{"id":537152,"date":"2026-07-07T07:00:00","date_gmt":"2026-07-07T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=537152"},"modified":"2026-07-07T07:00:00","modified_gmt":"2026-07-07T11:00:00","slug":"cultura-woke-esta-nao-morreu-e-segue-bem-viva-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=537152","title":{"rendered":"Cultura woke est\u00e1 n\u00e3o morreu e segue bem viva nos EUA"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/06171953\/woke.jpg.webp\" \/><span>\u00c9 tentador acreditar que os excessos do movimento woke n\u00e3o apenas atingiram seu \u00e1pice, mas j\u00e1 pertencem ao passado \u2013 um del\u00edrio passageiro de uma era peculiar, mas tamb\u00e9m enganoso. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>H\u00e1 poucos anos, usar um sombrero no Halloween podia resultar no banimento da sociedade educada pelo crime social da &#8220;apropria\u00e7\u00e3o cultural&#8221;. Especialistas em nutri\u00e7\u00e3o argumentavam que a preven\u00e7\u00e3o da obesidade era uma forma de &#8220;gordofobia&#8221; racializada, enquanto nomes cient\u00edficos de p\u00e1ssaros canoros foram expurgados em uma campanha moral presumivelmente voltada contra a supremacia branca. Ao mesmo tempo, uma s\u00e9rie de estudos, artigos e trabalhos argumentava que pontualidade, excel\u00eancia e outras formas de profissionalismo constituem &#8220;a centraliza\u00e7\u00e3o sist\u00eamica e institucionalizada da branquitude&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto as universidades desmantelam suas burocracias de DEI (Diversidade, Equidade e Inclus\u00e3o), as empresas reduzem os treinamentos antirracistas e os avisos de conte\u00fado sens\u00edvel, e os compromissos de diversidade no meio acad\u00eamico se tornaram motivo de piada, em vez de instrumentos de defesa, \u00e9 tentador acreditar que os excessos do movimento woke n\u00e3o apenas atingiram seu \u00e1pice, mas j\u00e1 pertencem ao passado \u2013 um del\u00edrio passageiro de uma era peculiar.<\/p>\n<p>Essa linha de pensamento, no entanto, subestima o poder e a persist\u00eancia do movimento woke, que nunca foi um surto espont\u00e2neo de retid\u00e3o moral surgido dos confinamentos da Covid-19 e da indigna\u00e7\u00e3o com a morte de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/george-floyd\/\">George Floyd<\/a>, mas, sim, uma filosofia e uma vis\u00e3o de mundo que levaram d\u00e9cadas para ser constru\u00eddas.<\/p>\n<p>O sucesso de candidatos apoiados pelos Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica nas recentes prim\u00e1rias para o Congresso em Nova York e nas elei\u00e7\u00f5es para prefeito em Los Angeles e no Distrito de Columbia ressalta o apelo duradouro de uma estrutura moral de esquerda que retrata a sociedade americana como uma luta maquiav\u00e9lica entre opressores e oprimidos.<\/p>\n<p>Embora a ascens\u00e3o dos Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica na pol\u00edtica do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/partido-democrata-eua\/\">Partido Democrata<\/a> seja um fen\u00f4meno relativamente recente, a an\u00e1lise sobre quest\u00f5es de grande repercuss\u00e3o que definiram o movimento nos \u00faltimos anos \u2013 desde repara\u00e7\u00f5es pela escravid\u00e3o e poliamor at\u00e9 a defesa dos direitos transg\u00eanero e o anticolonialismo \u2013 revela que esse dogma ainda permeia a cultura, com novos surtos quase todas as semanas. Essas correntes mais profundas indicam que os Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica n\u00e3o s\u00e3o uma for\u00e7a motriz, mas um reflexo do movimento woke \u2013 uma vis\u00e3o de mundo que continua avan\u00e7ando e obtendo sucesso nas urnas.<\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o oficial da Major League Baseball aos jogadores do San Francisco Giants que usaram bon\u00e9s com cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas na Noite do Orgulho LGBTQIA+ \u00e9 um exemplo da imposi\u00e7\u00e3o de conformidade ideol\u00f3gica que remonta ao Grande Despertar de 2020. Uma manchete recente de jornal \u2013 &#8220;Prefeitura de Minneapolis entra no M\u00eas do Orgulho com um show de drag queens&#8221; \u2013 \u00e9 mais uma prova da for\u00e7a persistente do movimento woke.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A premissa filos\u00f3fica central do movimento woke \u00e9 a de que as estruturas sociais e as normas culturais privilegiam alguns grupos e prejudicam ou oprimem outros, criando assimetrias de poder e resultados desiguais<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De certa forma, os ativistas da justi\u00e7a social e os pol\u00edticos que transformaram a diversidade, a equidade e a inclus\u00e3o em pilares da sociedade americana passaram a flertar com o imperativo moral dos \u201cpequenos saques\u201d, a glorificar Luigi Mangione pelo assassinato de um executivo de uma empresa de sa\u00fade e a celebrar o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/editoriais\/morte-charlie-kirk-desumanizacao\/\">assassinato de Charlie Kirk<\/a>.<\/p>\n<p>Independentemente de como se entenda o conceito de woke, ele n\u00e3o se resume a uma mera mistura de slogans e manifesta\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas no Twitter. Trata-se, na verdade, de um paradigma cultural compartilhado por milh\u00f5es de pessoas no Ocidente que defendem a supremacia moral inerente aos oprimidos e questionam a legitimidade moral de suas pr\u00f3prias sociedades. Essas ideias foram amplamente estudadas em trabalhos acad\u00eamicos e apoiadas por financiamento de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos ao longo do \u00faltimo meio s\u00e9culo, sendo cada vez mais incorporadas \u00e0s leis e \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas t\u00eam a ideia de que \u00e9 uma moda passageira. Elas n\u00e3o entendem os antecedentes e as ra\u00edzes&#8221;, disse Jason Hill, professor de Filosofia da Universidade DePaul, especializado em filosofia pol\u00edtica e psicologia moral. &#8220;A gram\u00e1tica moral dos movimentos que chamamos de woke surge do liberalismo pol\u00edtico&#8221;, disse Hill. &#8220;O liberalismo \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, um projeto perfeccionista e ut\u00f3pico. \u00c9 um projeto sem fim.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Hill, o liberalismo assumiu sua forma moderna na d\u00e9cada de 1960, quando os liberais abandonaram o ideal dos direitos individuais em favor dos direitos coletivos, em resposta \u00e0 persistente discrimina\u00e7\u00e3o da era Jim Crow. Essa mudan\u00e7a levou a um compromisso com o &#8220;igualitarismo radical&#8221;, no qual a discrimina\u00e7\u00e3o e a injusti\u00e7a s\u00e3o medidas n\u00e3o pelo preconceito individual, mas pelos resultados desiguais entre grupos, e &#8220;o Estado tem a responsabilidade de corrigir essas disparidades&#8221;. Os defensores se referem a esse compromisso de diversas maneiras: igualdade de oportunidades, discrimina\u00e7\u00e3o positiva ou desmantelamento das estruturas de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica ao racismo, na verdade, intensificou-se depois que a sociedade americana se comprometeu a combat\u00ea-lo. Estudiosos progressistas passaram a descrever o problema como &#8220;racismo sist\u00eamico&#8221; e &#8220;racismo sem racistas&#8221;, expandindo essa cr\u00edtica para um ataque mais amplo a outras institui\u00e7\u00f5es e normas sociais, como o daltonismo racial, o binarismo de g\u00eanero, o colonialismo, o capitalismo e outros supostos legados da cultura europeia.<\/p>\n<p>John McWhorter, linguista da Universidade Columbia e comentarista social de longa data sobre quest\u00f5es raciais, afirmou, em um podcast, que &#8220;a era de um tipo particularmente abusivo de politicagem&#8221; \u2013 em que opini\u00f5es e discursos eram policiados pelo &#8220;excomungador&#8221; e pelo &#8220;defensor&#8221; \u2013 atingiu seu \u00e1pice na academia e nas artes. McWhorter disse que essa milit\u00e2ncia agora \u00e9 &#8220;aplicada a diferentes assuntos&#8221;, como o debate entre Israel e Palestina e a defesa dos direitos transg\u00eanero. &#8220;\u00c9 \u00f3bvio que os l\u00edderes do movimento trans, especialmente desde 2020, adotaram essa postura acusat\u00f3ria e antirracional&#8221;, disse McWhorter. &#8220;E lamento dizer que muitos deles ainda a praticam, baseando-se no que esperavam que funcionasse em 2020 e 2021.&#8221;<\/p>\n<p>A onda cont\u00ednua de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre justi\u00e7a social soar\u00e1 familiar para qualquer pessoa que tenha acompanhado o assunto. Governos estaduais administrados por democratas permanecem comprometidos com a cria\u00e7\u00e3o de programas de repara\u00e7\u00e3o pela escravid\u00e3o. A cidade de Nova York publicou um plano de equidade de 375 p\u00e1ginas que parece ter sido escrito em 2020 por Ibram X. Kendi \u2013 autor best-seller que argumentou que &#8220;o \u00fanico rem\u00e9dio para a discrimina\u00e7\u00e3o do passado \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o do presente&#8221;. E confer\u00eancias acad\u00eamicas de grupos como a Modern Language Association e a American Academy of Religion continuam a se dedicar \u00e0 propaganda pol\u00edtica, apresentando temas como &#8220;Desvendando a Domina\u00e7\u00e3o Branca&#8221; e &#8220;Viol\u00eancia Estrutural e Resist\u00eancia de G\u00eanero&#8221;.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito das pol\u00edticas de g\u00eanero, a normaliza\u00e7\u00e3o do poliamor est\u00e1 ganhando terreno em governos municipais e igrejas progressistas nos EUA. O estado de Nova York substituiu recentemente as palavras &#8220;m\u00e3e&#8221; e &#8220;pai&#8221; na lei estadual da fam\u00edlia por &#8220;gestante&#8221; e &#8220;n\u00e3o gestante&#8221;. Homens biol\u00f3gicos que se identificam como mulheres continuam ganhando trof\u00e9us em esportes escolares femininos. E um tribunal federal decidiu recentemente que um homem biol\u00f3gico, com genit\u00e1lia masculina intacta, que se identifica como mulher deve ter acesso a um spa nudista exclusivo para mulheres.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo as Filhas da Revolu\u00e7\u00e3o Americana foram afetadas pelas r\u00e1pidas mudan\u00e7as sociais. O grupo patri\u00f3tico, que preza por seu legado, votou a favor de continuar concedendo filia\u00e7\u00e3o a mulheres transg\u00eanero.<\/p>\n<p>A persist\u00eancia e a for\u00e7a desse ativismo woke s\u00e3o ressaltadas pelo fato de que ele ocorre enquanto o governo Trump, estados controlados por republicanos e advogados conservadores fazem todo o poss\u00edvel para impedir a dissemina\u00e7\u00e3o dessas ideias. O presidente Donald Trump amea\u00e7ou reter bilh\u00f5es de d\u00f3lares em verbas federais de institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cumprirem suas exig\u00eancias de remover a Diversidade, Equidade e Inclus\u00e3o (DEI), o antissemitismo e outros temas de ativismo em justi\u00e7a social dos curr\u00edculos. O Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos est\u00e1 investigando as principais faculdades de medicina do pa\u00eds por supostamente darem prefer\u00eancia a candidatos negros em detrimento de brancos e asi\u00e1ticos. Estados conservadores e diversas universidades privadas retomaram o uso de testes padronizados nos processos seletivos. Alabama e Texas, na pr\u00e1tica, colocaram os sistemas universit\u00e1rios estaduais sob interven\u00e7\u00e3o, em uma tentativa de impedir que professores ministrem aulas de Teoria Cr\u00edtica da Ra\u00e7a e Teoria Queer para alunos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nem tudo \u00e9 o que parece. Algumas faculdades que utilizam testes padronizados adotam crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o diferentes para asi\u00e1ticos, brancos e afro-americanos, com base em indicadores indiretos, como o distrito escolar ou outros crit\u00e9rios &#8220;hol\u00edsticos&#8221;. Universidades reduziram drasticamente seus programas de Diversidade, Equidade e Inclus\u00e3o (DEI), mas, posteriormente, v\u00e1rias delas foram obrigadas a demitir respons\u00e1veis pela diversidade flagrados em v\u00eddeo vangloriando-se de que seus campi permaneciam totalmente comprometidos com a DEI. Em diversos casos, os dirigentes universit\u00e1rios apenas reformularam \u2013 e n\u00e3o eliminaram \u2013 os programas.<\/p>\n<h2>Cren\u00e7as fundamentais<\/h2>\n<p>A premissa filos\u00f3fica central do movimento woke \u00e9 a de que as estruturas sociais e as normas culturais privilegiam alguns grupos e prejudicam ou oprimem outros, criando assimetrias de poder e resultados desiguais. Especificamente nos Estados Unidos e na Europa, homens, heterossexuais, brancos e crist\u00e3os continuariam a concentrar poder, privil\u00e9gios e recursos, beneficiando-se de vantagens consideradas injustas.<\/p>\n<p>A forma de combater essa domin\u00e2ncia, segundo essa vis\u00e3o woke, seria por meio da redistribui\u00e7\u00e3o \u2013 mediante a\u00e7\u00f5es afirmativas, programas de diversidade, linguagem inclusiva e educa\u00e7\u00e3o que enfatize o funcionamento, muitas vezes impercept\u00edvel, do privil\u00e9gio e do poder \u2013, com o objetivo de igualar os resultados entre os diferentes grupos.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para definir o que \u00e9 considerado dano e opress\u00e3o expandem-se ao longo do tempo, de modo que at\u00e9 mesmo desafiar cren\u00e7as progressistas\/wokes ou questionar a &#8220;experi\u00eancia vivida&#8221; de pessoas negras e LGBTQIA+ passa a ser visto como uma ofensa \u00e0 ordem moral. Enquanto isso, o n\u00famero de grupos identit\u00e1rios considerados v\u00edtimas se multiplica, criando uma expans\u00e3o cont\u00ednua de objetivos que, inevitavelmente, leva a guerras culturais e conflitos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>As repara\u00e7\u00f5es para afro-americanos e descendentes de escravos constituem um dos compromissos originais do movimento woke em mat\u00e9ria de justi\u00e7a social. Durante d\u00e9cadas, essa pauta foi um objetivo distante para ativistas negros, mas, nos \u00faltimos anos, passou a ser levada a s\u00e9rio por legisladores.<\/p>\n<p>Pelo menos cinco estados e mais de uma d\u00fazia de cidades criaram grupos de trabalho ou comiss\u00f5es para estudar repara\u00e7\u00f5es pela escravid\u00e3o, segundo a Associated Press, e houve mais de 460 iniciativas de repara\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, desde comemora\u00e7\u00f5es at\u00e9 restitui\u00e7\u00f5es. Neste ano, Maryland tornou-se o estado mais recente a aprovar o estudo de repara\u00e7\u00f5es para afro-americanos, criando uma comiss\u00e3o de 23 membros encarregada de formular um pedido de desculpas oficial, avaliar a responsabilidade coletiva e calcular eventuais compensa\u00e7\u00f5es financeiras. No outono passado, a Calif\u00f3rnia tornou-se o primeiro estado a criar um Escrit\u00f3rio de Descendentes de Escravos para certificar os benefici\u00e1rios negros que receber\u00e3o repara\u00e7\u00f5es em &#8220;reconhecimento e repara\u00e7\u00e3o pela selvageria da escravid\u00e3o humana for\u00e7ada nos Estados Unidos&#8221;. No \u00e2mbito internacional, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou recentemente uma resolu\u00e7\u00e3o sobre repara\u00e7\u00f5es, classificando a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos pelos europeus como &#8220;o crime mais grave contra a humanidade&#8221;.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Defensores da igualdade racial est\u00e3o mantendo um perfil discreto para evitar a aten\u00e7\u00e3o indesejada do governo Trump. Pode-se presumir que esses ativistas n\u00e3o abandonaram seus objetivos, mas apenas aguardam um momento mais favor\u00e1vel. Ainda assim, eles n\u00e3o desapareceram completamente de cena, como demonstra o ambicioso plano de igualdade divulgado pelo Gabinete de Equidade e Justi\u00e7a Racial do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.<\/p>\n<p>Entre as afirma\u00e7\u00f5es do documento est\u00e3o: &#8220;A hist\u00f3ria de Nova York tem sido marcada pela coloniza\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o racial&#8221;. O plano, com 375 p\u00e1ginas, elogia o movimento Black Lives Matter, homenageia George Floyd, celebra a &#8220;interseccionalidade&#8221; e descreve o racismo como uma &#8220;crise de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;. Citando &#8220;graves injusti\u00e7as&#8221;, &#8220;atrocidades&#8221; e &#8220;outras formas de viol\u00eancia&#8221; cometidas contra &#8220;pessoas negras, ind\u00edgenas, latinas, asi\u00e1ticas, das ilhas do Pac\u00edfico, do Oriente M\u00e9dio e outras pessoas de cor, mulheres, minorias religiosas, imigrantes, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com defici\u00eancia&#8221; ao longo dos s\u00e9culos, o documento conclui: &#8220;Como o racismo \u00e9 um sistema que explicita a ra\u00e7a, o antirracismo exige estrat\u00e9gias que tamb\u00e9m abordem a ra\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<h2>Reconhecimento de terras<\/h2>\n<p>Outra frente da estrat\u00e9gia woke e progressista \u00e9 o reconhecimento de repara\u00e7\u00f5es \u00e0s tribos ind\u00edgenas deslocadas pelos colonizadores europeus. A lista de reivindica\u00e7\u00f5es desse movimento abrange desde a recita\u00e7\u00e3o de &#8220;reconhecimentos territoriais&#8221; em eventos p\u00fablicos at\u00e9 a defesa da soberania sobre terras ancestrais, como prop\u00f5e o movimento Land Back.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito desse movimento est\u00e1 presente na revista cient\u00edfica <em>Nature<\/em>, publica\u00e7\u00e3o outrora prestigiada e hoje fortemente politizada, editada desde 1869, que publicou, no ver\u00e3o passado, um artigo escrito por oito acad\u00eamicos ind\u00edgenas defendendo uma &#8220;agenda ind\u00edgena na ci\u00eancia&#8221; baseada na &#8220;experi\u00eancia vivida&#8221; dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&#8220;Os acad\u00eamicos brancos devem reconhecer, ler e citar os estudos ind\u00edgenas&#8221;, afirma o ensaio. &#8220;Mas tamb\u00e9m devem se engajar com eles de maneira profunda e relacional, estando abertos a compreender plenamente suas mensagens, mesmo que isso os deixe desconfort\u00e1veis \u2013 especialmente, argumentamos, se os deixar desconfort\u00e1veis&#8221;, diz o artigo.<\/p>\n<p>Os autores ecoam o pensamento de Ibram X. Kendi e dos te\u00f3ricos cr\u00edticos da ra\u00e7a, segundo os quais a neutralidade pol\u00edtica \u00e9 um mito e a relut\u00e2ncia em apoiar essa causa equivale a endossar a supremacia branca. &#8220;Os cientistas tamb\u00e9m devem atentar para o seu pr\u00f3prio racismo&#8221;, afirmam os acad\u00eamicos. &#8220;N\u00e3o basta ser antirracista. Problemas estruturais e desigualdades existem na academia ocidental. Aqueles que evitam confrontar o racismo e o colonialismo em trabalhos e espa\u00e7os cient\u00edficos est\u00e3o apenas perpetuando o <em>status quo<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>A pol\u00edtica transg\u00eanero agora eclipsou a igualdade racial como principal ponto de converg\u00eancia para os progressistas woke. Os &#8220;direitos&#8221; trans constituem um compromisso central para os democratas pelo menos desde 2012, quando o ent\u00e3o vice-presidente Joe Biden declarou, pela primeira vez, que os direitos trans eram &#8220;a quest\u00e3o de direitos civis do nosso tempo&#8221; \u2013 afirma\u00e7\u00e3o que repetiu ao longo dos anos e transformou em uma das principais bandeiras morais de sua presid\u00eancia.<\/p>\n<p>A lista de reivindica\u00e7\u00f5es do movimento \u00e9 extensa. Inclui bloqueadores da puberdade com poucas restri\u00e7\u00f5es, horm\u00f4nios para adolescentes e acesso a cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o sexual. Os ativistas tamb\u00e9m defendem o direito constitucional de homens biol\u00f3gicos que se identificam como mulheres de utilizar instala\u00e7\u00f5es esportivas, vesti\u00e1rios e outros espa\u00e7os destinados ao p\u00fablico feminino.<\/p>\n<p>Centenas de escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio pro\u00edbem o uso de pronomes considerados incorretos e ocultam dos pais as transi\u00e7\u00f5es de g\u00eanero de alunos, quando estes assim solicitam. Essas posi\u00e7\u00f5es se fundamentam em anos de estudos sobre teoria queer e teoria de g\u00eanero, que questionam a legitimidade moral e cient\u00edfica do g\u00eanero bin\u00e1rio e do sexo biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Entre os diversos conflitos envolvendo a pauta transg\u00eanero est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.washingtontimes.com\/news\/2026\/apr\/7\/catholic-nuns-serving-dying-patients-fight-new-york-transgender\/?__cf_chl_f_tk=S7U.tEn1fq7dRyIKUsqL3f8__w7ajLCIyTXjENnlzxQ-1783359889-1.0.1.1-l8Lkwc7o3JF8sSx9Az0hGppLIYDGG5sTYaE4QRr3SpA\">o caso de freiras cat\u00f3licas de Nova York que administram uma institui\u00e7\u00e3o para pacientes terminais com c\u00e2ncer<\/a>. As religiosas foram amea\u00e7adas com multas pelas autoridades estaduais, que exigiram que pacientes transg\u00eanero fossem acomodados em quartos conforme a identidade de g\u00eanero declarada, e n\u00e3o segundo o sexo biol\u00f3gico, mesmo contra a vontade da pessoa que dividiria o quarto.<\/p>\n<p>O estado tamb\u00e9m determinou que as freiras utilizem os pronomes preferidos dos pacientes, inclusive quando eles n\u00e3o estiverem presentes. As Irm\u00e3s Dominicanas de Hawthorne recorreram \u00e0 Justi\u00e7a Federal para obter uma isen\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica estadual.<\/p>\n<h2>Poliamor em ascens\u00e3o<\/h2>\n<p>Intimamente ligado ao ativismo transg\u00eanero est\u00e1 o movimento pelo pleno reconhecimento jur\u00eddico da poliamoria. A n\u00e3o monogamia consensual \u00e9 apresentada como parte central das identidades queer e da &#8220;experi\u00eancia vivida&#8221; dessas pessoas, de modo que discriminar a poliamoria seria, segundo essa vis\u00e3o, uma forma indireta de discriminar pessoas LGBTQIA+.<\/p>\n<p>A principal denomina\u00e7\u00e3o presbiteriana dos Estados Unidos, a PCUSA, analisou neste ver\u00e3o uma proposta para discutir se seu clero deveria permanecer obrigado \u00e0 monogamia ou se poderia manter rela\u00e7\u00f5es extraconjugais consensuais ou rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o monog\u00e2micas. Em vez de rejeitar a proposta, a denomina\u00e7\u00e3o decidiu encaminh\u00e1-la para estudos adicionais.<\/p>\n<p>O grupo pr\u00f3-queer More Light Presbyterians divulgou uma declara\u00e7\u00e3o afirmando que impor a monogamia constitui discrimina\u00e7\u00e3o e que uma eventual decis\u00e3o da igreja em favor da monogamia &#8220;ser\u00e1 inevitavelmente vivenciada e interpretada como um ataque \u00e0 comunidade queer&#8221;.<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">A normaliza\u00e7\u00e3o do poliamor continua recebendo ampla cobertura favor\u00e1vel da grande imprensa, que contribui para legitimar e glamourizar esse modelo de relacionamento. Exemplos incluem a <em>Scientific American<\/em> (&#8220;Uma pesquisa detalhada de um antrop\u00f3logo mostra que os poliamorosos se concentram na intimidade e na honestidade, n\u00e3o em fazer sexo com v\u00e1rias pessoas&#8221;), o <em>Los Angeles Times<\/em> (&#8220;Pessoas em relacionamentos poliamorosos lutam contra a &#8216;vergonha&#8217; e exigem prote\u00e7\u00e3o legal&#8221;) e o <em>The Guardian<\/em> (&#8220;Americanos poliamorosos comemoram novas leis que reconhecem seu &#8216;valor e dignidade inerentes'&#8221;).<\/p>\n<p>Nem todos no mundo das artes e das letras compartilham o otimismo em rela\u00e7\u00e3o ao suposto decl\u00ednio dessa ideologia woke. Como observou a romancista Lionel Shriver, usando um sombrero: &#8220;Esse dogma infectou todas as nossas institui\u00e7\u00f5es como um fungo. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil erradic\u00e1-lo. J\u00e1 reparou como, depois de um tratamento completo, o p\u00e9 de atleta volta rapidinho?&#8221;.<\/p>\n<p><strong><em>John Murawski<\/em><\/strong><em> \u00e9 rep\u00f3rter da RealClearInvestigations<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a92026 The Daily Signal. Publicado com permiss\u00e3o. Original em ingl\u00eas: <a href=\"https:\/\/www.dailysignal.com\/2026\/07\/05\/woke-death-greatly-exaggerated\/\">Alive and Kicking: News of Woke\u2019s Death Is Greatly Exaggerated.<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Jocelaine Santos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/jocelaine-santos\/\">Jocelaine Santos<\/a><\/p>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 tentador acreditar que os excessos do movimento woke n\u00e3o apenas atingiram seu \u00e1pice, mas j\u00e1 pertencem ao passado \u2013&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":537153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-537152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/537152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=537152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/537152\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/537153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=537152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=537152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=537152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}