{"id":548054,"date":"2026-07-12T20:20:21","date_gmt":"2026-07-13T00:20:21","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=548054"},"modified":"2026-07-12T20:20:21","modified_gmt":"2026-07-13T00:20:21","slug":"como-as-escolas-argentinas-promovem-o-patriotismo-e-por-que-isso-se-perdeu-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=548054","title":{"rendered":"Como as escolas argentinas promovem o patriotismo \u2013 e por que isso se perdeu no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>No \u00faltimo dia 20 de junho, escolas argentinas de norte a sul celebraram o Dia da Bandeira.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de mais um feriado nacional local, a data ganha um significado a mais para os alunos do 4\u00ba ano do Ensino Fundamental: nesta semana, as crian\u00e7as de 9 a 10 anos prometem lealdade \u00e0 bandeira argentina, em uma cerim\u00f4nia c\u00edvica.<\/p>\n<p>A comemora\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do esfor\u00e7o do governo argentino para promover o patriotismo ainda na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No rito, al\u00e9m de cantarem o hino nacional, escutam discursos de professores e diretores sobre a import\u00e2ncia da bandeira e dos s\u00edmbolos do pa\u00eds. No final da cerim\u00f4nia, fazem o tradicional juramento.<\/p>\n<p>&#8220;Prometem defend\u00ea-la, respeit\u00e1-la e am\u00e1-la, com toler\u00e2ncia fraterna e respeito, estudando com firme vontade, comprometendo-se a ser cidad\u00e3os livres e justos, acolhendo solidariamente, em suas diferen\u00e7as, todos os que habitam nossa terra e transmitindo, em cada um de nossos atos, seus valores permanentes e irrenunci\u00e1veis?&#8221;, pergunta o condutor da cerim\u00f4nia escolar, que escuta, em coro, as crian\u00e7as responderem: &#8220;Sim, prometo!&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ato principal, os alunos costumam receber um Diploma de Promessa ou Lealdade \u00e0 Bandeira, geralmente assinado pelo diretor da escola, documento que, embora n\u00e3o tenha valor jur\u00eddico, como um diploma de conclus\u00e3o de curso, possui enorme valor simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, a ex-professora e diretora de uma escola em Ros\u00e1rio, Beatriz Dolinsky, explicou que o rito acontece em todas &#8220;as escolas do pa\u00eds, sejam p\u00fablicas ou privadas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 que a cerim\u00f4nia aconte\u00e7a no Monumento Nacional \u00e0 Bandeira, em Ros\u00e1rio, onde se considera que Manuel Belgrano criou a bandeira, \u00e0s margens do Rio Paran\u00e1. Se as escolas n\u00e3o viajam para Ros\u00e1rio, a cerim\u00f4nia \u00e9 realizada nas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es de ensino&#8221;, explica Dolinsky.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse mesmo local que, anualmente, em 20 de junho, uma autoridade do Poder Executivo conduz a mesma cerim\u00f4nia ocorrida nos col\u00e9gios. Neste ano, o rito foi conduzido pela vice-presidente Victoria Villarruel.<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o da identidade patri\u00f3tica e a aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com figuras que regem o pa\u00eds j\u00e1 foram comuns no Brasil. Atualmente, a execu\u00e7\u00e3o do Hino Nacional, o hasteamento da bandeira e as cerim\u00f4nias c\u00edvicas parecem uma realidade distante em compara\u00e7\u00e3o com o passado, ao passo que, no pa\u00eds vizinho, essas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mantidas, os her\u00f3is nacionais s\u00e3o devidamente reconhecidos e as datas que marcaram a hist\u00f3ria da Argentina s\u00e3o celebradas.<\/p>\n<h2>Escolas argentinas celebram ao menos 5 datas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do Dia da Bandeira, as institui\u00e7\u00f5es de ensino argentinas costumam celebrar datas que v\u00e3o desde momentos importantes da hist\u00f3ria do pa\u00eds at\u00e9 a exalta\u00e7\u00e3o de figuras consideradas un\u00e2nimes dentro da sociedade. Veja algumas:<\/p>\n<h3>Revolu\u00e7\u00e3o de Maio<\/h3>\n<p>No dia 25 de maio, \u00e9 lembrada a Revolu\u00e7\u00e3o de Maio, uma revolta pr\u00e9-independ\u00eancia ocorrida em Buenos Aires, que, \u00e0 \u00e9poca, ainda fazia parte do Vice-Reino do Rio da Prata, uma col\u00f4nia do Imp\u00e9rio Espanhol.<\/p>\n<p>Entre os dias 18 e 25 de maio de 1810, os revolucion\u00e1rios argentinos depuseram o vice-rei espanhol Baltasar Hidalgo de Cisneros e estabeleceram a Primeira Junta, o primeiro governo local.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio \u00e9 considerado a primeira revolta bem-sucedida no processo de independ\u00eancia da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Nas escolas, para al\u00e9m das usuais cerim\u00f4nias com hasteamento da bandeira e execu\u00e7\u00e3o do Hino Nacional, as institui\u00e7\u00f5es de ensino costumam organizar pe\u00e7as de teatro infantil, nas quais os alunos remontam os epis\u00f3dios da hist\u00f3rica Semana de Maio de 1810.<\/p>\n<h3>Independ\u00eancia da Argentina<\/h3>\n<p>Pouco mais de seis anos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Maio, no dia 9 de julho de 1816, a Argentina declarou sua independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Na data hist\u00f3rica, deputados das Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata assinaram a Ata da Independ\u00eancia, na cidade de San Miguel de Tucum\u00e1n.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/10125630\/c956ecee104eb644c742ebf6d2e4c0932811815d.jpg.webp\" \/><i>Ao lado de crian\u00e7as, soldados participam do desfile militar do Dia da Independ\u00eancia, em Buenos Aires, em 2019. (EFE\/ Juan Ignacio Roncoroni) (Foto: EFE)<\/i><\/p>\n<p>Hoje, a Casa Hist\u00f3rica de Tucum\u00e1n, local da declara\u00e7\u00e3o que encerrou oficialmente o dom\u00ednio espanhol sobre os territ\u00f3rios argentinos, \u00e9 um dos principais s\u00edmbolos nacionais e costuma receber visitas de crian\u00e7as durante o per\u00edodo escolar, especialmente do quarto ao sexto ano.<\/p>\n<h3>Dia da Morte do General San Mart\u00edn<\/h3>\n<p>O general argentino Jos\u00e9 de San Mart\u00edn (1778-1850), figura importante no processo de independ\u00eancia de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como Chile, Peru e a pr\u00f3pria Argentina, \u00e9 considerado um her\u00f3i nacional e s\u00edmbolo da luta sul-americana diante do dom\u00ednio espanhol.<\/p>\n<p>Sua morte, no dia 17 de agosto, \u00e9 recordada em escolas por todo pa\u00eds. Nas homenagens prestadas ao general, \u00e9 comum uma cerim\u00f4nia c\u00edvica com a participa\u00e7\u00e3o de professores e diretores.<\/p>\n<p>Em Mendoza, onde San Mart\u00edn liderou o Ex\u00e9rcito dos Andes, uma for\u00e7a militar formada pelas Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata com o objetivo de expulsar as for\u00e7as espanholas da regi\u00e3o, as celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais intensas.<\/p>\n<p>L\u00e1, algumas escolas celebram a morte do general em todo o m\u00eas de agosto, conhecido tamb\u00e9m como o \u201cM\u00eas Sanmartiniano\u201d. Al\u00e9m disso, col\u00e9gios da regi\u00e3o costumam levar seus alunos \u00e0 cerim\u00f4nia c\u00edvica realizada pelo governo de Mendoza, na Pra\u00e7a San Mart\u00edn, no centro da cidade, em homenagem \u00e0 \u201cpassagem \u00e0 imortalidade do general Jos\u00e9 de San Mart\u00edn\u201d.<\/p>\n<h3>Dia do Professor<\/h3>\n<p>Na Argentina, o Dia do Professor \u00e9 celebrado em 11 de setembro, data que marca a morte do segundo presidente argentino, Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888), considerado o &#8220;pai da sala de aula&#8221;.<\/p>\n<p>Sob sua gest\u00e3o, Sarmiento tornou o ensino prim\u00e1rio obrigat\u00f3rio, estabeleceu centenas de institui\u00e7\u00f5es educacionais e militares, incluindo escolas de professores, e fundou bibliotecas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em geral, no Dia do Professor, al\u00e9m da homenagem das crian\u00e7as aos docentes, tamb\u00e9m ocorrem cerim\u00f4nias c\u00edvicas.<\/p>\n<h3>Guerra das Malvinas\u00a0<\/h3>\n<p>Presente na mem\u00f3ria coletiva do povo argentino at\u00e9 hoje, a Guerra das Malvinas foi um conflito armado entre a Argentina e o Reino Unido, ocorrido em 1982, pela disputa da soberania das Ilhas Malvinas, pequeno arquip\u00e9lago localizado no Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>A batalha em que os argentinos sa\u00edram derrotados durou pouco mais de dois meses e custou a vida de 649 soldados sul-americanos, abrindo uma ferida que at\u00e9 hoje n\u00e3o se sarou no pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>Nos col\u00e9gios da Argentina, a diretriz de ensino \u00e9 clara: as Malvinas s\u00e3o argentinas, e o conflito de 1982 se deu por uma tentativa do Reino Unido, \u00e0 \u00e9poca comandado por Margaret Thatcher, de &#8220;usurpar&#8221; o arquip\u00e9lago \u2014 vers\u00e3o contestada pelos brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nas escolas, os veteranos e mortos s\u00e3o lembrados no dia 2 de abril, data em que a Argentina celebra o Dia do Veterano e dos Ca\u00eddos na Guerra das Malvinas.<\/p>\n<p>Em algumas institui\u00e7\u00f5es, durante as cerim\u00f4nias, \u00e9 comum que veteranos da Guerra das Malvinas sejam convidados a compartilhar seus relatos com os estudantes e a receber homenagens dos alunos.<\/p>\n<h2>Bolsonaro criou programa para valorizar o &#8220;amor \u00e0 p\u00e1tria&#8221;<\/h2>\n<p>No ano de 2019, como uma das principais bandeiras na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o da \u00faltima gest\u00e3o federal, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governo implantou o Programa Nacional das Escolas C\u00edvico-Militares, que tinha como um de seus objetivos, segundo o pr\u00f3prio ex-mandat\u00e1rio, valorizar o &#8220;amor \u00e0 p\u00e1tria&#8221;.<\/p>\n<p>O programa era uma parceria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Defesa, e funcionava de uma maneira diferente das escolas militares, at\u00e9 hoje mantidas pelas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo escolar das escolas c\u00edvico-militares continuava sob responsabilidade das secretarias estaduais de Educa\u00e7\u00e3o, assim como nas demais escolas civis, mas militares, que poderiam ser integrantes da\u00a0Pol\u00edcia Militar ou das For\u00e7as Armadas, atuavam como monitores da institui\u00e7\u00e3o, estabeleciam normas de conviv\u00eancia e podiam aplicar medidas disciplinares.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/09165546\/mcmgo_abr_110220193072df.jpg.webp\" \/><i>Primeiro dia de aulas no CED 01 da Estrutural, uma das escolas p\u00fablicas do DF onde foi implementado o modelo c\u00edvico-militar, em 2019. (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/i><\/p>\n<p>\u201cTem que botar na cabe\u00e7a dessa garotada a import\u00e2ncia dos valores c\u00edvicos-militares, como t\u00ednhamos h\u00e1 pouco no governo militar, sobre educa\u00e7\u00e3o moral e c\u00edvica, sobre respeito \u00e0 bandeira\u201d, disse Bolsonaro, em discurso em novembro de 2021.<\/p>\n<p>O governo anterior tamb\u00e9m se apoiou em escolas c\u00edvico-militares estaduais j\u00e1 existentes em estados como Goi\u00e1s e Amazonas, sob a justificativa de que o modelo havia melhorado o desempenho dos estudantes, sobretudo entre os alunos das classes mais pobres.<\/p>\n<p>Segundo o ex-presidente, a cria\u00e7\u00e3o dos novos col\u00e9gios tamb\u00e9m demonstrava o compromisso do governo de \u201cresgatar o pobre, o que n\u00e3o se faz apenas por meio de projetos sociais, que, em grande parte, n\u00e3o o resgatam, mas dando-lhe o devido conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>Durante a gest\u00e3o de Bolsonaro, foram criadas pouco mais de 200 escolas c\u00edvico-militares, e os resultados do programa satisfizeram o governo, sobretudo na seguran\u00e7a escolar: segundo dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em dezembro de 2022, a viol\u00eancia f\u00edsica foi reduzida em 82%, a viol\u00eancia verbal a em 75% e a viol\u00eancia patrimonial em 82%.<\/p>\n<p>Outros resultados celebrados foram em rela\u00e7\u00e3o ao abandono escolar, que, segundo a mesma pesquisa, caiu em quase 80%.<\/p>\n<h2>Lula encerrou programa<\/h2>\n<p>Cr\u00edtico do modelo escolar, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), em seu primeiro ano da terceira gest\u00e3o, encerrou o programa de escolas c\u00edvico-militares, criado por Bolsonaro.<\/p>\n<p>O petista apontou que a &#8220;manuten\u00e7\u00e3o [das escolas] n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria e que os objetivos definidos para sua execu\u00e7\u00e3o devem ser perseguidos mobilizando outras estrat\u00e9gias de pol\u00edtica educacionais&#8221;.<\/p>\n<p>Como parte do desmonte, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o desmobilizou os integrantes das For\u00e7as Armadas designados para atuar nas escolas, apontando tamb\u00e9m que o programa induzia ao desvio de finalidade das atividades dos militares.<\/p>\n<p>Entretanto, estados e munic\u00edpios que quisessem manter o programa poderiam faz\u00ea-lo sem o financiamento federal. Foi o caso de S\u00e3o Paulo, que anunciou a amplia\u00e7\u00e3o das escolas c\u00edvico-militares logo ap\u00f3s o MEC encerrar o programa federal.<\/p>\n<p>&#8220;Fui aluno de Col\u00e9gio Militar e sei da import\u00e2ncia de um ensino de qualidade e como \u00e9 preciso que a escola transmita valores corretos para os nossos jovens&#8221;, pontuou o governador Tarc\u00edsio de Freitas (REP).<\/p>\n<p>A medida foi acompanhada pelos governos do Distrito Federal, de Goi\u00e1s e do Paran\u00e1. A meta para o estado paranaense at\u00e9 o final do ano \u00e9 estabelecer, ao todo, 345 col\u00e9gios c\u00edvico-militares, consolidando a maior rede desse modelo de ensino no Brasil.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Resultado acad\u00eamico de escolas c\u00edvico-militares \u00e9 destaque internacional<\/h2>\n<p>O modelo de escolas c\u00edvico-militares do estado de Goi\u00e1s virou destaque internacional neste ano. Em maio, a revista cient\u00edfica\u00a0<em>International Journal of Educational Development<\/em> publicou uma pesquisa que mostrou que o modelo adotado no estado goiano contribuiu para a melhoria no desempenho acad\u00eamico e redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no ambiente escolar.<\/p>\n<p>A pesquisa liderada pelo p\u00f3s-doutor Jevuks Matheus de Araujo, professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), e que abrangeu cerca de 66 mil estudantes de 47 munic\u00edpios goianos, mostrou que as escolas tiveram uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 10% nas taxas de reprova\u00e7\u00e3o, aumento de 15,25 pontos no desempenho em matem\u00e1tica e eleva\u00e7\u00e3o de 11,61 nas notas de portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, Jevuks afirmou que h\u00e1 \u201cevid\u00eancias robustas\u00a0de que a militariza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas em Goi\u00e1s teve\u00a0impacto positivo no desempenho dos alunos e na seguran\u00e7a escolar\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/10140829\/mcmgo_abr_110220193062df.jpg.webp\" \/><i>Escola c\u00edvico-militar no DF. (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/i><\/p>\n<p>\u201cPercebo que, no Brasil, \u00e9 bastante comum que quest\u00f5es ideol\u00f3gicas se sobreponham a fatos e evid\u00eancias\u201d, disse o p\u00f3s-doutor, ao apontar que, \u201cfrequentemente, decis\u00f5es sobre a cria\u00e7\u00e3o ou encerramento de programas s\u00e3o tomadas sem o devido embasamento em estudos\u201d, exemplificando o caso do Programa Nacional das Escolas C\u00edvico-Militares, encerrado pelo governo Lula.<\/p>\n<p>Outro caso apontado pelo especialista \u00e9 o da disputa judicial entre o Governo de S\u00e3o Paulo e o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado (TJSP). Atualmente, o governo paulista trava uma batalha judicial para a implanta\u00e7\u00e3o de 100 escolas c\u00edvico-militares, ap\u00f3s a decis\u00e3o do TJSP que suspendeu a lei que institu\u00eda o modelo estadual. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e at\u00e9 a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), por meio do PSOL, que denunciou o modelo sob o argumento de que representaria \u201cviola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais\u201d.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 legenda, o Comit\u00ea dos Direitos da Crian\u00e7a (CDC) da ONU chegou a recomendar que o Brasil proibisse a \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a decis\u00e3o da ONU n\u00e3o tem \u00a0car\u00e1ter obrigat\u00f3rio, como explica\u00a0a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-e-cidadania\/escolas-civico-militares-sob-ataque-onu-pt-e-psol-se-unem-para-destruir\/\">reportagem da\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<h2>&#8220;S\u00edmbolos nacionais foram deixados de lado&#8221;, analisa cientista pol\u00edtico<\/h2>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico Leandro Consentino, por motivos que v\u00e3o al\u00e9m das escolas e, no Brasil, por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, &#8220;os s\u00edmbolos nacionais foram deixados de lado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Parte do sentimento nacionalista est\u00e1 se esvaindo, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como em outros lugares. De 50 anos para c\u00e1, a vasta maioria dos pa\u00edses, sobretudo pa\u00edses democr\u00e1ticos, deixaram parte do culto aos s\u00edmbolos nacionais um pouco de lado&#8221;.<\/p>\n<p>Embora, segundo o analista, isso seja &#8220;uma caracter\u00edstica dos nossos tempos&#8221;, ele aponta que no Brasil h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o direta &#8220;dos s\u00edmbolos nacionais com o militarismo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, h\u00e1 uma mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para retomar os s\u00edmbolos nacionais, mas com um certo vi\u00e9s ideol\u00f3gico&#8221;, aponta Consentino, exemplificando o caso da camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira, que, atualmente, \u00e9 recha\u00e7ada por parte dos brasileiros de esquerda.<\/p>\n<p>&#8220;Esse lado da mobiliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dificulta a recupera\u00e7\u00e3o desses s\u00edmbolos nacionais. &#8216;Se voc\u00ea est\u00e1 usando isso ou est\u00e1 enaltecendo algum s\u00edmbolo p\u00e1trio \u00e9 porque voc\u00ea \u00e9 identificado com o bolsonarismo&#8217;, isso aumenta essa dificuldade&#8221;.<\/p>\n<p>No espectro pol\u00edtico eleitoral ele afirma que a esquerda &#8220;deixou de mobilizar certos s\u00edmbolos nacionais, um pouco por causa dessa coisa de embalar tudo com recha\u00e7o \u00e0 ditadura, ao passado militar, e o patriotismo entra nesse combo&#8221;, diz Consentino, apontando que &#8220;com o espa\u00e7o vago, a direita mobilizou esses s\u00edmbolos&#8221;.<\/p>\n<p>Sobre as escolas c\u00edvico-militares, o cientista pol\u00edtico opina que &#8220;tanto a cria\u00e7\u00e3o pelo governo Bolsonaro, quanto a extin\u00e7\u00e3o, no governo Lula, tem motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas&#8221;.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 20 de junho, escolas argentinas de norte a sul celebraram o Dia da Bandeira. 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