{"id":51880,"date":"2025-12-21T20:42:18","date_gmt":"2025-12-22T00:42:18","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=51880"},"modified":"2025-12-21T20:42:18","modified_gmt":"2025-12-22T00:42:18","slug":"lula-deve-encerrar-mandato-com-maior-rombo-das-contas-publicas-desde-o-plano-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=51880","title":{"rendered":"Lula deve encerrar mandato com maior rombo das contas p\u00fablicas desde o Plano Real"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Brasil atravessa um momento de deteriora\u00e7\u00e3o fiscal, marcado por d\u00e9ficit permanente, resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de descontrole nos gastos e elevado endividamento. An\u00e1lises econ\u00f4micas indicam que a atual administra\u00e7\u00e3o federal caminha para registrar o maior rombo nas contas p\u00fablicas desde a estabiliza\u00e7\u00e3o da moeda com o Plano Real, em 1994.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de fragilidade \u00e9 corroborado por dados internacionais que posicionam o Brasil como detentor da segunda maior d\u00edvida p\u00fablica entre os pa\u00edses emergentes, superado apenas pela China.<\/p>\n<p>O economista Fabio Giambiagi acendeu o alerta. Para chegar ao rombo recorde ele utilizou como m\u00e9trica o d\u00e9ficit nominal. De modo distinto ao resultado prim\u00e1rio \u2014 que considera apenas a diferen\u00e7a entre receitas e despesas do governo, excluindo os custos da d\u00edvida \u2014, o d\u00e9ficit nominal engloba tamb\u00e9m o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por englobar os gastos com as amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida, em \u00e9pocas de juros altos \u00e9 comum que o d\u00e9ficit nominal seja maior, como ocorre atualmente. Nesses casos, n\u00e3o raro, o governo costuma responsabilizar o Banco Central e a manuten\u00e7\u00e3o dos juros em patamares elevados pelo rombo nominal crescente. Nos \u00faltimos meses, o presidente da autoridade monet\u00e1ria <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/gabriel-galipolo-banco-central-lula-pt-selic-analise\/\">tem sido frequentemente criticado<\/a> por integrantes do governo, mesmo tendo sido indicado pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) para o cargo.<\/p>\n<p>No entanto, a forma como o governo trata as contas p\u00fablicas \u00e9 um dos principais determinantes da taxa de juros. Ent\u00e3o, o descuido fiscal da atual gest\u00e3o tamb\u00e9m ajuda a manter os juros elevados e, consequentemente, ampliar o tamanho do rombo de forma constante.<\/p>\n<p>Conforme observado por Giambiagi, o d\u00e9ficit nominal m\u00e9dio da terceira gest\u00e3o de Lula deve se consolidar em cerca de 9% do PIB. A trajet\u00f3ria atual supera os resultados negativos observados em gest\u00f5es anteriores, em raz\u00e3o da expans\u00e3o do gasto p\u00fablico sem a devida contrapartida em cortes de despesas.<\/p>\n<h2>Rombo com Lula em 2026 quase dobra em rela\u00e7\u00e3o a 2022<\/h2>\n<p>Giambiagi afirma que Lula herdou um d\u00e9ficit nominal de 4,6% do PIB em 2022 e em 2026 ir\u00e1 aument\u00e1-lo em quase 90%. \u201c\u00c9 uma proeza\u201d, conclui, em artigo publicado no jornal <em>O Globo<\/em>. O economista ainda pontua que nem mesmo com o d\u00e9ficit \u201cestratosf\u00e9rico\u201d\u00a0 da pandemia em 2020 houve um governo com uma m\u00e9dia t\u00e3o alta.<\/p>\n<p>Quem mais se aproxima da marca lulista seria o ex-presidente Michel Temer, mas Giambiagi faz uma ressalva: ele havia herdado um d\u00e9ficit de 10% do PIB na m\u00e9dia do bi\u00eanio 2015-16, \u00faltimos anos do governo de Dilma Rousseff (PT).<\/p>\n<p>Confira a seguir a lista com a m\u00e9dia dos d\u00e9ficits nominais por mandato desde a primeira gest\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso. Giambiagi fez uma adapta\u00e7\u00e3o para conformar os primeiros dois anos do segundo mandato de Dilma e os separar do governo de Michel Temer. Para 2025 e 2026 ele se baseou em previs\u00f5es do Banco Central:<\/p>\n<ol>\n<li>1995-98 (FHC): d\u00e9ficit nominal m\u00e9dio de 6% do PIB<\/li>\n<li>1999-02 (FHC): 4% do PIB<\/li>\n<li>2003-06 (Lula): 3,8% do PIB<\/li>\n<li>2007-10 (Lula): 2,6% do PIB<\/li>\n<li>2011-16 (Dilma): 5,5% do PIB<\/li>\n<li>2017-18 (Temer): 7,4% do PIB<\/li>\n<li>2019-22 (Bolsonaro): 7% do PIB<\/li>\n<li>2023-26 (Lula): 8,6% do PIB<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Fiscal frouxo afeta toda a economia<\/h2>\n<p>Segundo Lu\u00eds Garcia, advogado tributarista e s\u00f3cio do Tax Group, o d\u00e9ficit nominal elevado contribui diretamente para o crescimento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>O tributarista aponta que, com uma d\u00edvida crescente e elevada, o risco fiscal aumenta. Com isso, o mercado tende a exigir compensa\u00e7\u00f5es mais altas para financiar a d\u00edvida \u2014 o que, por sua vez, se reflete em aumento da taxa de juros ou, no m\u00ednimo, em manuten\u00e7\u00e3o por mais tempo de juros elevados.<\/p>\n<p>Por sua vez, os juros altos t\u00eam impacto direto na economia das pessoas: tornam empr\u00e9stimos \u2014 pessoais, imobili\u00e1rios, para empresas, etc \u2014 mais caros, desestimulam investimentos privados e retardam o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Ainda mais: quando o governo compromete uma parte significativa de suas receitas para pagar juros da d\u00edvida e cobrir d\u00e9ficits, sobra menos margem para investimentos p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, seguran\u00e7a etc.).<\/p>\n<p>Nesse ambiente de aperto fiscal, pode haver cortes ou atrasos em servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais, e mais press\u00e3o para aumento de tributos. Isso recai diretamente sobre a popula\u00e7\u00e3o, especialmente as camadas mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Sem uma agenda clara de revis\u00e3o de gastos e redu\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado, a tend\u00eancia \u00e9 de que o custo do servi\u00e7o da d\u00edvida continue aumentando.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Juros influenciam d\u00e9ficit apesar do crescimento da economia<\/h2>\n<p>De forma divergente, Nelson Rocha, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) e diretor da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria do Estado do Rio de Janeiro (Caerj), afirma que n\u00e3o se pode tomar o d\u00e9ficit nominal como par\u00e2metro de avalia\u00e7\u00e3o da economia, justamente porque o indicador considera os juros da d\u00edvida.\u00a0<\/p>\n<p>Ele afirma que essa despesa, atualmente a segunda maior, atr\u00e1s apenas da Previd\u00eancia,\u00a0poder\u00e1 se tornar a primeira em breve. Contudo, apesar do d\u00e9ficit, Rocha defende que o pa\u00eds tem crescido e que o n\u00edvel de desemprego est\u00e1 sendo reduzido. Assim, conclui que a economia como um todo d\u00e1 suporte para que haja uma redu\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n<h2>Lula n\u00e3o d\u00e1 prioridade \u00e0 transpar\u00eancia fiscal, diz economista<\/h2>\n<p>Em sua an\u00e1lise, Giambiagi afirma que o governo Lula n\u00e3o d\u00e1 prioridade \u00e0 transpar\u00eancia fiscal. Ele comenta que desde a campanha eleitoral em 2022, o atual mandat\u00e1rio se negava a dizer o que faria em termos fiscais, dando como entendido que tinha provas de sua responsabilidade fiscal nos primeiros mandatos.<\/p>\n<p>Contudo, Giambiagi defende que todo o trabalho fiscal havia sido feito por Fernando Henrique Cardoso. O economista aponta que, de 1998 a 2002, FHC transformou um resultado prim\u00e1rio nulo em um super\u00e1vit de 3,2% do PIB, que se repetiu em 2003, primeiro ano de Lula no governo.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica, contudo, n\u00e3o se repetiria em 2023: a redu\u00e7\u00e3o de impostos no segundo semestre de 2022 levada adiante por Jair Bolsonaro, somada \u00e0s promessas de gastos extra de Lula durante a campanha, j\u00e1 sinalizavam para queda na receita e aumento das despesas.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Privatiza\u00e7\u00f5es e commodities financiaram governos FHC e Lula<\/h2>\n<p>Para Nelson Rocha, os super\u00e1vits dos governos FHC e nos dois primeiros mandatos de Lula deveram-se \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es e ao boom das commodities. Esse tipo de sustento j\u00e1 n\u00e3o teria ocorrido no governo Dilma, que ainda errou ao manter a pol\u00edtica antic\u00edclica adotada na segunda gest\u00e3o de Lula para compensar os efeitos da crise de <em>subprime<\/em> dos EUA em 2008.<\/p>\n<p>Sobre a terceira gest\u00e3o de Lula, Rocha d\u00e1 \u00eanfase ao impacto de medidas adotadas por Bolsonaro no segundo semestre de 2022. Entre elas, o aumento dos benef\u00edcios do Bolsa Fam\u00edlia, cujos efeitos foram sentidos mais fortemente em 2023, quando o capital pol\u00edtico j\u00e1 n\u00e3o permitia a Lula retroceder. Os precat\u00f3rios e o aumento no valor das emendas parlamentares tamb\u00e9m tiveram impacto semelhante.<\/p>\n<p>Giambiagi, por sua vez, afirma que n\u00e3o h\u00e1 senso em responsabilizar Bolsonaro pelo rombo fiscal de Lula. De acordo com o economista, em 2023 e 2024 o gasto prim\u00e1rio federal aumentou a uma taxa acumulada de 12% em termos reais, sendo que o governo n\u00e3o faz os ajustes estruturais necess\u00e1rios para conter o d\u00e9ficit.\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>Brasil \u00e9 vice-l\u00edder global em endividamento<\/h2>\n<p>Independentemente da avalia\u00e7\u00e3o das causas que levam o pa\u00eds ao d\u00e9ficit crescente, o desequil\u00edbrio interno tamb\u00e9m repercute na percep\u00e7\u00e3o internacional sobre o Brasil. Relat\u00f3rio de dezembro do Instituto de Finan\u00e7as Internacionais (IIF) afirma que o pa\u00eds possui hoje a segunda maior d\u00edvida p\u00fablica entre as na\u00e7\u00f5es emergentes.<\/p>\n<p>O levantamento revela que o endividamento brasileiro, calculado em 87,6%, s\u00f3 \u00e9 menor que o da China, 88,6%. O dado \u00e9 tido como preocupante, visto que a economia chinesa possui caracter\u00edsticas de financiamento estatal e reservas cambiais distintas da realidade brasileira.<\/p>\n<p>O Brasil aparece \u00e0 frente de outros grandes emergentes, como \u00cdndia, R\u00fassia e M\u00e9xico, sinalizando uma vulnerabilidade maior a choques externos e uma menor capacidade de investimento estatal em \u00e1reas priorit\u00e1rias. Segue a lista de endividamento considerada pela IIF:\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li>China: 88,6% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal cr\u00edtica: forte expans\u00e3o impulsionada por est\u00edmulos estatais e d\u00edvidas de prov\u00edncias.<\/li>\n<li>Brasil: 87,6% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal cr\u00edtica: alta carga de juros (Selic) e d\u00e9ficit nominal recorde pressionam a d\u00edvida.<\/li>\n<li>\u00cdndia: 82% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal de alerta: d\u00edvida elevada, mas sustentada por forte crescimento econ\u00f4mico (denominador do PIB cresce r\u00e1pido).<\/li>\n<li>\u00c1frica do Sul: 72,5% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal requer aten\u00e7\u00e3o: deteriora\u00e7\u00e3o fiscal recente e baixo crescimento econ\u00f4mico.<\/li>\n<li>M\u00e9xico: 50% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal moderada: rigor fiscal maior em compara\u00e7\u00e3o aos pares latino-americanos.<\/li>\n<li>R\u00fassia: 19,5% do PIB &#8211; Situa\u00e7\u00e3o fiscal baixa: d\u00edvida historicamente baixa, mas sob press\u00e3o de gastos militares e san\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Gest\u00e3o Lula deixa &#8220;heran\u00e7a maldita&#8221; para 2027<\/h2>\n<p>Diante de todo esse cen\u00e1rio, Lu\u00eds Garcia afirma que \u201cheran\u00e7a maldita\u201d \u00e9 um termo apropriado para definir os <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/apagao-a-vista-governo-nao-ve-espaco-para-cumprir-gastos-com-saude-e-educacao-em-2027\/\">riscos fiscais<\/a> que ora se acumulam e que ficar\u00e3o para quem assumir o poder em 2027, ainda que Lula seja reeleito.<\/p>\n<p>\u201cO elevado d\u00e9ficit nominal significa que, seja quem for o presidente em 2027, herdar\u00e1 uma d\u00edvida p\u00fablica elevada, com encargos de juros altos e pouca margem fiscal para manobra. Isso limita dramaticamente a capacidade de adotar pol\u00edticas sociais, de investimento ou de responder a crises sem agravar o endividamento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do tributarista, se o novo governo n\u00e3o implementar uma trajet\u00f3ria consistente de ajuste fiscal \u2014 combinando restri\u00e7\u00e3o de gastos, reforma estrutural (tribut\u00e1ria, administrativa, previdenci\u00e1ria) e controle eficiente da d\u00edvida \u2014 h\u00e1 alto risco de que o desequil\u00edbrio persista ou se agrave, o que pode levar a mais endividamento, aumento de impostos ou cortes severos.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil atravessa um momento de deteriora\u00e7\u00e3o fiscal, marcado por d\u00e9ficit permanente, resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de descontrole nos gastos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":51211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-51880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/51880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=51880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/51880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/51211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=51880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=51880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=51880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}