{"id":520852,"date":"2026-06-28T17:00:00","date_gmt":"2026-06-28T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=520852"},"modified":"2026-06-28T17:00:00","modified_gmt":"2026-06-28T21:00:00","slug":"o-brasil-ficou-ainda-menos-competitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=520852","title":{"rendered":"O Brasil ficou ainda menos competitivo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O IMD World Competitiveness Center,\u00a0em parceria com a\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, publicou recentemente seu Ranking Mundial de Competitividade 2026, e as not\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o nada boas para o Brasil, que caiu sete posi\u00e7\u00f5es na lista de 70 na\u00e7\u00f5es analisadas. Agora, o pa\u00eds ocupa o 65.\u00ba lugar, \u00e0 frente apenas de M\u00e9xico, Botsuana, Mong\u00f3lia, Nig\u00e9ria, Nam\u00edbia e Venezuela. Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a pior dos \u00faltimos anos, e tem como causas realidades nacionais que impedem o aumento da produtividade, o crescimento econ\u00f4mico, o aumento da renda por habitante, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e a melhoria geral do padr\u00e3o de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201ccompetitividade\u201d refere-se \u00e0 capacidade do pa\u00eds de competir no mercado internacional e depende da efici\u00eancia das empresas estabelecidas no territ\u00f3rio nacional, do tamanho e qualidade da infraestrutura f\u00edsica e de outros fatores internos que interferem na decis\u00e3o de investimentos, custos de produ\u00e7\u00e3o do setor produtivo e condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 competi\u00e7\u00e3o no mercado mundial. A competitividade nacional \u00e9 a somat\u00f3ria da capacidade competitiva de cada setor produtivo e de cada empresa, compondo o conjunto das unidades produtivas. Cada empresa individualmente tem a realidade interna de seu parque produtivo, estrutura de capital, n\u00edvel de endividamento, efici\u00eancia industrial, qualidade da gest\u00e3o, qualidade do produto, credibilidade no mercado, efici\u00eancia na comercializa\u00e7\u00e3o, log\u00edstica adequada e capacidade de lucrar e crescer.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para atuar no mercado internacional com sucesso, o conceito n\u00e3o depende apenas de saber se a empresa \u00e9 competitiva (ou n\u00e3o) da porta da f\u00e1brica para dentro, mas se o pa\u00eds \u00e9 competitivo da porta das f\u00e1bricas para fora: a posi\u00e7\u00e3o no ranking de competitividade global depende de que o pa\u00eds tenha as bases requeridas para competir com vantagem no mercado internacional. Assim, a medi\u00e7\u00e3o da competitividade do pa\u00eds como um todo exige conhecer o chamado \u201ccusto Brasil\u201d, pois, ao participar do mercado internacional, a concorr\u00eancia se d\u00e1 no \u00e2mbito dos fatores internos da empresa e dos fatores nacionais que interferem no custo de produ\u00e7\u00e3o, na qualidade dos produtos e na efici\u00eancia empresarial.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O Brasil est\u00e1 muito mal no conjunto de condi\u00e7\u00f5es institucionais, econ\u00f4micas e estruturais que influenciam a\u00a0produtividade e a efici\u00eancia do setor produtivo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em geral, quando se fala em \u201ccusto Brasil\u201d, logo vem \u00e0 tona a situa\u00e7\u00e3o da infraestrutura nacional (rodovias, ferrovias, energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, armazenagem, portos, aeroportos), comparada com os pa\u00edses concorrentes. Mas isso \u00e9 apenas parte do problema. O \u201ccusto Brasil\u201d integral deve considerar adicionalmente a carga tribut\u00e1ria, a taxa de juros, a taxa de c\u00e2mbio, o custo de obedi\u00eancia (custo burocr\u00e1tico e jur\u00eddico de obedecer \u00e0s leis e os regulamentos), o custo judicial (qualidade das leis e efici\u00eancia da Justi\u00e7a), custo pol\u00edtico (estabilidade do regime pol\u00edtico, das leis e das regras do jogo) e n\u00edvel de confian\u00e7a na rapidez e efic\u00e1cia do sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando uma empresa nacional entra em competi\u00e7\u00e3o com empresas de outros pa\u00edses para vendas no mercado internacional, todos os elementos do \u201ccusto Brasil\u201d interferem no c\u00e1lculo da capacidade do pa\u00eds de competir. O relat\u00f3rio que demonstra a baixa capacidade competitiva do Brasil e a queda de sete posi\u00e7\u00f5es, colocando o pa\u00eds nos \u00faltimos lugares entre 70 na\u00e7\u00f5es analisadas, revela que o Brasil est\u00e1 muito mal no conjunto de condi\u00e7\u00f5es institucionais, econ\u00f4micas e estruturais que influenciam a\u00a0produtividade e a efici\u00eancia do setor produtivo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio considera quatro fatores gerais: performance econ\u00f4mica, efici\u00eancia governamental, efici\u00eancia empresarial e infraestrutura, e o Brasil piorou sua posi\u00e7\u00e3o em todos os indicadores. O destaque negativo mais grave fica por conta da \u201cefici\u00eancia de neg\u00f3cios\u201d, com queda de 11 posi\u00e7\u00f5es, e da \u201cperformance econ\u00f4mica\u201d, com queda de seis posi\u00e7\u00f5es no levantamento.\u00a0O relat\u00f3rio considera ainda o custo de capital, endividamento corporativo, educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria, for\u00e7a de trabalho produtivo, habilidades lingu\u00edsticas e habilidades financeiras, vari\u00e1veis nas quais o Brasil se apresenta no fim da fila dos 70 pa\u00edses.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito desse tema, segundo relat\u00f3rio do Departamento Agr\u00edcola dos Estados Unidos (USDA), o crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira at\u00e9 2034 vai depender essencialmente da infraestrutura log\u00edstica, mais que da expans\u00e3o da \u00e1rea plantada. Como o agroneg\u00f3cio como um todo representa participa\u00e7\u00e3o expressiva do Brasil no mercado global, as constata\u00e7\u00f5es desse relat\u00f3rio s\u00e3o importantes para a compreens\u00e3o da baixa capacidade competitiva brasileira e para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas destinadas a fazer o pa\u00eds avan\u00e7ar nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns aspectos apontados pelo relat\u00f3rio merecem destaque: gargalos em transporte, armazenagem e escoamento podem representar at\u00e9 cerca de 30% dos custos do setor, enquanto mais de 60% da malha rodovi\u00e1ria apresenta algum tipo de defici\u00eancia operacional. A capacidade de armazenagem cobre entre 60% e 70% da produ\u00e7\u00e3o nacional, com d\u00e9ficit estimado em 134 milh\u00f5es de toneladas, lacuna que demandaria cerca de R$ 140 bilh\u00f5es em investimentos para ser reduzida. Mais de 95% da movimenta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os depende do transporte rodovi\u00e1rio, fator que eleva os custos em per\u00edodos de safra e sobrecarrega a infraestrutura de escoamento. Ferrovias e hidrovias s\u00e3o apontadas como alternativas para redu\u00e7\u00e3o de custos, mas ainda enfrentam entraves regulat\u00f3rios, ambientais e de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da USDA, a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira ocorreu em ritmo superior ao da infraestrutura log\u00edstica, e isso limita a competitividade do pa\u00eds nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas nesse setor. Esses exemplos descortinam apenas uma parte do problema, e a p\u00e9ssima posi\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking de competitividade \u00e9 a consequ\u00eancia natural do atraso do pa\u00eds nos fatores citados. O atraso brasileiro fica mais vis\u00edvel e se apresenta mais grave quando comparado com os pa\u00edses que ocupam as dez primeiras posi\u00e7\u00f5es na lista do IMD World Competitiveness Center e da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral: na ordem, Cingapura, Hong Kong,\u00a0Su\u00ed\u00e7a, Taiwan, Emirados \u00c1rabes Unidos,\u00a0Dinamarca, Irlanda, Pa\u00edses Baixos, Su\u00e9cia e Estados Unidos. Governo e lideran\u00e7as empresariais deveriam estudar o que esses pa\u00edses fizeram e o Brasil n\u00e3o fez. O diagn\u00f3stico do atraso brasileiro n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil; a dificuldade tem sido na capacidade de solucionar as defici\u00eancias e os gargalos.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O IMD World Competitiveness Center,\u00a0em parceria com a\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, publicou recentemente seu Ranking Mundial de Competitividade 2026, e as&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":520853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-520852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/520852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=520852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/520852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/520853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=520852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=520852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=520852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}