{"id":586607,"date":"2026-07-26T13:00:00","date_gmt":"2026-07-26T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=586607"},"modified":"2026-07-26T13:00:00","modified_gmt":"2026-07-26T17:00:00","slug":"as-virtudes-importantes-hoje-sao-as-mesmas-de-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=586607","title":{"rendered":"As virtudes importantes hoje s\u00e3o as mesmas de sempre"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/24165901\/virtudes-hoje-antigamente-960x540.jpg.webp\" \/><span>Muita coisa pode mudar em alguns s\u00e9culos, mas a ess\u00eancia do ser humano permanece a mesma. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Toda \u00e9poca gosta de acreditar que \u00e9 in\u00e9dita! Basta acompanhar o debate p\u00fablico para logo identificar, \u00e0s vezes subentendida, a convic\u00e7\u00e3o de que vivemos desafios absolutamente novos, diante dos quais as gera\u00e7\u00f5es passadas teriam pouco ou nada a ensinar. E isso \u00e9 verdade? A velocidade da tecnologia, o advento da intelig\u00eancia artificial, as transforma\u00e7\u00f5es culturais \u2013 as org\u00e2nicas e as forjadas pelos projetos financiados \u2013, a avalanche de informa\u00e7\u00f5es e a constante redefini\u00e7\u00e3o de valores&#8230; Tudo isso parece refor\u00e7ar aquela impress\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1, sem d\u00favida, elementos realmente novos em cada per\u00edodo hist\u00f3rico. Mudam as circunst\u00e2ncias, os costumes, as prioridades e at\u00e9 mesmo a linguagem com que descrevemos nossos problemas. No entanto, h\u00e1 um grande risco nessa percep\u00e7\u00e3o, o risco de assumirmos, n\u00e3o uma ideia, mas uma cren\u00e7a, que se infiltra na nossa mentalidade como a \u00e1gua numa casa velha&#8230; Qual? O de imaginar que a natureza humana tamb\u00e9m muda na mesma velocidade. E ela n\u00e3o muda.<\/p>\n<p>Ora, as grandes quest\u00f5es, as fundamentais, continuam surpreendentemente semelhantes. O homem ainda precisa aprender a distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do acess\u00f3rio, o bem do mal. Continua enfrentando o orgulho, a vaidade, o medo, a injusti\u00e7a, a ambi\u00e7\u00e3o desmedida e a tenta\u00e7\u00e3o de seguir a multid\u00e3o, apenas porque ela parece estar do lado vencedor. Talvez por isso uma das formas mais discretas de arrog\u00e2ncia seja, justamente, acreditar que nossa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispensada da experi\u00eancia acumulada ao longo dos s\u00e9culos. Quando se sup\u00f5e que tudo o que veio antes ficou automaticamente ultrapassado, perde-se exatamente aquilo que o tempo oferece de mais precioso: a capacidade de separar aquilo que \u00e9 permanente, do que \u00e9 passageiro.<\/p>\n<blockquote>\n<p>As grandes quest\u00f5es, as fundamentais, continuam surpreendentemente semelhantes. O homem ainda precisa aprender a distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do acess\u00f3rio, o bem do mal<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Existe ainda outra confus\u00e3o difundida \u2013 ainda menos f\u00e1cil de identificar, ou, melhor dizendo, de assumir. A gente, mesmo quando vive por ela, prefere negar. Podemos at\u00e9 ser mentalmente conservadores, mas, sem cuidado, com o passar do tempo e a for\u00e7a da opini\u00e3o alheia&#8230; bem, costuma-se identificar o que \u00e9 amplamente aceito com aquilo que \u00e9 verdadeiro. Como se uma ideia, apenas por dominar o ambiente cultural de determinada \u00e9poca, adquirisse automaticamente legitimidade. \u00c1gua mole em pedra dura tanto bate at\u00e9 que fura. Mas a popularidade jamais foi crit\u00e9rio suficiente de verdade. A hist\u00f3ria est\u00e1 repleta de consensos que hoje sabemos serem equ\u00edvocos evidentes.<\/p>\n<p>Cada \u00e9poca possui seus pontos cegos. Do ponto de visto da conduta humana e da personalidade, certas <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/virtude\/\">virtudes <\/a>recebem enorme destaque; outras quase desaparecem do horizonte. Algumas qualidades passam a ser celebradas enquanto outras s\u00e3o consideradas antiquadas. O problema come\u00e7a quando se conclui que aquilo que est\u00e1 em evid\u00eancia representa toda a vida moral. \u00c9 comum, por exemplo, transformar determinadas qualidades em substitutos da pr\u00f3pria virtude. A efici\u00eancia, a produtividade, a coragem, a autonomia, a autenticidade ou o sucesso profissional podem ser bens importantes. Mas nenhuma delas, isoladamente, basta para formar um bom car\u00e1ter.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre quando elevamos uma \u00fanica virtude moral ao posto de crit\u00e9rio absoluto. A generosidade sem prud\u00eancia pode tornar-se ingenuidade. A coragem sem justi\u00e7a degenera em viol\u00eancia. A sinceridade sem delicadeza converte-se em grosseria, e assim sucessivamente: toda for\u00e7a, isolada numa dire\u00e7\u00e3o, degenera em seu excesso, sem equil\u00edbrio. Arist\u00f3teles lembrava que a virtude est\u00e1 no meio, no equil\u00edbrio de duas for\u00e7as, assim como Santo Agostinho dizia que as virtudes s\u00e3o feitas da mesma mat\u00e9ria que os v\u00edcios. Ora, as virtudes n\u00e3o competem entre si; elas se completam.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o talvez seja especialmente necess\u00e1ria em nosso tempo (marcado na face pela tend\u00eancia de simplificar quest\u00f5es complexas). Vivemos cercados por discursos que oferecem uma \u00fanica chave para explicar todos os problemas: basta ser aut\u00eantico; basta ser eficiente; basta ser livre; basta ser inclusivo; basta ser resiliente (sim; falei do assunto <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/samia-marsili\/resiliencia-derrotas\/\">recentemente<\/a>, mas ele \u00e9 apenas um elemento em jogo, e n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas).<\/p>\n<p>Estamos carentes de uma vis\u00e3o mais ampla da forma\u00e7\u00e3o humana. O desafio consiste justamente em resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o das modas intelectuais. Isso n\u00e3o significa rejeitar tudo o que \u00e9 novo. Ao contr\u00e1rio, significa avaliar cada novidade pelo seu conte\u00fado, e n\u00e3o apenas pelo entusiasmo que desperta. H\u00e1 avan\u00e7os que merecem ser acolhidos; outros apenas repetem velhos erros com linguagem moderna. Em vez de perguntar quais s\u00e3o as \u201cvirtudes da moda\u201d, talvez dev\u00eassemos perguntar quais virtudes continuam indispens\u00e1veis, <em>independentemente da moda<\/em>. Honestidade, justi\u00e7a, coragem, humildade, prud\u00eancia, generosidade e fortaleza nunca deixaram de ser necess\u00e1rias. Mudam as circunst\u00e2ncias em que s\u00e3o exercidas; n\u00e3o muda a sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por isso que a verdadeira educa\u00e7\u00e3o moral n\u00e3o acompanha simplesmente o esp\u00edrito do tempo. Ela procura formar pessoas capazes de dialogar com sua \u00e9poca sem se tornarem ref\u00e9ns dela. Quem vive apenas seguindo a corrente dificilmente consegue perceber para onde ela est\u00e1 levando&#8230; Por isso, viver apenas de acordo com o esp\u00edrito do tempo \u00e9 abrir m\u00e3o de um dos maiores atributos humanos: a capacidade de julgar por si mesmo. N\u00e3o no sentido de julgar tudo conforme ao seu pr\u00f3prio gosto, ignorando a tradi\u00e7\u00e3o e o bom conselho. N\u00e3o; levando em conta a orienta\u00e7\u00e3o e a sabedoria do passado, mas assumindo-a no presente ainda que contra a opini\u00e3o dominante. Esse gesto \u00e9 seri\u00edssimo, e de uma autonomia radical. Em vez de simplesmente seguir a corrente, somos chamados a confrontar as tend\u00eancias do presente com princ\u00edpios mais permanentes, capazes de sobreviver \u00e0s mudan\u00e7as de moda, de linguagem e de costumes.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Em vez de perguntar quais s\u00e3o as \u201cvirtudes da moda\u201d, talvez dev\u00eassemos perguntar quais virtudes continuam indispens\u00e1veis, <em>independentemente da moda<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ora, essa tend\u00eancia a imaginar que as virtudes tamb\u00e9m mudam conforme a \u00e9poca, como se determinadas qualidades fossem indispens\u00e1veis em um s\u00e9culo, mas dispens\u00e1veis no seguinte, nasce, em parte, da confus\u00e3o entre as virtudes propriamente ditas e caracter\u00edsticas de personalidade ou com <em>qualidades \u00fateis<\/em> em determinados contextos. Efici\u00eancia, lideran\u00e7a, disciplina, capacidade de organiza\u00e7\u00e3o, criatividade: todas s\u00e3o qualidades importantes. Mas nem sempre pertencem ao mesmo plano da honestidade, da justi\u00e7a, da humildade ou da fidelidade. H\u00e1 compet\u00eancias que variam conforme a profiss\u00e3o, a cultura ou o momento hist\u00f3rico; j\u00e1 as virtudes morais respondem a exig\u00eancias muito mais permanentes.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente essa confus\u00e3o uma das marcas do nosso tempo. Admiramos pessoas extremamente competentes e passamos a atribuir-lhes automaticamente uma superioridade moral. O sucesso, a produtividade ou a influ\u00eancia acabam ocupando o lugar do car\u00e1ter. Abundam as biografias dos CEOs bem-sucedidos, dos empres\u00e1rios que dominaram o mercado, dos que criaram novas tecnologias, dos que venderam mais <em>best-sellers<\/em>. O problema \u00e9 que nem compet\u00eancia nem sucesso s\u00e3o sin\u00f4nimos de virtude.<\/p>\n<p>Uma sociedade pode valorizar intensamente a efici\u00eancia e, ao mesmo tempo, descuidar da honestidade. Pode celebrar a ousadia enquanto negligencia a prud\u00eancia. Pode exaltar a autenticidade e esquecer a responsabilidade. Quando isso acontece, certas qualidades deixam de ocupar o lugar que lhes corresponde e passam a substituir aquilo que deveria orientar toda a vida moral. As virtudes aut\u00eanticas, por\u00e9m, n\u00e3o funcionam como pe\u00e7as intercambi\u00e1veis. N\u00e3o escolhemos uma ou outra conforme nossa prefer\u00eancia pessoal. N\u00e3o faz sentido algu\u00e9m dizer: \u201cprocuro ser justo, mas a sinceridade n\u00e3o \u00e9 meu forte\u201d, ou \u201csou leal, mas a humildade n\u00e3o faz o meu tipo\u201d. O ideal \u00e9tico n\u00e3o consiste em \u201cespecializar-se\u201d numa \u00fanica virtude, mas em permitir que todas cres\u00e7am harmonicamente. Pela natureza do nosso temperamento, temos mais facilidade ou dificuldade para uma ou outra coisa, mas a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter \u00e9 justamente a busca do equil\u00edbrio do quadro.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que algumas delas parecem dif\u00edceis de conciliar. Como unir firmeza e mansid\u00e3o? Como ser ao mesmo tempo humilde e corajoso? Como exercer autoridade sem autoritarismo? No entanto, as grandes personalidades da hist\u00f3ria mostram justamente que essas aparentes tens\u00f5es podem ser integradas. A verdadeira maturidade n\u00e3o elimina um polo para preservar o outro; aprende a equilibr\u00e1-los. As modas passam. As virtudes permanecem. E \u00e9 justamente por isso que vale a pena voltar continuamente a elas: n\u00e3o como rel\u00edquias de um passado distante, mas como refer\u00eancias capazes de orientar qualquer \u00e9poca \u2013 inclusive a nossa.<\/p>\n<p>As virtudes morais dizem respeito ao <em>modo como usamos nossa liberdade<\/em>. Justi\u00e7a, honestidade, fidelidade, generosidade, coragem, humildade: nenhuma delas \u00e9 um simples tra\u00e7o de personalidade ou uma habilidade t\u00e9cnica. S\u00e3o escolhas reiteradas, pelas quais nos tornamos respons\u00e1veis. Talvez por isso elas despertem um tipo de rea\u00e7\u00e3o que nenhuma outra qualidade produz. Quando algu\u00e9m revela grande intelig\u00eancia, admiramos seu talento. Quando algu\u00e9m pratica uma injusti\u00e7a, por\u00e9m, sentimos que aconteceu algo muito mais profundo. H\u00e1 uma gravidade especial nas quest\u00f5es morais, porque elas atingem aquilo que a pessoa escolheu ser.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que ningu\u00e9m sente culpa por n\u00e3o ter nascido um grande m\u00fasico ou um excelente atleta! Podemos at\u00e9 ficar tristes, desejando ser essas coisas, mas \u00e9 mais f\u00e1cil bradarmos contra o C\u00e9u ou contra o destino do que nos sentirmos, n\u00f3s, culpados disso. Entretanto, sentimos culpa quando percebemos que fomos injustos, covardes ou desleais. Existe uma diferen\u00e7a intuitiva entre fracassar por falta de capacidade e fracassar por falta de car\u00e1ter.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Quando deixamos de distinguir compet\u00eancia de virtude, come\u00e7amos a admirar pessoas bem-sucedidas sem perguntar se elas tamb\u00e9m s\u00e3o boas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 um erro imaginar que os <em>princ\u00edpios morais<\/em> \u2013 que s\u00e3o as balizas ou o gabarito das virtudes, com rela\u00e7\u00e3o aos quais as julgamos \u2013 mudam conforme as \u00e9pocas. N\u00e3o: o que muda \u00e9 nossa sensibilidade para perceb\u00ea-los. \u00c9 que cada gera\u00e7\u00e3o ou mesmo cada civiliza\u00e7\u00e3o, por causa de fatores v\u00e1rios, tende a enxergar alguns aspectos da realidade com mais clareza do que outras. Hoje, por exemplo, valorizamos muito mais a dignidade de cada pessoa do que sociedades antigas, que frequentemente aceitavam formas de discrimina\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia hoje consideradas intoler\u00e1veis. Em compensa\u00e7\u00e3o, talvez estejamos perdendo a percep\u00e7\u00e3o de outras virtudes igualmente essenciais, como a rever\u00eancia, o autocontrole, a responsabilidade ou a disposi\u00e7\u00e3o para o sacrif\u00edcio. Os pontos cegos mudam; a verdade moral, o \u201cgabarito\u201d das virtudes, n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">E hoje, n\u00e3o apenas deixamos de praticar certas virtudes, mas come\u00e7amos a desconfiar da pr\u00f3pria ideia de virtude. Toda linguagem moral passa a soar excessivamente r\u00edgida, como se falar em certo e errado fosse sempre uma forma de intoler\u00e2ncia. E \u00e9 compreens\u00edvel que isso aconte\u00e7a quando a moral \u00e9 reduzida a moralismo, legalismo ou julgamento permanente dos outros. Mas rejeitar esses desvios n\u00e3o exige abandonar a pr\u00f3pria \u00e9tica. Pelo contr\u00e1rio: exige recuper\u00e1-la em sua forma mais aut\u00eantica. Por isso me parece que, nessa discuss\u00e3o, hoje em dia, seja urgente esclarecer que a moral antiga \u2013 a saber, a moral crist\u00e3, mais especificamente a tradi\u00e7\u00e3o moral cat\u00f3lica, que est\u00e1 na constitui\u00e7\u00e3o da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, queira-se ou n\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9, de modo algum, a <em>moral burguesa<\/em>, essa caricatura de moral religiosa que cresceu como um parasita na nossa cultura, nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. Ela \u00e9 falsa, \u00e9 a religi\u00e3o ou a moral do Tartufo. Autores como L\u00e9on Bloy merecem ainda ser lidos porque tratavam de maneira furiosa essa cultura burguesa, que tentava adaptar a religi\u00e3o aos gostos e modas sociais. A vida moral n\u00e3o consiste apenas em cumprir deveres, mas numa <em>transforma\u00e7\u00e3o interior<\/em>. Virtudes como a humildade, a capacidade de reconhecer os pr\u00f3prios erros, o perd\u00e3o e o amor ao pr\u00f3ximo n\u00e3o anulam a justi\u00e7a nem a verdade; antes, d\u00e3o-lhes uma profundidade que dificilmente seria alcan\u00e7ada apenas pela for\u00e7a da raz\u00e3o ou pelo cumprimento de regras.<\/p>\n<p>Tenhamos claro o que nos ensina a hist\u00f3ria: Uma sociedade pode sobreviver por algum tempo com menos efici\u00eancia, menos riqueza ou menos tecnologia. O que ela dificilmente suporta \u00e9 a eros\u00e3o silenciosa do car\u00e1ter. Quando deixamos de distinguir compet\u00eancia de virtude, come\u00e7amos a admirar pessoas bem-sucedidas sem perguntar se elas tamb\u00e9m s\u00e3o boas. A crise contempor\u00e2nea das virtudes n\u00e3o decorre apenas da dificuldade em pratic\u00e1-las. Antes, nasce de uma dificuldade ainda mais profunda: a de compreender o que elas realmente s\u00e3o. Toda gera\u00e7\u00e3o \u00e9 tentada a imaginar que seus valores s\u00e3o a medida definitiva da realidade. Talvez seja mais prudente inverter a pergunta. Em vez de exigir que as virtudes se justifiquem diante do esp\u00edrito do tempo, vale perguntar qual ser\u00e1 o veredito quando o esp\u00edrito deste tempo for julgado \u00e0 luz das virtudes permanentes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita coisa pode mudar em alguns s\u00e9culos, mas a ess\u00eancia do ser humano permanece a mesma. 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