{"id":558956,"date":"2026-07-16T10:00:42","date_gmt":"2026-07-16T14:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=558956"},"modified":"2026-07-16T10:00:42","modified_gmt":"2026-07-16T14:00:42","slug":"universidade-suspende-doutorado-de-aluna-acusada-de-transfobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=558956","title":{"rendered":"Universidade suspende doutorado de aluna acusada de transfobia"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A estudante Celina Lazzari s\u00f3 conseguiu concluir seu doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ap\u00f3s obter uma decis\u00e3o judicial favor\u00e1vel contra a suspens\u00e3o de sua pesquisa. Ao analisar o caso, a Justi\u00e7a afirmou que a universidade submeteu a doutoranda a um \u201crito inquisitorial\u201d, uma vez que ela n\u00e3o teve acesso aos documentos que fundamentavam as acusa\u00e7\u00f5es de transfobia, comprometendo o direito \u00e0 ampla defesa.<\/p>\n<p>Um parecer, elaborado pelo Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH), serviu de base para a suspens\u00e3o do estudo, mas n\u00e3o foi apresentado \u00e0 estudante em nenhum momento da tramita\u00e7\u00e3o administrativa. Lazzari s\u00f3 teve acesso ao processo administrativo, incluindo o documento, ap\u00f3s a decis\u00e3o j\u00e1 estar tomada e recebeu apenas dois dias para se defender das acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a decis\u00e3o judicial do Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina (TJ-SC), a oculta\u00e7\u00e3o do processo administrativo comprometeu o direito ao contradit\u00f3rio e \u00e0 ampla defesa, tornando ileg\u00edtimo o procedimento adotado pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Celina Lazzari \u00e9 fundadora do Movimento Inf\u00e2ncia Plena, iniciativa que se prop\u00f5e a proteger crian\u00e7as da ideologia de g\u00eanero. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundadora e diretora da associa\u00e7\u00e3o Matria, voltada \u00e0 defesa dos direitos das mulheres e cr\u00edtica ao transativismo.<\/p>\n<p>Embora a pesquisa tratasse da atua\u00e7\u00e3o profissional de assistentes sociais junto a crian\u00e7as em quest\u00f5es relacionadas a g\u00eanero, o procedimento aberto contra a doutoranda teve origem em\u00a0den\u00fancias baseadas em\u00a0manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas feitas fora do ambiente acad\u00eamico, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-e-cidadania\/movimento-infancia-plena-surge-para-proteger-criancas-contra-ideologia-de-genero\/\">entrevistas concedidas \u00e0\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<h2>Comit\u00ea de \u00c9tica promoveu \u201cpatrulhamento ideol\u00f3gico\u201d contra doutoranda<\/h2>\n<p>O caso levanta um debate sobre os limites de atua\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas de \u00e9tica universit\u00e1rios. O Comit\u00ea de \u00c9tica, que anteriormente havia aprovado a pesquisa de Lazzari, passou a realizar um patrulhamento das opini\u00f5es pessoais manifestadas pela doutoranda em entrevistas e outras declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como publica\u00e7\u00f5es em redes sociais.<\/p>\n<p>O processo administrativo come\u00e7ou ap\u00f3s uma den\u00fancia encaminhada \u00e0 ouvidoria do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que apontava supostos posicionamentos transf\u00f3bicos da estudante. A den\u00fancia ocorreu depois de a aluna ser hostilizada em um grupo do WhatsApp que re\u00fane discentes e ex-discentes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da universidade, no qual integrantes a taxavam de transf\u00f3bica.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio programa, entretanto, concluiu que as manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com a pesquisa e decidiu arquivar a den\u00fancia. O caso tamb\u00e9m foi encaminhado ao Comit\u00ea de \u00c9tica, que optou por abrir uma apura\u00e7\u00e3o sobre as declara\u00e7\u00f5es da pesquisadora.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de transfobia se estenderam ao processo judicial, aberto pela aluna para reverter a suspens\u00e3o. \u201cUm parecer da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o afirmou que eu milito contra a exist\u00eancia e os direitos da popula\u00e7\u00e3o trans. Isso \u00e9 mentira. E n\u00e3o estou contra direitos de ningu\u00e9m. Eu milito a favor da ci\u00eancia, a favor dos direitos das mulheres e das crian\u00e7as e, principalmente, para que as crian\u00e7as tenham uma inf\u00e2ncia livre, sem r\u00f3tulos. Eu tenho cr\u00edticas ao r\u00f3tulo da \u2018crian\u00e7a trans\u2019\u201d, explica Lazzari.<\/p>\n<p>Para justificar a an\u00e1lise das manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da doutoranda, o Comit\u00ea de \u00c9tica recorreu a dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB). Segundo o parecer, a educa\u00e7\u00e3o tem como finalidade o &#8220;preparo para o exerc\u00edcio da cidadania&#8221; e, por isso, &#8220;atos p\u00fablicos que n\u00e3o considerem a diversidade&#8221; poderiam contrariar princ\u00edpios fundamentais da forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, por sua vez, sustentou que o dispositivo citado da LDB n\u00e3o confere \u00e0s universidades compet\u00eancia para disciplinar ou investigar a vida privada de estudantes. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o texto legal tampouco autoriza o monitoramento institucional de opini\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es intelectuais ou posicionamentos expressos fora do ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Lazzari pontua que, sabendo da sensibilidade do tema, procurou fazer uma pesquisa estruturada e seguir os crit\u00e9rios estabelecidos para evitar poss\u00edveis desgastes. \u201cEu me vejo fazendo autocensura. Precisei parar de me manifestar em um ambiente\u00a0que deveria ser justamente para debater ideias.\u00a0Ent\u00e3o, adotei essa postura de me autocensurar\u201d, relata.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong>\u00a0procurou a UFSC para comentar o caso e questionou a institui\u00e7\u00e3o sobre os fundamentos da suspens\u00e3o da pesquisa. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, n\u00e3o houve resposta.\u00a0O espa\u00e7o permanece aberto para manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>MPF aponta \u201cpesca probat\u00f3ria\u201d em acusa\u00e7\u00e3o de transfobia<\/h2>\n<p>O MPF e a Justi\u00e7a catarinense tamb\u00e9m identificaram ind\u00edcios de \u201cpesca probat\u00f3ria\u201d, ou seja, a busca indiscriminada por provas sem a exist\u00eancia de ind\u00edcios concretos de irregularidade. Ap\u00f3s comunicar a suspens\u00e3o, a universidade solicitou a entrega de amplo material relacionado \u00e0 pesquisa, incluindo as entrevistas realizadas com os assistentes sociais participantes do estudo.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a judicial aponta que a institui\u00e7\u00e3o agiu com base em uma presun\u00e7\u00e3o de irregularidade, sem apresentar elementos concretos que a sustentassem. Segundo o juiz Di\u00f3genes Tarc\u00edsio Marcelino, do TJ-SC, a universidade acabou \u201cinvertendo o \u00f4nus da prova e impondo \u00e0 pesquisadora o dever de comprovar sua pr\u00f3pria inoc\u00eancia mediante entrega de extenso conjunto de documentos \u2014 inclusive dados sens\u00edveis dos participantes da pesquisa\u201d.<\/p>\n<p>Lazzari afirma que os desdobramentos do caso afetaram sua rela\u00e7\u00e3o com parte da comunidade acad\u00eamica e lan\u00e7aram d\u00favidas sobre a continuidade de seus estudos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cTodo esse contexto gerou resist\u00eancia e avers\u00e3o entre professores e alunos. Eu gostaria de continuar essa pesquisa, por exemplo, mas n\u00e3o sei se terei abertura dentro das universidades para dar seguimento a ela. N\u00e3o tenho nem coragem de pedir ao meu orientador, que ficou bastante desgastado com a situa\u00e7\u00e3o, para continuar esse trabalho\u201d, conclui Lazzari.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estudante Celina Lazzari s\u00f3 conseguiu concluir seu doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ap\u00f3s obter uma decis\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":558957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-558956","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/558956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=558956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/558956\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/558957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=558956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=558956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=558956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}