{"id":566715,"date":"2026-07-19T09:12:56","date_gmt":"2026-07-19T13:12:56","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=566715"},"modified":"2026-07-19T09:12:56","modified_gmt":"2026-07-19T13:12:56","slug":"o-custo-economico-da-violencia-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=566715","title":{"rendered":"O custo econ\u00f4mico da viol\u00eancia para o Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A cada dois anos, quando come\u00e7a o per\u00edodo eleitoral, candidatos dos mais variados campos ideol\u00f3gicos aparecem com discursos sobre a qualidade ou tamanho dos gastos estatais. Como o dinheiro p\u00fablico n\u00e3o d\u00e1 para tudo, o debate gira em torno de onde cortar, como arrecadar mais ou gastar melhor.<\/p>\n<p>O que acaba sendo negligenciado pelos candidatos \u00e9 a <strong>quantidade de dinheiro perdido<\/strong> pelo governo e pela sociedade com o tamanho do custo que o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/narcoestado\/\">crime organizado <\/a>tem sobre o Brasil \u2014 que funciona como um &#8220;imposto oculto&#8221; e trilion\u00e1rio sobre praticamente todas as atividades econ\u00f4micas do nosso pa\u00eds. Assim, os debates sobre o ajuste fiscal e sobre a seguran\u00e7a p\u00fablica seguem paralelamente, como se nada tivessem a ver um com o outro nos discursos eleitorais.<\/p>\n<p><em>(Esta reportagem faz parte da s\u00e9rie\u00a0<strong>Brasil Seguro<\/strong>, que examina erros em pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica e traz exemplos do que fazer para assegurar a autoridade da lei.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-seguro\/\">Confira aqui os outros textos da s\u00e9rie<\/a>.)<\/em><\/p>\n<p>As fac\u00e7\u00f5es criminosas em espec\u00edfico e o crime organizado brasileiro como um todo custam at\u00e9 R$ 1,3 trilh\u00e3o por ano ao pa\u00eds \u2014 ou 10,24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, que foi de R$ 12,7 trilh\u00f5es.\u00a0\u00c9 o que revela <strong>c\u00e1lculo conservador<\/strong> feito pelo Instituto Igarap\u00e9 divulgado no final do ano passado com dados da Amazon 2030, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), CPI\/PUC-RJ, Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea), F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, ETCO\/FGV, FNCP, Ibama, Instituto\u00a0\u00a0Escolhas, MapBiomas, NTC &amp; Log\u00edstica, PF e pol\u00edcias estaduais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O fatiamento do custo da viol\u00eancia no Brasil<\/h2>\n<p>Do total acima, o estudo discrimina valores por segmentos. Por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li><span><strong>crimes e viol\u00eancias no geral<\/strong> contra a sociedade custam R$ 373 bilh\u00f5es por ano;<\/span><\/li>\n<li><span>mercados il\u00edcitos e <strong>pirataria<\/strong> (incluindo tr\u00e1fico de drogas), R$ 468 bilh\u00f5es;<\/span><\/li>\n<li><span>economia subterr\u00e2nea e <strong>sonega\u00e7\u00e3o<\/strong> (incluindo contrabando), R$ 300 bilh\u00f5es;<\/span><\/li>\n<li><span>perdas ambientais e ligadas ao <strong>desmatamento<\/strong>, R$ 200 bilh\u00f5es;<\/span><\/li>\n<li><span><strong>roubo de cargas e ouro ilegal<\/strong> custam outros R$ 3 bilh\u00f5es por ano.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o assaltos e furtos variados, roubos de carga, tr\u00e1fico de drogas, contrabando, corrup\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos, falsifica\u00e7\u00f5es, golpes virtuais, jogo ilegal, cobran\u00e7a de taxas ilegais, dom\u00ednio imobili\u00e1rio, do com\u00e9rcio e de servi\u00e7os como internet em amplos territ\u00f3rios, explora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos de transporte \u2014 e a lista n\u00e3o se exaure nos itens anteriores.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>O crime organizado brasileiro custa at\u00e9 R$ 1,3 trilh\u00e3o por ano ao pa\u00eds. \u00c9 10% do PIB nacional.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com o\u00a0Atlas da Viol\u00eancia 2025,\u00a0elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), <strong>cada morte violenta custa em m\u00e9dia\u00a0R$ 1 milh\u00e3o<\/strong> aos cofres p\u00fablicos, considerando gastos com sistema de sa\u00fade, previd\u00eancia, seguran\u00e7a, processos judiciais e perda de produtividade. Assim, mesmo em queda hist\u00f3rica, s\u00f3 os homic\u00eddios (assassinatos) custam ao pa\u00eds\u00a0R$ 46 bilh\u00f5es ao ano.\u00a0<\/p>\n<p>Dados referentes ao ano de 2023 mostram que os governos federal, estaduais e municipais desembolsaram\u00a0R$ 124,8 bilh\u00f5es em seguran\u00e7a p\u00fablica, com os estados sendo respons\u00e1veis por mais de R$ 101 bilh\u00f5es desse total.<\/p>\n<p>O\u00a0SUS, por exemplo, gastou R$ 41 milh\u00f5es em 2022 apenas com interna\u00e7\u00f5es por ferimentos causados por armas de fogo<strong>,<\/strong>\u00a0um n\u00famero que n\u00e3o inclui atendimentos ambulatoriais, cirurgias de emerg\u00eancia, reabilita\u00e7\u00e3o e os custos psicol\u00f3gicos para v\u00edtimas e familiares.<\/p>\n<p>Outro levantamento, do Instituto Sou da Paz, divulgado em dezembro do ano passado, aponta que a viol\u00eancia causada por armas de fogo no Brasil gerou um custo de\u00a0R$ 556 milh\u00f5es\u00a0de recursos federais destinados \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica nos \u00faltimos dez anos \u2014 e vem aumentando.]<\/p>\n<p>Em 2024, o\u00a0SUS totalizou um gasto de\u00a0R$ 42,3 milh\u00f5es\u00a0com tratamento de v\u00edtimas de armas de fogo. O or\u00e7amento foi destinado para o atendimento de 15,8 mil interna\u00e7\u00f5es. O estudo destaca que o custo m\u00e9dio de uma interna\u00e7\u00e3o decorrente de les\u00e3o por arma de fogo \u00e9 159% (ou 2,6 vezes) maior do que o gasto federal m\u00e9dio com outros atendimentos de sa\u00fade no mesmo ano. O custo m\u00e9dio por interna\u00e7\u00e3o para les\u00e3o por arma de fogo foi de R$ 2.680 naquele ano.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Setores de turismo e log\u00edstica s\u00e3o afetados pelo crime desenfreado<\/h2>\n<p>O turismo tamb\u00e9m \u00e9 afetado neste cen\u00e1rio. Apenas no Rio de Janeiro, levantamento da\u00a0Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio feito a pedido da revista\u00a0<em>Veja<\/em>, apontou que a sensa\u00e7\u00e3o de (in)seguran\u00e7a fez com que o estado deixasse de arrecadar R$ 3,3\u00a0bilh\u00f5es em 2023 com a atividade tur\u00edstica.\u00a0<\/p>\n<p>Em outra vertente, o setor de log\u00edstica do pa\u00eds oferece uma ilustra\u00e7\u00e3o particularmente clara de como o crime atua como uma sobretaxa oculta sobre os produtos de uso di\u00e1rio. De acordo com\u00a0dados compilados pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes, o Brasil registrou 10.478 roubos de carga em 2024, com perdas estimadas em R$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Se forem somados os custos de roubos e fraudes relacionados ao combust\u00edvel, as\u00a0perdas anuais sobem para R$ 29 bilh\u00f5es.\u00a0&#8220;A viol\u00eancia e o crime organizado n\u00e3o devem ser compreendidos apenas como uma trag\u00e9dia humana, mas como um <strong>fator estrutural de corros\u00e3o econ\u00f4mica e institucional<\/strong>, afirma \u00e0\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong>\u00a0Celeste Leite dos Santos, promotora do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo e presidente do Instituto Pr\u00f3-V\u00edtima.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 converg\u00eancia na literatura nacional e estrangeira ao reconhecer que a criminalidade produz custos diretos e indiretos sobre arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, produtividade, sa\u00fade p\u00fablica, turismo, mercado de seguros, mobilidade urbana e confian\u00e7a social\u201d, acrescenta ela. &#8220;Trata-se, portanto, de um imposto invis\u00edvel cobrado da sociedade, com <strong>incid\u00eancia desproporcional sobre os segmentos mais vulner\u00e1veis<\/strong>&#8220;, define a promotora.<\/p>\n<h2>Custo da viol\u00eancia emana perda de investimentos, retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e falha social <\/h2>\n<p>A promotora aponta que quando se fala em valores da ordem de R$ 1 trilh\u00e3o por ano, o dado n\u00e3o apenas traduz a dimens\u00e3o sist\u00eamica do problema; ele revela a profundidade de seus efeitos. O custo da viol\u00eancia no Brasil n\u00e3o se limita ao delito em si, mas abarca todo o espectro de consequ\u00eancias que dele emanam:<\/p>\n<ul>\n<li>perda de investimentos,<\/li>\n<li>retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica,<\/li>\n<li>amplia\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico,<\/li>\n<li>desorganiza\u00e7\u00e3o territorial,<\/li>\n<li>enfraquecimento da capacidade estatal de resposta,<\/li>\n<li>eros\u00e3o do tecido social.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Organismos internacionais \u2014 como Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e Banco Mundial \u2014 e estudos brasileiros de refer\u00eancia qualificam esse fen\u00f4meno como um <strong>obst\u00e1culo estrutural ao desenvolvimento nacional<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;A resposta do Estado, por isso, n\u00e3o pode ser fragmentada ou reativa. \u00c9 imprescind\u00edvel uma estrat\u00e9gia integrada, permanente e fundada em evid\u00eancias. <strong>N\u00e3o basta atuar ap\u00f3s a viol\u00eancia ocorrer<\/strong>. Exige-se a combina\u00e7\u00e3o articulada de intelig\u00eancia criminal, preven\u00e7\u00e3o situada, repress\u00e3o qualificada, coopera\u00e7\u00e3o interinstitucional e prote\u00e7\u00e3o integral das v\u00edtimas\u201d, afirma Celeste.<\/p>\n<p>\u201cA doutrina contempor\u00e2nea \u2014 inclusive em perspectivas comparadas \u2014 \u00e9 clara: seguran\u00e7a p\u00fablica eficaz n\u00e3o se reduz \u00e0 puni\u00e7\u00e3o. Ela demanda investiga\u00e7\u00e3o rigorosa, produ\u00e7\u00e3o de dados confi\u00e1veis, coordena\u00e7\u00e3o horizontal entre institui\u00e7\u00f5es e fortalecimento das redes de prote\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia\u201d, elenca ela.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada dois anos, quando come\u00e7a o per\u00edodo eleitoral, candidatos dos mais variados campos ideol\u00f3gicos aparecem com discursos sobre a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":565772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-566715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/566715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=566715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/566715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/565772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=566715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=566715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=566715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}