{"id":552438,"date":"2026-07-14T11:33:33","date_gmt":"2026-07-14T15:33:33","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552438"},"modified":"2026-07-14T11:33:33","modified_gmt":"2026-07-14T15:33:33","slug":"acp-alerta-para-impactos-da-escala-6x1-e-critica-mudancas-sem-dialogo-com-setor-produtivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552438","title":{"rendered":"ACP alerta para impactos da escala 6\u00d71 e critica mudan\u00e7as sem di\u00e1logo com setor produtivo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>Com uma rede de atua\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7a diferentes regi\u00f5es do Paran\u00e1, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Paran\u00e1 (ACP) se consolidou como uma das principais entidades de apoio ao setor produtivo estadual. A institui\u00e7\u00e3o mant\u00e9m parcerias com cerca de 70 organiza\u00e7\u00f5es e oferece solu\u00e7\u00f5es utilizadas diretamente por quase 19 mil empresas. Al\u00e9m disso, aproximadamente 40 mil associados e neg\u00f3cios ligados \u00e0s entidades parceiras t\u00eam acesso aos servi\u00e7os da ACP sem precisar realizar uma nova filia\u00e7\u00e3o. A estrutura refor\u00e7a o papel da associa\u00e7\u00e3o na defesa dos interesses empresariais e no fortalecimento do com\u00e9rcio paranaense.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/H7ozD2alPDA1a3twUX7jw7\">Receba as principais not\u00edcias do Paran\u00e1 pelo WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>Em entrevista, o presidente da ACP, Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o, analisa os desafios urgentes do com\u00e9rcio de rua, avalia o impacto de debates nacionais como o fim da escala 6\u00d71 e detalha os projetos de inova\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica desenhados para garantir a competitividade das pequenas e m\u00e9dias empresas paranaenses.<\/p>\n<h2>Entrevista com o presidente da ACP, Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) prop\u00f4s a revitaliza\u00e7\u00e3o do centro de Curitiba, com mais seguran\u00e7a \u2013 uma pauta urgente, principalmente para o com\u00e9rcio. Como o senhor avalia o atual momento do com\u00e9rcio de rua na regi\u00e3o central, em termos de fluxo de consumidores e de volume de vendas?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: O projeto do prefeito Eduardo come\u00e7ou com medidas simples, como a melhoria da ilumina\u00e7\u00e3o, o aumento do policiamento ostensivo e a amplia\u00e7\u00e3o da cobertura da Muralha Digital. Inclusive, em uma pr\u00f3xima fase, deveremos integrar as c\u00e2meras comerciais a esse sistema. Houve uma redu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da viol\u00eancia no centro, embora ela n\u00e3o tenha acabado. Continuam a ocorrer arrombamentos de im\u00f3veis e furtos, mas em menor escala do que no passado. Agora, inicia-se a etapa de ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o por meio de projetos de retrofit, atra\u00e7\u00e3o de empresas e subs\u00eddio aos juros de financiamentos para a remodela\u00e7\u00e3o da atividade comercial.<\/p>\n<p>O Brasil enfrenta um problema cr\u00f4nico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. A ACP realizou uma reuni\u00e3o com diversas entidades, como a Pol\u00edcia Civil, a Pol\u00edcia Militar, a OAB e o Minist\u00e9rio P\u00fablico, e agora discutiremos como atuar de forma adequada no atendimento a essas pessoas. Temos de entender que s\u00e3o cidad\u00e3os que necessitam de apoio social, financeiro e humanit\u00e1rio. Por outro lado, compreende-se o desgaste do empres\u00e1rio, que arca com os \u00f4nus de manter o com\u00e9rcio numa regi\u00e3o com essa vulnerabilidade social. Trata-se de um problema de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que o avan\u00e7o das tecnologias de monitoramento e da intelig\u00eancia artificial tem trazido algum impacto pr\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Sim. Lembro-me de que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, a \u201cgangue do Rolex\u201d atuava na Avenida Visconde de Guarapuava. As v\u00edtimas iam \u00e0 Delegacia de Furtos, os policiais sabiam quem eram os suspeitos, mas n\u00e3o havia como monitor\u00e1-los. Hoje, a tecnologia permite essa identifica\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o. S\u00e3o Paulo implementou sistemas semelhantes com muita efic\u00e1cia. Tanto \u00e9 assim que, ap\u00f3s as sa\u00eddas tempor\u00e1rias, as autoridades conseguem reconduzir uma quantidade expressiva de detentos de volta ao sistema prisional. Curitiba tamb\u00e9m se prepara nessa dire\u00e7\u00e3o e est\u00e1 na fase de integra\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras do com\u00e9rcio com a Muralha Digital.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor v\u00ea o com\u00e9rcio de rua, que enfrenta a concorr\u00eancia estrutural dos shoppings, do e-commerce e de aplicativos de produtos vindos da China, como Shopee e Shein? Qual \u00e9 o maior gargalo de infraestrutura urbana da regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A maior dificuldade do comerciante de rua \u00e9, primeiramente, vender. Em segundo lugar, encontrar m\u00e3o de obra qualificada. Em terceiro, a gest\u00e3o do neg\u00f3cio e, em quarto, a quest\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Note como esses fatores est\u00e3o integrados. Como n\u00e3o h\u00e1 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua no shopping, o ambiente torna-se mais agrad\u00e1vel para o consumidor do que a rua. Em contrapartida, ir ao shopping demanda mais tempo, pois exige estacionar o ve\u00edculo, enquanto no com\u00e9rcio de rua h\u00e1 maior dinamicidade: o cliente estaciona com facilidade ou desembarca rapidamente para efetuar a compra.<\/p>\n<p>A pandemia alterou profundamente os h\u00e1bitos de consumo. Al\u00e9m disso, devemos compreender que o Brasil envelheceu devido aos avan\u00e7os da medicina. Esse cen\u00e1rio gerou diferentes p\u00fablicos e perfis de consumo. O jovem realiza quase todas as compras pelo celular. O cidad\u00e3o de meia-idade, que est\u00e1 no mercado de trabalho, consome na rua. Para atender a esse p\u00fablico, \u00e9 preciso oferecer qualidade na regi\u00e3o: \u00e9 combater a viol\u00eancia, dar tratamento humanizado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de rua e zelar pela limpeza. \u00c9 um conjunto de fatores que o munic\u00edpio deve propiciar, e a cidade tem se esfor\u00e7ado. Tais esfor\u00e7os s\u00e3o suficientes? N\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio muito mais.<\/p>\n<p>O p\u00fablico mais velho mant\u00e9m o h\u00e1bito de consumir nos mesmos locais, mas muitas pequenas e m\u00e9dias empresas n\u00e3o se modernizaram. Com isso, o com\u00e9rcio envelhece, perde relev\u00e2ncia e reduz seu fluxo de clientes. Costumamos debater muito a sucess\u00e3o empresarial. Uma empresa que opera da mesma forma h\u00e1 30 anos sentir\u00e1 o peso do tempo em seus resultados. A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica hoje \u00e9 muito r\u00e1pida e din\u00e2mica. Na ACP, buscamos trazer solu\u00e7\u00f5es que auxiliem o comerciante a se renovar; recentemente, trouxemos a Faculdade do Com\u00e9rcio e estamos criando o Hub de Tecnologia. Precisamos que o poder p\u00fablico, que disp\u00f5e de verbas para essa finalidade, incentive e ajude o pequeno comerciante a se modernizar, pois o meio digital j\u00e1 est\u00e1 totalmente integrado ao atendimento e ao processo comercial das empresas.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da ACP sobre a fiscaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio ambulante? Como garantir uma concorr\u00eancia justa tamb\u00e9m com o com\u00e9rcio formal?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A ACP defende o cumprimento das leis. O com\u00e9rcio formal submete-se a v\u00e1rias regulamenta\u00e7\u00f5es que ordenam sua opera\u00e7\u00e3o. O com\u00e9rcio ambulante tamb\u00e9m possui legisla\u00e7\u00e3o e normas pr\u00f3prias que devem ser cumpridas. Toda fiscaliza\u00e7\u00e3o, principalmente junto aos pequenos empreendedores \u2014 e este deve ser o caso dos ambulantes \u2014, deve ter car\u00e1ter orientativo. Se o trabalhador possui licen\u00e7a, deve atuar estritamente conforme o que ela regula. Quem opera sem licen\u00e7a, infelizmente, prejudica aquele que paga taxas para manter o seu ponto comercial.<\/p>\n<p><strong>A ACP defende a manuten\u00e7\u00e3o de um perfil comercial na \u00e1rea central ou apoia o incentivo a novos projetos para criar consumidores locais em outras \u00e1reas residenciais?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A estrutura das grandes cidades propicia o desenvolvimento de diversos centros comerciais descentralizados. Cada bairro possui o seu polo, o que permitiu a expans\u00e3o de v\u00e1rias marcas. Esse fen\u00f4meno ocorre da mesma forma nos Estados Unidos e na Europa. Na realidade, o centro das cidades foi perdendo protagonismo na atividade comercial porque a popula\u00e7\u00e3o evitou o deslocamento em raz\u00e3o do tempo gasto no tr\u00e2nsito, j\u00e1 que a vida se tornou mais din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Precisamos identificar a voca\u00e7\u00e3o atual do Centro de Curitiba. Sabemos que uma delas \u00e9 o turismo. Os pr\u00e9dios hist\u00f3ricos da cidade est\u00e3o localizados aqui; s\u00e3o im\u00f3veis bem preservados e outros passar\u00e3o por processos de retrofit. Com o aumento do turismo na cidade nos \u00faltimos anos \u2014 com taxas superiores a 30% ao ano \u2014, \u00e9 fundamental garantir que esses pr\u00e9dios ofere\u00e7am novos atrativos, como restaurantes e lojas, para atender \u00e0 demanda tur\u00edstica. Al\u00e9m disso, o Centro deve ser ocupado por empresas de servi\u00e7os, universidades e eventos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, Curitiba perdeu postos de trabalho que chamo de empregos qualificados. Grandes corpora\u00e7\u00f5es deixaram a regi\u00e3o central durante a pandemia e n\u00e3o retornaram. Outras sa\u00edram antes, como o HSBC, deixando um vazio expressivo. O centro sofreu um decl\u00ednio e hoje necessita de incentivos para uma reocupa\u00e7\u00e3o organizada. H\u00e1 uma escassez cr\u00f4nica de m\u00e3o de obra. Devemos incentivar as empresas de servi\u00e7os a se instalarem no Centro para gerar empregos qualificados. Com isso, atrairemos profissionais qualificados para residir na regi\u00e3o, melhorando a qualidade do com\u00e9rcio local. \u00c9 uma engrenagem.<\/p>\n<p><strong>Se houver projetos municipais para alterar o tr\u00e1fego ou reduzir vagas de estacionamento para priorizar cal\u00e7ad\u00f5es e mobilidade, como a ACP pretende mediar esse interesse dos lojistas que dependem desse acesso aos ve\u00edculos?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Sempre que se instala uma ciclovia em uma via comercial, gera-se um impacto negativo no com\u00e9rcio local. Por outro lado, n\u00e3o se pode impedir o desenvolvimento urbano. O deslocamento deve ser facilitado de forma organizada, sem criar regras que beneficiem alguns em detrimento de outros. Toda interven\u00e7\u00e3o em uma cidade grande exige a compreens\u00e3o de seus impactos. Atualmente, qualquer a\u00e7\u00e3o bem planejada deve ser precedida de estudos de impacto comercial, social e de seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Dispomos de tecnologia para isso. Curitiba sempre se destacou pela inova\u00e7\u00e3o, mas o fator mais importante hoje \u00e9 o di\u00e1logo do prefeito Eduardo Pimentel com as entidades produtivas, como a ACP, a Fecom\u00e9rcio, o Sinduscon, o CRECI e os sindicatos. Todas as entidades conseguem encaminhar suas demandas ao Executivo municipal. A decis\u00e3o final de acat\u00e1-las ou n\u00e3o cabe, evidentemente, ao poder p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Mudando para um assunto em evid\u00eancia: o impacto das rela\u00e7\u00f5es de trabalho com o fim da escala 6\u00d71. De que forma a ACP projeta o reflexo de uma eventual mudan\u00e7a na jornada sobre a opera\u00e7\u00e3o das lojas de varejo?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A ACP v\u00ea com muita preocupa\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de um debate aprofundado nessa regulamenta\u00e7\u00e3o. Se o projeto fosse conduzido com a devida seriedade, teria sido discutido no in\u00edcio do per\u00edodo legislativo, e n\u00e3o de forma intempestiva. O pequeno e m\u00e9dio empres\u00e1rio n\u00e3o recebeu a prepara\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica necess\u00e1ria nem para superar os impactos do p\u00f3s-pandemia. A \u00fanica maneira de reduzir a jornada de trabalho mantendo a viabilidade do neg\u00f3cio \u00e9 substituir processos manuais por tecnologia. Os supermercados, por exemplo, j\u00e1 expandem suas \u00e1reas de autoatendimento. Toda a\u00e7\u00e3o realizada sem estudos de impacto prejudica a popula\u00e7\u00e3o em geral. Duvido que as grandes redes fiquem dependentes da jornada 6\u00d71, mas a medida poder\u00e1 causar uma redu\u00e7\u00e3o expressiva nos postos de trabalho.<\/p>\n<p>O setor banc\u00e1rio passou por isso: no passado, contava com dezenas de caixas operacionais; hoje, disp\u00f5e de dois ou tr\u00eas, pois investiu massivamente em tecnologia e autoatendimento. O pequeno comerciante, contudo, n\u00e3o tem essa facilidade. Muitas medidas adotadas t\u00eam gerado inseguran\u00e7a para o pequeno empres\u00e1rio, que representa a grande maioria do setor produtivo e o principal empregador do pa\u00eds. O regime do Simples Nacional foi criado para desonerar e descomplicar a contabilidade e incentivar a gera\u00e7\u00e3o de empregos, mas hoje j\u00e1 perdeu parte dessa simplicidade. \u00c9 preciso agir com prud\u00eancia.<\/p>\n<p>Na ACP, adotamos a escala 5\u00d72, portanto a mudan\u00e7a n\u00e3o nos afeta diretamente. Contudo, para o com\u00e9rcio varejista tradicional, que opera de segunda a s\u00e1bado at\u00e9 as 14h cumprindo a jornada de 44 horas semanais, a redu\u00e7\u00e3o da escala obrigar\u00e1 o lojista a optar por fechar as portas no s\u00e1bado ou na segunda-feira pela manh\u00e3, pois inviabiliza-se a contrata\u00e7\u00e3o de um funcion\u00e1rio para cobrir apenas as quatro horas remanescentes na semana.<\/p>\n<p>Uma alternativa vi\u00e1vel seria o contrato por hora trabalhada, modalidade j\u00e1 prevista na CLT, mas o Brasil ainda se baliza pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal. Seria recomend\u00e1vel discutir o conceito de hora m\u00ednima com todos os direitos proporcionais garantidos. Precisamos modernizar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Quando o governo regulamentou o emprego dom\u00e9stico com o intuito de ordenar o mercado, houve uma redu\u00e7\u00e3o superior a 18% no registro em carteira desses profissionais. Decis\u00f5es focadas no apelo midi\u00e1tico, sem di\u00e1logo com o setor produtivo, costumam gerar distor\u00e7\u00f5es. Essa discuss\u00e3o deveria ocorrer por meio de acordos diretos entre empregadores e empregados. O governo deve regulamentar para evitar excessos e garantir um ambiente de trabalho salubre e seguro. Os direitos sociais consolidados \u2014 como f\u00e9rias de 30 dias e repouso semanal remunerado \u2014 devem ser preservados em lei, mas intervir na jornada geral sem ouvir os setores envolvidos gera desequil\u00edbrios na economia.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 argumentos de que a redu\u00e7\u00e3o da jornada pode elevar a produtividade das equipes, enquanto entidades apontam o aumento dos custos. Qual que \u00e9 o cen\u00e1rio real projetado para para as margens de lucro do com\u00e9rcio paranaense?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: N\u00e3o h\u00e1 estudos conclusivos que comprovem o aumento autom\u00e1tico da produtividade com a mera redu\u00e7\u00e3o da jornada. A proposta n\u00e3o traz dispositivos que obriguem o trabalhador ao descanso. Diante da realidade econ\u00f4mica brasileira, na qual os sal\u00e1rios muitas vezes s\u00e3o insuficientes para cobrir o custo de vida, o funcion\u00e1rio que tiver o s\u00e1bado livre poder\u00e1 buscar uma segunda ocupa\u00e7\u00e3o, como o servi\u00e7o de transporte por aplicativo, resultando em maior desgaste f\u00edsico. Temos oper\u00e1rios de f\u00e1brica que residem distantes do trabalho e complementam a renda trabalhando como motoristas de aplicativo nos per\u00edodos de folga. Portanto, o argumento da produtividade carece de fundamenta\u00e7\u00e3o emp\u00edrica.<\/p>\n<p>Em atividades estritamente criativas, o descanso de fato potencializa a produ\u00e7\u00e3o, mas cada setor possui uma din\u00e2mica pr\u00f3pria. Se o problema central \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o, discutamos a renda; se \u00e9 trabalhar menos, criemos condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas que elevem a produtividade global do pa\u00eds. O Brasil possui uma produtividade baixa, carga tribut\u00e1ria elevada e gastos p\u00fablicos excessivos; o governo precisa realizar reformas estruturais antes de impor encargos dessa natureza ao setor privado.<\/p>\n<p><strong>O com\u00e9rcio varejista do estado tem condi\u00e7\u00f5es para absorver essa mudan\u00e7a de jornada de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma atividade que consiga absorver custos hoje no Brasil. A gente vem de uma crise prolongada desde o governo Dilma. O Brasil vem sofrendo, sistematicamente, crises que s\u00e3o escondidas atrav\u00e9s do resultado do agroneg\u00f3cio. Como o agroneg\u00f3cio cresce mais de 30% ao ano, os n\u00fameros macro do Brasil s\u00e3o muito bons, do Estado tamb\u00e9m s\u00e3o muito bons. Quando voc\u00ea vai ver a ind\u00fastria de com\u00e9rcio, os do Paran\u00e1 s\u00e3o muito melhores que os do Brasil, mas est\u00e3o muito aqu\u00e9m do que deveria ser num pa\u00eds equilibrado. Isso est\u00e1 muito relacionado \u00e0 queda de produtividade do brasileiro. Ent\u00e3o, a gente precisa atacar um problema estrutural. Como \u00e9 que eu melhoro a produtividade do Brasil? Isso se faz de v\u00e1rias formas: melhorando a capacita\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio, dando ferramentas mais atualizadas para ele trabalhar, tendo um tempo melhor de deslocamento.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea analisar, ser\u00e1 que eu preciso reduzir quatro horas de trabalho? E se eu reduzisse meia hora do tr\u00e2nsito por dia para o funcion\u00e1rio que gasta uma hora e meia para vir, uma hora e meia para voltar? Eu j\u00e1 teria essas quatro horas de descanso. Por que a gente n\u00e3o cria, ent\u00e3o, formas do funcion\u00e1rio chegar mais r\u00e1pido no trabalho? A vida dele vai ser melhor.<\/p>\n<p><strong>O setor comercial tem relatado dificuldades na contrata\u00e7\u00e3o. O senhor avalia que a mudan\u00e7a de jornada pode interferir nessa atratividade do com\u00e9rcio, para atrair novos trabalhadores?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A cria\u00e7\u00e3o de um benef\u00edcio pode funcionar como um atrativo inicial. No entanto, o desenvolvimento profissional depende do esfor\u00e7o individual. Na ACP, mantemos um programa que subsidia 70% da gradua\u00e7\u00e3o e 50% da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de nossos colaboradores. O profissional n\u00e3o deve esperar que a empresa custeie integralmente sua forma\u00e7\u00e3o sem contrapartida de esfor\u00e7o pessoal. As empresas capacitam o funcion\u00e1rio para a sua opera\u00e7\u00e3o interna, mas a qualifica\u00e7\u00e3o para o mercado exige proatividade. A atratividade ou a escassez de m\u00e3o de obra dependem mais da postura dos profissionais do que da altera\u00e7\u00e3o da jornada.<\/p>\n<p><strong>Com a possibilidade do fim da jornada de 6&#215;1, a tend\u00eancia do com\u00e9rcio aqui no Paran\u00e1 ser\u00e1 buscar novas contrata\u00e7\u00f5es para cobrir turnos, esses buracos dentro da jornada, ou acelerar investimentos de automa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: As empresas acelerar\u00e3o os investimentos em automa\u00e7\u00e3o; esse movimento j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. Haver\u00e1 um rearranjo cujos efeitos exatos depender\u00e3o de cada segmento, mas n\u00e3o prevejo uma onda de contrata\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque h\u00e1 escassez de candidatos no mercado. Atualmente, a formata\u00e7\u00e3o de programas sociais, embora necess\u00e1ria, gera distor\u00e7\u00f5es que dificultam o preenchimento de vagas operacionais. H\u00e1 vagas abertas nas ag\u00eancias de emprego que permanecem ociosas, ou identificamos uma alta rotatividade de profissionais que deixam o emprego ap\u00f3s poucos meses. Diante disso, a ACP desenvolve um programa voltado \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u201c60+\u201d, visando atualizar esses profissionais para as ferramentas digitais e reintroduzi-los no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Esse \u00e9 um problema bem atual. A partir do ano que vem, o Paran\u00e1, pela proje\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 mais idosos que jovens.<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Exatamente. Completei 60 anos recentemente. Embora a legisla\u00e7\u00e3o me classifique como idoso, sinto-me pleno em termos de capacidade laboral; acredito, inclusive, que o marco legal dessa transi\u00e7\u00e3o deveria ser revisto para os 70 anos. O profissional maduro est\u00e1 apto ao trabalho e, muitas vezes, necessita dele n\u00e3o apenas sob o aspecto financeiro, mas tamb\u00e9m pelo bem-estar mental. A inatividade prolongada pode desencadear problemas de sa\u00fade psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica. O trabalho funciona como um ambiente de conviv\u00eancia, aprendizado e socializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental manter o indiv\u00edduo integrado ao setor produtivo e social ao longo do envelhecimento.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 espa\u00e7o para que as adequa\u00e7\u00f5es dos hor\u00e1rios e as jornadas ocorram por meio de conven\u00e7\u00f5es coletivas, por sindicato do com\u00e9rcio, das empresas, sem uma legisla\u00e7\u00e3o federal r\u00edgida?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Historicamente, a atua\u00e7\u00e3o de parte das entidades sindicais no Brasil sofreu distor\u00e7\u00f5es, assumindo um vi\u00e9s pol\u00edtico-partid\u00e1rio em detrimento da pauta econ\u00f4mica e trabalhista. Quando se sobrep\u00f5e a ideologia \u00e0 l\u00f3gica econ\u00f4mica, os resultados costumam ser prejudiciais ao setor produtivo. Por essa raz\u00e3o, n\u00e3o considero o ambiente sindical atual o espa\u00e7o mais equilibrado para mediar de forma t\u00e9cnica as rela\u00e7\u00f5es entre trabalhadores e empregadores.<\/p>\n<p><strong>O senhor assumiu a ACP com foco em inova\u00e7\u00e3o. Como o pequeno comerciante de bairro, que foca na opera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, ele pode aplicar uma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para aumentar suas vendas?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A principal inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o sistema de gest\u00e3o. Antigamente era uma coisa muito temida para o pequeno empres\u00e1rio, porque ele achava que voc\u00ea ia usar um sistema de gest\u00e3o, o fiscal ia entrar na loja dele e apertar o bot\u00e3o. A informalidade terminou em grande parte dos neg\u00f3cios. Voc\u00ea tem que ter um sistema de gest\u00e3o, aux\u00edlio na venda digital. O WhatsApp virou a maior ferramenta de vendas do Brasil na pandemia. O e-commerce \u00e9 mais dif\u00edcil, mas voc\u00ea vender por WhatsApp, montar grupos de pessoas na m\u00eddia social, \u00e9 razo\u00e1vel. De alguma forma voc\u00ea tem que se modernizar e a Associa\u00e7\u00e3o Comercial pode ser um bom parceiro para os comerciantes que queiram se atualizar. Eu falo que o com\u00e9rcio precisa se renovar sen\u00e3o envelhece. O neg\u00f3cio que envelhece, normalmente fica em decl\u00ednio e entra em crise. A pessoa est\u00e1 insistindo ali, porque talvez ela ache feio fechar. \u00c0s vezes \u00e9 melhor pensar e ver uma forma de sair do neg\u00f3cio, porque ela vai ter problemas s\u00e9rios.<\/p>\n<p><strong>Com o mercado cada vez mais agressivo, como a ACP avalia as pol\u00edticas de incentivo e o apoio a neg\u00f3cios comerciais oferecidos pela atual gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Com o Pimentel, a gente tem uma discuss\u00e3o cont\u00ednua. O com\u00e9rcio de rua descobriu que eventos podem alavancar suas vendas. Nas cidades menores que a gente visita, as entidades t\u00eam gerado eventos semanais, mensais, que possam trazer p\u00fablico diferenciado para consumir. Esses incentivos podem ser uma boa. Curitiba melhorou muito nessa quest\u00e3o. Come\u00e7ou com os shows. Antes a gente tinha que ir para Porto Alegre, S\u00e3o Paulo. hoje Curitiba recebe todos os grandes shows que tem no Brasil. Esse ano \u00e9 interessante porque o Athl\u00e9tico e o Coritiba est\u00e3o na na primeira divis\u00e3o do Campeonato Paranaense. O pr\u00f3prio futebol traz p\u00fablico de fora.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio de rua precisa ser reconhecido. Quando voc\u00ea passa numa cidade, voc\u00ea olha alguma coisa na vitrine. Para as grandes redes, a vitrine \u00e9 o celular. Voc\u00ea entra ali no Mercado Livre, Shopee, ou mesmo no site dessa grande empresa, fica procurando produto, v\u00ea pre\u00e7o. Ent\u00e3o, \u00e9 tirar a pessoa de casa e ir para a rua.<\/p>\n<p><strong>O PIB do Paran\u00e1 tem demonstrado um crescimento relativamente consider\u00e1vel. Esse avan\u00e7o macroecon\u00f4mico tem se traduzido em aumento real na compra, no faturamento do varejo?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: N\u00e3o. Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o que a gente tem que ter bastante cuidado, porque o agro movimenta um enorme capital e est\u00e1 concentrado em poucas pessoas. Ningu\u00e9m questiona a import\u00e2ncia do agro. A import\u00e2ncia dele \u00e9 vital. Temos que migrar para a agroind\u00fastria. Isso o Governo do Estado tem feito um movimento muito interessante, muito forte em ind\u00fastria. Mas a gente n\u00e3o v\u00ea essa economia retornar para a cidade. Curitiba, nos \u00faltimos 10 anos, cresceu menos de 1%, enquanto a grande Curitiba cresceu 46%.<\/p>\n<p>O agro comprou im\u00f3veis aqui na cidade de Curitiba. Se conversar com as principais construtoras, muitos im\u00f3veis foram vendidos para o agro. Na capital de S\u00e3o Paulo \u00e9 a mesma coisa. Todo grande empres\u00e1rio do agroneg\u00f3cio tem uma segunda moradia na capital, provavelmente foi usado durante a semana, ou em algum momento que ele tenha interesse, mas ele n\u00e3o se refletiu no com\u00e9rcio de varejo b\u00e1sico da cidade. Com\u00e9rcio de luxo, sim. Se voc\u00ea perguntar nas grandes grifes, muitos compradores s\u00e3o do agro.<\/p>\n<p><strong>Quem movimenta o varejo?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Quem movimenta o varejo no dia a dia s\u00e3o os funcion\u00e1rios das empresas assalariados, que comp\u00f5em as classes B e C, que trabalha todo dia e que precisa morar e consumir naquela cidade. Temos que ter uma aten\u00e7\u00e3o muito grande, por isso que tem que gerar emprego qualificado. Gerando emprego qualificado, voc\u00ea melhora o sal\u00e1rio das pessoas e melhora a capacidade de compra das pessoas. \u00c9 isso que vai gerar essa transforma\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de rua.<\/p>\n<p><strong>Com a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria que est\u00e1 em andamento, o senhor avalia que a bancada do Paran\u00e1, em Bras\u00edlia, conseguiu de alguma forma blindar o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os contra esse aumento na carga l\u00edquida de impostos?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: N\u00e3o. O Congresso Nacional possui frentes parlamentares muito organizadas e eficientes, como a bancada do agroneg\u00f3cio, a frente evang\u00e9lica e a bancada ambientalista. Embora existam comiss\u00f5es voltadas ao empreendedorismo, sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica carece de coes\u00e3o e for\u00e7a de articula\u00e7\u00e3o similar. O setor de com\u00e9rcio e servi\u00e7os muitas vezes \u00e9 o \u00faltimo a ser ouvido nas decis\u00f5es macroecon\u00f4micas. O agroneg\u00f3cio e a cesta b\u00e1sica possuem desonera\u00e7\u00f5es justificadas pelo impacto social, mas \u00e9 fundamental que haja maior equil\u00edbrio regulat\u00f3rio para que a carga tribut\u00e1ria do setor de servi\u00e7os n\u00e3o inviabilize a atividade empresarial urbana.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais entraves burocr\u00e1ticos que o investidor ainda enfrenta com o governo do estado na hora de abrir ou expandir uma filial comercial no Paran\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A Junta Comercial do Paran\u00e1 se modernizou muito. N\u00e3o vejo essa rapidez que se comenta, que abre e fecha uma empresa em quatro horas. Se voc\u00ea quiser empreender no Paran\u00e1, estamos num Estado que \u00e9 privilegiado em rela\u00e7\u00e3o aos demais. Eu acho que o maior problema de se empreender no Brasil \u00e9 financiamento para come\u00e7ar as suas atividades.<\/p>\n<p>A reforma tribut\u00e1ria, embora seja uma coisa que o pequeno empres\u00e1rio n\u00e3o esteja preparado para ela, vai auxiliar muito nisso. Ela deve ter um reflexo importante na composi\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. Espero que ela possa reduzir no futuro. \u00c0s vezes, quando gera um super\u00e1vit, a lei at\u00e9 prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o, deve retornar para o contribuinte. Eu vejo o Paran\u00e1 como um local de excel\u00eancia para isso. Das dez melhores cidades para se morar no Brasil, tr\u00eas s\u00e3o paranaenses. Ent\u00e3o, alguma coisa est\u00e1 acontecendo de bom.<\/p>\n<p><strong>O governo Ratinho Junior encerra o mandato no fim do ano. Como a ACP avalia a gest\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o estadual nesses \u00faltimos 8 anos?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Foi uma gest\u00e3o muito boa. Isso se reflete nos n\u00fameros macro do estado. Acho que quem pode melhorar a economia \u00e9 o governo federal, com as grandes pol\u00edticas tribut\u00e1rias \u2013 embora tenha tido aumento de carga tribut\u00e1ria no estado. Tivemos redu\u00e7\u00e3o de do IPVA, v\u00e1rias outras coisas. Mas ao longo dos \u00faltimos anos, nosso ICMS subiu. V\u00e1rias taxas subiram, n\u00e3o s\u00f3 no governo estadual como municipal. Teve aumento do IPTU, que atua diretamente na atividade comercial. Houve um incremento muito grande, mas houve uma contrapartida do governo, tanto em infraestrutura como em di\u00e1logo junto ao setor produtivo.<\/p>\n<p><strong>Diante desse cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica do nosso pa\u00eds, como a sua gest\u00e3o atua para manter a ACP focada nas pautas de interesse comercial e econ\u00f4mico e n\u00e3o pautadas nessa forte polariza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: A ACP, desde a gest\u00e3o do presidente Camilo durante a pandemia, entendeu que a associa\u00e7\u00e3o deveria estar mais pr\u00f3ximo do empres\u00e1rio. Foi quando o presidente Camilo defendeu a abertura do com\u00e9rcio de uma forma organizada. Na gest\u00e3o do presidente Jer\u00f4nimo, que eu participei como vice-presidente da \u00e1rea comercial, n\u00f3s desenvolvemos v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es para estar junto do associado. O que eu vejo \u00e9 que a gente tem que evitar a polariza\u00e7\u00e3o, tem que trabalhar. Ficar discutindo se A \u00e9 melhor que B, o Brasil \u00e9 isso a\u00ed. A gente vive nessa gangorra h\u00e1 anos. O empres\u00e1rio brasileiro \u00e9 o empres\u00e1rio mais resiliente do mundo.<\/p>\n<p>Se a gente ficar reclamando, dizendo que aqui n\u00e3o presta, isso \u00e9 para gente desocupada. Eu estou radicalizando um pouco porque a gente perde dinheiro nesses movimentos. Faz muito tempo que o empres\u00e1rio brasileiro n\u00e3o se remunera da forma adequada. N\u00e3o podemos olhar por esse lado do pa\u00eds, ele tem que cobrar do governo, quer seja de direita ou de esquerda, que cumpra a Constitui\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o maior problema, o cumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira, Acho que esse \u00e9 o momento mais grave que a gente passa na Rep\u00fablica Brasileira, n\u00e3o sabemos mais o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado. Ficar perdendo tempo com polariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai fazer o nosso neg\u00f3cio vender mais ou menos.<\/p>\n<p><strong>O seu mandato \u00e0 frente da associa\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o indicador de desempenho social ou institucional que o senhor vai usar para medir o sucesso da sua gest\u00e3o no com\u00e9rcio do estado?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Eu estruturei essa gest\u00e3o, que s\u00e3o 3 anos, com v\u00e1rias atividades e sempre amparado por algum tipo de estudo. A quest\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o, estamos criando um hub de tecnologia que deve ficar pronto ainda este ano. J\u00e1 est\u00e1 em reformas no mezanino da ACP e deve ser lan\u00e7ado ainda em julho o projeto. A gente criou um projeto da ACP nos bairros. Falamos muito do centro de Curitiba, mas eu gosto de falar dos centros comerciais. Estamos fazendo eventos em parceria com entidades comerciais dos bairros, com o governo, com a prefeitura, com a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, com o time de inova\u00e7\u00e3o, para levar solu\u00e7\u00f5es para os comerciantes dos bairros.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos transformando o Instituto Bar\u00e3o do Cerro Azul em entidade e interesse social, para dar um retorno \u00e0 sociedade. Toda a associa\u00e7\u00e3o tem uma coisa que \u00e9 muito importante, que \u00e9 a isen\u00e7\u00e3o de impostos, de alguns impostos. Nada mais justo que voc\u00ea retribua para a sociedade, somente pela import\u00e2ncia que a ACP tem, tamanho, tradi\u00e7\u00e3o, projetos de cunho social, educacionais, culturais, de sa\u00fade.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos hoje cerca de 640 conselheiros na Casa. A ACP participa de mais de 50 conselhos no estado, munic\u00edpio e de entidades produtivas. Cada conselho tem que ter um objetivo. A gente veio estruturando a ACP de uma forma que ela possa ter uma medi\u00e7\u00e3o muito clara, e \u00e9 a sociedade que vai definir. Eu tenho uma expectativa muito grande em poder ter uma influ\u00eancia positiva sobre mais empres\u00e1rios oferecendo solu\u00e7\u00f5es, dialogando melhor com a sociedade. A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom caminho de pessoas ou empres\u00e1rios poderem fazer uma demanda estruturada por um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. O policiamento est\u00e1 muito mal feito aqui, a cidade est\u00e1 toda esburacada. N\u00e3o vamos atender o problema de uma pessoa, mas foi um problema de uma comunidade ou de uma regi\u00e3o, que isso est\u00e1 afetando a atividade empresarial.<\/p>\n<p><strong>A ACP tem um papel muito importante nessa conversa dos empres\u00e1rios com entidades, com o setor pol\u00edtico, com o setor econ\u00f4mico. O senhor pretende com essa experi\u00eancia entrar na pol\u00edtica para fortalecer o setor?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Voc\u00ea nunca pode dizer que voc\u00ea n\u00e3o vai exercer qualquer tipo de atividade. Na minha idade, sou s\u00eanior para a pol\u00edtica. A pol\u00edtica \u00e9 uma coisa que, da forma que ela \u00e9 feita no Brasil, tem que come\u00e7ar mais cedo. O empres\u00e1rio entra na pol\u00edtica, com essa confus\u00e3o que tem de quantidade de partidos pol\u00edticos, de interesses, de polariza\u00e7\u00e3o. Existem outras formas que o empres\u00e1rio pode auxiliar o poder p\u00fablico. Hoje, ser pol\u00edtico no Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A pessoa tem que estar engajada naquilo. N\u00e3o pretendo seguir esse caminho diretamente. Existem outras formas de se participar de governo atrav\u00e9s de entidades.<\/p>\n<p><strong>O setor tem se aproximado muito do Paraguai. Como a ACP tem se aproximado comercialmente de outros pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio Mercer Mour\u00e3o: Sim, n\u00f3s temos, esse \u00e9 um fato importante. N\u00f3s temos o Conselho de Neg\u00f3cios e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais o (Coninter), que no passado chamava-se Conselho de Com\u00e9rcio Exterior (Concex), que se relaciona com diversas c\u00e2maras setoriais, diversos consulados de todas as regi\u00f5es do mundo, da Europa, da \u00c1sia, da Am\u00e9rica do Sul. Eu estou colocando um foco muito grande nos mercados que eu entendo que possa fazer mais sentido. Sou presidente da Associa\u00e7\u00e3o Moveleira no Brasil, a Abimad, e a gente foca alguns mercados. Eu sou muito pragm\u00e1tico nisso. O pa\u00eds, vamos dizer assim, que mais compra do Brasil \u00e9 a Fl\u00f3rida, n\u00e3o \u00e9 os Estados Unidos. A gente tem que ter uma rela\u00e7\u00e3o e entender o que \u00e9 isso. Curitiba \u00e9 uma cidade irm\u00e3 de Orlando, se eu n\u00e3o me engano. S\u00e3o Paulo \u00e9 de Miami e vice-versa. Curitiba \u00e9 cidade irm\u00e3 de Assun\u00e7\u00e3o, no Paraguai. Quais s\u00e3o os benef\u00edcios que tem nessas nesses locais?<\/p>\n<p>O que a gente n\u00e3o tem aqui \u00e9 a quest\u00e3o de tarifas. H\u00e1 uma discuss\u00e3o muito complexa de liberar o imposto de importa\u00e7\u00e3o, a taxa das blusinhas, que na realidade parece ser boa. S\u00f3 que hoje, quando eu compro alguma coisa pelo modelo tradicional no Brasil, de US$ 50 no exterior, chega aqui a R$ 500. E quando a empresa for vender, se colocar todos os custos, vai vender por R$ 800. O ticket m\u00e9dio no com\u00e9rcio hoje \u00e9 de R$ 305. Se eu libero uma coisa de R$ 500 sem imposto, mas o cara para vender R$ 305 tem uma carga tribut\u00e1ria absurda. O Paraguai facilidade de importar pagando 1% de imposto. Ent\u00e3o, pode ser que as empresas possam arranjar parceiros ou criar modelos integrados que reduzam o custo de importa\u00e7\u00e3o. Talvez seja uma forma de alertar o governo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma rede de atua\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7a diferentes regi\u00f5es do Paran\u00e1, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Paran\u00e1 (ACP) se consolidou como&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":552439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-552438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/552438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=552438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/552438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/552439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=552438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=552438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=552438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}