{"id":581573,"date":"2026-07-24T07:00:00","date_gmt":"2026-07-24T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=581573"},"modified":"2026-07-24T07:00:00","modified_gmt":"2026-07-24T11:00:00","slug":"governo-lula-prefere-se-vitimizar-a-negociar-de-verdade-com-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=581573","title":{"rendered":"Governo Lula prefere se vitimizar a negociar de verdade com Trump"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/23230237\/55412197909_49f49e862e_o-960x540.jpg.webp\" \/><span>Enquanto outros pa\u00edses negociaram com Trump, o Brasil preferiu o embate pol\u00edtico e desperdi\u00e7ou oportunidades econ\u00f4micas. (Foto: Ricardo Stuckert\/PR)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O governo brasileiro insiste na narrativa de que tentou negociar com os EUA, mas que n\u00e3o encontrou boa vontade por parte de Donald Trump. O discurso \u00e9, no m\u00ednimo, estranho, uma vez que Reino Unido, \u00cdndia, Coreia do Sul e Uni\u00e3o Europeia conseguiram atenuar os efeitos do tarifa\u00e7o por meio de negocia\u00e7\u00f5es bem-sucedidas.<\/p>\n<p>Diferentemente desses pa\u00edses, o governo brasileiro, em vez de negociar de fato, preferiu o discurso pol\u00edtico eleitoreiro, vitimista e ideol\u00f3gico, acusando os EUA de serem injustos e exploradores com o Brasil, como se o objetivo tarif\u00e1rio fosse de ordem estritamente pol\u00edtica para atingir a administra\u00e7\u00e3o petista.<\/p>\n<p>Os fatos desmontam essa narrativa. Trump n\u00e3o taxou apenas o Brasil, mas v\u00e1rios pa\u00edses do mundo \u2013 inclusive na\u00e7\u00f5es historicamente aliadas, como o Canad\u00e1, taxado em 50% para alguns setores.<\/p>\n<p>Como esta coluna j\u00e1 chamou a aten\u00e7\u00e3o em outros textos, Trump defende tarifas <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/alan-ghani\/balanco-tarifas-protecionistas-donald-trump\/\">protecionistas <\/a>desde a d\u00e9cada de 80. Para ele, as tarifas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de bala de prata dos EUA a fim de atingir alguns objetivos.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 arrecadat\u00f3rio. Os impostos de importa\u00e7\u00e3o aumentariam as receitas do governo, contribuindo para reduzir o d\u00e9ficit fiscal americano. A ideia \u00e9 que os outros pa\u00edses, a fim de n\u00e3o perder o maior mercado consumidor do planeta, continuariam exportando para os EUA, mesmo que isso signifique redu\u00e7\u00e3o de margens para as empresas exportadoras.<\/p>\n<p>O segundo objetivo \u00e9 reindustrializar os EUA. Com o encarecimento das exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, muitas empresas optariam por produzir internamente em solo americano em vez de migrar suas plantas industriais para outros pa\u00edses. Na l\u00f3gica de Trump, mais empregos industriais seriam gerados dentro dos EUA, e haveria menos depend\u00eancia de mercadorias de outros pa\u00edses, como a China.<\/p>\n<p>O terceiro \u00e9 atingir a economia chinesa. Tarifas mais elevadas encareceriam os produtos chineses, prejudicando suas exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, levando \u00e0 perda de receita do gigante asi\u00e1tico. Al\u00e9m disso, na vis\u00e3o de Trump, como a China vende mercadorias para outros pa\u00edses que exportam seus produtos para os EUA, esses intermedi\u00e1rios tamb\u00e9m deveriam ser taxados para atingir o gigante asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>O quarto \u00e9 ter uma vantagem na negocia\u00e7\u00e3o de outros temas. As tarifas dariam um poder de barganha para Trump, chamando os pa\u00edses para a mesa de negocia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de seu interesse. Nessa l\u00f3gica, Trump aumentaria fortemente as tarifas, for\u00e7ando a na\u00e7\u00e3o atingida a dialogar com o presidente dos EUA para pedir redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria. A partir da\u00ed, Trump ofereceria alguma redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria a fim de obter um acordo em outra \u00e1rea de seu interesse, como, por exemplo, a explora\u00e7\u00e3o de terras raras.<\/p>\n<p>Fica evidente que as tarifas protecionistas n\u00e3o t\u00eam um objetivo \u00fanico, mas devem ser entendidas \u201cdentro de um sistema internacional de com\u00e9rcio numa rede de rela\u00e7\u00f5es militares, econ\u00f4micas e pol\u00edticas, que n\u00e3o devem ser tomadas por um aspecto isolado\u201d, conforme destacou o secret\u00e1rio do Tesouro, Scott Bessent. Apesar dessa evid\u00eancia, o governo brasileiro finge n\u00e3o entender a quest\u00e3o, recorrendo ao vitimismo f\u00e1cil.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Trump joga duro nas negocia\u00e7\u00f5es, luta pelos interesses dos EUA e fez algumas acusa\u00e7\u00f5es injustas em rela\u00e7\u00e3o ao PIX e ao desmatamento do agroneg\u00f3cio brasileiro. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o USTR (United States Trade Representative) trouxe uma s\u00e9rie de reclama\u00e7\u00f5es justas em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, como a falta de seguran\u00e7a jur\u00eddica para a propriedade intelectual e o forte protecionismo da ind\u00fastria brasileira, conforme alertado no artigo da semana anterior.<\/p>\n<p>O governo do Brasil perdeu uma grande oportunidade para negociar com os EUA e abrir a economia brasileira, que \u00e9 ainda extremamente protecionista. Poderia tamb\u00e9m buscar um acordo para explorar terras raras.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Em ambos os casos, n\u00e3o houve avan\u00e7o nas negocia\u00e7\u00f5es, em grande parte, pela vis\u00e3o ideol\u00f3gica de esquerda (desenvolvimentista na economia) do governo brasileiro<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essa prefer\u00eancia ideol\u00f3gica ficou evidente pelas palavras do ministro da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, Guilherme Boulos, em entrevista no programa 3 em 1, da Jovem Pan. Ao ser questionado se o Brasil, sendo bem protecionista, teria moral para reclamar do protecionismo dos outros, o ministro disse que a tarifa seria aplicada no limite para proteger a ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p>Ora, numa economia de livre mercado, n\u00e3o existe esse tipo de mentalidade, pois a aus\u00eancia de tarifas n\u00e3o \u00e9 vista como um mal, mas uma oportunidade para a ind\u00fastria nacional se tornar mais competitiva, importando m\u00e1quinas, equipamentos e tecnologia para se desenvolver.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s terras raras, tamb\u00e9m prevalece uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica, neocolonialista e retr\u00f3grada por parte do governo federal. Para o governo, os EUA v\u00eam explorar as terras raras, n\u00e3o deixando a riqueza para o Brasil.<\/p>\n<p>Entretanto, o Brasil n\u00e3o tem dinheiro nem capacidade t\u00e9cnica de produ\u00e7\u00e3o e refino de terras raras. Por que, ent\u00e3o, n\u00e3o fazer uma parceria com os EUA para desenvolver essa ind\u00fastria? Deixar o recurso debaixo da terra n\u00e3o traz riqueza, mas serve apenas para alimentar o patriotismo da riqueza natural, t\u00e3o comum no Brasil (\u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 nossa\u201d, \u201co petr\u00f3leo \u00e9 nosso\u201d).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de ser submisso aos EUA, mas entender que, se o Brasil tiver uma vis\u00e3o mais pr\u00f3-neg\u00f3cio, mais liberal, \u00e9 poss\u00edvel ter bons acordos com os EUA, a Uni\u00e3o Europeia e a China. A abertura econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 o meio mais f\u00e1cil de se obter votos, mas \u00e9 um dos melhores caminhos para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto outros pa\u00edses negociaram com Trump, o Brasil preferiu o embate pol\u00edtico e desperdi\u00e7ou oportunidades econ\u00f4micas. 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