{"id":567610,"date":"2026-07-19T19:05:18","date_gmt":"2026-07-19T23:05:18","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=567610"},"modified":"2026-07-19T19:05:18","modified_gmt":"2026-07-19T23:05:18","slug":"falta-de-infraestrutura-custa-r-284-bilhoes-por-ano-ao-brasil-e-trava-avanco-do-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=567610","title":{"rendered":"Falta de infraestrutura custa R$ 284 bilh\u00f5es por ano ao Brasil e trava avan\u00e7o do PIB"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O d\u00e9ficit de infraestrutura no Brasil gera um impacto financeiro estimado em R$ 284 bilh\u00f5es por ano, segundo estimativa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e do Movimento Brasil Competitivo.<\/p>\n<p>Materializada em rodovias esburacadas, portos saturados e tarifas de energia elevadas, a falta de investimento na \u00e1rea afeta diretamente a produtividade das empresas. A conta recai de forma mais pesada sobre o setor produtivo, encarecendo a opera\u00e7\u00e3o log\u00edstica \u201cda porteira para fora\u201d e reduzindo a capacidade de o pa\u00eds competir no mercado internacional.<\/p>\n<p><em>(Esta reportagem faz parte da s\u00e9rie\u00a0<strong>Brasil Rico<\/strong>, que aborda as escolhas erradas que travam o avan\u00e7o da economia e os caminhos para transformar o pa\u00eds em uma na\u00e7\u00e3o de alta renda.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-rico\/\">Confira aqui os outros textos da s\u00e9rie<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>Para o ambiente corporativo, as despesas com transporte e armazenamento operam quase como um imposto adicional sobre a produ\u00e7\u00e3o. Os custos log\u00edsticos brasileiros superam a m\u00e9dia de outros pa\u00edses de dimens\u00f5es continentais.<\/p>\n<p>Em setores espec\u00edficos, o impacto sobre o faturamento \u00e9 direto: na ind\u00fastria de materiais de constru\u00e7\u00e3o, o frete representa 14,3% das receitas; em companhias de \u00f3leo e g\u00e1s, chega a 13,3%; e, no segmento de higiene e limpeza, consome 9,9%.<\/p>\n<p>A raiz do problema est\u00e1 no baixo n\u00edvel de aportes em capital f\u00edsico estrutural. Segundo estudo recente da Inter.B Consultoria, o estoque de capital em infraestrutura no Brasil permanece estagnado na faixa de 35% a 40% do PIB desde os anos 2000.<\/p>\n<p>Para modernizar o setor e alcan\u00e7ar o estoque-alvo, estimado em 63,7% ao longo das pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, o pa\u00eds precisaria investir o equivalente a 4,65% do PIB anualmente. Em 2024, no entanto, os aportes somaram R$ 266,8 bilh\u00f5es, o equivalente a apenas 2,27% do PIB, com a iniciativa privada respondendo por 70,5% desse total.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de o volume estar abaixo do necess\u00e1rio, 61,7% dos recursos investidos foram direcionados exclusivamente \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o da deprecia\u00e7\u00e3o de ativos antigos, limitando a expans\u00e3o efetiva das redes de servi\u00e7os. Em 2025, a consultoria estima investimentos de R$ 277,9 bilh\u00f5es, o que representaria uma queda relativa para 2,19% do PIB.<\/p>\n<h2>Depend\u00eancia rodovi\u00e1ria persiste e portos seguem ineficientes<\/h2>\n<p>O setor de transportes concentra o maior hiato de moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Com R$ 90 bilh\u00f5es em investimentos ao longo de 2025, o segmento destinou mais da metade dos recursos (R$ 46,4 bilh\u00f5es) ao modal rodovi\u00e1rio, segundo c\u00e1lculos da Inter.B.<\/p>\n<p>O Brasil concentra o escoamento de sua safra e produ\u00e7\u00e3o industrial em uma malha rodovi\u00e1ria federal com pouco mais de 65,7 mil quil\u00f4metros pavimentados. Desses, apenas cerca de 14 mil est\u00e3o concedidos \u00e0 iniciativa privada.<\/p>\n<p>A fragilidade das vias administradas pelo poder p\u00fablico eleva o consumo de combust\u00edvel, o custo dos seguros e o desgaste das frotas. Como resposta, o governo federal estabeleceu a meta de realizar at\u00e9 36 leil\u00f5es rodovi\u00e1rios at\u00e9 o fim deste ano, movimento que inclui a recente concess\u00e3o da Rodovia Fern\u00e3o Dias, entre S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Na ponta final da cadeia log\u00edstica, a infraestrutura portu\u00e1ria experimenta avan\u00e7os com o regime de Terminais de Uso Privado (TUPs). A concess\u00e3o in\u00e9dita do canal de acesso ao Porto de Paranagu\u00e1 (PR) foi um passo na tentativa de garantir dragagem cont\u00ednua e a atraca\u00e7\u00e3o de navios graneleiros de maior porte.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da intermodalidade esbarra, no entanto, em investimentos fluviais quase nulos \u2014 cerca de R$ 700 milh\u00f5es no ano passado \u2014, embora a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq) ainda planeje novos leil\u00f5es de Parcerias P\u00fablico-Privadas (PPPs) para as hidrovias dos rios Paraguai e Madeira.<\/p>\n<p>Nos trilhos, o cen\u00e1rio apresenta sinais de rea\u00e7\u00e3o devido a contratos de renova\u00e7\u00e3o antecipada que for\u00e7aram aportes da ordem de R$ 17,9 bilh\u00f5es em 2024. Projetos como a Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste (Fico 1) avan\u00e7am capitaneados pelo capital privado.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel federal, o programa Pr\u00f3-Trilhos, sob o regime de autoriza\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), aprovou mais de 40 projetos. V\u00e1rios deles, contudo, ainda carecem de viabilidade financeira para o in\u00edcio das obras.<\/p>\n<h2>Matriz el\u00e9trica pressiona tarifas e saneamento avan\u00e7a<\/h2>\n<p>L\u00edder na atra\u00e7\u00e3o de capital, o setor el\u00e9trico recebeu cerca de R$ 113 bilh\u00f5es em 2025. A matriz brasileira, embora sustent\u00e1vel, sofre com o encarecimento das tarifas causado pela r\u00e1pida expans\u00e3o de fontes intermitentes.<\/p>\n<p>Em 2025, o fen\u00f4meno do curtailment (cortes for\u00e7ados de gera\u00e7\u00e3o) atingiu 20,6% da capacidade e\u00f3lica e solar, gerando preju\u00edzo de R$ 6,5 bilh\u00f5es ao setor e expondo gargalos nas linhas de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No campo social e ambiental, o saneamento b\u00e1sico ganhou tra\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o novo marco legal do setor, que permitiu, por exemplo, a privatiza\u00e7\u00e3o da Sabesp (SP). O desafio agora \u00e9 o \u201csaneamento ampliado\u201d, que inclui a desativa\u00e7\u00e3o de quase 3 mil lix\u00f5es ativos e a constru\u00e7\u00e3o de galerias pluviais urbanas para mitigar enchentes que paralisam a economia.<\/p>\n<h2>Brasil investe abaixo de concorrentes globais<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da infraestrutura brasileira contrasta com as trajet\u00f3rias de economias que deram saltos de produtividade nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Durante seus per\u00edodos de expans\u00e3o industrial, Coreia do Sul e China direcionaram entre 7% e 9% de seus PIBs anualmente para a constru\u00e7\u00e3o de portos, ferrovias e parques log\u00edsticos multimodais. Na d\u00e9cada de 1970, apoiada em forte base estrutural, a economia sul-coreana chegou a registrar crescimento de 7,8%.<\/p>\n<p>Para o Brasil igualar a densidade de capital asi\u00e1tica e reduzir o pr\u00f3prio Custo Brasil, seria necess\u00e1rio investir entre 4% e 6% do PIB por 20 anos cont\u00ednuos. O ritmo interno defasado transformou o pa\u00eds no terceiro maior destino de investimentos diretos da pr\u00f3pria China, que hoje mant\u00e9m 39 grandes projetos em execu\u00e7\u00e3o no mercado nacional, focados em infraestrutura, transmiss\u00e3o e energia.<\/p>\n<p>A revers\u00e3o desse quadro imp\u00f5e desafios diretos ao poder p\u00fablico. Com a d\u00edvida p\u00fablica federal estimada em R$ 8,63 trilh\u00f5es e estatais como os Correios amargando d\u00e9ficits de at\u00e9 R$ 8,5 bilh\u00f5es, o Estado perdeu a capacidade de atuar como principal financiador da infraestrutura brasileira.<\/p>\n<h2>Inseguran\u00e7a jur\u00eddica ainda afasta investimentos<\/h2>\n<p>\u201cNosso problema de infraestrutura n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de programa, mas de agenda\u201d, avalia o economista Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B. Para ele, a solu\u00e7\u00e3o passa por contornar \u201ca tend\u00eancia da nossa economia pol\u00edtica de n\u00e3o sair do lugar\u201d.<\/p>\n<p>A converg\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o depende ainda, na avalia\u00e7\u00e3o do economista, da estabilidade dos contratos e da amplia\u00e7\u00e3o de Parcerias P\u00fablico-Privadas (PPPs). O avan\u00e7o exige blindar as ag\u00eancias reguladoras contra interfer\u00eancias pol\u00edticas e loteamentos de cargos, retomar o planejamento t\u00e9cnico de longo prazo e garantir o respeito \u00e0s decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de fundamental import\u00e2ncia impedir a captura do processo regulat\u00f3rio por agentes pol\u00edticos. Essa inger\u00eancia pol\u00edtica desacredita as institui\u00e7\u00f5es essenciais para a provis\u00e3o privada de servi\u00e7os de infraestrutura em economias de mercado em bases eficientes, gerando equil\u00edbrio entre consumidores e firmas\u201d, descreve Frischtak, em relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No documento, o economista tamb\u00e9m defende a necessidade de atualizar a atua\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias e reduzir o peso da carga regulat\u00f3ria por meio da reavalia\u00e7\u00e3o do impacto de normas e decis\u00f5es. Barreiras \u00e0 entrada de investimentos e projetos em infraestrutura, segundo ele, devem receber aten\u00e7\u00e3o especial. Da mesma forma, seria necess\u00e1rio avaliar simplifica\u00e7\u00f5es nas estruturas administrativas e organizacionais, com o objetivo de aperfei\u00e7oar a regula\u00e7\u00e3o das atividades do setor.<\/p>\n<p>Segundo Frischtak, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e9 outro fator que dificulta a inje\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de capital privado necess\u00e1ria para pavimentar a expans\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds. \u201cSeria desej\u00e1vel, na esfera do Judici\u00e1rio, acelerar e dar preced\u00eancia \u00e0 revis\u00e3o de decis\u00f5es monocr\u00e1ticas pelos colegiados, para fortalecer a estabilidade do direito\u201d, afirma.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O d\u00e9ficit de infraestrutura no Brasil gera um impacto financeiro estimado em R$ 284 bilh\u00f5es por ano, segundo estimativa da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":566735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-567610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/567610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=567610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/567610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/566735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=567610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=567610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=567610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}