{"id":598964,"date":"2026-07-30T13:28:40","date_gmt":"2026-07-30T17:28:40","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=598964"},"modified":"2026-07-30T13:28:40","modified_gmt":"2026-07-30T17:28:40","slug":"cratera-silverpit-estudo-confirma-impacto-de-asteroide-que-gerou-megatsunami-de-mais-de-100-metros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=598964","title":{"rendered":"Cratera Silverpit: estudo confirma impacto de asteroide que gerou megatsunami de mais de 100 metros"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Por mais de duas d\u00e9cadas, a origem da Cratera\u00a0Silverpit\u00a0dividiu a comunidade cient\u00edfica. Descoberta em 2002 durante levantamentos s\u00edsmicos para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no sul do Mar do Norte, a estrutura subterr\u00e2nea j\u00e1 foi atribu\u00edda tanto ao impacto de um asteroide quanto a processos geol\u00f3gicos naturais, como o deslocamento de dep\u00f3sitos de sal no subsolo.<\/p>\n<p>Agora, um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-63985-z\">estudo recente publicado na revista\u00a0<em>Nature\u00a0Communications<\/em><\/a>\u00a0encerra o debate ao confirmar que <strong>a forma\u00e7\u00e3o foi causada pela colis\u00e3o de um corpo celeste h\u00e1 cerca de 43 a 46 milh\u00f5es de anos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Como cientistas confirmaram a origem da Cratera Silverpit?<\/h2>\n<p>A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade\u00a0Heriot-Watt, no Reino Unido, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es. Para solucionar o mist\u00e9rio, a equipe combinou imagens s\u00edsmicas de alta resolu\u00e7\u00e3o, an\u00e1lises microsc\u00f3picas de amostras de rochas e simula\u00e7\u00f5es computacionais capazes de reconstruir o impacto.\u00a0<\/p>\n<p>Os resultados mostram que um asteroide de aproximadamente 160 metros de di\u00e2metro atingiu a regi\u00e3o em alta velocidade e em um \u00e2ngulo baixo, vindo do\u00a0oeste. A colis\u00e3o escavou uma cratera com cerca de tr\u00eas quil\u00f4metros de di\u00e2metro, hoje localizada aproximadamente 700 metros abaixo do leito marinho e a cerca de 130 quil\u00f4metros da costa de Yorkshire, na Inglaterra.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/29113004\/origem-da-Cratera-Silverpit-960x540.jpg.webp\" \/><i>Cratera Silverpit, localizada aproximadamente 700 metros abaixo do leito marinho e a cerca de 130 quil\u00f4metros da costa de Yorkshire, na Inglaterra. (Foto: Wikimedia Commons )<\/i><\/p>\n<p>Al\u00e9m de formar a cratera, o impacto lan\u00e7ou para a atmosfera uma gigantesca coluna de \u00e1gua, sedimentos e rochas com cerca de 1,5 quil\u00f4metro de altura. Minutos depois, <strong>o colapso desse material deu origem a um megatsunami com ondas superiores a 100 metros<\/strong>, suficiente para causar grande destrui\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas costeiras da \u00e9poca.\u00a0<\/p>\n<h2>Quais evid\u00eancias mostram que Silverpit foi formada por um asteroide?<\/h2>\n<p>Desde sua descoberta, a estrutura apresentava caracter\u00edsticas compat\u00edveis com crateras de impacto, como o formato circular, um pico central elevado e um amplo sistema de falhas geol\u00f3gicas ao redor.<\/p>\n<p>Ainda assim, muitos pesquisadores defendiam que essas fei\u00e7\u00f5es poderiam ser explicadas pela movimenta\u00e7\u00e3o de espessas camadas de sal existentes abaixo do fundo do mar ou at\u00e9 por antigos processos vulc\u00e2nicos.\u00a0<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia foi t\u00e3o intensa que, em 2009, especialistas chegaram a realizar uma vota\u00e7\u00e3o informal sobre a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel para a origem da\u00a0Silverpit. Na ocasi\u00e3o, a maioria rejeitou a explica\u00e7\u00e3o de um impacto extraterrestre por falta de evid\u00eancias consideradas definitivas.\u00a0<\/p>\n<p>O novo estudo mudou esse cen\u00e1rio gra\u00e7as \u00e0 disponibilidade de levantamentos s\u00edsmicos muito mais detalhados. Essa tecnologia funciona de maneira semelhante a um ultrassom do subsolo, permitindo visualizar a disposi\u00e7\u00e3o das camadas de rochas enterradas.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pesquisadores analisaram fragmentos de rochas obtidos em um po\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pr\u00f3ximo \u00e0 cratera. Neles foram encontrados cristais de quartzo e feldspato com estruturas microsc\u00f3picas conhecidas como &#8220;minerais de choque&#8221;.<\/p>\n<p>Essas deforma\u00e7\u00f5es s\u00f3 se formam quando as rochas s\u00e3o submetidas a press\u00f5es extremamente elevadas, t\u00edpicas de impactos de asteroides ou cometas, e praticamente n\u00e3o podem ser produzidas por processos geol\u00f3gicos convencionais.\u00a0<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas tamb\u00e9m conseguiram reproduzir com precis\u00e3o o formato da cratera e das falhas ao redor. O fato refor\u00e7ou que a colis\u00e3o de um asteroide \u00e9 a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com todas as evid\u00eancias reunidas.\u00a0<\/p>\n<h3>Como foi o impacto que criou a Cratera Silverpit?<\/h3>\n<p>Embora seja muito menor do que o asteroide respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o da Cratera\u00a0Chicxulub, no M\u00e9xico, que foi\u00a0associada \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos, o objeto que atingiu a regi\u00e3o da\u00a0Silverpit\u00a0liberou energia suficiente para transformar completamente a paisagem do Mar do Norte durante o Eoceno.\u00a0<\/p>\n<p>Os pesquisadores estimam que <strong>a cratera foi escavada em poucos segundos.<\/strong> A energia da colis\u00e3o deslocou enormes volumes de \u00e1gua e sedimentos, formando ondas que ultrapassaram 100 metros de altura e se propagaram pela bacia marinha.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve intensa eje\u00e7\u00e3o de material para a atmosfera, seguida pelo colapso da coluna de \u00e1gua e rochas, respons\u00e1vel por alimentar o megatsunami.\u00a0<\/p>\n<h2>Por que a Cratera Silverpit \u00e9 importante para a ci\u00eancia?<\/h2>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o da origem da\u00a0Silverpit\u00a0tamb\u00e9m amplia o restrito grupo de crateras de impacto conhecidas em ambientes marinhos. Atualmente, os cientistas reconhecem cerca de 200 crateras de impacto preservadas em continentes e apenas pouco mais de 30 sob os oceanos.\u00a0<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a ocorre porque a superf\u00edcie terrestre est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o. Processos como eros\u00e3o, sedimenta\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o das placas tect\u00f4nicas e atividade vulc\u00e2nica acabam apagando, ao longo de milh\u00f5es de anos, grande parte das marcas deixadas por colis\u00f5es com objetos espaciais.\u00a0<\/p>\n<p>Para os autores do estudo, <strong>a\u00a0Silverpit\u00a0representa um raro registro geol\u00f3gico praticamente preservado<\/strong>. Al\u00e9m de ajudar a compreender como impactos extraterrestres moldaram a evolu\u00e7\u00e3o da Terra, a cratera servir\u00e1 como um laborat\u00f3rio natural para aperfei\u00e7oar modelos capazes de simular colis\u00f5es futuras e seus poss\u00edveis efeitos sobre o planeta.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais de duas d\u00e9cadas, a origem da Cratera\u00a0Silverpit\u00a0dividiu a comunidade cient\u00edfica. Descoberta em 2002 durante levantamentos s\u00edsmicos para explora\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":598965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-598964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/598964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=598964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/598964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/598965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=598964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=598964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=598964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}