{"id":561046,"date":"2026-07-17T08:58:40","date_gmt":"2026-07-17T12:58:40","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=561046"},"modified":"2026-07-17T08:58:40","modified_gmt":"2026-07-17T12:58:40","slug":"cidade-mais-rica-de-sc-gera-empregos-rapido-demais-e-empresas-precisam-importar-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=561046","title":{"rendered":"Cidade mais rica de SC gera empregos r\u00e1pido demais e empresas precisam \u201cimportar\u201d trabalhadores"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A cidade de Joinville, maior economia de Santa Catarina segundo o IBGE, abriu 6.617 vagas formais no primeiro trimestre de 2026, o maior saldo entre admiss\u00f5es e demiss\u00f5es de todo o estado no per\u00edodo, como aponta o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. O n\u00famero, que em outro contexto seria sinal de mercado aquecido e saud\u00e1vel, virou o retrato de um problema: a cidade cria postos de trabalho em um ritmo que a pr\u00f3pria m\u00e3o de obra dispon\u00edvel n\u00e3o consegue acompanhar.<\/p>\n<p>Esse descompasso fica mais n\u00edtido quando se olha para a taxa de desemprego. Santa Catarina fechou o primeiro trimestre deste ano com <strong>a menor desocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<\/strong>, em torno de 2,7%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua, do IBGE. \u00c9 o tipo de n\u00famero que, para a ind\u00fastria, n\u00e3o significa al\u00edvio, significa que n\u00e3o h\u00e1 de onde tirar mais trabalhadores, aponta o economista-chefe da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt.<\/p>\n<p>&#8220;As 6,6 mil vagas abertas por Joinville no primeiro trimestre n\u00e3o s\u00e3o um indicador de mercado folgado, mas sim um sinal claro de que o ritmo de gera\u00e7\u00e3o de empregos na cidade est\u00e1 acima da capacidade real de reposi\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra dispon\u00edvel&#8221;, afirmou. A dimens\u00e3o do problema aparece quando se compara a taxa catarinense com o piso t\u00e9cnico da economia brasileira.<\/p>\n<p>A Fiesc n\u00e3o trabalha com um n\u00famero fixo de pleno emprego para o estado, mas usa como refer\u00eancia a taxa natural de desemprego do Brasil \u2014 a chamada Nairu (<em>non-accelerating inflation rate of unemployment<\/em>, ou taxa de desemprego n\u00e3o aceleradora da infla\u00e7\u00e3o) \u2014, estimada em torno de 8%. Com desocupa\u00e7\u00e3o de 2,7%, Santa Catarina opera mais de cinco pontos percentuais abaixo desse piso estrutural.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, explicou Bittencourt, isso coloca o estado no <strong>patamar de mercados de trabalho de economias avan\u00e7adas<\/strong>, como Jap\u00e3o, Singapura, Su\u00ed\u00e7a e Coreia do Sul, mas sem a mesma capacidade de ajuste. &#8220;Uma taxa de 2,7% n\u00e3o \u00e9 sinal de um mercado saud\u00e1vel, mas sim de escassez de m\u00e3o de obra e capacidade ociosa m\u00ednima&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>Abaixo da taxa natural, segundo ele, a expans\u00e3o da ind\u00fastria trava: fica dif\u00edcil contratar, reter e qualificar trabalhadores, mesmo em ciclos favor\u00e1veis de demanda. Esse teto invis\u00edvel ajuda a entender por que as empresas de Joinville pararam de esperar o trabalhador aparecer e passaram a ir busc\u00e1-lo fora do estado.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Empresas cruzam o pa\u00eds atr\u00e1s de trabalhadores<\/h2>\n<p>A <em>Tupy<\/em>, uma das maiores ind\u00fastrias da cidade e l\u00edder global no setor de metalurgia, realizou em maio processo seletivo em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, para preencher vagas em Joinville, com sal\u00e1rios de at\u00e9 R$ 3,3 mil e um pacote de reloca\u00e7\u00e3o que inclui ajuda de custo para deslocamento, moradia paga no primeiro m\u00eas e aux\u00edlio-aluguel nos meses seguintes. N\u00e3o \u00e9 um caso isolado.<\/p>\n<p>A <em>Brit\u00e2nia<\/em> abriu 150 vagas de operador sem exig\u00eancia de experi\u00eancia, com transporte fretado e plano de sa\u00fade, e a <em>ArcelorMittal Tuper<\/em>, em S\u00e3o Bento do Sul, anunciou mais de 100 postos com sal\u00e1rio acima da m\u00e9dia regional para fun\u00e7\u00f5es operacionais. Do lado empresarial, o recrutamento \u00e0 dist\u00e2ncia deixou de ser improviso para virar pol\u00edtica estruturada.<\/p>\n<p>A Fiesc lan\u00e7ou o programa &#8220;Porta aberta&#8221;, em parceria com a Ag\u00eancia da ONU para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM) focado em preparar ind\u00fastrias e poder p\u00fablico a receber esses trabalhadores. &#8220;Nossa economia diversificada e a excelente qualidade de vida da regi\u00e3o tornam o munic\u00edpio um <strong>polo natural de atra\u00e7\u00e3o de talentos<\/strong>&#8220;, afirmou Bittencourt.<\/p>\n<p>Pelo programa, o Sesi oferece apoio psicossocial e o Senai cuida da qualifica\u00e7\u00e3o, com o objetivo de integrar os novos moradores e suas fam\u00edlias. Mas h\u00e1 um paradoxo no centro da hist\u00f3ria: enquanto empresas voam at\u00e9 o Norte do pa\u00eds atr\u00e1s de gente, Joinville tem milhares de vagas abertas dentro da pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Duas mil vagas em aberto\u00a0 e um descompasso de perfil<\/h2>\n<p>O Centro P\u00fablico de Atendimento aos Trabalhadores (Cepat), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Inova\u00e7\u00e3o da prefeitura de Joinville, registrou entre 2 mil e 2,3 mil vagas abertas nas \u00faltimas semanas. A maioria se concentra na ind\u00fastria e nos servi\u00e7os \u2014 em uma \u00fanica semana de junho, esses dois setores somavam 1.804 postos, ante 281 na constru\u00e7\u00e3o civil e 222 no com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>O volume alto e constante n\u00e3o se traduz em preenchimento r\u00e1pido, e a explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falta de gente \u00e0 procura de emprego. Segundo o secret\u00e1rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Inova\u00e7\u00e3o, William Escher, o p\u00fablico do Cepat \u00e9 majoritariamente formado por moradores de Joinville, mas com uma ressalva.<\/p>\n<p>&#8220;Grande parte dessa popula\u00e7\u00e3o residente n\u00e3o \u00e9 natural do munic\u00edpio. Registramos uma parcela consider\u00e1vel de migrantes oriundos de outros estados e de outras cidades de Santa Catarina, al\u00e9m de um fluxo expressivo de imigrantes de outros pa\u00edses, com <strong>destaque para a popula\u00e7\u00e3o venezuelana<\/strong>&#8220;, afirmou.\u00a0<\/p>\n<p>Se h\u00e1 candidatos e h\u00e1 vagas, o gargalo est\u00e1 no encaixe entre um e outro. Questionado sobre os obst\u00e1culos para que as vagas sejam preenchidas por quem j\u00e1 vive na cidade, Escher destacou tr\u00eas fatores. &#8220;Os crit\u00e9rios que mais se destacam como barreiras para a contrata\u00e7\u00e3o s\u00e3o a incompatibilidade ou exig\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, as faixas salariais oferecidas e o formato das jornadas de trabalho&#8221;, explicou. Esses desafios, acrescenta ele, tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados em outras cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Do lado da ind\u00fastria, a lacuna tem endere\u00e7o definido. Bittencourt afirmou que o d\u00e9ficit mais acentuado est\u00e1 na <strong>\u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o<\/strong> e digitaliza\u00e7\u00e3o, impulsionado pela transforma\u00e7\u00e3o digital das empresas, al\u00e9m de setores tradicionais de forte peso em Joinville, como o metalmec\u00e2nico \u2014 em especial operadores e programadores de CNC (Comando Num\u00e9rico Computadorizado) \u2014 e a automa\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Para reduzir esse v\u00e3o, ele conta que o Senai investe na moderniza\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios e em cursos customizados que aceleram a forma\u00e7\u00e3o. A prefeitura tenta atacar o mesmo ponto por outra frente.<\/p>\n<p>A secretaria que cuida da tarefa mant\u00e9m parcerias como o programa &#8220;Joinville mais TEC&#8221;, em coopera\u00e7\u00e3o com o Senai; o &#8220;Profiss\u00e3o construir&#8221;, em conjunto com o Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Sinduscon); e uma iniciativa voltada a jovens aprendizes de baixa renda com a institui\u00e7\u00e3o Dom Bosco.<\/p>\n<p>Ainda assim, o secret\u00e1rio reconhece que certos p\u00fablicos esbarram em travas espec\u00edficas: nas vagas para pessoas com defici\u00eancia, a barreira costuma ser a falta de acessibilidade e a prefer\u00eancia das empresas por defici\u00eancias consideradas mais leves; entre os jovens aprendizes, h\u00e1 alta procura, mas as empresas buscam candidatos com mais de 16 ou 17 anos e que estudem \u00e0 noite, enquanto a maioria dos inscritos \u00e9 mais jovem e estuda de dia.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O que a cidade tenta fazer no curto prazo<\/h2>\n<p>Para aproximar as vagas de quem procura trabalho, a prefeitura de Joinville levou o recrutamento para fora do centro. As feiras de oportunidades percorrem bairros como Aventureiro e Morro do Meio, oferecendo cadastro de curr\u00edculo, orienta\u00e7\u00e3o profissional e apoio a microempreendedores individuais.<\/p>\n<p>Segundo Escher, desde o in\u00edcio do programa quase 500 pessoas foram atendidas e pelo menos 180 trabalhadores foram efetivamente registrados e inseridos no mercado. O poder p\u00fablico, por\u00e9m, admite os limites do que consegue enxergar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/15142350\/Planta-de-Joinville.jpg.webp\" \/><i>Com taxa de desemprego em torno de 2,7% em SC, Joinville mant\u00e9m mais de 2 mil vagas abertas por semana e enfrenta descompasso entre qualifica\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rios e jornadas oferecidas nas ind\u00fastrias (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Tupy)<\/i><\/p>\n<p>Sobre as empresas que recrutam em outros estados, Escher reconheceu que &#8220;diversas empresas locais t\u00eam buscado ativamente trabalhadores em outros estados devido \u00e0 alt\u00edssima demanda por m\u00e3o de obra na cidade&#8221;, mas ponderou que a secretaria n\u00e3o disp\u00f5e de n\u00fameros consolidados, porque essas a\u00e7\u00f5es partem das pr\u00f3prias empresas e n\u00e3o passam pelo banco de dados do Cepat.<\/p>\n<p>O suporte municipal a esses novos moradores, acrescentou, ocorre de forma indireta, pela infraestrutura p\u00fablica geral e pelos programas de assist\u00eancia social voltados \u00e0 baixa renda.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Um gargalo que deve atravessar este ano e o pr\u00f3ximo<\/h2>\n<p>Se depender do cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico, a press\u00e3o n\u00e3o deve ceder t\u00e3o cedo. Bittencourt avaliou que o ritmo de cria\u00e7\u00e3o de vagas vem desacelerando em Joinville, em Santa Catarina e no Brasil, movimento coerente com o atual patamar da taxa b\u00e1sica de juros, que restringe atividade e contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele aponta que no segundo semestre a desacelera\u00e7\u00e3o pode perder for\u00e7a gra\u00e7as a est\u00edmulos fiscais, mudan\u00e7as na tributa\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda, aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e recomposi\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, mas a escassez de m\u00e3o de obra &#8220;continuar\u00e1 sendo o principal gargalo para a expans\u00e3o da ind\u00fastria em Joinville&#8221;.<\/p>\n<p>Para 2027, o economista jogou o desfecho para o campo pol\u00edtico: o ritmo do emprego depender\u00e1 das decis\u00f5es do pr\u00f3ximo governo, sobretudo em pol\u00edtica fiscal, trajet\u00f3ria dos juros e intensidade dos programas de transfer\u00eancia de renda. Enquanto isso, sua receita para o m\u00e9dio prazo passa pela <strong>qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra<\/strong>.<\/p>\n<p>Para ele, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica vai substituir parte dos empregos atuais e exigir habilidades novas, o que torna decisiva a articula\u00e7\u00e3o entre empresas e poder p\u00fablico, de programas de treinamento no curto prazo \u00e0 reformula\u00e7\u00e3o de cursos de gradua\u00e7\u00e3o e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00f5es mais alinhadas ao trabalho contempor\u00e2neo no longo prazo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Joinville, maior economia de Santa Catarina segundo o IBGE, abriu 6.617 vagas formais no primeiro trimestre de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":561044,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-561046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/561046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=561046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/561046\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/561044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=561046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=561046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=561046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}