{"id":553011,"date":"2026-07-14T16:51:35","date_gmt":"2026-07-14T20:51:35","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=553011"},"modified":"2026-07-14T16:51:35","modified_gmt":"2026-07-14T20:51:35","slug":"lula-e-flavio-bolsonaro-tem-estrategias-opostas-para-defender-o-pix-diante-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=553011","title":{"rendered":"Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro t\u00eam estrat\u00e9gias opostas para defender o PIX diante dos EUA"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O embate comercial entre Brasil e Estados Unidos fez do PIX um dos temas centrais da corrida presidencial. Apesar de o presidente <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/lula\/\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silv<\/a>a (PT) e seu principal advers\u00e1rio, o senador <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/flavio-bolsonaro\/\">Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a> (PL), defenderem a manuten\u00e7\u00e3o do sistema de pagamentos instant\u00e2neos, eles optaram por caminhos distintos para responder \u00e0s cr\u00edticas de Washington.<\/p>\n<p>O Escrit\u00f3rio do Representante Comercial dos EUA (USTR) incluiu o PIX entre as pr\u00e1ticas investigadas na apura\u00e7\u00e3o que pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros. Para o governo Lula, a estrat\u00e9gia \u00e9 de enfrentamento, por meio de um discurso de defesa da soberania tecnol\u00f3gica e financeira do pa\u00eds no PIX e rejeitando qualquer concess\u00e3o que mude desenho institucional ou limite a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 Fl\u00e1vio optou por negociar e aplacar os receios americanos. Ele prometeu que, uma vez eleito, o PIX n\u00e3o seja ligado a sistemas internacionais de pagamentos que concorram com os Estados Unidos. Na pr\u00e1tica, o PIX n\u00e3o mudaria em nada nos moldes em que est\u00e1 para os brasileiros. Mas n\u00e3o poderia ser usado para fazer transa\u00e7\u00f5es com ferramentas semelhantes de pagamentos eletr\u00f4nicos que est\u00e3o sendo estruturadas na \u00cdndia ou na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Ou seja, Fl\u00e1vio est\u00e1 se comprometendo a n\u00e3o buscar uma modalidade de PIX que ainda n\u00e3o existe, mas seu potencial \u00e9 considerado uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 hegemonia financeira americana. Lula n\u00e3o se comprometeu a n\u00e3o explorar a modalidade.<\/p>\n<p>Em manifesta\u00e7\u00e3o enviada ao USTR e <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/flavio-pede-aos-eua-que-retirem-tarifa-contra-produtos-brasileiros-e-preservem-o-pix\/\">refor\u00e7ada pessoalmente durante audi\u00eancia p\u00fablica em Washington no \u00faltimo dia 7, Fl\u00e1vio defendeu o PIX como ferramenta local, como uma inova\u00e7\u00e3o brasileira<\/a> favor\u00e1vel aos consumidores que por si s\u00f3 n\u00e3o justifica a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas.<\/p>\n<p>Para Fl\u00e1vio, esse gesto atenderia ao temor da Casa Branca de que o sistema brasileiro venha a integrar redes capazes de reduzir a depend\u00eancia do d\u00f3lar e de grandes operadoras mundiais de pagamentos, sem comprometer o seu funcionamento dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>O governo Lula, por sua vez, avalia que a aceita\u00e7\u00e3o de condicionantes externas abriria precedente para poss\u00edveis futuras interfer\u00eancias sobre uma pol\u00edtica p\u00fablica considerada bem-sucedida.<\/p>\n<h2>Lula transforma a defesa do PIX em ativo de sua campanha pela reelei\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Lula reagiu imediatamente \u00e0 proposta de Fl\u00e1vio. Ele classificou a proposta como tentativa de submeter um ativo estrat\u00e9gico brasileiro a interesses estrangeiros e reiterou que o PIX \u00e9 uma conquista nacional que n\u00e3o ser\u00e1 objeto de negocia\u00e7\u00e3o com outro governo. A resposta refor\u00e7ou o discurso de defesa da soberania e aproximou o debate econ\u00f4mico da disputa eleitoral.<\/p>\n<p>Enquanto Lula trata o PIX como tema de autonomia nacional e recusa qualquer limita\u00e7\u00e3o negociada com Washington, Fl\u00e1vio mostra a disposi\u00e7\u00e3o para acomodar preocupa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas dos EUA, desde que isso contribua para evitar o tarifa\u00e7o e preserve toda a opera\u00e7\u00e3o do sistema no mercado brasileiro. Desde a primeira cr\u00edtica do governo de Donald Trump ao PIX, Lula tornou o tema ativo da sua campanha pela reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo analistas, a diferen\u00e7a de abordagem reflete vis\u00f5es distintas sobre a rela\u00e7\u00e3o bilateral. O governo aposta na narrativa diplom\u00e1tica de soberania e na rejei\u00e7\u00e3o a qualquer percep\u00e7\u00e3o de tutela externa. J\u00e1 o senador procura explorar a sua interlocu\u00e7\u00e3o com autoridades americanas para construir uma solu\u00e7\u00e3o negociada, argumentando que a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas prejudicaria tanto empresas brasileiras quanto investidores dos pr\u00f3prios EUA.<\/p>\n<p>A principal cr\u00edtica de Washington ao PIX \u00e9 que, por ser infraestrutura p\u00fablica operada pelo Banco Central (BC), ele daria vantagem competitiva desleal aos meios de pagamento brasileiros, reduzindo o espa\u00e7o de companhias americanas como as bandeiras de cart\u00e3o de cr\u00e9dito Visa e Mastercard. Numa etapa futura de integra\u00e7\u00e3o internacional, o PIX poderia diminuir a depend\u00eancia do d\u00f3lar e de redes financeiras controladas pelos EUA.<\/p>\n<p>Analistas se dividem ao avaliar se o PIX \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o mais alinhada com o liberalismo econ\u00f4mico ou com Estados que tentam controlar a economia.<\/p>\n<p>Por um lado, por ser atualmente gratuito, o PIX elimina taxa\u00e7\u00f5es de bancos e operadoras de cart\u00f5es, colaborando com o livre com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Mas de outro ponto de vista, o Estado leva vantagem porque o Banco Central \u00e9 ao mesmo tempo regulador do mercado financeiro e um competidor com vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa privada, inibindo o surgimento de ferramentas semelhantes ao PIX. O temor \u00e9 que o governo n\u00e3o s\u00f3 passe a taxar a opera\u00e7\u00e3o como a use para monitorar h\u00e1bitos de consumo da popula\u00e7\u00e3o (para criar impostos sobre determinados h\u00e1bitos de consumo, por exemplo).<\/p>\n<p>Segundo o analista de riscos Nelson Ricardo Fernandes Silva, da consultoria ARP Risk, o PIX em si \u00e9 apenas uma ferramenta, que n\u00e3o tem vi\u00e9s de direita ou de esquerda. O que vai determinar se ele estar\u00e1 alinhado com o liberalismo econ\u00f4mico ou com o intervencinismo do Estado \u00e9 qual utiliza\u00e7\u00e3o o governo far\u00e1 dele.<\/p>\n<h2>Especialista v\u00ea novo tarifa\u00e7o de Trump como instrumento de negocia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Desde o \u00faltimo encontro entre Lula e Trump, em maio, as equipes dos dois pa\u00edses j\u00e1 realizaram quatro rodadas de negocia\u00e7\u00e3o. Caso o prov\u00e1vel tarifa\u00e7o de 25% seja confirmado nesta quarta-feira (15), o Pal\u00e1cio do Planalto espera que Washington divulgue previamente a lista dos produtos atingidos. Estimativa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) indica que 4,1 mil produtos brasileiros poder\u00e3o ser afetados pela medida.<\/p>\n<p>Para Daniel Afonso da Silva, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da USP, a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas por Washington integra a estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o adotada por Donald Trump. Segundo ele, o presidente americano costuma elevar a press\u00e3o inicial para ampliar poder de barganha, for\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o dos parceiros comerciais e buscar condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis aos seus interesses.<\/p>\n<p>O especialista ressalta que a pol\u00edtica tarif\u00e1ria de Trump tem alcance global e afeta diversos pa\u00edses, sobretudo China e Uni\u00e3o Europeia. Nesse contexto, ele considera exagerada a interpreta\u00e7\u00e3o de que o Brasil seria um alvo especial da Casa Branca. Ainda assim, avalia que uma tarifa de 25% poder\u00e1 provocar impactos relevantes sobre segmentos importantes da economia brasileira.<\/p>\n<p>Na sexta-feira (10), Lula se reuniu com os ministros Mauro Vieira (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores) e M\u00e1rcio Elias Rosa (Desenvolvimento) e determinou que o Brasil mantenha negocia\u00e7\u00f5es at\u00e9 o fim do prazo, mas sem fazer concess\u00f5es estrat\u00e9gicas, como mudan\u00e7as no PIX. O governo tenta agendar uma quinta reuni\u00e3o com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.<\/p>\n<h2>Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro se acusam de causar o novo tarifa\u00e7o dos EUA<\/h2>\n<p>Nesta quarta-feira (15), a Administra\u00e7\u00e3o Donald Trump dever\u00e1 anunciar sua decis\u00e3o sobre a investiga\u00e7\u00e3o comercial aberta contra o Brasil com base na Se\u00e7\u00e3o 301 da Lei de Com\u00e9rcio de 1974. Sem expectativa de reverter o novo tarifa\u00e7o dos EUA, o governo Lula segue atribuindo \u00e0 fam\u00edlia Bolsonaro a responsabilidade pelos preju\u00edzos ao pa\u00eds advindos da medida.<\/p>\n<p>Lula sustenta que a liga\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Bolsonaro com o governo Trump levou \u00e0s tarifas e tenta caracterizar o presidenci\u00e1vel como traidor da p\u00e1tria, respons\u00e1vel pela crise comercial. J\u00e1 Fl\u00e1vio argumenta que a investiga\u00e7\u00e3o comercial foi iniciada um ano antes de ele visitar Trump. Ele tamb\u00e9m diz que pediu a suspens\u00e3o das medidas, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/cafe-com-a-gazeta\/flavio-culpa-lula-por-tensao-com-os-eua-e-promete-defender-o-brasil-contra-tarifas\/\">atribuindo a contenda \u00e0 condu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica hostil e irrespons\u00e1vel do governo petista, que n\u00e3o quer negociar de fato<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico M\u00e1rcio Coimbra, presidente do think tank Monitor da Democracia, a aplica\u00e7\u00e3o de tarifa de 25% pelos EUA sobre produtos brasileiros \u00e9 praticamente inevit\u00e1vel. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o governo trabalha com esse cen\u00e1rio e tenta apenas ampliar a lista de exce\u00e7\u00f5es para reduzir os preju\u00edzos ao setor produtivo.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do analista, a responsabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica recai sobre o atual governo, por n\u00e3o ter evitado a escalada do contencioso comercial nem constru\u00eddo uma agenda capaz de reduzir os atritos com Washington. Coimbra sustenta que a deteriora\u00e7\u00e3o do ambiente regulat\u00f3rio e diplom\u00e1tico foi decisiva para o endurecimento da posi\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<h2>EUA veem PIX como uma amea\u00e7a \u00e0 sua lideran\u00e7a nas finan\u00e7as globais<\/h2>\n<p>A lideran\u00e7a financeira global dos EUA \u00e9 expressiva, mas enfrenta desafios crescentes. An\u00e1lise da revista brit\u00e2nica <em>The Economist<\/em> argumenta que a combina\u00e7\u00e3o de tarifas comerciais, san\u00e7\u00f5es financeiras e uso do sistema de pagamentos como instrumento de pol\u00edtica externa pelos Estados Unidos est\u00e1 incentivando outros pa\u00edses a reduzir a sua depend\u00eancia da infraestrutura financeira americana.<\/p>\n<p>O exemplo mais recente apontado pela publica\u00e7\u00e3o \u00e9 a press\u00e3o exercida por Washington sobre o PIX. O epis\u00f3dio simboliza a tend\u00eancia mais ampla de governos ao redor do mundo passarem a investir em meios de pagamento pr\u00f3prios, moedas digitais de bancos centrais e sistemas alternativos de liquida\u00e7\u00e3o financeira, buscando autonomia diante da influ\u00eancia dos EUA. Por isso, o Brasil est\u00e1 sendo observado para medir a rea\u00e7\u00e3o de Washington.<\/p>\n<p>Mas a revista ressalta que essa transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lenta. Nenhum concorrente re\u00fane a robustez dos mercados financeiros americanos, a liquidez do d\u00f3lar, a seguran\u00e7a jur\u00eddica e a confian\u00e7a institucional oferecidas pelos EUA. Ainda assim, pequenas mudan\u00e7as graduais podem reduzir parte dessa vantagem hist\u00f3rica ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Embora o d\u00f3lar siga como principal moeda de reserva internacional e os EUA continuem sendo o maior centro financeiro do planeta, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que a excessiva instrumentaliza\u00e7\u00e3o desse poder induz efeitos contr\u00e1rios aos desejados.<\/p>\n<p>Nesse contexto, iniciativas como o PIX, o fortalecimento dos sistemas de pagamentos chineses, as plataformas de liquida\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses dos BRICS e projetos de moedas digitais soberanas passam a integrar a disputa estrat\u00e9gica pela arquitetura financeira global.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O embate comercial entre Brasil e Estados Unidos fez do PIX um dos temas centrais da corrida presidencial. 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