{"id":552880,"date":"2026-07-14T15:40:19","date_gmt":"2026-07-14T19:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552880"},"modified":"2026-07-14T15:40:19","modified_gmt":"2026-07-14T19:40:19","slug":"super-tilapias-desenvolvidas-pela-uem-viram-file-em-60-dias-de-manejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552880","title":{"rendered":"Super til\u00e1pias desenvolvidas pela UEM viram fil\u00e9 em 60 dias de manejo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A til\u00e1pia criada hoje em pisciculturas de todo o Brasil pode carregar a gen\u00e9tica desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM). H\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas, o PeixeGen (N\u00facleo de Pesquisa em Manejo, Melhoramento e Gen\u00e9tica Molecular em Piscicultura de \u00c1gua Doce) seleciona animais que crescem mais r\u00e1pido, aproveitam melhor a ra\u00e7\u00e3o e ajudam a tornar a piscicultura brasileira mais eficiente.<\/p>\n<p>Os resultados aparecem diretamente nas propriedades rurais. Uma til\u00e1pia selecionada geneticamente pode apresentar desempenho entre 20% e 30% superior ao de um animal sem melhoramento, reduzindo o tempo de cultivo, os custos de produ\u00e7\u00e3o e aumentando a produtividade.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Evandro Schmitt conhece esse impacto de perto. Propriet\u00e1rio da Acqua Sul Piscicultura, de Ilhota (SC), uma das maiores produtoras de alevinos do pa\u00eds, ele recorreu \u00e0 UEM em 2008, depois que uma enchente destruiu boa parte do material gen\u00e9tico da empresa.<\/p>\n<p>\u201cO professor Ricardo praticamente \u00e9 o pai da til\u00e1pia GIFT no Brasil. Perdemos nosso material gen\u00e9tico na enchente e ele nos cedeu seis fam\u00edlias para reconstruirmos o plantel. Foi o in\u00edcio de uma parceria que dura at\u00e9 hoje\u201d, lembra Schmitt.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a empresa catarinense utiliza a gen\u00e9tica desenvolvida pelo PeixeGen e tamb\u00e9m apoia financeiramente as pesquisas realizadas pela universidade. \u201cContinuamos investindo porque sabemos da import\u00e2ncia desse trabalho para toda a piscicultura brasileira\u201d, afirma o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para Schmitt, a evolu\u00e7\u00e3o da tilapicultura nacional est\u00e1 diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pela UEM. \u201cO programa conta com pesquisadores altamente qualificados e o setor deve muito a eles pela constru\u00e7\u00e3o desse conhecimento e pela lideran\u00e7a exercida ao longo de todos esses anos\u201d, conclui.<\/p>\n<h2>Tr\u00eas d\u00e9cadas de sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para produ\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias<\/h2>\n<p>O PeixeGen foi criado em 1997 a partir de uma parceria entre a UEM e a Companhia de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio do Paran\u00e1 (Codapar), que permitiu aos pesquisadores utilizar a esta\u00e7\u00e3o experimental de piscicultura de Floriano, no distrito de Maring\u00e1.<\/p>\n<p>Um dos principais marcos da trajet\u00f3ria ocorreu em 2005, quando a universidade recebeu da Mal\u00e1sia a linhagem GIFT (Genetically Improved Farmed Tilapia), considerada uma das mais importantes do mundo para programas de melhoramento gen\u00e9tico. Desde ent\u00e3o, uma nova gera\u00e7\u00e3o de peixes \u00e9 desenvolvida a cada ano e o programa j\u00e1 alcan\u00e7ou a 16\u00aa gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o desse trabalho pode ser medida pelos n\u00fameros da piscicultura brasileira. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o pa\u00eds produziu 1.011.540 toneladas de peixes de cultivo em 2025. Desse total, 707.495 toneladas foram de til\u00e1pias.<\/p>\n<p>Um estudo publicado pela Embrapa em 2020, com base na produ\u00e7\u00e3o nacional de 2019, estimou que aproximadamente 80% das til\u00e1pias produzidas no Brasil pertenciam \u00e0 linhagem GIFT pura ou cruzada e podiam apresentar algum grau de parentesco com os animais desenvolvidos pelo programa de melhoramento gen\u00e9tico da UEM.<\/p>\n<p>\u201cEm 2027, completamos 30 anos de uma trajet\u00f3ria voltada ao desenvolvimento da piscicultura. O que come\u00e7ou como um n\u00facleo dedicado \u00e0 pesquisa em produ\u00e7\u00e3o de peixes transformou a UEM em uma das principais refer\u00eancias brasileiras em melhoramento gen\u00e9tico de til\u00e1pias\u201c, afirma Ricardo Pereira Ribeiro, idealizador e coordenador do PeixeGen e professor aposentado do Departamento de Zootecnia (DZO) da UEM.<\/p>\n<p>Embora a til\u00e1pia seja o principal foco do programa, os estudos do PeixeGen tamb\u00e9m abrangem outras esp\u00e9cies nativas de peixes brasileiros, como tambaqui e pintado.<\/p>\n<h2>Como funciona o melhoramento<\/h2>\n<p>O trabalho desenvolvido pelo PeixeGen segue os mesmos princ\u00edpios utilizados em programas de melhoramento de bovinos, aves e culturas agr\u00edcolas, como soja e milho. Todos os anos, milhares de til\u00e1pias passam por avalia\u00e7\u00f5es individuais. Os animais s\u00e3o pesados, t\u00eam o desempenho analisado e, com o aux\u00edlio de ferramentas estat\u00edsticas, os pesquisadores identificam aqueles com maior potencial gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cA gente busca um animal que cres\u00e7a mais rapidamente. Se ele atinge o peso de abate antes, o produtor reduz o tempo de cultivo e os custos de produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica Carlos Ant\u00f4nio Lopes de Oliveira, professor do DZO\/UEM. Atualmente, cerca de 80% do custo de produ\u00e7\u00e3o da til\u00e1pia est\u00e1 concentrado na alimenta\u00e7\u00e3o dos peixes.<\/p>\n<p>O processo vai al\u00e9m da escolha dos animais com melhor desempenho. Quando atingem aproximadamente cinco gramas, todos recebem um microchip que permite acompanhar sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica, identificando pais, m\u00e3es e descendentes. O controle evita cruzamentos entre animais aparentados e preserva a variabilidade gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEssa variabilidade \u00e9 o combust\u00edvel do melhoramento. Se selecionarmos apenas animais muito parecidos, ganhamos velocidade no in\u00edcio, mas depois a evolu\u00e7\u00e3o para. Por isso preservamos diferentes fam\u00edlias gen\u00e9ticas\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n<p>Esse controle permite que os ganhos sejam mantidos ao longo das gera\u00e7\u00f5es, preservando caracter\u00edsticas importantes, como adapta\u00e7\u00e3o aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e capacidade reprodutiva.<\/p>\n<h2>Melhoramento gen\u00e9tico impacto produ\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias no pa\u00eds<\/h2>\n<p>Embora o ganho gen\u00e9tico obtido a cada gera\u00e7\u00e3o fique entre 2% e 3%, o efeito acumulado ao longo de duas d\u00e9cadas mudou o desempenho da til\u00e1pia produzida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cComparando com os animais que iniciaram o projeto, em 2005, hoje reduzimos cerca de 60 dias no per\u00edodo de cultivo, com maior ganho de peso e melhor rendimento de fil\u00e9\u201d, afirma o professor Ricardo Pereira Ribeiro.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa menor consumo de ra\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o e a possibilidade de aumentar o n\u00famero de ciclos de cultivo ao longo do ano.<\/p>\n<p>Depois de selecionados, os peixes permanecem no n\u00facleo de melhoramento da UEM. A partir deles s\u00e3o produzidas matrizes distribu\u00eddas a empresas multiplicadoras e produtores de alevinos, respons\u00e1veis por levar essa gen\u00e9tica \u00e0s pisciculturas de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. Antes da distribui\u00e7\u00e3o, os animais recebem certifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cO produtor recebe um material geneticamente superior e com controle sanit\u00e1rio. S\u00e3o os produtores de alevinos que multiplicam essa gen\u00e9tica e fazem com que ela chegue \u00e0s pisciculturas de todo o Brasil\u201d, explica Ribeiro.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da linhagem GIFT na piscicultura brasileira mostra a dimens\u00e3o alcan\u00e7ada pelo programa, que continua evoluindo a cada gera\u00e7\u00e3o e contribuindo para o crescimento da produtividade da piscicultura brasileira.<\/p>\n<h2>Ci\u00eancia que ultrapassou os laborat\u00f3rios<\/h2>\n<p>Ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas, o PeixeGen acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o da piscicultura nacional e presenciou avan\u00e7os em \u00e1reas como nutri\u00e7\u00e3o, manejo, sanidade e sistemas de produ\u00e7\u00e3o. O material gen\u00e9tico desenvolvido na UEM tamb\u00e9m chegou a outros pa\u00edses, como Cuba e Uruguai, por meio de parcerias com institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e empresas do setor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto na produ\u00e7\u00e3o, o n\u00facleo tornou-se um centro de forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores nos programas de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado. Desde 1997, mais de 362 estudantes participaram das atividades do grupo, que j\u00e1 publicou mais de 250 artigos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o os estudantes que fazem o programa acontecer. Eles participam de todas as etapas da pesquisa e, ao mesmo tempo, tornam-se profissionais preparados para liderar programas de melhoramento gen\u00e9tico em universidades, centros de pesquisa e empresas no Brasil e no exterior\u201d, destaca Pedro Luiz Castro, professor do DZO\/UEM.<\/p>\n<p>Hoje, ex-integrantes do PeixeGen atuam em universidades, centros de pesquisa e empresas de 12 states brasileiros, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es na Noruega e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para a pr\u00f3xima d\u00e9cada, o programa prepara uma nova etapa de pesquisas. \u201cEntre as prioridades est\u00e3o o desenvolvimento de linhagens ainda mais eficientes, estudos voltados \u00e0 resist\u00eancia a doen\u00e7as, a amplia\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o internacional e a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A til\u00e1pia criada hoje em pisciculturas de todo o Brasil pode carregar a gen\u00e9tica desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":552881,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-552880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/552880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=552880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/552880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/552881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=552880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=552880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=552880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}