{"id":525737,"date":"2026-07-01T09:44:06","date_gmt":"2026-07-01T13:44:06","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=525737"},"modified":"2026-07-01T09:44:06","modified_gmt":"2026-07-01T13:44:06","slug":"minions-monsters-desperdica-homenagem-ao-cinema-em-troca-de-caos-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=525737","title":{"rendered":"Minions &amp; Monsters desperdi\u00e7a homenagem ao cinema em troca de caos infantil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Em <em>Minions &amp; Monsters<\/em>, que chega aos cinemas brasileiros nesta semana, a turma amarela de <em>Meu Malvado Favorito<\/em> deixa de lado o papel de capangas para tentar conquistar o estrelato na Hollywood da d\u00e9cada de 1920. Dirigido por Pierre Coffin, o longa utiliza o desejo do Minion James de dirigir seu pr\u00f3prio filme como motor para uma jornada que, ao libertar monstros reais, amea\u00e7a o mundo. A recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, no entanto, \u00e9 marcada por um consenso ambivalente: o filme brilha intensamente ao homenagear a hist\u00f3ria do cinema, mas perde o f\u00f4lego ao se render \u00e0 estrutura convencional e ca\u00f3tica da franquia.<\/p>\n<h2>O esplendor da Era de Ouro<\/h2>\n<p>Para Clint Worthington, do portal <em>Roger Ebert<\/em>, o filme \u00e9 &#8220;fren\u00e9tico, fofo e praticamente amoroso&#8221;, sendo possivelmente a entrada mais revigorante da s\u00e9rie at\u00e9 o momento. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por Frank Scheck, do <em>The Hollywood Reporter<\/em>, que define o longa como a produ\u00e7\u00e3o mais inteligente e engra\u00e7ada j\u00e1 protagonizada pelos personagens. O trunfo dessa primeira metade reside no uso sagaz da metalinguagem.<\/p>\n<p>Segundo Scheck, o filme \u00e9 uma verdadeira &#8220;carta de amor a Hollywood&#8221;, repleta de refer\u00eancias que encantar\u00e3o cin\u00e9filos \u2014 desde a inser\u00e7\u00e3o dos Minions em cenas cl\u00e1ssicas dos irm\u00e3os Lumi\u00e8re at\u00e9 homenagens a Buster Keaton, Harold Lloyd e Charlie Chaplin. Worthington refor\u00e7a essa vis\u00e3o, destacando como o diretor Pierre Coffin utiliza a transi\u00e7\u00e3o do cinema mudo para o falado para criar sequ\u00eancias inventivas, incluindo refer\u00eancias a cl\u00e1ssicos como <em>Cidad\u00e3o Kane<\/em> e <em>Casablanca<\/em>. Para o cr\u00edtico do <em>Roger Ebert<\/em>, essa constru\u00e7\u00e3o funciona como uma destila\u00e7\u00e3o dos impulsos art\u00edsticos que tornaram o cinema uma forma de arte duradoura.<\/p>\n<h3>O desequil\u00edbrio narrativo<\/h3>\n<p>Apesar do in\u00edcio promissor, a segunda metade do longa encontra resist\u00eancia entre os cr\u00edticos. Rafaela Bassili, do <em>The Guardian<\/em>, argumenta que, ao tentar equilibrar o desejo de uma dire\u00e7\u00e3o &#8220;mais inteligente&#8221; com as expectativas de uma audi\u00eancia acostumada ao &#8220;gibberish&#8221; (a fala incompreens\u00edvel dos Minions), Coffin acaba &#8220;dando um passo maior que a perna&#8221;.<\/p>\n<p>Frank Scheck corrobora essa observa\u00e7\u00e3o, notando que o filme \u00e9 &#8220;um pouco sobrecarregado&#8221; e que, ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o dos monstros, a narrativa &#8220;se degenera no frenesi habitual&#8221; que aflige as anima\u00e7\u00f5es infantis modernas. Esse sentimento de perda de foco \u00e9 compartilhado por Worthington, que admite que, ao sair do ambiente dos est\u00fadios de Hollywood, o filme perde o vapor. Para o cr\u00edtico, subtramas como a do rob\u00f4 alien\u00edgena \u2014 dublado por Jesse Eisenberg \u2014 e seu envolvimento com o movimento sufragista, embora tragam deleites ocasionais, parecem menos envolventes do que o brilho sat\u00edrico da primeira parte.<\/p>\n<h4>A busca por alma e prop\u00f3sito<\/h4>\n<p>Um dos pontos mais discutidos \u00e9 a tentativa do filme de dotar os Minions de profundidade emocional. Bassili aponta que esta \u00e9 a primeira tentativa da Illumination de conferir &#8220;pathos&#8221; aos personagens, especificamente atrav\u00e9s da amizade entre James e Henry, baseada em um ego que, teoricamente, eles n\u00e3o deveriam possuir. Contudo, para a jornalista do <em>The Guardian<\/em>, essa premissa \u00e9 desperdi\u00e7ada, pois o filme acaba perdendo o controle de sua ess\u00eancia ao transformar os protagonistas em her\u00f3is gen\u00e9ricos que salvam o dia, ignorando a natureza fundamental da franquia: o fato de serem, por defini\u00e7\u00e3o, capangas de vil\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Worthington, por outro lado, a abordagem de Coffin \u00e9 uma defesa necess\u00e1ria da relev\u00e2ncia dos personagens. Ele argumenta que o diretor consegue, com sucesso, despir a franquia da &#8220;presen\u00e7a sufocante de Gru&#8221;, provando que os Minions n\u00e3o s\u00e3o apenas um &#8220;flagelo da falta de aten\u00e7\u00e3o cultural&#8221;, mas personagens que representam o impulso puro de entreter.<\/p>\n<h4>Um veredito dividido<\/h4>\n<p>Ao final, o panorama \u00e9 de um filme que oscila entre a ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a demanda comercial. Enquanto Frank Scheck conclui que a sofistica\u00e7\u00e3o da s\u00e1tira inicial \u00e9 &#8220;surpreendente e eficaz&#8221;, ele ressalta que o resultado final \u00e9 um projeto que deseja, tal como seu protagonista, ganhar um pr\u00eamio de prest\u00edgio. J\u00e1 para Rafaela Bassili, o filme deixa uma sensa\u00e7\u00e3o de desilus\u00e3o: a obra n\u00e3o alcan\u00e7a a clareza cristalina dos bons filmes infantis e falha em ensinar qualquer li\u00e7\u00e3o nova ao seu p\u00fablico, limitando-se a repetir um ciclo que, financeiramente, continua a ser muito lucrativo para o est\u00fadio. Em \u00faltima an\u00e1lise, <em>Minions &amp; Monsters<\/em> permanece como um esfor\u00e7o criativo que, mesmo em seus momentos de maior brilho, n\u00e3o consegue se desvencilhar totalmente das expectativas comerciais que pairam sobre a turma amarela.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Minions &amp; Monsters, que chega aos cinemas brasileiros nesta semana, a turma amarela de Meu Malvado Favorito deixa de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":525738,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-525737","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/525737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=525737"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/525737\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/525738"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=525737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=525737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=525737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}