{"id":525567,"date":"2026-06-30T15:38:34","date_gmt":"2026-06-30T19:38:34","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=525567"},"modified":"2026-06-30T15:38:34","modified_gmt":"2026-06-30T19:38:34","slug":"plano-safra-2026-2027-tem-corte-de-recursos-para-custeio-e-numeros-inflados-pelo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=525567","title":{"rendered":"Plano Safra 2026\/2027 tem corte de recursos para custeio e n\u00fameros inflados pelo governo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (30) pelo governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), a edi\u00e7\u00e3o 2026\/2027 do Plano Safra pode ter recursos insuficientes para as demandas do agroneg\u00f3cio nacional.<\/p>\n<p>Embora <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/governo-plano-safra-2026-2027-credito-525-bilhoes\/\">anunciado como recorde<\/a>, o valor destinado ao programa \u2013 R$ 610 bilh\u00f5es, dos quais R$ 525,1 bilh\u00f5es para a agricultura empresarial e R$ 84,9 bilh\u00f5es para pequenos produtores \u2013, ficou abaixo do que pediam entidades representativas do setor.<\/p>\n<p>O aumento no volume de recursos destinados ao programa n\u00e3o chegou a cobrir a infla\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, apontam representantes do agro. Al\u00e9m disso, o governo incluiu na conta valores de fontes que n\u00e3o eram consideradas nos c\u00e1lculos dos ciclos anteriores.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Paran\u00e1 (Faep) defendia um or\u00e7amento de R$ 670 bilh\u00f5es. O valor constava de uma s\u00e9rie de propostas encaminhadas ao Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) \u00e0 qual subscreviam ainda o Sindicato e Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas do Estado do Paran\u00e1 (Ocepar), a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paran\u00e1 (Fetaep).<\/p>\n<p>\u201cDe nada adianta divulgar um Plano Safra com valor recorde se n\u00e3o h\u00e1 mecanismos para que isso se transforme em investimentos no campo\u201d, diz o presidente do Sistema Faep, \u00c1gide Eduardo Meneguette. \u201cN\u00e3o passa de pura ilus\u00e3o, de um n\u00famero no papel. Precisamos de juros, condi\u00e7\u00f5es, linhas e ferramentas de acordo com a realidade dos nossos produtores rurais, para que a agropecu\u00e1ria continue crescendo e colaborando para a economia do pa\u00eds\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>No plano anunciado, nas linhas de custeio, os juros para grandes produtores s\u00e3o 12,5% ao ano. Para os m\u00e9dios produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao M\u00e9dio Produtor Rural (Pronamp), a taxa ficou em 9% ao ano. O Sistema Faep havia defendido juros m\u00e1ximos de 10,5% nas linhas de cr\u00e9dito e de 7% para o Pronamp.<\/p>\n<p>Em abril, a presidente executiva do Sistema OCB (Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas do Brasil) e presidente do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella, apresentou ao ministro da Agricultura, Andr\u00e9 de Paula, uma proposta de R$ 674 bilh\u00f5es para o Plano Safra 2026\/2027, constru\u00edda a partir de contribui\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7as e cooperativas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Recursos para custeio e comercializa\u00e7\u00e3o e equaliza\u00e7\u00e3o de juros foram reduzidos<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do valor ter sido menor do que esperado, houve queda nos recursos destinados a custeio e comercializa\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de 14,7% no volume equalizado e inclus\u00e3o de valores de outros programas, metodologia que n\u00e3o havia sido utilizada em an\u00fancios anteriores, ressalta a Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que o acesso ao cr\u00e9dito rural fica mais limitado, com uma sinaliza\u00e7\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica agr\u00edcola baseada em juros subvencionados por linhas com custo financeiro mais elevado, segundo a bancada parlamentar.<\/p>\n<p>Dos R$ 525,1 bilh\u00f5es anunciados para o Plano Safra empresarial, apenas R$ 97 bilh\u00f5es referem-se aos chamados recursos equalizados, ou seja, contam com participa\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional para reduzir os juros ao produtor. Na safra passada, o montante foi de R$ 113,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os recursos destinados \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de custeio e comercializa\u00e7\u00e3o, que foram de R$ 414,7 bilh\u00f5es no Plano Safra 2025\/2026, ca\u00edram para R$ 384,9 bilh\u00f5es na atual edi\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, um recuo de 7,18%.<\/p>\n<p>\u201cA queda pode afetar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos j\u00e1 nesta temporada, uma vez que os recursos de custeio funcionam como capital de giro para que os produtores possam plantar, comprar insumos e manter a atividade no campo\u201d, informa a FPA.<\/p>\n<h2>Governo incluiu no valor &#8220;recorde&#8221; do Plano Safra recursos de fontes que antes n\u00e3o eram consideradas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo ampliou o volume de investimentos anunciados ao incluir recursos de outras fontes que n\u00e3o eram consideradas nos c\u00e1lculos anteriores do Plano Safra.<\/p>\n<p>Dos R$ 140,2 bilh\u00f5es anunciados para investimento, R$ 10 bilh\u00f5es vieram do Move Agricultura, linha do Move Brasil, e R$ 28,5 bilh\u00f5es foram incorporados do Ecoinvest Brasil, mecanismo estruturado no ano passado para a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens.<\/p>\n<p>Sem esses valores, o volume real do Plano Safra empresarial cairia para R$ 486,6 bilh\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o de 5,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo anterior, o que descaracterizaria o an\u00fancio como um Plano Safra recorde.<\/p>\n<h2>Aumento no valor destinado ao Plano Safra 2026\/2027 foi menor do que a infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Apesar da alta nominal R$ 9 bilh\u00f5es, ou 1,7%, no Plano Safra 2026\/2027 em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo anterior, em termos reais, houve redu\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento do programa, acrescenta o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Lucas Costa Beber.<\/p>\n<p>\u201cConsiderando a infla\u00e7\u00e3o acumulada recente de cerca de 4,4%, o plano representa, em termos reais, uma contra\u00e7\u00e3o de aproximadamente R$ 13,6 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao necess\u00e1rio para manter o poder de compra do cr\u00e9dito da safra anterior\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ainda segundo ele, o cen\u00e1rio vem se repetindo nos anos recentes. \u201cNos \u00faltimos tr\u00eas ciclos, observamos crescimento nominal dos volumes anunciados, mas uma mudan\u00e7a estrutural preocupante: retra\u00e7\u00e3o relativa das linhas tradicionais equaliz\u00e1veis e controladas (mais acess\u00edveis e alinhadas \u00e0 pol\u00edtica agr\u00edcola) e expans\u00e3o acelerada da CPR [C\u00e9dulas de Produto Rural] e de recursos livres de mercado.\u201d<\/p>\n<p>Cerca de R$ 194 bilh\u00f5es do Plano Safra empresarial correspondem da recursos de CPRs. A inclus\u00e3o dessas opera\u00e7\u00f5es passou a ser feita no an\u00fancio do ano passado e, segundo o governo, se justifica porque a principal fonte desses recursos s\u00e3o as Letras de Cr\u00e9dito do Agroneg\u00f3cio (LCAs).<\/p>\n<p>Esses instrumentos de capta\u00e7\u00e3o s\u00e3o considerados no c\u00e1lculo por terem isen\u00e7\u00e3o fiscal, j\u00e1 que os investidores n\u00e3o pagam Imposto de Renda sobre os rendimentos. O pr\u00f3prio Executivo, no entanto, chegou a editar medida provis\u00f3ria (1.303\/2025) no ano passado para acabar com a isen\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de criar uma taxa de 7,5% sobre t\u00edtulos como LCAs e Certificado de Direitos Credit\u00f3rios do Agroneg\u00f3cio (CDCAs).<\/p>\n<p>A medida acabou perdendo validade em outubro de 2025 por n\u00e3o ter sido votada pelo Congresso.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (30) pelo governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), a edi\u00e7\u00e3o 2026\/2027 do Plano Safra pode&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":523915,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-525567","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/525567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=525567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/525567\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/523915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=525567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=525567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=525567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}