{"id":561764,"date":"2026-07-17T16:10:04","date_gmt":"2026-07-17T20:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=561764"},"modified":"2026-07-17T16:10:04","modified_gmt":"2026-07-17T20:10:04","slug":"falta-de-regras-claras-gera-desconfianca-sobre-institutos-de-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=561764","title":{"rendered":"Falta de regras claras gera desconfian\u00e7a sobre institutos de pesquisa"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A reuni\u00e3o entre o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e representantes de institutos de pesquisa, realizada na \u00faltima ter\u00e7a-feira (14), evidenciou que as pesquisas eleitorais ainda s\u00e3o um tema espinhoso e que precisam de regras mais claras para evitar \u2014 ou ao menos reduzir \u2014 a desconfian\u00e7a que paira sobre elas.<\/p>\n<p>Dezesseis institutos estiveram presentes no encontro. Cada um deles teve poucos minutos para apresentar suas demandas a Nunes Marques e a outros ministros do TSE. V\u00e1rios t\u00f3picos foram cobertos, como metodologia, autocontrata\u00e7\u00e3o, uso de \u00e1udio e v\u00eddeo, desuniformidade em decis\u00f5es de tribunais regionais. A Corte se comprometeu a estudar cada um dos itens citados.<\/p>\n<p>Institutos ouvidos pela <strong>Gazeta do Povo<\/strong> concordaram que a reuni\u00e3o foi positiva e que a abertura do TSE para ouvi-los foi um passo importante para o setor que est\u00e1 sob escrut\u00ednio permanente de pol\u00edticos, partidos pol\u00edticos, imprensa e eleitores, especialmente em momentos pr\u00f3ximos a elei\u00e7\u00f5es, como o de agora.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a sobre as pesquisas eleitorais \u00e9 antiga no Brasil. Apesar de n\u00e3o serem uma previs\u00e3o dos resultados das urnas, as sondagens apresentaram n\u00fameros bastante divergentes nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, o que aumentou o ceticismo e gerou den\u00fancias de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade), Alexandre Cordeiro Macedo, pediu abertura de inqu\u00e9rito administrativo por um suposto \u201ccomportamento coordenado\u201d entre alguns institutos. A Pol\u00edcia Federal tamb\u00e9m abriu investiga\u00e7\u00f5es. O presidente do TSE na \u00e9poca, Alexandre de Moraes, tornou sem efeito ambas investiga\u00e7\u00f5es e decidiu que o tema era da esfera eleitoral.<\/p>\n<p>Naquele ano, alguns institutos justificaram que os dados demogr\u00e1ficos dispon\u00edveis estavam desatualizados, sem contar a alta absten\u00e7\u00e3o em alguns lugares. Diante disso, mudaram metodologias e <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2024\/pesquisa-eleitoral\/onde-as-pesquisas-erraram-e-acertaram-1o-turno\/\">conseguiram captar com mais clareza<\/a> as inten\u00e7\u00f5es de voto dos eleitores no pleito municipal de 2024.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Institutos de pesquisa pedem padroniza\u00e7\u00e3o do TSE para evitar judicializa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O tema pesquisas eleitorais j\u00e1 constava no ordenamento jur\u00eddico eleitoral, mas foi a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 23.600 de 2019, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que buscou disciplinar a quest\u00e3o com alguma clareza. Esse instrumento vem sendo atualizado, contando com a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 23.727 de 2024, mas ainda longe de abra\u00e7ar todos os aspectos que envolvem a realiza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de sondagens eleitorais.<\/p>\n<p>Para a advogada especialista em Direito Eleitoral Carla Rodrigues, o aperfei\u00e7oamento das resolu\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para pacificar o tema. \u201cO foco deve ser fortalecer a transpar\u00eancia e a possibilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o, sem comprometer a autonomia cient\u00edfica dos institutos\u201d, opina.<\/p>\n<p>O especialista em direito eleitoral e professor na Escola Paranaense de Direito Luiz Gustavo de Andrade avalia que o TSE precisa ser mais incisivo nessa quest\u00e3o. \u201cA jurisprud\u00eancia do TSE \u00e9 um tanto escassa em termos de pesquisas eleitorais\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cO tribunal que deveria pacificar e uniformizar a jurisprud\u00eancia, acaba enfrentando muito pouco o tema\u201d, completa Andrade. Do ponto de vista dos institutos de pesquisa, uma reclama\u00e7\u00e3o recorrente \u00e9 a falta de uniformidade nas decis\u00f5es de tribunais regionais.<\/p>\n<p>Um mesmo instituto, por exemplo, faz pesquisas com as mesmas metodologias em estados diferentes, mas em um ou alguns deles os levantamentos s\u00e3o suspensos por decis\u00f5es da Justi\u00e7a Eleitoral. Isso gera, segundo as empresas, uma imagem negativa e inseguran\u00e7a para realizar novas pesquisas.<\/p>\n<p>Como a <strong>Gazeta do Povo<\/strong> j\u00e1 mostrou, por exemplo, alguns institutos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2026\/pesquisa-eleitoral-2026\/por-que-institutos-de-pesquisa-nao-estao-mais-simulando-segundo-turno\/\">deixaram de simular cen\u00e1rios de segundo turno<\/a> em alguns estados porque decis\u00f5es de tribunais regionais estavam barrando pesquisas que n\u00e3o apresentassem todos os pr\u00e9-candidatos em embates diretos. Algumas empresas tamb\u00e9m n\u00e3o registram mais levantamentos para presidente em recortes estaduais porque alguns tribunais est\u00e3o exigindo que question\u00e1rio para presidente n\u00e3o pode constar no mesmo formul\u00e1rio de perguntas para governadores e senadores.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais claras forem as regras e maior for a transpar\u00eancia sobre a metodologia utilizada, menor tende a ser o espa\u00e7o para questionamentos judiciais\u201d, defende Carla Rodrigues. \u201cRegras mais objetivas trazem mais seguran\u00e7a para todos: institutos, candidatos, partidos e para a pr\u00f3pria Justi\u00e7a Eleitoral\u201d, complementa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>TSE prop\u00f5e cria\u00e7\u00e3o de selo de qualidade para institutos de pesquisa<\/h2>\n<p>Na reuni\u00e3o realizada no TSE, os <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2026\/tse-propoe-selo-para-premiar-pesquisas-eleitorais-mais-proximas-do-resultado\/\">institutos de pesquisa foram surpreendidos<\/a> com a apresenta\u00e7\u00e3o de uma minuta de portaria que institui o Selo Acur\u00e1cia Eleitoral, que reconheceria as empresas que apresentarem maior proximidade entre proje\u00e7\u00f5es e os resultados oficiais das urnas em anos eleitorais, valendo para disputas a presidente da Rep\u00fablica, governos estaduais e governo do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Segundo a minuta, o selo teria car\u00e1ter estritamente honor\u00edfico. A avalia\u00e7\u00e3o para o reconhecimento seria dividido entre o TSE, que ficaria respons\u00e1vel por avaliar pesquisas nacionais para a Presid\u00eancia, e os Tribunais Regionais Eleitorais, que analisariam levantamentos relacionados aos Executivos estaduais e distrital.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um mecanismo que visa a valoriza\u00e7\u00e3o das boas pr\u00e1ticas e o permanente aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico das pesquisas eleitorais por meio do reconhecimento p\u00fablico das empresas que demonstrarem elevada acur\u00e1cia de seus resultados\u201d, defendeu Kassio Nunes Marques ao detalhar o funcionamento do selo. \u201cIniciativas de reconhecimento estimulam a inova\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, incentivam o investimento em qualidade e fortalecem a credibilidade das pesquisas perante a sociedade\u201d, completou.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos institutos de pesquisa foi imediata. E para os dois lados. <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2026\/institutos-criticam-selo-proposto-pelo-tse-para-premiar-pesquisas\/\">A resposta mais dura<\/a> foi dada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), que re\u00fane institutos como Datafolha, Quaest e Real Time Big Data.<\/p>\n<p>A Abep refor\u00e7ou que pesquisas eleitorais n\u00e3o t\u00eam a finalidade de antecipar o resultado das urnas, e sim <strong>medir a opini\u00e3o do eleitorado em um momento espec\u00edfico da corrida<\/strong>. \u201cExigir que uma pesquisa \u2018acerte\u2019 o resultado \u00e9 confundir ci\u00eancia com bola de cristal\u201d, disparou em nota.<\/p>\n<p>\u201cCausa especial preocupa\u00e7\u00e3o que a Justi\u00e7a Eleitoral pretenda assumir o papel de \u00e1rbitro da qualidade das pesquisas a partir de um crit\u00e9rio tecnicamente equivocado. A avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de um levantamento deve considerar metodologia, desenho amostral, transpar\u00eancia, execu\u00e7\u00e3o do campo e ader\u00eancia \u00e0s boas pr\u00e1ticas cient\u00edficas \u2014 n\u00e3o apenas a proximidade entre um retrato da opini\u00e3o\u201d, acrescentou a Abep.<\/p>\n<p>O diretor-executivo do instituto Paran\u00e1 Pesquisas, Murilo Hidalgo, diverge da opini\u00e3o da Abep. Segundo ele, h\u00e1 pontos positivos na proposta, como a diferencia\u00e7\u00e3o de selos nacionais e regionais. Al\u00e9m disso, ele opina que saber \u201cquem mais acertou e errou n\u00e3o significa que \u00e9 melhor ou pior\u201d.<\/p>\n<p>Hidalgo, por\u00e9m, faz uma ressalva sobre os crit\u00e9rios para o selo. \u201cSe forem claros com isso, somos a favor.\u201d<\/p>\n<p>Para a advogada Carla Rodrigues, o selo \u00e9 importante porque \u201cabre um debate importante sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais\u201d, mas n\u00e3o pode ser visto como o \u00fanico caminho. \u201cAs pesquisas eleitorais exercem papel relevante na democracia e influenciam o debate p\u00fablico. Ao mesmo tempo, precisam inspirar confian\u00e7a. Esse objetivo ser\u00e1 alcan\u00e7ado muito mais por meio de crit\u00e9rios t\u00e9cnicos, transpar\u00eancia e possibilidade de auditoria do que pela simples cria\u00e7\u00e3o de um selo de qualidade\u201d, pontua.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reuni\u00e3o entre o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e representantes de institutos de pesquisa,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":561765,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-561764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/561764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=561764"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/561764\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/561765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=561764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=561764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=561764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}