{"id":523228,"date":"2026-06-29T16:14:02","date_gmt":"2026-06-29T20:14:02","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=523228"},"modified":"2026-06-29T16:14:02","modified_gmt":"2026-06-29T20:14:02","slug":"doze-anos-depois-estadios-construidos-para-a-copa-de-2014-ainda-geram-prejuizo-milionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=523228","title":{"rendered":"Doze anos depois, est\u00e1dios constru\u00eddos para a Copa de 2014 ainda geram preju\u00edzo milion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Enquanto acompanham a Copa do Mundo de 2026, contribuintes de diversos estados brasileiros ainda pagam pela constru\u00e7\u00e3o e reforma dos est\u00e1dios usados no Mundial de 2014. Em alguns casos, <strong>as arenas ainda geram gastos p\u00fablicos milion\u00e1rios para manuten\u00e7\u00e3o todos os meses<\/strong>, sem retorno do valor investido.<\/p>\n<p>Doze anos depois da Copa, oito das 12 sedes da edi\u00e7\u00e3o realizada no Brasil seguem com d\u00edvidas que somam R$ 232 milh\u00f5es junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), drenando recursos das contas estaduais para o pagamento dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Em estados como Amazonas, Cear\u00e1, Mato Grosso e Pernambuco, as arenas, geridas pelos governos locais, ainda d\u00e3o preju\u00edzo operacional e consumem verbas p\u00fablicas que poderiam ser destinadas a investimentos em outras \u00e1reas, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de est\u00e1dios que adotaram o modelo de parceria p\u00fablico-privada (PPP) \u2013 como a Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte, o Mineir\u00e3o, em Minas Gerais, e o Fonte Nova, na Bahia \u2013, o custo para o pagador de impostos vem na forma de contrapresta\u00e7\u00f5es mensais na casa dos milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Dos 12 est\u00e1dios que sediaram jogos da Copa do Mundo de 2014, 11 tiveram projetos financiados com recursos do BNDES por meio do programa ProCopa. Desses, apenas tr\u00eas foram quitados: da Arena das Dunas, em Natal; do Mineir\u00e3o, em Belo Horizonte; e do Itaquer\u00e3o (atual Neo Qu\u00edmica Arena), em S\u00e3o Paulo. A d\u00edvida do est\u00e1dio paulista, no entanto, foi apenas repassada para a Caixa.<\/p>\n<p>Procurado pela reportagem, o BNDES n\u00e3o divulgou as informa\u00e7\u00f5es individualizadas de cada projeto em raz\u00e3o de estarem protegidas por sigilo banc\u00e1rio. A institui\u00e7\u00e3o informou, no entanto, que as oito opera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ativas seguem sem inadimplemento financeiro no momento. Os prazos de quita\u00e7\u00e3o v\u00e3o at\u00e9 novembro de 2028.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise detalhada das opera\u00e7\u00f5es financeiras, dos balan\u00e7os corporativos e dos repasses governamentais mostra que <strong>os est\u00e1dios da Copa de 2014 continuam a absorver quantias substanciais de recursos p\u00fablicos<\/strong>. Veja a seguir a situa\u00e7\u00e3o de cada um dos est\u00e1dios:<\/p>\n<h2>Arenas sob gest\u00e3o estatal direta viraram \u201celefantes brancos\u201d<\/h2>\n<p>Os est\u00e1dios localizados em regi\u00f5es que n\u00e3o contam com clubes que disputam as divis\u00f5es de elite do futebol brasileiro tornaram-se invi\u00e1veis para concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada, deixando para os governos estaduais os custos de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Arena da Amaz\u00f4nia custa R$ 15 milh\u00f5es por ano<\/h3>\n<p>Erguida com um custo final de R$ 757,5 milh\u00f5es, valor que superou em mais de 51% o or\u00e7amento inicial de R$ 499,5 milh\u00f5es, a Arena da Amaz\u00f4nia, em Manaus, tornou-se um s\u00edmbolo do descompasso entre o planejamento de infraestrutura esportiva e a realidade econ\u00f4mica regional.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o contou com aditivos e reajustes contratuais com a construtora Andrade Gutierrez, al\u00e9m de consultorias milion\u00e1rias. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) e o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) j\u00e1 alertavam desde 2010 sobre a inconsist\u00eancia das planilhas or\u00e7ament\u00e1rias do projeto.<\/p>\n<p>Atualmente administrada diretamente pelo governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel), a arena tem um custo anual de manuten\u00e7\u00e3o que chega \u00e0 casa dos R$ 15 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o para gerar receitas esbarra na baixa capacidade de atra\u00e7\u00e3o de p\u00fablico do futebol local. Para se ter uma ideia, neste ano, em cinco partidas pela S\u00e9rie D do Campeonato Brasileiro, o Manaus FC acumulou d\u00e9ficit operacional de mais de R$ 64 mil atuando como mandante no est\u00e1dio.<\/p>\n<p>O governo do estado recolhe uma taxa de 8% sobre a renda bruta dos eventos realizados no local. Essas receitas ordin\u00e1rias, no entanto, s\u00e3o insuficientes para cobrir sequer uma fra\u00e7\u00e3o das despesas operacionais do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>A Sedel segue investindo recursos p\u00fablicos consider\u00e1veis em revitaliza\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, como a manuten\u00e7\u00e3o do sistema de refrigera\u00e7\u00e3o, que consome contratos na ordem de R$ 1,2 milh\u00e3o por ano com a iniciativa privada.<\/p>\n<h3>Aditivos \u00e0 Arena Pantanal elevaram custo de constru\u00e7\u00e3o em R$ 116 milh\u00f5es<\/h3>\n<p>A trajet\u00f3ria da Arena Pantanal, em Cuiab\u00e1, \u00e9 um pouco melhor em raz\u00e3o da ascens\u00e3o do Cuiab\u00e1 para a S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro, em 2021, o que atenuou a ociosidade do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>Inicialmente or\u00e7ada em R$ 454,2 milh\u00f5es, a obra consumiu cerca de R$ 570 milh\u00f5es ap\u00f3s sucessivos aditivos e questionamentos do TCU referentes a sobrepre\u00e7os.<\/p>\n<p>Sob a gest\u00e3o da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o est\u00e1dio tem custo de manuten\u00e7\u00e3o anual estimado em R$ 4 milh\u00f5es, sendo a energia el\u00e9trica uma das principais despesas.<\/p>\n<p>A tentativa de diversifica\u00e7\u00e3o de receitas tem mostrado resultados positivos, embora ainda marginais diante do capital imobilizado pelo governo. Em outubro passado, o uso da Arena Pantanal para receber um show do Guns N&#8217; Roses injetou aproximadamente R$ 1 milh\u00e3o apenas em Imposto Sobre Servi\u00e7os (ISS) aos cofres do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Ainda assim, as tentativas passadas, de conceder a arena \u00e0 iniciativa privada, esbarraram na falta de atratividade econ\u00f4mica de longo prazo, for\u00e7ando o estado a manter a tutela do est\u00e1dio e a arcar com os riscos inerentes \u00e0 sua deprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/26084822\/copa-de-2014-estadios.jpg.webp\" \/><i>Est\u00e1dio Arena Pantanal, em Cuiab\u00e1, nos meses finais de constru\u00e7\u00e3o, em 2014 (Foto: Foto: Edson Rodrigues\/ Secopa-MT)<\/i><\/p>\n<h3>Arena de Pernambuco j\u00e1 gerou preju\u00edzo de mais de R$ 40 milh\u00f5es<\/h3>\n<p>Localizada em S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata, na regi\u00e3o metropolitana do Recife, a Arena de Pernambuco \u00e9 um dos principais exemplos do fracasso do modelo de concess\u00f5es planejado para os est\u00e1dios da Copa de 2014.<\/p>\n<p>O equipamento foi concedido ainda em 2010 por meio de um PPP para a construtora Odebrecht, prevendo investimentos de R$ 479 milh\u00f5es ao longo de 33 anos. Estudos da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), no entanto, apontaram frustra\u00e7\u00e3o de receitas, gerando altos custos mensais de contrapresta\u00e7\u00e3o aos cofres estaduais.<\/p>\n<p>Os principais clubes do estado (Sport, N\u00e1utico e Santa Cruz) se recusaram a transferir seus mandos de campo de forma definitiva para o local, o que teria inviabilizado o plano de neg\u00f3cios da concession\u00e1ria. Para piorar, em 2015, a Odebrecht foi alvo da Opera\u00e7\u00e3o Fair Play, da Pol\u00edcia Federal, por suspeitas de fraude e direcionamento na licita\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n<p>Em 2016, o governo do estado rompeu o contrato de gest\u00e3o com a empresa. Como consequ\u00eancia, o estado de Pernambuco assumiu o compromisso de pagar parcelas anuais na ordem de R$ 19 milh\u00f5es \u00e0 empreiteira ao longo de dez anos. Somado a isso, o custo de manuten\u00e7\u00e3o direta do equipamento, hoje conduzido pela Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), consome aproximadamente R$ 10 milh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>Do momento em que o estado reassumiu a gest\u00e3o (junho de 2017) at\u00e9 maio deste ano, o preju\u00edzo foi de R$ 42,7 milh\u00f5es. Apenas entre janeiro e maio deste ano, a Arena de Pernambuco acumulou d\u00e9ficit direto de R$ 1,6 milh\u00e3o.<\/p>\n<h3>Governo do Cear\u00e1 gasta R$ 10 milh\u00f5es por ano com Arena Castel\u00e3o<\/h3>\n<p>Assim como a Arena de Pernambuco, o Castel\u00e3o, em Fortaleza, tamb\u00e9m come\u00e7ou como uma PPP, operada pelo cons\u00f3rcio LuArenas. O modelo, da mesma forma, fracassou, e o contrato foi rompido em dezembro de 2018 sob a alega\u00e7\u00e3o, por parte da concession\u00e1ria, de dificuldades financeiras para manter o padr\u00e3o exigido.<\/p>\n<p>Diferentemente das arenas Amaz\u00f4nia e Pantanal, o Castel\u00e3o n\u00e3o sofre com ociosidade, mas, pelo contr\u00e1rio, com o desgaste provocado por seu uso intensivo. Atualmente sob administra\u00e7\u00e3o direta da Secretaria do Esporte do Cear\u00e1 (Sesporte), nos \u00faltimos anos o est\u00e1dio tem recebido jogos toda semana, considerando os calend\u00e1rios de Fortaleza e Cear\u00e1 em competi\u00e7\u00f5es estaduais, regionais, nacionais e continentais.<\/p>\n<p>Com base no hist\u00f3rico do or\u00e7amento p\u00fablico estadual destinado \u00e0 arena, o custo fixo de opera\u00e7\u00e3o e zeladoria do Castel\u00e3o consome, em m\u00e9dia, entre R$ 10 milh\u00f5es e R$ 15 milh\u00f5es por ano. O montante cobre custos de energia el\u00e9trica e \u00e1gua, limpeza e seguran\u00e7a, al\u00e9m de manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de catracas, tel\u00f5es e gramado.<\/p>\n<h2>Est\u00e1dios com PPPs geram lucro \u00e0s concession\u00e1rias e despesa aos estados<\/h2>\n<p>O modelo de PPPs, concebido originalmente para transferir a efici\u00eancia do setor privado para a gest\u00e3o de ativos p\u00fablicos, produziu distor\u00e7\u00f5es no caso dos est\u00e1dios da Copa de 2014.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios estados, os contratos garantiram rentabilidade m\u00ednima \u00e0s concession\u00e1rias por meio de pagamentos mensais feitos pelos governos estaduais, aumentando a press\u00e3o sobre as contas p\u00fablicas. Quando a opera\u00e7\u00e3o d\u00e1 preju\u00edzo, o estado atua, na pr\u00e1tica, como fiador do neg\u00f3cio.<\/p>\n<h3>Man\u00e9 Garrincha: escalada dos custos e patroc\u00ednio estatal cruzado<\/h3>\n<p>O Est\u00e1dio Nacional Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia, ostenta o t\u00edtulo de arena mais cara do Mundial. Com or\u00e7amento inicial de R$ 696 milh\u00f5es, a obra foi conclu\u00edda com custos pr\u00f3ximos a R$ 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A escalada foi impulsionada por aditivos contratuais, corre\u00e7\u00f5es inflacion\u00e1rias sist\u00eamicas acima da m\u00e9dia e irregularidades, conforme apontaram o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Contas.<\/p>\n<p>Foi o \u00fanico est\u00e1dio da Copa de 2014 que n\u00e3o utilizou financiamento do BNDES \u2013 a obra foi integralmente bancada pela estatal Terracap.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o torneio, o complexo enfrentou anos de ociosidade e custava quase R$ 10 milh\u00f5es em manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com receitas inexpressivas. O governo do Distrito Federal (GDF) tentou minimizar o rombo transferindo secretarias de estado para dentro da arena, o que apenas elevou as despesas com \u00e1gua, eletricidade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2020, buscando estancar a sangria direta, o GDF concedeu o complexo esportivo \u00e0 iniciativa privada por 35 anos, transferindo a gest\u00e3o para o cons\u00f3rcio Arena BSB. A estrat\u00e9gia utilizada para sustentar a opera\u00e7\u00e3o, no entanto, ainda manteve custos para o contribuinte.<\/p>\n<p>Para dar viabilidade \u00e0 concession\u00e1ria, o Banco de Bras\u00edlia (BRB), institui\u00e7\u00e3o financeira estatal controlada pelo GDF, adquiriu os <em>naming rights<\/em> do est\u00e1dio, que oficialmente passou a se chamar Arena BRB.<\/p>\n<p>O banco pagou R$ 7,5 milh\u00f5es por um contrato de tr\u00eas anos \u2013 R$ 2,5 milh\u00f5es por ano, o equivalente \u00e0 metade do que o GDF tinha o direito de receber pela outorga da concess\u00e3o.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, o contrato foi cancelado em meio \u00e0 crise no banco resultante da compra de bilh\u00f5es em ativos do Banco Master.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/26085035\/copa-2014-estadio-mane-garrincha.jpg.webp\" \/><i>O Est\u00e1dio Nacional Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia, que ostenta o t\u00edtulo de arena mais cara do Mundial de 2014 (Foto: Marcello Casal Jr. (Ag\u00eancia Brasil))<\/i><\/p>\n<h3>Arena das Dunas: preju\u00edzo de R$ 400 milh\u00f5es ao governo do RN<\/h3>\n<p>Erguida no lugar do antigo est\u00e1dio Machad\u00e3o, a Arena das Dunas, em Natal, teve custo anunciado de R$ 400 milh\u00f5es e foi concedida \u00e0 construtora OAS por 20 anos. Com a recupera\u00e7\u00e3o judicial da empreiteira nos anos seguintes, em raz\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a gest\u00e3o do ativo se tornou inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>As demonstra\u00e7\u00f5es financeiras da concession\u00e1ria atual referentes ao semestre encerrado em 30 de junho de 2025 mostram preju\u00edzos acumulados da ordem de R$ 112,5 milh\u00f5es, um agravamento em rela\u00e7\u00e3o aos R$ 86,5 milh\u00f5es contabilizados ao fim de 2024.<\/p>\n<p>O preju\u00edzo recai sobre os cofres p\u00fablicos do estado do Rio Grande do Norte, por meio de contrapartidas previstas no contrato de concess\u00e3o. No ano passado, uma auditoria da Controladoria Geral do Estado (Control) estimou que o impacto ao er\u00e1rio estadual poderia atingir at\u00e9 R$ 421 milh\u00f5es ao final da vig\u00eancia do contrato, em 2031.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a auditoria constatou discrep\u00e2ncias nos repasses de participa\u00e7\u00e3o nos lucros. A concession\u00e1ria estaria baseando-se no lucro bruto em vez de na receita l\u00edquida, reduzindo drasticamente os dividendos devidos ao Estado para um patamar de mero R$ 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Para evitar o preju\u00edzo estatal, a Assembleia Legislativa aprovou uma renegocia\u00e7\u00e3o do contrato com a concession\u00e1ria. A repactua\u00e7\u00e3o estendeu o prazo de um dos contratos para equalizar a conta. Com isso, o valor repassado mensalmente foi reduzido em mais de 50%, caindo de R$ 11 milh\u00f5es para R$ 4,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<h3>Mineir\u00e3o e Fonte Nova exigem contrapresta\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias dos governos de MG e BA<\/h3>\n<p>O modelo de PPP tamb\u00e9m \u00e9 adotado no Mineir\u00e3o, em Belo Horizonte, e na Arena Fonte Nova, em Salvador, com os estados assumindo o papel de fiadores da liquidez dos cons\u00f3rcios privados.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, o contrato estipulou que o governo arcaria com uma contrapresta\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel mensal ao cons\u00f3rcio Minas Arena, com teto original de R$ 3,7 milh\u00f5es, garantindo a rentabilidade da opera\u00e7\u00e3o ao longo de 25 anos ap\u00f3s a entrega das obras.<\/p>\n<p>Operacionalmente, o est\u00e1dio gerou atritos com os clubes de Minas Gerais. O Atl\u00e9tico Mineiro registrou preju\u00edzos superiores a R$ 392 mil com bilheterias de tr\u00eas jogos na arena no in\u00edcio de 2025, em raz\u00e3o da taxa cobrada pela concession\u00e1ria sobre a renda bruta.<\/p>\n<p>O Cruzeiro tamb\u00e9m enfrentou discord\u00e2ncias contratuais em rela\u00e7\u00e3o a taxas, receitas de bares e estacionamento. Embora a arrecada\u00e7\u00e3o bruta gerada dentro e fora do est\u00e1dio seja estimada em centenas de milh\u00f5es de reais, a divis\u00e3o dessas receitas gera tens\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Bahia, a Fonte Nova Neg\u00f3cios e Participa\u00e7\u00f5es S.A. reportou preju\u00edzo l\u00edquido de R$ 15,8 milh\u00f5es em 2025, 42% acima do apurado em 2024.<\/p>\n<p>O contrato de concess\u00e3o vale at\u00e9 mar\u00e7o de 2028 e envolve o recebimento de contrapresta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Um aditivo contratual em 2021 promoveu um reequil\u00edbrio financeiro da concess\u00e3o, reduzindo o valor anual pago pelo Estado (de R$ 180,9 milh\u00f5es para R$ 102,3 milh\u00f5es).<\/p>\n<h2>Clubes que assumiram gest\u00e3o aliviaram gasto p\u00fablico, mas h\u00e1 problemas<\/h2>\n<p>Por outro lado, os est\u00e1dios da Copa de 2014 que s\u00e3o propriedade de clubes tornaram-se ativos lucrativos. \u00c9 o caso dos est\u00e1dios que sediaram jogos do Mundial em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul. A constru\u00e7\u00e3o ou moderniza\u00e7\u00e3o dos equipamentos, no entanto, tamb\u00e9m contou com recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<h3>Disputa judicial em torno de custos da Arena da Baixada durou uma d\u00e9cada<\/h3>\n<p>Em Curitiba, o Athletico det\u00e9m a propriedade e a gest\u00e3o plena da Arena da Baixada. Mas a maior parte dos custos da adequa\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio reca\u00edram sobre o governo estadual e sobre a prefeitura municipal, ap\u00f3s uma disputa na Justi\u00e7a que s\u00f3 foi resolvida em 2023.<\/p>\n<p>A obra de moderniza\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio teve o custo dividido em partes iguais (33,3%) entre o clube, o governo do Paran\u00e1 e a prefeitura de Curitiba, conforme previsto em um acordo tripartite assinado em 2010. Para bancar sua parte, a administra\u00e7\u00e3o estadual tomou cr\u00e9dito da linha ProCopa Arenas, do BNDES, por meio de seu banco estatal, a Fomento Paran\u00e1.<\/p>\n<p>O or\u00e7amento original do projeto era de R$ 184,6 milh\u00f5es, mas, durante a execu\u00e7\u00e3o, o projeto sofreu diversas altera\u00e7\u00f5es, e o custo final do est\u00e1dio disparou, fechando em R$ 346,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Baseados no contrato original, estado e prefeitura alegavam que s\u00f3 tinham a obriga\u00e7\u00e3o de pagar um ter\u00e7o do valor originalmente or\u00e7ado (R$ 184,6 milh\u00f5es). O Athletico ent\u00e3o foi \u00e0 Justi\u00e7a argumentando que o acordo tripartite previa a divis\u00e3o do custo final da obra, e n\u00e3o da estimativa inicial.<\/p>\n<p>Enquanto o caso se arrastava nos tribunais, o clube suspendeu o pagamento das parcelas do financiamento, e os juros come\u00e7aram a transformar a d\u00edvida em uma bola de neve. A d\u00edvida do clube com a Fomento Paran\u00e1 ultrapassou os R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A disputa s\u00f3 se encerrou em 2023, quando o Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJ-PR) e o TCE-PR homologaram um acordo no qual ficou decidido que o custo da obra a ser considerado seria, de fato, os R$ 346,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A prefeitura de Curitiba pagou sua parte emitindo t\u00edtulos de potencial construtivo para o clube. A cota devida pelo Athletico \u00e0 Fomento Paran\u00e1, considerando corre\u00e7\u00f5es, ficou em aproximadamente R$ 190 milh\u00f5es, dos quais R$ 50 milh\u00f5es foram pagos \u00e0 vista, enquanto o restante foi dividido em parcelas anuais a serem pagas ao longo de 15 anos.<\/p>\n<p>Ou seja, a previs\u00e3o \u00e9 que o clube liquide a d\u00edvida com o Estado apenas em 2038.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/26085445\/estadio-arena-baixada-copa-2014.jpg.webp\" \/><i>Arena da Baixada, em Curitiba, pertence ao Athletico, mas foi bancada parcialmente com recursos do estado do Paran\u00e1 e da Prefeitura de Curitiba (Foto: Geraldo Bubniak\/AEN)<\/i><\/p>\n<h3>Beira-Rio e Maracan\u00e3 ainda est\u00e3o financiados, mas d\u00e3o lucro<\/h3>\n<p>O Beira-Rio, em Porto Alegre, \u00e9 administrado por uma Sociedade de Prop\u00f3sito Espec\u00edfico (SPE) formada pelo Internacional e que tem como acionistas a Andrade Gutierrez e o BTG Pactual. Em maio de 2004, as enchentes que atingiram o estado deixaram o campo do est\u00e1dio completamente embaixo d\u2019\u00e1gua, destruindo o gramado, vesti\u00e1rios, sistema el\u00e9trico e equipamentos eletr\u00f4nicos \u2013 os cerca de R$ 35 milh\u00f5es de preju\u00edzo foram bancados pelo clube.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o Maracan\u00e3 est\u00e1 concedido, desde licita\u00e7\u00e3o em 2024, \u00e0 SPE Fla-Flu Servi\u00e7os S.A., formada por Flamengo (65% das cotas) e Fluminense (35%). O compromisso estabelece investimentos conjuntos na infraestrutura na ordem de R$ 393 milh\u00f5es e o pagamento de uma outorga fixa anual de R$ 20 milh\u00f5es repassada diretamente ao governo do estado do Rio de Janeiro. Com a grande movimenta\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, a opera\u00e7\u00e3o tem sido lucrativa.<\/p>\n<h3>Neo Qu\u00edmica Arena deve R$ 700 milh\u00f5es para a Caixa<\/h3>\n<p>O est\u00e1dio do Corinthians, em S\u00e3o Paulo, embora seja custeado pelo clube, mant\u00e9m uma d\u00edvida milion\u00e1ria com a Caixa, que assumiu o financiamento originalmente concedido pelo BNDES. Pelo contrato, todas as receitas do est\u00e1dio, incluindo bilheteria e explora\u00e7\u00e3o comercial de camarotes, deveriam ser direcionadas a um fundo imobili\u00e1rio (Arena FII, administrado por Caixa e Novonor\/Odebrecht) para quitar o d\u00e9bito da obra de 2014.<\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada, o tamanho da d\u00edvida cresceu exponencialmente devido a atrasos e aos encargos financeiros, fixados inicialmente a uma taxa de juros de 8,5% ao ano. Relat\u00f3rios mais recentes do clube apontam que a d\u00edvida do financiamento exclusivo com a Caixa gira em torno de R$ 650 milh\u00f5es a R$ 700 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto acompanham a Copa do Mundo de 2026, contribuintes de diversos estados brasileiros ainda pagam pela constru\u00e7\u00e3o e reforma dos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":522445,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-523228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/523228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=523228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/523228\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/522445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=523228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=523228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=523228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}