{"id":552239,"date":"2026-07-14T10:09:14","date_gmt":"2026-07-14T14:09:14","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552239"},"modified":"2026-07-14T10:09:14","modified_gmt":"2026-07-14T14:09:14","slug":"china-um-tiro-solar-no-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=552239","title":{"rendered":"China: um \u201ctiro solar\u201d no p\u00e9"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/14110344\/50_MW_molten-salt_power_tower_in_hami.jpg.webp\" \/><span>A Torre de Energia de Sal Fundida de 50 MW em Hami, localizada na regi\u00e3o de Xinjiang, China. (Foto: Csp.guru\/Wikimedia Commons)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A China enfrenta um mai\u00fasculo problema de superprodu\u00e7\u00e3o na sua ind\u00fastria de pain\u00e9is solares, o qual amea\u00e7a provocar uma devasta\u00e7\u00e3o no setor. Um artigo publicado no s\u00edtio Xataka Brasil (16\/06\/2026), baseado em um artigo do colunista do Financial Times, Adam Tooze, aponta a dimens\u00e3o do problema: mais de 40 empresas falidas, demiss\u00f5es em massa e pre\u00e7os abaixo do custo de produ\u00e7\u00e3o, colocando em xeque a era dourada das trombeteadas energias \u201cde baixo carbono\u201d.<\/p>\n<p>O artigo cita Tooze: \u201cEnergia limpa, numa escala que teria parecido ut\u00f3pica na \u00e9poca do Acordo de Paris, em 2015, agora est\u00e1 ao nosso alcance. O pre\u00e7o dos pain\u00e9is solares despencou. E, no entanto, as f\u00e1bricas est\u00e3o paralisadas.\u201d E acrescenta: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica. \u00c9 um diagn\u00f3stico.\u201d<\/p>\n<p>Ambos os autores lamentam o que consideram um colossal descaso global com a perspectiva da \u201cenergia limpa barata\u201d alegadamente proporcionada pela supercapacidade chinesa. Ambos se mostram incapazes de atinar com a cada vez mais evidente inadequa\u00e7\u00e3o das fontes intermitentes, como a solar e a e\u00f3lica, para o fornecimento de eletricidade nos sistemas de base \u201cdespach\u00e1veis\u201d, que hoje causam grandes problemas em todos os pa\u00edses que apostaram alto em tais fontes.<\/p>\n<p>Diz o texto:<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s um aumento maci\u00e7o nos investimentos desde 2020, as empresas chinesas atingiram uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 1.000 gigawatts (GW) de pain\u00e9is solares por ano. Para colocar isso em perspectiva: em 2023, a demanda global era de apenas 451 GW, segundo a Energy News. A produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas solares da China naquele ano \u2014 588 GW \u2014 j\u00e1 dobrou a demanda internacional. E eles continuaram construindo.<\/p>\n<p>\u201cO resultado foi o que os economistas chamam de \u2018devolu\u00e7\u00e3o\u2019: uma espiral de competi\u00e7\u00e3o destrutiva em que as empresas se destroem mutuamente sem que nenhuma delas saia vitoriosa. Mais de 40 fabricantes chineses faliram, foram adquiridos ou deixaram de ser negociados na bolsa. Um ter\u00e7o da for\u00e7a de trabalho das cinco maiores empresas sobreviventes foi demitido. A JinkoSolar, a maior fornecedora mundial, registrou uma queda de 29% na receita, um despencar de 86% no lucro bruto e preju\u00edzos l\u00edquidos de 4,45 bilh\u00f5es de yuans em 2025.<\/p>\n<p>\u201cAssim, em junho do ano passado, mais de 30 fabricantes concordaram com um pacto nos moldes da OPEP para estabilizar os pre\u00e7os e conter a oferta. Seis meses depois, o resultado foi um desastre: longe de se estabilizar, a produ\u00e7\u00e3o atingiu n\u00edveis recordes, as instala\u00e7\u00f5es triplicaram e os preju\u00edzos continuaram a aumentar.\u201d<\/p>\n<p>A crise for\u00e7ou o governo chin\u00eas a intervir, convocando \u201cesfor\u00e7os conjuntos\u201d para acabar com a guerra de pre\u00e7os: controle de capacidade, pre\u00e7os indicativos m\u00ednimos, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es e prote\u00e7\u00e3o da propriedade intelectual.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote-module-scss-module__jALRda__postQuoteContainer\">\n<p>Na pr\u00e1tica, afirma o Xataka, \u00e9 \u201co Estado chin\u00eas orquestrando um resgate ordenado do setor que ele mesmo impulsionou a um crescimento ilimitado\u201d. Em outras palavras, \u201cum cartel para estancar a sangria\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar dos problemas internos, as exporta\u00e7\u00f5es de tecnologias solares da China seguem em expans\u00e3o para quase todos os pa\u00edses, com exce\u00e7\u00e3o dos EUA. Al\u00e9m disso, os fabricantes chineses est\u00e3o integrando baterias aos sistemas solares para minimizar os efeitos da intermit\u00eancia dessas fontes.<\/p>\n<p>Entretanto, o recurso ao armazenamento de eletricidade, tecnicamente chamado de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS, sigla em ingl\u00eas), \u00e9 o pretenso pulo do gato para o problema da intermit\u00eancia das fontes solares e e\u00f3licas, mas, por sua vez, ele apresenta uma s\u00e9rie de problemas que abordarei em uma pr\u00f3xima coluna.<\/p>\n<p>Por enquanto, fiquemos com a sint\u00e9tica conclus\u00e3o do Dr. Lars Schernikau, respeitado economista especialista em energia, em seu recente estudo \u201cCan Solar and Wind + Batteries Really Provide 24\/7\/365 Electricity?\u201d:<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o fundamental n\u00e3o \u00e9 se as fontes solares e e\u00f3licas mais baterias podem gerar eletricidade. Claramente, podem. A quest\u00e3o \u00e9 se elas podem proporcionar o n\u00edvel de confiabilidade requerido pelas economias modernas sem impor custos econ\u00f4micos, ambientais e sist\u00eamicos sempre crescentes. Claramente, n\u00e3o podem.\u201d<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 China, os problemas n\u00e3o s\u00e3o apenas de superprodu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de supercapacidade instalada, que j\u00e1 acarretam problemas id\u00eanticos aos verificados em outros pa\u00edses \u201csolares\u201d. De novo, o Xataka:<\/p>\n<p>\u201cO excesso de capacidade de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema. A China tamb\u00e9m instalou tantos pain\u00e9is solares que gera mais eletricidade solar do que consegue armazenar ou transmitir. A infraestrutura de redes e armazenamento n\u00e3o cresceu no mesmo ritmo que a instala\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is \u2014 na verdade, as regulamenta\u00e7\u00f5es provinciais chinesas que obrigavam a instala\u00e7\u00e3o de baterias por lei resultaram em sistemas pouco utilizados devido \u00e0 falta de incentivos no mercado de eletricidade. O resultado: energia limpa gerada, mas desperdi\u00e7ada por falta de espa\u00e7o para armazenamento. Um paradoxo dentro de outro paradoxo.\u201d<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um problema bem conhecido do Brasil, com a concentra\u00e7\u00e3o de centrais solares e e\u00f3licas no Nordeste, que t\u00eam desperdi\u00e7ado cerca de 20% da eletricidade gerada e imposs\u00edvel de ser aproveitada no Sistema Interligado Nacional, sob risco de provocar apag\u00f5es como o de 15 de agosto de 2023, que deixou a maior parte do pa\u00eds \u00e0s escuras durante horas.<\/p>\n<p>Ao final, mesmo depois de expor os efeitos do tiro solar no p\u00e9 dado pelos chineses, o Xataka faz um progn\u00f3stico que parece mais inspirado por wishful thinking do que por uma an\u00e1lise racional do seu pr\u00f3prio texto:<\/p>\n<p>\u201cO setor solar n\u00e3o vai desaparecer. As empresas chinesas s\u00e3o grandes demais e eficientes demais para falir. A consolida\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso, os pre\u00e7os subir\u00e3o um pouco e a demanda \u2014 tanto interna quanto para exporta\u00e7\u00e3o \u2014 aumentar\u00e1. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica vir\u00e1. Mas vir\u00e1 mais tarde, de forma mais cara e ca\u00f3tica do que poderia.\u201d<\/p>\n<p>Durante anos, a China inundou o resto do mundo com a sua superprodu\u00e7\u00e3o de tecnologias de gera\u00e7\u00e3o intermitente, cujas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e econ\u00f4micas est\u00e3o escancarando os equ\u00edvocos da mal denominada \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d. Agora, ela parece estar atingindo os seus pr\u00f3prios limites. E \u00e9 de todo conveniente que outros pa\u00edses \u2014 Brasil inclusive \u2014 prestem a devida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Torre de Energia de Sal Fundida de 50 MW em Hami, localizada na regi\u00e3o de Xinjiang, China. 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