{"id":581185,"date":"2026-07-24T18:31:58","date_gmt":"2026-07-24T22:31:58","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=581185"},"modified":"2026-07-24T18:31:58","modified_gmt":"2026-07-24T22:31:58","slug":"nossa-crise-e-mais-profunda-que-a-mera-sucessao-de-escandalos-mas-ha-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=581185","title":{"rendered":"Nossa crise \u00e9 mais profunda que a mera sucess\u00e3o de esc\u00e2ndalos, mas h\u00e1 sa\u00edda"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Infelizmente, o Brasil tem sido sacudido dia sim, dia tamb\u00e9m, por esc\u00e2ndalos de todos os tipos. S\u00e3o os j\u00e1 muito conhecidos casos de corrup\u00e7\u00e3o, como a fraude no INSS e o caso do Banco Master, sempre repleto de novidades; s\u00e3o as decis\u00f5es arbitr\u00e1rias vindas da c\u00fapula do Poder Judici\u00e1rio; s\u00e3o os sucessivos epis\u00f3dios de apropria\u00e7\u00e3o do Estado para benef\u00edcio pessoal, como no caso dos \u201cpenduricalhos\u201d; s\u00e3o as agress\u00f5es \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas cometidas em nome do identitarismo, como a acusa\u00e7\u00e3o infundada de transfobia que quase custou a uma estudante o seu doutorado, ou as declara\u00e7\u00f5es de Janja, T\u00e1bata Amaral e Erika Hilton sobre o PL da Misoginia.<\/p>\n<p>Multiplicam-se pelo pa\u00eds, portanto, exemplos de disfun\u00e7\u00e3o, de decis\u00f5es arbitr\u00e1rias, de agress\u00f5es ao bom senso. N\u00e3o necessariamente se trata de m\u00e1-f\u00e9; ela tamb\u00e9m existe, mas de certa forma \u00e9 muito pior quando tudo isso acontece sem que ela esteja presente, pois indica que pessoas de bem passaram a considerar corretas ideias que s\u00e3o claramente contr\u00e1rias ao bem comum. Podemos dizer, ent\u00e3o, que o Brasil vive o momento mais delicado desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, caracterizado por uma crise muito mais profunda que uma mera sucess\u00e3o de esc\u00e2ndalos. E esta crise merece um olhar atento.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A crise atual \u00e9 uma crise da alma do Brasil, da alma do brasileiro, que perdeu a confian\u00e7a no futuro, na democracia, nos concidad\u00e3os, at\u00e9 nos pr\u00f3prios amigos e familiares<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A crise atual \u00e9 uma crise da alma do Brasil, da alma do brasileiro, que perdeu a confian\u00e7a no futuro, na democracia, nos concidad\u00e3os, at\u00e9 nos pr\u00f3prios amigos e familiares. Essa perda da confian\u00e7a \u00e9 seguida pela perda da esperan\u00e7a, em que milh\u00f5es passam a acreditar que o pa\u00eds j\u00e1 n\u00e3o tem a capacidade de construir consensos. Em termos concretos, essa falta de esperan\u00e7a se manifesta nos casais que deixam de desejar ter filhos, nos jovens que sonham em deixar o Brasil, nos empreendedores que adiam investimentos. A esperan\u00e7a gera entusiasmo e alegria, mas sem essas duas for\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 como batalhar por uma sociedade melhor. Se descrevemos essa crise como a principal, n\u00f3s o fazemos n\u00e3o porque seja a mais dif\u00edcil de debelar, ou porque seja a origem das outras crises, mas porque ela dificulta a rea\u00e7\u00e3o, mesmo sem atingir a totalidade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de confian\u00e7a e a desesperan\u00e7a t\u00eam causas profundas, como o conjunto de ideias que levam \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o, \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o opressor-oprimido, ao vitimismo e \u00e0 cultura do cancelamento; e o caso brasileiro mostra que essa crise da alma resulta de tr\u00eas outras grandes crises: a institucional, a econ\u00f4mica e a que chamar\u00edamos de \u00e9tico-cultural. Dessas tr\u00eas, a que mais desestabiliza o pa\u00eds hoje \u00e9 a institucional, com a ruptura da ordem constitucional por um Supremo Tribunal Federal autocr\u00e1tico, que atropela direitos e garantias \u2013 uma realidade que esta <strong>Gazeta<\/strong> tem exposto reiteradas vezes nos \u00faltimos anos. A crise econ\u00f4mica se reflete na incapacidade de crescer, na chamada \u201carmadilha da renda m\u00e9dia\u201d, na pobreza n\u00e3o erradicada, resultados de decis\u00f5es hist\u00f3ricas equivocadas de nossos governantes ao longo de d\u00e9cadas, que fragilizaram o Brasil perante os desafios e transforma\u00e7\u00f5es da sociedade e do mundo. Por fim, a crise c\u00edvica, ou \u00e9tico-cultural, envolve a baixa qualidade da nossa educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a viol\u00eancia fora de controle, a dissemina\u00e7\u00e3o do crime organizado, a cultura da corrup\u00e7\u00e3o, o baixo associativismo, a desconfian\u00e7a nos demais, a cren\u00e7a na for\u00e7a bruta como meio de impor as pr\u00f3prias plataformas, a \u00e2nsia de censurar os outros em vez de fomentar o debate de ideias. Essas crises n\u00e3o s\u00e3o compartimentos estanques; uma alimenta a outra, e \u00e9 dessa retroalimenta\u00e7\u00e3o que nasce a desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Com a campanha eleitoral prestes a come\u00e7ar oficialmente (pois, informalmente, ela j\u00e1 est\u00e1 em curso h\u00e1 tempos), temos de nos convencer de que n\u00e3o bastar\u00e1 eleger representantes preocupados com apenas uma dessas tr\u00eas crises. Mesmo defendendo que sociedades saud\u00e1veis se constroem de baixo para cima, a <strong>Gazeta<\/strong> reconhece a import\u00e2ncia dos l\u00edderes, pois eles podem inibir ou impulsionar o potencial da sociedade. E os l\u00edderes de que precisamos agora t\u00eam de ser capazes de renovar as institui\u00e7\u00f5es que protegem a liberdade; de criar as condi\u00e7\u00f5es de uma prosperidade que dure; e de devolver vitalidade \u00e0 sociedade civil brasileira \u2013 tudo ao mesmo tempo. E, antes de qualquer coisa, ser\u00e1 necess\u00e1ria a coragem de impedir que ven\u00e7a quem certamente destruir\u00e1 o que ainda resta de bom. O Brasil tem uma popula\u00e7\u00e3o jovem e criativa, recursos naturais como poucas na\u00e7\u00f5es possuem, e um mercado interno gigantesco. S\u00e3o fundamentos s\u00f3lidos para um potencial que n\u00e3o desapareceu; o que falta, muitas vezes, \u00e9 a vontade e capacidade de coordena\u00e7\u00e3o para destrav\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Neste momento, portanto, a miss\u00e3o de todos os brasileiros \u00e9 a de n\u00e3o nos portarmos como meros espectadores, mas agir como eleitores conscientes do poder de influir nos rumos do pa\u00eds; manter viva a esperan\u00e7a de que estamos em um bom momento para alterar a dire\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria; reavivar a esperan\u00e7a de todos os que est\u00e3o \u00e0 nossa volta; e examinar com aten\u00e7\u00e3o redobrada as propostas que os candidatos apresentar\u00e3o nas pr\u00f3ximas semanas (<em>se<\/em> as apresentarem, evidentemente). O candidato ideal ter\u00e1 respostas concretas para cada uma dessas tr\u00eas dimens\u00f5es, e estatura para enfrent\u00e1-las ao mesmo tempo, sem se perder em solu\u00e7\u00f5es parciais que aliviam um sintoma e agravam outro. Cabe ao eleitor julgar com intelig\u00eancia e procurar quem tenha esse perfil, ou ao menos o que mais se aproxime deste ideal e o que n\u00e3o contribua para piorar nossas crises. Discutir o Brasil, mais que discutir nomes, ajuda a escolher melhor, pois presidentes passam, mas o pa\u00eds permanece.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infelizmente, o Brasil tem sido sacudido dia sim, dia tamb\u00e9m, por esc\u00e2ndalos de todos os tipos. 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