{"id":532502,"date":"2026-07-04T10:07:45","date_gmt":"2026-07-04T14:07:45","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=532502"},"modified":"2026-07-04T10:07:45","modified_gmt":"2026-07-04T14:07:45","slug":"leis-feministas-impulsionam-busca-por-advogados-de-direitos-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=532502","title":{"rendered":"Leis feministas impulsionam busca por advogados de \u201cdireitos dos homens\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/03153904\/homens_mulheres_maria-da-penha.jpg.webp\" \/><span>Advogados relatam dificuldades para defender homens de falsas acusa\u00e7\u00f5es. (Foto: Imagem de IA\/Gazeta do Povo com ChatGPT)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>O crescente favorecimento das mulheres pelas leis e pelo Judici\u00e1rio (principalmente em acusa\u00e7\u00f5es de crimes sexuais ou de viol\u00eancia dom\u00e9stica e em disputas pela guarda dos filhos) tem impulsionado a forma\u00e7\u00e3o de um segmento de advogados especializados em \u201cdireitos dos homens\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O segmento n\u00e3o aparece na lista oficial de especialidades reconhecidas para busca de advogados nos portais da OAB. Isso n\u00e3o tem impedido que os homens fa\u00e7am, eles pr\u00f3prios, busca pelo termo no Google, conta a advogada fluminense Maria Helena Seabra, p\u00f3s-graduada em Direito de Fam\u00edlia e Sucess\u00f5es pela PUC-RJ, que tem parte significativa de seus clientes atra\u00edda dessa forma.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Conforme relatos dos pr\u00f3prios clientes, a prefer\u00eancia se explica porque existe outro\u00a0forte\u00a0nicho de advogados de fam\u00edlia com \u201cvis\u00e3o feminista\u201d, que \u201ct\u00eam olhar somente para a defesa da mulher\u201d, diz Seabra. Beatriz Barros, tamb\u00e9m advogada de fam\u00edlia e especializada na defesa dos homens, faz o mesmo relato, citando como atrativa para os clientes do sexo masculino a expectativa de n\u00e3o ser \u201cjulgado pelo pr\u00f3prio advogado\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Barros afirma que os clientes chegam a ela \u201cdestru\u00eddos\u201d e sentindo falta dos filhos, a quem s\u00e3o, muitas vezes, impedidos de ver com medidas protetivas decretadas com base em falsas acusa\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar de mencionar o aspecto emocional, Barros enfatiza tamb\u00e9m o lado t\u00e9cnico, afirmando que a especializa\u00e7\u00e3o do advogado nos direitos dos homens teria ganhado justificativa adicional em tempos recentes, em que\u00a0a\u00a0defesa dos homens acusados de crimes contra mulher teria se tornado um verdadeiro campo minado. Determinadas formas de o advogado se portar durante a defesa passaram a ser rotuladas como \u201crevitimiza\u00e7\u00e3o\u201d da mulher e serem consideradas elas pr\u00f3prias, nas palavras de Barros, como \u201cviol\u00eancia de g\u00eanero\u201d adicional.<\/p>\n<p>Esse quadro se intensificou com a decis\u00e3o do STF no dia 18, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-e-cidadania\/stf-anula-provas-obtidas-com-desrespeito-a-vitimas-de-estupro-e-reabre-caso-mariana-ferrer\/\">declarou<\/a>\u00a0com repercuss\u00e3o geral, a partir do caso Mariana\u00a0Ferrer, que a absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u acusado de crimes sexuais pode ser anulada, caso se constate que n\u00e3o foi respeitada a \u201cdignidade\u201d e a \u201cintegridade psicol\u00f3gica\u201d da v\u00edtima durante a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, Barros afirma que um advogado em processos do g\u00eanero tem desafios adicionais ao defender um homem, demandando uma estrat\u00e9gia diferenciada, sob pena de acabar \u201cprejudicando ainda mais\u201d o cliente.\u00a0<\/p>\n<h2>Falsas acusa\u00e7\u00f5es\u00a0<\/h2>\n<p>Maria Helena Seabra enfatiza que n\u00e3o se trata de \u201ccompetir com a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, que \u00e9 leg\u00edtima e necess\u00e1ria\u201d, considerando incontroverso que existem frequentes casos de agress\u00f5es ou outros abusos contra mulheres e que esse fen\u00f4meno social demanda resposta do Poder P\u00fablico. No entanto, segundo Seabra, o que constitui motivo de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que foram justamente os mecanismos expansivos institu\u00eddos em nome da prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher (como a Lei Maria da Penha) que passaram a ser usados, em alguns casos, como \u201carma\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Seabra relata que a maior parte dos clientes que atende, quando n\u00e3o s\u00e3o pais alegando aliena\u00e7\u00e3o parental (tentativa, pela m\u00e3e, de afastar psicologicamente a crian\u00e7a do pai), s\u00e3o homens que est\u00e3o sofrendo falsas acusa\u00e7\u00f5es de crimes como viol\u00eancia dom\u00e9stica (inclusive a chamada \u201cviol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher\u201d, novo crime inclu\u00eddo no C\u00f3digo Penal em 2021). Ainda segundo Seabra, as falsas acusa\u00e7\u00f5es (que, nos piores casos, chegam a afirmar crimes sexuais supostamente praticados contra os filhos menores) s\u00e3o frequentes justamente pelo potencial de serem usadas de m\u00e1-f\u00e9 para criar obst\u00e1culos contra o homem em disputas envolvendo a guarda dos filhos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O advogado Mizael Izidoro-Bello, atuante na defesa de homens em processos envolvendo separa\u00e7\u00e3o, div\u00f3rcio e viol\u00eancia dom\u00e9stica, tem vis\u00e3o parecida, chegando a afirmar que,\u00a0para ele,\u00a0\u201cem algumas delegacias, a maioria dos casos\u201d relacionados \u00e0 Lei Maria da Penha envolveria acusa\u00e7\u00f5es falsas.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 nas hip\u00f3teses de crimes sexuais contra a pr\u00f3pria mulher (como estupro ou ass\u00e9dio sexual), sem filhos comuns envolvidos, Beatriz Barros diz que, em sua experi\u00eancia, quando surgem acusa\u00e7\u00f5es falsas, a motiva\u00e7\u00e3o mais comum tende a ser \u201craiva ao fim do t\u00e9rmino\u201d, dirigida contra eventual ex-parceiro.\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>A for\u00e7a da palavra da v\u00edtima\u00a0<\/h2>\n<p>\u201cPelo menos desde a Lei Maria da Penha, a justi\u00e7a vem tomando como pr\u00e1tica dar raz\u00e3o \u00e0 mulher, mesmo quando falta prova\u201d, afirma Izidoro-Bello.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">Os advogados ouvidos pela\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong>\u00a0explicam que crimes como viol\u00eancia dom\u00e9stica ou estupro podem ser dif\u00edceis de provar, comparados com outros delitos, porque tendem a acontecer em ambientes privados onde frequentemente n\u00e3o h\u00e1 testemunhas.\u00a0<\/p>\n<p>Para qualquer crime (mesmo os mais graves), quando n\u00e3o h\u00e1 provas suficientes para se ter convic\u00e7\u00e3o de que o acusado \u00e9 culpado, a solu\u00e7\u00e3o tradicional, defendida entre juristas h\u00e1 mil\u00eanios, \u00e9 absolver \u2014 regra que est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira e \u00e9 conhecida como \u201cpresun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia\u201d. A justificativa para favorecer o r\u00e9u em vez do acusador \u00e9, historicamente, humanit\u00e1ria: o jurista e pol\u00edtico Rui Barbosa defendeu, no s\u00e9culo XIX, que \u201cmais vale escaparem cem criminosos que perigar um inocente&#8221;.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>No entanto, em per\u00edodos recentes, sob influ\u00eancia do feminismo, vem ganhando for\u00e7a a invers\u00e3o do princ\u00edpio, defendendo-se que, nas acusa\u00e7\u00f5es de crimes sexuais ou de viol\u00eancia dom\u00e9stica, deve-se dar prefer\u00eancia \u00e0 palavra da mulher \u2014 o que pode implicar, por exemplo, condenar um homem por estupro com base em provas que normalmente seriam consideradas insuficientes para condenar algu\u00e9m por outro crime, inclusive um mais leve.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, imposto pelo CNJ como obrigat\u00f3rio, prescreve \u201calta\u00a0valora\u00e7\u00e3o\u00a0das\u00a0declara\u00e7\u00f5es\u00a0da mulher v\u00edtima de\u00a0viol\u00eancia\u00a0de\u00a0g\u00eanero\u201d, com \u201cpeso probat\u00f3rio diferenciado\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Mizael Izidoro-Bello\u00a0afirma que, em sua experi\u00eancia, e ao contr\u00e1rio do que o senso comum poderia sugerir, s\u00e3o os ju\u00edzes homens que t\u00eam maior tend\u00eancia a dar valor preponderante \u00e0 palavra da suposta v\u00edtima, como sugere o novo protocolo do CNJ, enquanto as ju\u00edzas mulheres tendem a ser mais cuidadosas e exigir provas complementares mais robustas. O advogado atribui esse fen\u00f4meno a um poss\u00edvel distanciamento psicol\u00f3gico maior dos ju\u00edzes homens, ao passo que a ju\u00edza, \u201cpor ser mulher, sabe o que uma mulher pode fazer\u201d em situa\u00e7\u00f5es do g\u00eanero, por ter experi\u00eancia pessoal mais pr\u00f3xima.\u00a0<\/p>\n<h2>Dificuldade de provar a inoc\u00eancia\u00a0<\/h2>\n<p>O advogado criminalista e professor da UFMG T\u00falio Vianna considera temer\u00e1rio o peso que se pretende dar \u00e0 palavra da v\u00edtima. O professor aponta que os mesmos fatores que tornam dif\u00edcil para a mulher vitimada produzir prova da viol\u00eancia sofrida \u2014 como a falta de testemunhas a indicar \u2014 tamb\u00e9m dificultam, da mesma forma, a tarefa do homem falsamente acusado do mesmo tipo de crime, ao se defender.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse sentido, Vianna aponta um aspecto que tem sido ignorado pelos proponentes do \u201cjulgamento com perspectiva de g\u00eanero\u201d: se a palavra da v\u00edtima for erigida a principal meio de prova (quando n\u00e3o o \u00fanico), uma consequ\u00eancia necess\u00e1ria \u00e9 que essa tamb\u00e9m ser\u00e1 a principal (ou \u00fanica) prova que o advogado de defesa ter\u00e1 o dever profissional de tentar desconstituir.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Assim, se, em outros crimes, o foco do advogado seria, por exemplo, descredibilizar um laudo pericial, numa acusa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou de crime sexual contra mulher, a \u00fanica esperan\u00e7a do advogado para livrar um cliente inocente pode acabar sendo questionar a v\u00edtima para encontrar contradi\u00e7\u00f5es em sua narrativa ou raz\u00f5es para duvidar da credibilidade de sua palavra.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Segundo Vianna, essa que pode ser a \u00fanica sa\u00edda do inocente para se livrar de uma pris\u00e3o injusta est\u00e1 sendo estreitada pela infiltra\u00e7\u00e3o feminista no direito penal. Doutrinas em voga, exemplificadas pela Lei Mari Ferrer e pelo Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, est\u00e3o restringindo as possibilidades de inquiri\u00e7\u00e3o da suposta v\u00edtima em audi\u00eancia, referindo-se a atos do g\u00eanero usando termos como \u201crevitimiza\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cviol\u00eancia institucional\u201d e amea\u00e7ando responsabilidade civil, administrativa e criminal para os envolvidos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia prioriza o mal-estar psicol\u00f3gico da mulher que figura como suposta v\u00edtima como mal maior que a potencial priva\u00e7\u00e3o de liberdade do homem acusado, al\u00e9m das consequ\u00eancias pessoais e sociais de ser condenado por um crime como o estupro, que, como Vianna enfatiza, \u00e9 um dos mais graves da legisla\u00e7\u00e3o brasileira.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Vianna considera essa como uma invers\u00e3o de prioridades: ele concorda que os advogados e ju\u00edzes devem se abster de fazer uma \u201crevitimiza\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria\u201d em audi\u00eancia, que constitua apenas crueldade gratuita; mas enfatiza que, quando a liberdade de uma pessoa est\u00e1 em jogo, \u00e9 preciso ter um senso de propor\u00e7\u00e3o entre os valores envolvidos, e algum grau de desconforto pode ser necess\u00e1rio para a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>Beatriz Barros concorda: \u201cClaro que o advogado deve sempre manter o respeito, mas isso n\u00e3o pode prejudicar a defesa\u201d.\u00a0<\/p>\n<h2>Prote\u00e7\u00f5es exclusivas para mulheres\u00a0<\/h2>\n<p>A maior valoriza\u00e7\u00e3o do bem-estar feminino em contraposi\u00e7\u00e3o aos interesses dos homens se manifesta de outras formas na legisla\u00e7\u00e3o, como no crime de \u201cviol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher\u201d, criado em 2021 e sancionado pelo ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Sem lei equivalente para proteger os homens, o novo tipo penal prev\u00ea como crime, a ser tratado conforme a Lei Maria da Penha, \u201ccausar dano emocional \u00e0 mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento\u201d mediante qualquer \u201cmeio que cause preju\u00edzo \u00e0 sua sa\u00fade psicol\u00f3gica e autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O novo crime foi criticado desde o in\u00edcio pela reda\u00e7\u00e3o vaga, que permitiria criminalizar quase qualquer conduta. O advogado Mizael Izidoro-Bello\u00a0singulariza a edi\u00e7\u00e3o dessa lei como ponto de inflex\u00e3o negativo, a partir do qual os advogados teriam passado a ser procurados n\u00e3o s\u00f3 por homens buscando aconselhamento jur\u00eddico sobre relacionamentos amorosos, mas tamb\u00e9m, at\u00e9 mesmo, por empres\u00e1rios, preocupados com a possibilidade de que rela\u00e7\u00f5es de trabalho pudessem terminar na delegacia.\u00a0<\/p>\n<p>O novo crime de \u201cviol\u00eancia psicol\u00f3gica\u201d tamb\u00e9m \u00e9 criticado no aspecto da isonomia. Nesse sentido, Izidoro-Bello\u00a0opina que, se \u00e9 verdade que h\u00e1 uma diferen\u00e7a de for\u00e7a entre homens e mulheres que possa justificar o tratamento diferenciado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica, n\u00e3o \u00e9 evidente que haja uma diferen\u00e7a psicol\u00f3gica equivalente para que \u201ccausar dano emocional\u201d s\u00f3 seja crime se for praticado contra mulher.\u00a0<\/p>\n<p>Beatriz Barros aponta um problema adicional: se j\u00e1 era raro que as acusa\u00e7\u00f5es falsas de viol\u00eancia dom\u00e9stica rendessem puni\u00e7\u00e3o criminal para a falsa acusadora quando se referiam a agress\u00e3o f\u00edsica (afirma\u00e7\u00e3o que foi ponto pac\u00edfico entre os especialistas ouvidos), esse tipo de puni\u00e7\u00e3o passa a ser \u201cquase imposs\u00edvel\u201d para as falsas acusa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Isso porque, explica Barros, o car\u00e1ter \u201ctotalmente subjetivo\u201d do tipo penal, inteiramente baseado no estado psicol\u00f3gico interno da acusadora, inviabiliza que a v\u00edtima da falsa acusa\u00e7\u00e3o prove o dolo de mentir.\u00a0<\/p>\n<p>Assim, o dano emocional no sentido inverso, causado no homem pela falsa acusa\u00e7\u00e3o, tende a ficar impune.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>A tese do \u201cmachismo estrutural\u201d na Justi\u00e7a\u00a0<\/h2>\n<p>Ao pregar favorecimento \u00e0s mulheres, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero se antecipa a cr\u00edticas e nega que isso constitua viola\u00e7\u00e3o da imparcialidade esperada da Justi\u00e7a. O argumento veiculado pelo CNJ \u00e9 de que o tratamento preferencial \u201cse legitima pela vulnerabilidade e hipossufici\u00eancia\u201d das mulheres. Em outras palavras, o favorecimento \u00e0s mulheres seria apenas uma forma de equilibrar uma balan\u00e7a que, de outra forma, penderia contra elas.\u00a0<\/p>\n<p>Recentemente, a mesma tese \u2014 a de desfavorecimento sistem\u00e1tico das mulheres no sistema de justi\u00e7a \u2014 foi famosamente referenciada em senten\u00e7a que aplicou o Protocolo e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-e-cidadania\/caso-henry-evidencia-teses-feministas-judiciario\/?ref=busca\">concedeu<\/a>\u00a0perd\u00e3o judicial \u00e0 m\u00e3e do menino Henry Borel em processo por homic\u00eddio (ao passo que o homem que era corr\u00e9u foi condenado a 43 anos de pris\u00e3o), afirmando que a m\u00e3e era tratada com maior rigor pelo fato de ser mulher e que &#8220;fosse um pai, nem sequer teria sido processado&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">A tese \u00e9 rejeitada por unanimidade por todos os advogados ouvidos pela\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong>, que s\u00e3o enf\u00e1ticos em afirmar que a Justi\u00e7a \u00e9 mais rigorosa com os homens do que com as mulheres e chegam a tratar esse fato como sendo de conhecimento comum.\u00a0<\/p>\n<p>Beatriz Barros \u00e9 taxativa: \u201cQuem diz que os homens s\u00e3o favorecidos pela Justi\u00e7a ou est\u00e1 contaminado por um discurso feminista, ou nunca advogou ao lado de um homem em medidas protetivas em casos de fam\u00edlia. S\u00e3o pessoas que n\u00e3o sabem o que est\u00e3o falando. Porque eu n\u00e3o digo isso de forma aleat\u00f3ria. Eu cheguei a essa conclus\u00e3o depois de anos advogando, e vendo diariamente como os homens s\u00e3o tratados nessas situa\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A advogada n\u00e3o se convence pela argumenta\u00e7\u00e3o do CNJ para dizer que est\u00e1 sendo preservada a imparcialidade: \u201cAs 22 mil senten\u00e7as dadas utilizando-se do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero deveriam ser anuladas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>T\u00falio Vianna testemunha a favor do mesmo vi\u00e9s\u00a0anti-homem\u00a0na \u00e1rea criminal, dando como exemplo os casos em que s\u00e3o encontradas drogas em ve\u00edculo automotor dirigido por um homem. Vianna diz que, em sua experi\u00eancia, caso o banco do passageiro esteja ocupado por uma mulher, ela tem probabilidade drasticamente mais baixa de ser condenada por tr\u00e1fico junto com o motorista, em compara\u00e7\u00e3o com um homem na mesma posi\u00e7\u00e3o e com as mesmas provas.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Vianna menciona tamb\u00e9m uma situa\u00e7\u00e3o recorrente que j\u00e1 vivenciou como advogado: o caso em que um homem e uma mulher, ambos alcoolizados, t\u00eam rela\u00e7\u00e3o sexual e o homem \u00e9 condenado por estupro, ao passo que a mulher \u00e9 considerada v\u00edtima do ato. Vianna questiona por que o efeito do \u00e1lcool \u00e9 considerado como algo que afasta a voli\u00e7\u00e3o para a mulher, a ponto de invalidar o consentimento para o ato, enquanto a mesma considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aplicada ao homem, a ponto de ser apto a responder criminalmente. \u201cOu tira a capacidade de consentimento de todo mundo ou n\u00e3o tira de ningu\u00e9m\u201d, defende.\u00a0<\/p>\n<h2>Misandria no Judici\u00e1rio\u00a0<\/h2>\n<p>A ci\u00eancia corrobora a percep\u00e7\u00e3o dos advogados e refuta a do CNJ: como j\u00e1 mostrou a\u00a0<strong>Gazeta do Povo<\/strong>, estudos realizados no Brasil e em outros pa\u00edses\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/estudos-desmentem-tese-machismo-estrutural-judiciario\/\">indicam<\/a>\u00a0que, em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres condenadas pelos mesmos crimes, homens recebem penas iguais ou superiores. Em outras \u00e1reas, os estudos tamb\u00e9m s\u00e3o consistentes em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/o-mito-da-misoginia-como-um-novo-dogma-se-apoderou-do-ocidente\/\">apontar<\/a>\u00a0que a popula\u00e7\u00e3o tem tend\u00eancia inconsciente a discriminar contra os homens e a favor das mulheres (um fen\u00f4meno t\u00e3o replicado na ci\u00eancia que recebeu o nome de \u201cEfeito\u00a0mulheres\u00a0s\u00e3o\u00a0magn\u00edficas\u201d).\u00a0<\/p>\n<p>Em outras palavras, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, ao favorecer as mulheres a pretexto de corrigir um suposto desequil\u00edbrio, est\u00e1, na realidade, piorando uma desigualdade j\u00e1 existente.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraph postParagraph-module-scss-module__Tp8H3W__postParagraphInnerHtml\">Em movimentos de direitos dos homens, o tratamento discriminat\u00f3rio contra pessoas do sexo masculino \u00e9 chamado de\u00a0<em>misandria<\/em>, termo com o qual a advogada Beatriz Barros concorda como descri\u00e7\u00e3o da sociedade. Barros considera o conceito especialmente aplic\u00e1vel a uma parcela do movimento feminista, que afirma, segundo ela, \u201cque homem n\u00e3o presta para nada, que homem \u00e9 uma desgra\u00e7a, que homem \u00e9 um estuprador em potencial\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Nesse sentido, Barros \u00e9 uma das signat\u00e1rias de um parecer elaborado por advogadas de direitos dos homens, criticando o PL da Misoginia (PL 896\/2023), que quer criminalizar falas e condutas preconceituosas contra mulheres, por ser mais uma lei que discrimina contra homens ao exclu\u00ed-los da prote\u00e7\u00e3o. Barros esclarece, contudo, que sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que a lei n\u00e3o deve ser aprovada, para que a igualdade seja atingida com a liberdade de express\u00e3o para os dois lados: \u201cSe a mulher pode falar o que ela quiser, ent\u00e3o o homem tamb\u00e9m pode falar o que ele quiser\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Advogados relatam dificuldades para defender homens de falsas acusa\u00e7\u00f5es. 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