra esse Estado teocr\u00e1tico que hoje existe em Israel com o senhor [Benjamin] Netanyahu&#8221;.<\/p>\n<p>Com a press\u00e3o exercida por pol\u00edticos e militantes de esquerda, o projeto de Tabata perdeu for\u00e7a e nove deputados que haviam inicialmente assinado seu PL pediram a retirada de suas assinaturas, incluindo cinco membros do PT.<\/p>\n<p>&#8220;A maior justificativa para o governo brasileiro deixar de adotar a defini\u00e7\u00e3o da Internacional em Mem\u00f3ria Holocausto \u00e9 falar que essa defini\u00e7\u00e3o, de alguma forma, impedia a cr\u00edtica leg\u00edtima ao Estado de Israel. Entretanto, essa defini\u00e7\u00e3o foi feita justamente para permitir cr\u00edticas a Israel&#8221;, diz Klajman.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o que foi criada frente a um aumento do antissemitismo que se apropriava da mem\u00f3ria do Holocausto para vilanizar judeus, n\u00e3o para criticar Israel, e sim para distorcer a mem\u00f3ria do Holocausto, reduzir a realidade do Holocausto. A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por acad\u00eamicos do mundo inteiro para definir como voc\u00ea pode criticar o Estado, sem cruzar a linha do antissemitismo&#8221;.<\/p>\n<p>Ela diz que um pa\u00eds apoiar a causa palestina n\u00e3o \u00e9 o inverso de abdicar do combate ao antissemitismo.<\/p>\n<p>&#8220;A Noruega e a Irlanda, por exemplo, que seguem aderindo \u00e0 defini\u00e7\u00e3o da IHRA, s\u00e3o alguns dos maiores cr\u00edticos do Estado de Israel e apoiadores da cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino. Eles aderem \u00e0 defini\u00e7\u00e3o porque entendem a diferen\u00e7a entre uma cr\u00edtica pol\u00edtica e o antissemitismo. O nosso governo n\u00e3o \u00e9 capaz de ver essa distin\u00e7\u00e3o&#8221;, lamenta a professora.<\/p>\n<h2>Lula usa Holocausto para criticar Israel<\/h2>\n<p>Para o governo israelense e a comunidade internacional, a gest\u00e3o de Lula parecia apenas &#8220;mais um&#8221; dos in\u00fameros governos hostis \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares em Gaza at\u00e9 o dia 18 de fevereiro de 2024, quando o petista abriu uma crise sem precedentes n\u00e3o s\u00f3 com o governo israelense, mas com institui\u00e7\u00f5es representativas da comunidade judaica internacional.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Lula disse que &#8220;o que est\u00e1 acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino n\u00e3o existe em nenhum outro momento hist\u00f3rico. Ali\u00e1s, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/29135720\/8023458806001-960x540.jpg.webp\" \/><i>Jovens participam da Marcha da Vida no antigo campo de exterm\u00ednio nazista alem\u00e3o de Auschwitz II-Birkenau, em Brzezinka, no sul da Pol\u00f4nia, em 14 de abril de 2026.EFE\/EPA\/JAREK PRASZKIEWICZ POLAND OUT (Foto: EFE)<\/i><\/p>\n<p>As palavras de Lula foram repudiadas pelo premi\u00ea Benjamin Netanyahu e por Israel Katz, ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel, que decidiu convocar o embaixador brasileiro e declarar o presidente brasileiro <em>persona non grata<\/em> em Israel.<\/p>\n<p>A crise se estende at\u00e9 hoje e, no est\u00e1gio atual, o governo brasileiro se recusa a permitir a nomea\u00e7\u00e3o de um embaixador israelense em Bras\u00edlia desde a sa\u00edda de Daniel Zoshine, que deixou o cargo h\u00e1 um ano para se aposentar.<\/p>\n<p>A CONIB tamb\u00e9m voltou a repudiar o presidente apontando que sua fala era uma &#8220;distor\u00e7\u00e3o perversa da realidade que ofende a mem\u00f3ria das v\u00edtimas do Holocausto e de seus descendentes&#8221;.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional, a fala do petista chegou a ser repudiada por integrantes da oposi\u00e7\u00e3o, pol\u00edticos do centr\u00e3o e at\u00e9 aliados de longa data.<\/p>\n<p>Jaques Wagner (PT-BA), judeu e amigo pessoal de Lula, foi um dos que criticaram a compara\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o se traz a m\u00e1quina de morte do Holocausto para nenhuma compara\u00e7\u00e3o, porque fere sentimentos, inclusive os meus\u201d.<\/p>\n<p>Para Daphne Klajman, a compara\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es entre o Ex\u00e9rcito israelense e os nazistas &#8220;\u00e9 um desrespeito absoluto \u00e0 mem\u00f3ria do Holocausto&#8221;.<\/p>\n<p>A crise diplom\u00e1tica chegou a atingir outras pastas internas, como o Minist\u00e9rio da Defesa, que em outubro de 2024 apontou que \u201cquest\u00f5es ideol\u00f3gicas\u201d teriam barrado uma licita\u00e7\u00e3o entre o governo brasileiro e Israel.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Jos\u00e9 M\u00facio, chefe do minist\u00e9rio, disse que a tal licita\u00e7\u00e3o foi vencida pelos &#8220;judeus, o povo de Israel&#8221;, mas que, por &#8220;quest\u00f5es relacionadas \u00e0 guerra, ao Hamas e a grupos pol\u00edticos, e por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, n\u00f3s n\u00e3o podemos aprov\u00e1-la&#8221;.<\/p>\n<h2>O circo armado<\/h2>\n<p>Temendo que o tema pudesse incomodar sua tentativa de reelei\u00e7\u00e3o, o governo Lula, por meio do Itamaraty, organizou, em abril deste ano, um semin\u00e1rio sobre &#8220;Enfrentamento ao Antissemitismo&#8221;.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria gest\u00e3o, que foi cobrada por anos por entidades judaicas pelo crescimento do antissemitismo, s\u00f3 pareceu se importar em ano eleitoral.<\/p>\n<p>Embora estivessem presentes raras vozes conscientes, como a doutora Sofia D\u00e9bora Levy, autora de livros sobre o Holocausto, e o presidente da CONIB, Claudio Lottenberg, o semin\u00e1rio, em alguns momentos, pareceu mais um festival de discursos anti-Israel protagonizados por figuras da extrema-esquerda \u2014 \u00e9 claro, sem nenhum opositor pol\u00edtico presente.<\/p>\n<p>Entre os palestrantes estavam os pol\u00eamicos professores Arlene Clemesha e Michel Gherman.<\/p>\n<p>Clemesha \u00e9 uma das defensoras da ideia de que Israel comete <em>apartheid<\/em>, limpeza \u00e9tnica e genoc\u00eddio, al\u00e9m de se negar a classificar grupos como o Hamas e o Hezbollah como terroristas.<\/p>\n<p>Em um debate na <em>Folha de S.Paulo<\/em> (no qual, curiosamente, o outro \u00fanico debatedor era Gherman), ela chegou a afirmar que \u00e9 discut\u00edvel dizer se os ataques do Hamas em Israel da manh\u00e3 de 7 de outubro foram terroristas, enquanto sustenta categoricamente que a a\u00e7\u00e3o israelense contra os <em>pagers<\/em> no L\u00edbano, em setembro de 2024, atende a essa defini\u00e7\u00e3o. Ela foi convidada ao semin\u00e1rio do Itamaraty ap\u00f3s press\u00e3o de setores de extrema-esquerda que argumentavam que at\u00e9 ent\u00e3o o evento n\u00e3o tinha nenhuma debatedora &#8220;antissionista&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, Gherman tamb\u00e9m possui falas pol\u00eamicas e, no ano passado, foi alvo de uma nota de rep\u00fadio da Federa\u00e7\u00e3o Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), a qual acusava o professor de utilizar de &#8220;sua origem judaica como instrumento de valida\u00e7\u00e3o de discursos que ferem profundamente a mem\u00f3ria, os sentimentos e a seguran\u00e7a da comunidade judaica&#8221;, ap\u00f3s ele afirmar que Israel cometia genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>E esse n\u00e3o foi o primeiro posicionamento do \u00f3rg\u00e3o judaico em rep\u00fadio ao professor: em maio de 2021 a FIERJ se posicionou ap\u00f3s Gherman dizer que apoiadores de Jair Bolsonaro, \u00e0 \u00e9poca presidente, &#8220;n\u00e3o deveriam mais ser tratados como bolsonaristas, sen\u00e3o como fascistas ou nazistas&#8221;. Na ocasi\u00e3o, a entidade afirmou que &#8220;os antepassados que pereceram nos campos de concentra\u00e7\u00e3o discordam&#8221; e que tal fala &#8220;abre um perigoso precedente para a prolifera\u00e7\u00e3o de mais antissemitismo e revisionismo oportunista&#8221;.<\/p>\n<p>Para o Itamaraty, essas seriam figuras razo\u00e1veis para debater antissemitismo.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio, foi poss\u00edvel escutar desde compara\u00e7\u00f5es entre o Gueto de Vars\u00f3via e o &#8220;massacre&#8221; do Carandiru at\u00e9 as acusa\u00e7\u00f5es de genoc\u00eddio feitas por Clemesha.<\/p>\n<p>Klajman contesta a presen\u00e7a da professora no evento: &#8220;Nada do que ela falou colabora para o fim do antissemitismo no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ela abre sua fala falando do Holocausto, mas ela descentraliza o judeu desse epis\u00f3dio. Ela diz que Israel instrumentaliza o Holocausto para cometer genoc\u00eddio na Palestina. Mas quem est\u00e1 instrumentalizando esse epis\u00f3dio da hist\u00f3ria \u00e9 ela. Ela usa a mem\u00f3ria do Holocausto n\u00e3o para ajudar no combate de um \u00f3dio milenar, mas sim para sustentar seu discurso pol\u00edtico, que prega pelo fim do \u00fanico Estado judeu do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o ano de 1935, mesmo per\u00edodo em que os judeus perderam sua cidadania na Alemanha Nazista ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":605332,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-605331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/605331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=605331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/605331\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/605332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=605331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=605331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=605331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}