{"id":583448,"date":"2026-07-25T12:00:00","date_gmt":"2026-07-25T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=583448"},"modified":"2026-07-25T12:00:00","modified_gmt":"2026-07-25T16:00:00","slug":"o-plano-da-china-e-da-russia-para-neutralizar-a-spacex-e-dominar-a-orbita-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=583448","title":{"rendered":"O plano da China e da R\u00fassia para neutralizar a SpaceX e dominar a \u00f3rbita da Terra"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Uma entidade estatal chinesa tornou-se a terceira do mundo a recuperar com sucesso, de forma controlada, um propulsor de foguete de classe orbital.<\/p>\n<p>O feito foi alcan\u00e7ado pela China Aerospace Science and Technology Corp. (CASC), por meio de uma de suas subsidi\u00e1rias. Trata-se da primeira recupera\u00e7\u00e3o desse tipo realizada pela China e da segunda por um pa\u00eds, depois dos Estados Unidos, demonstrando que a tecnologia chinesa de foguetes reutiliz\u00e1veis est\u00e1 atr\u00e1s apenas da americana, liderada pela SpaceX.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o tem implica\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas relevantes. A CASC atende ao Partido Comunista Chin\u00eas e, segundo diversos relatos, coopera com a R\u00fassia em tecnologias militares, incluindo armas espaciais, sistemas antissat\u00e9lite, muni\u00e7\u00f5es para drones aut\u00f4nomos e defesa integrada a\u00e9rea e antim\u00edsseis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que a empresa desenvolve planos voltados \u00e0 neutraliza\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites da SpaceX, infraestrutura da qual dependem tanto os Estados Unidos quanto for\u00e7as militares aliadas.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o do propulsor marcou outro feito in\u00e9dito: foi a primeira do mundo realizada com o aux\u00edlio de uma enorme rede instalada sobre uma plataforma mar\u00edtima. A CASC tornou-se a terceira organiza\u00e7\u00e3o a dominar essa capacidade, ap\u00f3s a SpaceX, em 2015, e a Blue Origin, em 2025. O propulsor pertencia ao foguete Long March 10B, de 63 metros de altura, capaz de colocar at\u00e9 16 toneladas em \u00f3rbita terrestre baixa (LEO).<\/p>\n<p>O est\u00e1gio recuperado possui cinco metros de di\u00e2metro e empregou uma solu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita: em vez das tradicionais pernas de pouso, utilizou ganchos para ser capturado pela estrutura mar\u00edtima. A inova\u00e7\u00e3o pode representar uma vantagem importante, e h\u00e1 ind\u00edcios de que a China j\u00e1 desenvolve um foguete reutiliz\u00e1vel com sete metros de di\u00e2metro baseado no mesmo conceito.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento ocorreu em 10 de julho, a partir da ilha de Hainan, no sul da China. Ap\u00f3s cumprir sua miss\u00e3o, o propulsor utilizou sistemas automatizados para pousar sobre a plataforma equipada com uma grande rede de cabos tensionados, posicionada cerca de 430 quil\u00f4metros mar adentro, no Mar da China Meridional.<\/p>\n<p>Segundo a CASC, o uso de ganchos reduz a massa estrutural do foguete ao eliminar a necessidade de pernas de pouso, permitindo transportar cargas \u00fateis maiores. A recupera\u00e7\u00e3o no mar tamb\u00e9m diminui a quantidade de combust\u00edvel necess\u00e1ria para que o propulsor retorne ao local de lan\u00e7amento, aumentando a efici\u00eancia operacional. O sistema foi desenvolvido pela Academia de Tecnologia de Ve\u00edculos de Lan\u00e7amento da China, subsidi\u00e1ria da estatal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reduzir os custos de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites, a tecnologia dever\u00e1 contribuir para o objetivo chin\u00eas de levar astronautas \u00e0 Lua at\u00e9 2030. Ao mesmo tempo, amplia as capacidades militares do pa\u00eds, ao fortalecer constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites, armas contraespaciais, a rapidez na reposi\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites em \u00f3rbita e a pr\u00f3pria base industrial respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de foguetes e m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais.<\/p>\n<p>O potencial estrat\u00e9gico dessa capacidade fica mais evidente quando comparado ao modelo desenvolvido pela SpaceX. Com seu foguete reutiliz\u00e1vel Falcon 9, a empresa j\u00e1 colocou em \u00f3rbita mais de 12 mil sat\u00e9lites Starlink e desempenhou papel central na cria\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o Starshield, utilizada pela For\u00e7a Espacial dos Estados Unidos para comunica\u00e7\u00f5es seguras e atividades de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a empresa fornece uma nova rede de transmiss\u00e3o de dados para a For\u00e7a Espacial americana e sistemas capazes de rastrear objetos em movimento na Terra e no espa\u00e7o a\u00e9reo. Tanto o Starshield quanto os terminais Starlink s\u00e3o amplamente empregados pelas For\u00e7as Armadas dos EUA em comunica\u00e7\u00f5es, opera\u00e7\u00f5es antidrones e no controle de drones de ataque de longo alcance.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o regime chin\u00eas \u00e9 acusado de adotar uma postura cada vez mais agressiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 SpaceX. Segundo relatos, a CASC apresentou \u00e0 R\u00fassia um plano em v\u00e1rias etapas para limitar a atua\u00e7\u00e3o da empresa americana. As medidas incluiriam restri\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias baseadas no direito internacional, disputa por frequ\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o e posi\u00e7\u00f5es orbitais, ataques eletr\u00f4nicos e cibern\u00e9ticos contra os sat\u00e9lites da empresa e, em \u00faltimo est\u00e1gio, sua destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica por meio de armas antissat\u00e9lite de baixo custo.<\/p>\n<p>Segundo essas informa\u00e7\u00f5es, o objetivo seria desenvolver um sistema suficientemente barato para destruir sat\u00e9lites em ritmo superior \u00e0 capacidade da SpaceX de substitu\u00ed-los por novos lan\u00e7amentos.<\/p>\n<p>Embora a CASC seja a primeira entidade chinesa a realizar uma recupera\u00e7\u00e3o controlada de propulsores, diversas outras empresas do pa\u00eds trabalham em projetos semelhantes. \u00c9 prov\u00e1vel que algumas delas obtenham sucesso nos pr\u00f3ximos anos, acelerando ainda mais o crescimento do programa espacial chin\u00eas, que passou de 39 lan\u00e7amentos em 2020 para mais de 90 em 2025.<\/p>\n<p>Para este ano, a meta oficial \u00e9 realizar 140 lan\u00e7amentos. Caso esse ritmo seja alcan\u00e7ado, a China poder\u00e1 superar os Estados Unidos em n\u00famero anual de miss\u00f5es \u00e0 medida que suas tecnologias de lan\u00e7amento e recupera\u00e7\u00e3o amadure\u00e7am.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos, a expectativa \u00e9 de um aumento expressivo das recupera\u00e7\u00f5es de foguetes e da expans\u00e3o das constela\u00e7\u00f5es chinesas de sat\u00e9lites, projetadas para competir diretamente com as redes da SpaceX e da Amazon Leo, anteriormente conhecida como Project Kuiper. O projeto da Amazon prev\u00ea a implanta\u00e7\u00e3o de 3.236 sat\u00e9lites em \u00f3rbita terrestre baixa para ampliar o acesso global \u00e0 internet.<\/p>\n<p>Os planos chineses s\u00e3o ainda mais ambiciosos. As constela\u00e7\u00f5es Guowang (&#8220;Rede Nacional&#8221;) e Qianfan (&#8220;Mil Velas&#8221;) pretendem reunir, juntas, mais de 28 mil sat\u00e9lites em \u00f3rbita baixa. Atualmente, j\u00e1 contam com mais de 350 sat\u00e9lites em opera\u00e7\u00e3o, atendendo tanto clientes comerciais quanto, provavelmente, organiza\u00e7\u00f5es militares e de intelig\u00eancia chinesas.<\/p>\n<p>Essas constela\u00e7\u00f5es dever\u00e3o desempenhar papel fundamental no emprego global de drones militares chineses, que dependem de sistemas robustos de navega\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia via sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>O projeto Qianfan, que prev\u00ea colocar 15 mil sat\u00e9lites em \u00f3rbita at\u00e9 2030, busca disputar diretamente o mercado mundial de banda larga por sat\u00e9lite. Segundo relatos, o programa j\u00e1 firmou acordos de teste com Brasil, Turquia, Cazaquist\u00e3o e Mal\u00e1sia. Seus cr\u00edticos argumentam que pa\u00edses interessados em preservar rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com os Estados Unidos e outras democracias deveriam rever esses acordos.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de analistas de seguran\u00e7a, o avan\u00e7o chin\u00eas em foguetes reutiliz\u00e1veis representa um desafio crescente para os Estados Unidos e seus aliados. Entre as medidas defendidas est\u00e3o o endurecimento dos controles de exporta\u00e7\u00e3o sobre componentes de alta precis\u00e3o, semicondutores, m\u00e1quinas-ferramenta e mat\u00e9rias-primas destinadas aos setores espacial e de m\u00edsseis da China e da R\u00fassia, al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o de tarifas e san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para restringir os recursos dispon\u00edveis aos programas militares e espaciais dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p><em><strong>Anders Corr<\/strong> \u00e9 mestre em ci\u00eancia pol\u00edtica pela Universidade de Yale (2001) e doutor em governo pela Universidade de Harvard (2008). \u00c9 diretor da Corr Analytics Inc. e editor do Journal of Political Risk. Entre seus livros mais recentes est\u00e3o The Concentration of Power: Institutionalization, Hierarchy, and Hegemony (2021) e Great Powers, Grand Strategies: The New Game in the South China Sea (2018).<\/em><\/p>\n<p><strong><em>\u00a92026 The Epoch Times. Publicado com permiss\u00e3o. Original em ingl\u00eas:<\/em><\/strong> <em><a href=\"https:\/\/www.theepochtimes.com\/opinion\/chinas-space-war-against-the-usa-6064378?ea_src=opinion&amp;ea_med=section-2\"><strong>China\u2019s Space War Against the USA<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma entidade estatal chinesa tornou-se a terceira do mundo a recuperar com sucesso, de forma controlada, um propulsor de foguete&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":583449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-583448","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/583448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=583448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/583448\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/583449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=583448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=583448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=583448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}