{"id":604987,"date":"2026-08-01T08:47:10","date_gmt":"2026-08-01T12:47:10","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=604987"},"modified":"2026-08-01T08:47:10","modified_gmt":"2026-08-01T12:47:10","slug":"barreiras-da-china-e-ue-pressionam-frigorificos-mas-aliviam-preco-da-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=604987","title":{"rendered":"Barreiras da China e UE pressionam frigor\u00edficos, mas aliviam pre\u00e7o da carne"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>As restri\u00e7\u00f5es da China e da Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de carne bovina t\u00eam colocado o setor frigor\u00edfico em alerta, mas por outro lado devem aliviar o bolso do consumidor ao menos nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Isso porque as dificuldades para exportar fazem com que uma parcela maior da produ\u00e7\u00e3o permane\u00e7a no Brasil. Com mais oferta de carne dispon\u00edvel e a demanda relativamente est\u00e1vel, os pre\u00e7os j\u00e1 come\u00e7am a cair. Segundo o IBGE, em junho o pre\u00e7o m\u00e9dio da carne bovina recuou nos a\u00e7ougues e supermercados pela primeira vez desde setembro de 2025.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s recuar 2,34% no atacado em junho, segundo o Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cepea\/Esalq-USP), os pre\u00e7os da carne bovina ca\u00edram 0,64% no varejo pelo IPCA.<\/p>\n<p>No primeiro semestre, o quilo da carne havia acumulado a maior alta desde 2021. A tend\u00eancia de baixa deve se prolongar at\u00e9 outubro, quando a renova\u00e7\u00e3o anual da cota chinesa deve voltar a movimentar a cadeia.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Os motivos por tr\u00e1s do al\u00edvio no pre\u00e7o da carne bovina<\/h2>\n<p>No final de dezembro de 2025, o governo chin\u00eas imp\u00f4s uma salvaguarda que prev\u00ea tarifa de 55% sobre volumes que excedam a cota \u2014 ante 12% dentro do limite. A medida entrou em vigor em janeiro, ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos e prev\u00ea renova\u00e7\u00e3o anual da cota.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 havia preenchido dois ter\u00e7os do teto anual at\u00e9 maio. Na \u00faltima semana, o Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio da China informou que o pa\u00eds atingiu 80% da cota, mas a expectativa do setor \u00e9 que o percentual seja maior: os c\u00e1lculos de Pequim n\u00e3o contabilizam a carga j\u00e1 embarcada que ainda n\u00e3o chegou aos portos chineses.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do mercado chin\u00eas para o Brasil torna a restri\u00e7\u00e3o sens\u00edvel. Em 2025, a China absorveu 48% do volume total exportado pelo Brasil \u2014 1,68 milh\u00e3o de toneladas e US$ 8,9 bilh\u00f5es. Para 2026, o teto fixado por Pequim \u00e9 de 1,1 milh\u00e3o de toneladas.<\/p>\n<p>Se as cotas chinesas j\u00e1 comprimem o setor, o cen\u00e1rio europeu agrava o quadro. Apesar de o acordo comercial provis\u00f3rio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia ter entrado em vigor em 1\u00ba de maio, a UE retirar\u00e1 o Brasil da lista de exportadores aprovados de v\u00e1rias carnes a partir de 3 de setembro.<\/p>\n<p>A justificativa: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/agronegocio\/embargo-carne-uniao-europeia-agro-critica-governo\/\">o governo brasileiro n\u00e3o comprovou adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas europeias sobre uso de antimicrobianos<\/a>.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es europeias com o esgotamento das cotas chinesas amplifica o impacto sobre o setor, pressionando o planejamento e a rentabilidade dos pecuaristas em ambos os ciclos de confinamento do ano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/21171043\/carne-bloqueio-exportacoes-china-uniao-europeia-960x540.jpg.webp\" \/><i>Rebanho bovino em Lavras, no interior de Minas Gerais; clima e exporta\u00e7\u00f5es afetam o setor. (Foto: Tony Oliveira\/CNA)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Brasil esbarra em regras chinesas para ampliar exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina<\/h2>\n<p>Em maio, o Brasil solicitou \u00e0 China o redirecionamento de parcelas da cota n\u00e3o utilizadas por pa\u00edses concorrentes, como Argentina, Uruguai e Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>A redistribui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, esbarra na mec\u00e2nica do sistema. &#8220;As cotas do com\u00e9rcio internacional entre a China e o Brasil, assim como demais fontes de importa\u00e7\u00e3o para o mercado chin\u00eas, s\u00e3o do tipo <em>country-specific TRQ<\/em>s, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de transfer\u00eancia de cota entre exportadores como h\u00e1 em alguns mercados&#8221;, explica C\u00edcero Zanetti de Lima, pesquisador do Centro de Estudos do Agroneg\u00f3cio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Agro).<\/p>\n<p>Na mesma linha, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agrobusiness (Abag) alerta que &#8220;qualquer eventual redistribui\u00e7\u00e3o de cotas depende exclusivamente das regras estabelecidas pelas autoridades chinesas, portanto \u00e9 cedo para trabalhar com essa hip\u00f3tese&#8221;.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Novos mercados ganham for\u00e7a como alternativa<\/h2>\n<p>O caminho mais fact\u00edvel passa por duas frentes, segundo Zanetti, do FGV Agro: negocia\u00e7\u00e3o governamental entre os dois pa\u00edses e busca de novos destinos para a carne bovina.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalva o diferencial tarif\u00e1rio: dentro da cota, a al\u00edquota \u00e9 de 12%; fora dela, salta para 55%. &#8220;Esse valor de tarifa somente ser\u00e1 absorvido pela ind\u00fastria de carne se a margem diminuir. Por\u00e9m isso colocaria o setor como um todo em uma situa\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>A Abag endossa a estrat\u00e9gia. &#8220;Diversificar exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o significa substituir a China, e sim reduzir riscos e ampliar oportunidades para todo o segmento.&#8221;<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Mercado interno n\u00e3o deve absorver excedente<\/h2>\n<p>Diante de cotas esgotadas e barreiras europeias, as margens da cadeia produtiva devem estreitar nos pr\u00f3ximos meses. &#8220;A carne bovina \u00e9 uma commodity e seguir\u00e1 os pre\u00e7os internacionais de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o. O que podemos esperar s\u00e3o margens mais apertadas devido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de cotas&#8221;, projeta Zanetti.<\/p>\n<p>O mercado interno, por\u00e9m, dificilmente absorver\u00e1 o excedente que n\u00e3o for exportado. &#8220;O primeiro motivo \u00e9 pre\u00e7o, e o segundo \u00e9 a renda, o que dificulta o acesso de parte da popula\u00e7\u00e3o a esta prote\u00edna&#8221;, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Para a Abag, no curto prazo, \u00e9 natural que haja ajustes nas exporta\u00e7\u00f5es, com reflexos sobre pre\u00e7os e margens da cadeia. Parte desse volume precisar\u00e1 ser direcionada a outros compradores ou absorvida internamente.<\/p>\n<p>A entidade, entretanto, mant\u00e9m leitura otimista de longo prazo: &#8220;Os fundamentos da pecu\u00e1ria brasileira permanecem s\u00f3lidos. O Brasil \u00e9 competitivo, tem elevada credibilidade sanit\u00e1ria e continuar\u00e1 sendo um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.&#8221;<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As restri\u00e7\u00f5es da China e da Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de carne bovina t\u00eam colocado o setor frigor\u00edfico&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":603829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-604987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/604987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=604987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/604987\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/603829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=604987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=604987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=604987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}