{"id":550018,"date":"2026-07-13T16:01:53","date_gmt":"2026-07-13T20:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=550018"},"modified":"2026-07-13T16:01:53","modified_gmt":"2026-07-13T20:01:53","slug":"silencio-mais-profundo-da-minha-vida-relata-voluntario-brasileiro-que-atuou-na-busca-por-sobreviventes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=550018","title":{"rendered":"\u201cSil\u00eancio mais profundo da minha vida\u201d, relata volunt\u00e1rio brasileiro que atuou na busca por sobreviventes"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>&#8220;Quase quinze minutos de sil\u00eancio absoluto. Esper\u00e1vamos ouvir uma resposta, mas ela n\u00e3o veio. Foi o sil\u00eancio mais profundo da minha vida.\u201d \u00c9 assim que o paulista Erick de Almeida descreve um dos momentos mais desafiadores de sua atua\u00e7\u00e3o como resgatista volunt\u00e1rio em busca de sobreviventes na Venezuela. O norte do pa\u00eds foi atingido no dia 24 de junho por uma sequ\u00eancia de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/o-que-se-sabe-sobre-a-sequencia-de-terremotos-que-abalou-a-venezuela\/\">dois fortes terremotos<\/a>, o primeiro de magnitude 7,5 e o seguinte, de magnitude 7,2.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o gerou caos no pa\u00eds, com 190 pr\u00e9dios que desabaram completamente e mais de 850 que foram danificados pelos abalos s\u00edsmicos, segundo a plataforma venezuelana Not\u00edcias Venevision. O canal informou que at\u00e9 a \u00faltima quinta-feira (9) foram confirmados quase 3,9 mil mortos, mais de 16,7 mil feridos e 17,9 mil pessoas sem moradia.<\/p>\n<p>Almeida chegou \u00e0 regi\u00e3o em 29 de junho como volunt\u00e1rio da Alian\u00e7a Crist\u00e3 Evang\u00e9lica Brasileira, organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane in\u00fameras igrejas para desenvolver a\u00e7\u00f5es sociais e atuar em desastres e emerg\u00eancias. \u201cA Alian\u00e7a atua nas tr\u00eas fases da trag\u00e9dia, ent\u00e3o envia volunt\u00e1rios para a fase 1, que \u00e9 de resgate, para a fase 2, que \u00e9 quando come\u00e7am a surgir muitas necessidades e para a fase 3, de reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, explica, ao informar que as a\u00e7\u00f5es costumam durar de um a dois anos.<\/p>\n<p>Para essa primeira fase, a organiza\u00e7\u00e3o enviou Almeida e outros dois resgatistas, todos com especialidade em terremotos. \u201cNos unimos \u00e0s equipes internacionais de resgate na busca por v\u00edtimas em meio aos escombros\u201d, relata o morador de Guarulhos, ao relatar que atuou na retirada de in\u00fameros corpos. \u201cFazemos isso pelos familiares.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/10172611\/Brasileiros-no-resgate-na-venezuela2.jpg.webp\" \/><i>Erick Almeida atuou na Venezuela com mais dois brasileiros enviados pela organiza\u00e7\u00e3o Alian\u00e7a Crist\u00e3 Evang\u00e9lica Brasileira. (Foto: Arquivo pessoal\/Erick de Almeida)<\/i><\/p>\n<p>E foi em um desses casos, em que parentes permanecem cavando sozinhos nos escombros, que Almeida participou da tentativa de resgate que mais o impactou. A situa\u00e7\u00e3o ocorreu nove dias ap\u00f3s os terremotos, quando as equipes de volunt\u00e1rios j\u00e1 tinham avan\u00e7ado aproximadamente quinze metros por baixo da estrutura colapsada daquele edif\u00edcio e acreditavam que naquela \u00e1rea existiria um sobrevivente.<\/p>\n<p>Ao chegar no local, as equipes deram in\u00edcio ao protocolo internacional para verificar sinal de vida. \u201cTodas as equipes param de fazer o trabalho, todo tr\u00e2nsito silencia e o maquin\u00e1rio que est\u00e1 funcionando \u00e9 desligado\u201d, relata o resgatista, ao informar que esse processo ocorre sempre que alguma equipe de resgate pede sil\u00eancio.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Chegamos no ponto onde pudemos escutar um pequeno ru\u00eddo, que nos emocionou muito.<\/p>\n<p><cite>Erick de Almeida, resgatista brasileiro que atuou como volunt\u00e1rio na Venezuela<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cChegamos no ponto onde pudemos escutar um pequeno ru\u00eddo, que nos emocionou muito\u201d, recorda. No entanto, a equipe precisava confirmar de onde vinha o ru\u00eddo e pedia que o sobrevivente fizesse duas batidas fortes. \u201cFicamos quase quinze minutos tentando e, infelizmente, n\u00e3o ouvimos mais nada.\u201d Segundo ele, era preciso encontrar a dire\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos para continuar cavando, mas a equipe, infelizmente, n\u00e3o conseguiu. \u201cUma tristeza terr\u00edvel, terr\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, ele acompanhou outras equipes que tiveram sucesso no resgate de sobreviventes, inclusive de uma fam\u00edlia que se manteve viva por 11 dias sob os escombros tomando leite materno. \u201cA todo instante, chegavam not\u00edcias assim de algu\u00e9m encontrado com vida, mesmo ap\u00f3s tantos dias\u201d, disse \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos atuando em trag\u00e9dias, Erick afirma que essa foi uma das mais impactantes e espera voltar \u00e0 Venezuela para ajudar novamente. Ele retornou ao Brasil na \u00faltima quarta-feira (8) para trabalhar, mas novas equipes da organiza\u00e7\u00e3o Alian\u00e7a Evang\u00e9lica devem viajar para o pa\u00eds vizinho nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<h2>Brasil enviou equipe com 71 bombeiros para atuar nos resgates na Venezuela<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/10172617\/Brasileiros-no-resgate-venezuela.jpg.webp\" \/><i>Bombeiros do Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais que integraram a equipe enviada pelo Governo Brasileiro. (Foto: Arquivo pessoal\/ Major Felipe Moletta)<\/i><\/p>\n<p>Al\u00e9m de contar com volunt\u00e1rios brasileiros, a Venezuela tamb\u00e9m recebeu uma miss\u00e3o oficial do Governo Federal com 71 bombeiros do Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, al\u00e9m de t\u00e9cnicos da Defesa Civil e especialistas da Anatel especializados em restabelecimento de comunica\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo o Major Felipe Moletta, a equipe atuou na regi\u00e3o de Vargas e se surpreendeu com o cen\u00e1rio devastador encontrado ali. \u201cPessoas dormindo nas ruas e pra\u00e7as. N\u00e3o tinha luz, nem \u00e1gua, e havia corpos empilhados na rua\u201d, relata o major, que nunca havia atuado em um desastre dessa magnitude. \u201cH\u00e1 caos para todos os lados\u201d, continuou.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com ele, os brasileiros auxiliaram equipes locais na busca e resgate de sobreviventes e tamb\u00e9m na recupera\u00e7\u00e3o de corpos. Em uma das a\u00e7\u00f5es, a equipe passou horas em um pr\u00e9dio com suspeita de sobreviventes, mas n\u00e3o conseguiu localizar sinais de vida, embora tenham recebido ind\u00edcios sob os escombros. O grupo voltou ao Brasil nesta sexta-feira (10).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/10172606\/Bombeiros-do-Parana.jpg.webp\" \/><i>Major Felipe Moletta com outros bombeiros do Paran\u00e1 que tamb\u00e9m atuaram nas equipes de resgate na Venezuela. (Foto: Arquivo pessoal\/Major Felipe Moletta)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quase quinze minutos de sil\u00eancio absoluto. Esper\u00e1vamos ouvir uma resposta, mas ela n\u00e3o veio. 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