{"id":528672,"date":"2026-07-02T10:51:03","date_gmt":"2026-07-02T14:51:03","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=528672"},"modified":"2026-07-02T10:51:03","modified_gmt":"2026-07-02T14:51:03","slug":"por-que-as-mulheres-resistem-mais-a-candidatos-da-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=528672","title":{"rendered":"Por que as mulheres resistem mais a candidatos da direita"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout-module-scss-module__08MJ-a__postContent\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/07\/02112335\/por-que-mulheres-resistem-mais-candidatos-direita.jpg.webp\" \/><span>Pautas sociais, estilo dos candidatos e religi\u00e3o ajudam a explicar por que mulheres votam de forma diferente dos homens. (Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody-module-scss-module__8_WGKG__postBodyContainer\">\n<p>A dificuldade da direita em conquistar o voto feminino ganhou novo cap\u00edtulo com <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/michelle-bolsonaro-anuncia-saida-da-presidencia-do-pl-mulher-apos-reuniao-com-valdemar\/\">a sa\u00edda de Michelle Bolsonaro<\/a> da presid\u00eancia do PL Mulheres. Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres tendem a valorizar mais pautas sociais, demonstram maior ades\u00e3o a agendas de igualdade e costumam rejeitar candidatos com discursos agressivos, fatores que ajudam a explicar sua maior inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Dados de um relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert (FES), divulgado em 2024, ajudam a entender essa tend\u00eancia. O levantamento mostrou que mulheres jovens se identificam mais com a esquerda do que homens da mesma faixa et\u00e1ria: 20% delas se declaram de esquerda, ante 16% dos homens. O estudo tamb\u00e9m aponta um maior distanciamento feminino de posi\u00e7\u00f5es conservadoras e uma participa\u00e7\u00e3o mais intensa em pautas ligadas \u00e0 igualdade de g\u00eanero e direitos sociais.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno, por\u00e9m, n\u00e3o se restringe \u00e0 juventude nem ao Brasil. Um estudo publicado pela Cambridge University Press em 2025, baseado em dados de 16 democracias ocidentais coletados ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas, concluiu que mulheres s\u00e3o mais propensas a votar em partidos de esquerda, especialmente quando essas siglas defendem pol\u00edticas de igualdade de g\u00eanero no mercado de trabalho, como licen\u00e7a parental, amplia\u00e7\u00e3o da oferta de creches e programas de prote\u00e7\u00e3o social voltados \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p>No Brasil, a relev\u00e2ncia desse debate \u00e9 ampliada pelo peso eleitoral das mulheres. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas representam cerca de 52,5% do eleitorado nacional e s\u00e3o maioria em todos os estados do pa\u00eds. O cen\u00e1rio ajuda a explicar por que partidos de diferentes correntes ideol\u00f3gicas passaram a investir em estrat\u00e9gias espec\u00edficas para aproximar-se desse p\u00fablico, considerado decisivo em disputas eleitorais.<\/p>\n<h2>Estilo dos candidatos influencia o voto feminino<\/h2>\n<p>\u00c9 justamente para enfrentar esse cen\u00e1rio que partidos de direita t\u00eam investido em iniciativas voltadas ao eleitorado feminino, como o PL Mulheres. Na avalia\u00e7\u00e3o do cientista pol\u00edtico e professor de Comunica\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica Felipe Rodrigues, por\u00e9m, a dificuldade de conquistar esse segmento tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 forma como as mulheres vivenciam os impactos das pol\u00edticas p\u00fablicas e percebem o comportamento dos candidatos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com temas como custo de vida, renda familiar e sa\u00fade p\u00fablica ajuda a explicar por que muitas mulheres se identificam com propostas associadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social. \u201cMulheres s\u00e3o maioria entre os mais pobres, chefiam quase metade dos lares brasileiros e sentem primeiro os efeitos de infla\u00e7\u00e3o de alimentos, dos cortes em programas sociais e das crises na sa\u00fade p\u00fablica. Elas votam muito ancoradas no cotidiano, enquanto homens, em m\u00e9dia, t\u00eam mais ades\u00e3o a pautas ideol\u00f3gicas e macroecon\u00f4micas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Segundo Rodrigues, outro fator importante \u00e9 que as mulheres tendem a demonstrar maior avers\u00e3o \u00e0 instabilidade e ao risco. Isso faz com que sejam mais sens\u00edveis n\u00e3o apenas aos efeitos concretos das pol\u00edticas p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m \u00e0 forma como candidatos e lideran\u00e7as se comportam durante as campanhas.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 relevante porque, em v\u00e1rias \u00e1reas tradicionalmente associadas \u00e0 direita \u2014 como seguran\u00e7a p\u00fablica, endurecimento penal e at\u00e9 temas de costumes \u2014 homens e mulheres n\u00e3o apresentam posi\u00e7\u00f5es t\u00e3o distantes. Nesses casos, a linguagem empregada pelos candidatos pode ter um peso t\u00e3o importante quanto as propostas defendidas.<\/p>\n<p>\u201cMulheres penalizam a agressividade, o deboche, a linguagem de confronto e, sobretudo, qualquer coisa que soe como desrespeito \u00e0s mulheres\u201d, acrescenta o cientista pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o na disputa pelo eleitorado feminino tamb\u00e9m \u00e9 destacada por lideran\u00e7as da direita. Para a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), presidente do PL Mulheres no Distrito Federal, a dificuldade n\u00e3o est\u00e1 necessariamente nas pautas defendidas pelo campo conservador, mas na forma de comunic\u00e1-las ao eleitorado feminino.<\/p>\n<p>\u201cA esquerda \u00e9 muito boa de narrativa e, durante d\u00e9cadas, sequestrou para si as narrativas das virtudes. Mas a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem visto que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. A esquerda briga pela sua agenda e usa as mulheres para impor as suas agendas. Mas, quando se trata realmente de proteger a mulher e a fam\u00edlia, a\u00ed a esquerda perde realmente de longe\u201d, afirma Kicis.<\/p>\n<h2>Religi\u00e3o aproxima parte das mulheres da direita<\/h2>\n<p>A religi\u00e3o \u00e9 um dos fatores que mais influenciam as diferen\u00e7as de comportamento pol\u00edtico entre homens e mulheres. Nos \u00faltimos anos, o crescimento do eleitorado evang\u00e9lico feminino criou um segmento estrat\u00e9gico para a direita, ajudando a reduzir a tend\u00eancia observada nesse grupo de maior identifica\u00e7\u00e3o com pautas e candidaturas associadas \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, a influ\u00eancia das igrejas e a centralidade de temas relacionados \u00e0 fam\u00edlia, aos costumes e \u00e0 f\u00e9 funcionam como elementos que aproximam parte dessas eleitoras do campo conservador.<\/p>\n<p>Para L\u00edlia Nunes, vice-presidente do PL Mulheres do Rio de Janeiro, a f\u00e9 tamb\u00e9m exerce um papel importante no engajamento pol\u00edtico feminino. Segundo ela, a viv\u00eancia religiosa estimula uma participa\u00e7\u00e3o voltada para o bem comum e favorece a identifica\u00e7\u00e3o com pautas defendidas pela direita.<\/p>\n<p>\u201cA direita tem uma grande sensibilidade \u00e0s demandas reais das mulheres brasileiras em todos os seus desafios familiares e socioculturais, buscando atender essas demandas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Felipe Rodrigues destaca que a mulher evang\u00e9lica n\u00e3o forma um bloco homog\u00eaneo, mas avalia que a religi\u00e3o ajuda a reduzir a resist\u00eancia feminina a candidaturas de direita. \u201cA rejei\u00e7\u00e3o a candidatos de direita cai muito nesse grupo porque a media\u00e7\u00e3o da igreja e das pautas de costumes compensa parte dessa resist\u00eancia\u201d, conclui.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pautas sociais, estilo dos candidatos e religi\u00e3o ajudam a explicar por que mulheres votam de forma diferente dos homens. 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