{"id":513548,"date":"2026-06-25T07:00:00","date_gmt":"2026-06-25T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=513548"},"modified":"2026-06-25T07:00:00","modified_gmt":"2026-06-25T11:00:00","slug":"a-celebracao-do-plano-eterno-de-deus-em-efesios-13-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=513548","title":{"rendered":"A celebra\u00e7\u00e3o do plano eterno de Deus em Ef\u00e9sios 1,3-14"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/24153334\/adoracao-da-trindade-durer.jpg.webp\" \/><span>Detalhe da &#8220;Adora\u00e7\u00e3o da Trindade&#8221;, de Albrecht D\u00fcrer. (Foto: Wikimedia Commons\/Dom\u00ednio p\u00fablico)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A linguagem humana parece insuficiente para expressar a majestade e gra\u00e7a de Deus. \u00c9 o que acontece em Ef\u00e9sios 1,3-14. Depois da sauda\u00e7\u00e3o inicial da carta, Paulo contempla a grandeza da salva\u00e7\u00e3o e, diante dela, parece incapaz de interromper seu louvor. No texto grego, os vers\u00edculos 3 a 14 formam uma \u00fanica frase. N\u00e3o h\u00e1 pausas. \u00c9 como se uma verdade conduzisse a outra, e esta, a outra, at\u00e9 que toda a passagem se transformasse num impressionante hino de adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender por qu\u00ea. Paulo contempla a salva\u00e7\u00e3o desde a eternidade passada at\u00e9 a eternidade futura. Ele nos leva para antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, mostra-nos o Filho derramando seu sangue na cruz e termina contemplando a heran\u00e7a garantida pelo Esp\u00edrito Santo. Mais do que isso, encontramos aqui uma das mais belas revela\u00e7\u00f5es da obra da Sant\u00edssima Trindade em toda a Escritura. O Pai escolhe. O Filho redime. O Esp\u00edrito Santo sela. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 inteiramente obra do Deus \u00fanico e trino.<\/p>\n<p>E tr\u00eas vezes, ao longo desta passagem, Paulo repete a mesma express\u00e3o: \u201cpara louvor da sua gl\u00f3ria\u201d (1,6.12.14). Esta \u00e9 a chave do texto. O objetivo \u00faltimo da reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o homem. N\u00e3o somos o centro da hist\u00f3ria. N\u00e3o somos o objetivo final do plano divino. O Pai salva para a gl\u00f3ria do Pai. O Filho salva para a gl\u00f3ria do Filho. O Esp\u00edrito salva para a gl\u00f3ria do Esp\u00edrito. E porque o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito compartilham a mesma natureza divina, a mesma majestade e a mesma gl\u00f3ria, toda a salva\u00e7\u00e3o redunda em gl\u00f3ria ao \u00fanico Deus verdadeiro. E \u00e9 precisamente isso que veremos nesta passagem.<\/p>\n<h2>1. O Pai \u00e9 o autor da elei\u00e7\u00e3o (1,3-6)<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Paulo inicia exaltando o Pai: \u201cBendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo\u201d (1,3). Observe quem ocupa o centro da frase: \u00e9 Deus. O Pai \u00e9 o sujeito dos principais verbos desta se\u00e7\u00e3o. Ele aben\u00e7oa. Ele escolhe. Ele predestina. Ele adota. Ele comanda todas as coisas segundo o prop\u00f3sito da sua vontade. A iniciativa pertence inteiramente a Deus. Vivemos numa cultura que celebra a autonomia humana. Gostamos de pensar que somos \u201co senhor de meu destino; [&#8230;] o capit\u00e3o de minha alma\u201d (nas palavras de William Ernest Henley em <em>Invictus<\/em>). Mas Paulo destr\u00f3i essa ilus\u00e3o. Ele nos leva para antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo. Antes de existirmos. Antes de praticarmos qualquer obra boa ou m\u00e1. Antes mesmo da cria\u00e7\u00e3o do universo. E ali encontramos Deus.<\/p>\n<p>Quando Paulo afirma que Deus nos aben\u00e7oou \u201ccom todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais nas regi\u00f5es celestiais em Cristo\u201d, ele nos conduz a uma realidade que ultrapassa nossa plena compreens\u00e3o. Trata-se da esfera onde Cristo reina exaltado acima de toda autoridade, \u00e0 qual os crentes j\u00e1 foram unidos pela gra\u00e7a e onde a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 manifestada. Contudo, essa mesma esfera \u00e9 tamb\u00e9m palco de conflito espiritual, pois ali atuam as for\u00e7as malignas que combatem o povo de Deus at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o de todas as coisas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Cada crente \u00e9 uma prova de que o Pai salva pecadores n\u00e3o por m\u00e9rito, desempenho ou dignidade, mas por sua livre e soberana miseric\u00f3rdia<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">\u201cAntes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, Deus nos escolheu, nele\u201d (1,4). Infelizmente, muitos transformam a doutrina da elei\u00e7\u00e3o em campo de batalha teol\u00f3gico. Paulo faz exatamente o oposto. Ele a transforma em motivo de adora\u00e7\u00e3o. Observe o que o texto <em>n\u00e3o<\/em> diz. N\u00e3o diz que Deus escolheu porque previu m\u00e9ritos. N\u00e3o diz que Deus escolheu porque viu quem responderia positivamente ao evangelho. N\u00e3o diz que Deus encontrou algo digno de amor em n\u00f3s.<\/p>\n<p>O texto afirma: \u201cDeus nos escolheu\u201d. A iniciativa \u00e9 divina. A salva\u00e7\u00e3o nasce na decis\u00e3o do Pai. N\u00e3o somos escolhidos porque cremos. Cremos porque fomos escolhidos. Longe de produzir orgulho, essa verdade destr\u00f3i toda a arrog\u00e2ncia. Se Deus nos escolheu antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, ent\u00e3o nada em n\u00f3s pode servir de fundamento para nossa salva\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 gra\u00e7a. Tudo \u00e9 miseric\u00f3rdia. Tudo \u00e9 dom.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O frei Masseo perguntou a Francisco de Assis, de forma insistente, por que todo o mundo o seguia \u2013 um homem simples, sem grande cultura, beleza ou nobreza. Francisco, ap\u00f3s ser interpelado duas ou tr\u00eas vezes, respondeu com profunda humildade: \u201cPorque os olhos sant\u00edssimos de Deus n\u00e3o encontraram entre os pecadores ningu\u00e9m mais vil, mais imperfeito e maior pecador do que eu. Por isso, para realizar a obra maravilhosa que Ele quer fazer, escolheu a mim, a criatura mais vil da terra, para confundir a for\u00e7a, a beleza, a grandeza, a nobreza e a sabedoria do mundo&#8230;\u201d (<em>Fioretti di San Francesco<\/em>).<\/p>\n<p>Mas Paulo prossegue: \u201cpara sermos santos e irrepreens\u00edveis diante dele\u201d. Deus escolheu pecadores para torn\u00e1-los santos. A santidade n\u00e3o \u00e9 a causa da elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 seu resultado. O Pai n\u00e3o apenas escolhe. Ele transforma. Ele molda. Ele conforma seu povo \u00e0 imagem de Cristo. A elei\u00e7\u00e3o conduz \u00e0 piedade. Ela produz amor a Deus. Produz arrependimento. Produz obedi\u00eancia. Produz desejo crescente de santidade.<\/p>\n<p>Paulo acrescenta ainda: \u201cEm amor\u201d. O fundamento da elei\u00e7\u00e3o est\u00e1 no amor eterno de Deus. Mois\u00e9s disse a Israel: \u201cO Senhor os amou e os escolheu\u201d (Dt 7,7). E esta continua sendo a explica\u00e7\u00e3o final. Por que Deus amou? Porque quis amar. Por que escolheu? Porque quis escolher. A raz\u00e3o \u00faltima encontra-se no pr\u00f3prio Deus. O Pai amou livremente. O Pai escolheu soberanamente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>E esse amor manifesta-se de forma ainda mais surpreendente: \u201cNos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo\u201d (1,5). O prop\u00f3sito do Pai n\u00e3o era simplesmente cancelar nossa culpa. Era receber-nos como filhos. E n\u00f3s, que \u00e9ramos inimigos, somos recebidos como filhos. Que privil\u00e9gio extraordin\u00e1rio! N\u00e3o somos apenas perdoados. Somos amados.<\/p>\n<p>E tudo isso acontece \u201csegundo o prop\u00f3sito de sua vontade\u201d. Nenhuma for\u00e7a obrigou Deus a agir. Nenhuma necessidade o constrangeu. A salva\u00e7\u00e3o nasce da alegria soberana do Pai. Ele encontrou prazer em manifestar gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o resultado? \u201cPara louvor da gl\u00f3ria de sua gra\u00e7a\u201d (1,6). Aqui encontramos o primeiro refr\u00e3o desta grande doxologia. A elei\u00e7\u00e3o existe para exibir a gl\u00f3ria da gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando olhamos para a igreja, devemos contemplar um monumento vivo da gra\u00e7a de Deus. Cada crente \u00e9 uma prova de que o Pai salva pecadores n\u00e3o por m\u00e9rito, desempenho ou dignidade, mas por sua livre e soberana miseric\u00f3rdia. Essa verdade destr\u00f3i nosso orgulho e nos conduz \u00e0 humildade. Diante de t\u00e3o grande salva\u00e7\u00e3o, resta-nos curvar-nos em rever\u00eancia, erguer a voz em gratid\u00e3o e viver para o louvor da gl\u00f3ria da sua gra\u00e7a.<\/p>\n<h2>2. O Filho redime os eleitos (1,7-12)<\/h2>\n<p>Depois de contemplar o plano eterno do Pai, Paulo dirige nossos olhos para a obra do Filho. O amor ordenado na eternidade manifesta-se agora dentro da hist\u00f3ria. Aqueles que foram escolhidos antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo precisaram ser resgatados dentro do tempo. A elei\u00e7\u00e3o exigiu reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>H\u00e1 momentos em que n\u00e3o entendemos os caminhos de Deus. H\u00e1 perdas que n\u00e3o conseguimos explicar. Mas sabemos que o Pai continua governando todas as coisas por meio do Filho<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Por isso Paulo escreve: \u201cNo Amado [&#8230;] temos a reden\u00e7\u00e3o, pelo seu sangue, a remiss\u00e3o dos pecados, segundo a riqueza da sua gra\u00e7a\u201d (1,7). Observe a linguagem do ap\u00f3stolo. Em Jesus n\u00e3o temos apenas um exemplo moral ou um mestre religioso. Temos reden\u00e7\u00e3o. A palavra utilizada por Paulo evoca o mundo dos escravos. Refere-se ao pagamento de um pre\u00e7o para libertar algu\u00e9m do cativeiro. E essa \u00e9 exatamente a condi\u00e7\u00e3o em que nos encontr\u00e1vamos. \u00c9ramos escravos do pecado. Escravos do diabo e dem\u00f4nios. Escravos de desejos desordenados. Incapazes de agradar a Deus. Mas Cristo veio para libertar seu povo. E qual foi o pre\u00e7o dessa liberta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cPelo seu sangue\u201d. N\u00e3o obras humanas. N\u00e3o m\u00e9ritos religiosos. Mas pelo precioso sangue do Filho de Deus. Toda a hist\u00f3ria b\u00edblica converge para esse momento. Os sacrif\u00edcios do Antigo Testamento apontavam para ele. Os profetas anunciavam sua chegada. As promessas aguardavam seu cumprimento. E finalmente o Filho veio ao mundo. Na cruz, a justi\u00e7a divina e o amor divino encontraram-se de maneira perfeita. Ali Deus permaneceu justo. E ali Deus justificou pecadores. Ali o pecado foi condenado. E ali pecadores foram perdoados. Ali o Filho suportou aquilo que merec\u00edamos para que receb\u00eassemos aquilo que jamais poder\u00edamos conquistar.<\/p>\n<p>Por isso Paulo fala da \u201cremiss\u00e3o dos pecados.\u201d A d\u00edvida \u00e9 cancelada. A condena\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada. O passado n\u00e3o define mais a identidade do crist\u00e3o. Os pecados s\u00e3o perdoados. Talvez alguns dos leitores de Paulo carregassem lembran\u00e7as dolorosas de idolatria, imoralidade, viol\u00eancia, orgulho ou incredulidade. Mas Paulo aponta para Cristo e declara: H\u00e1 reden\u00e7\u00e3o. H\u00e1 remiss\u00e3o. Porque o sangue de Cristo \u00e9 suficiente para o pior dos pecadores.<\/p>\n<p>E tudo isso acontece \u201csegundo a riqueza da sua gra\u00e7a\u201d. Que express\u00e3o extraordin\u00e1ria! A gra\u00e7a de Deus \u00e9 uma fonte inesgot\u00e1vel. Quanto mais compreendemos a profundidade do nosso pecado, mais admiramos a abund\u00e2ncia da gra\u00e7a que nos alcan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Mas Paulo n\u00e3o permanece apenas no perd\u00e3o. Ele nos leva a contemplar algo ainda maior. Ele afirma que Deus nos revelou \u201co mist\u00e9rio da sua vontade\u201d (1,9). No Novo Testamento, mist\u00e9rio n\u00e3o significa algo irracional ou imposs\u00edvel de entender. Significa algo que esteve oculto e agora foi revelado por Deus. E qual \u00e9 esse mist\u00e9rio? Ao longo da carta, Paulo mostrar\u00e1 que Deus decidiu unir judeus e gentios em um \u00fanico povo por meio da cruz. Agora Cristo derruba o muro de separa\u00e7\u00e3o. A cruz cria uma nova humanidade. O povo de Deus torna-se o lugar onde homens e mulheres de todas as tribos, l\u00ednguas e na\u00e7\u00f5es s\u00e3o reconciliados com Deus e uns com os outros.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Paulo, ent\u00e3o, amplia nosso horizonte. O prop\u00f3sito de Deus n\u00e3o \u00e9 apenas salvar indiv\u00edduos, mas restaurar toda a cria\u00e7\u00e3o em Cristo. Por isso ele afirma que, na \u201cplenitude dos tempos\u201d, Deus far\u00e1 convergir nele \u201ctodas as coisas, tanto as do c\u00e9u como as da terra\u201d (1,10). Aqui encontramos uma das mais grandiosas declara\u00e7\u00f5es da Escritura sobre o sentido da hist\u00f3ria. Cristo j\u00e1 reina \u00e0 direita do Pai, mas ainda aguardamos a manifesta\u00e7\u00e3o plena e universal desse reinado. Vivemos entre a vit\u00f3ria conquistada na cruz e sua consuma\u00e7\u00e3o final, entre o Dia D e o Dia V. Por isso o mundo continua marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o, pelo conflito e pelos efeitos do pecado.<\/p>\n<p>Entretanto, Deus conduz a hist\u00f3ria para um desfecho glorioso. Chegar\u00e1 o dia em que toda a cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 renovada e tudo estar\u00e1 perfeitamente submetido ao senhorio de Cristo. A igreja militante e a igreja triunfante, os santos da terra e do c\u00e9u, juntamente com toda a cria\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o reunidos sob o governo daquele que \u00e9 o cabe\u00e7a de todas as coisas. Essa \u00e9 a esperan\u00e7a crist\u00e3: o futuro pertence a Cristo. Aquele que foi coroado com espinhos ser\u00e1 reconhecido como Rei do universo. Aquele que morreu na cruz reunir\u00e1 sob seu cetro tudo aquilo que o pecado dividiu, estabelecendo para sempre seu reino de justi\u00e7a, paz e gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essa esperan\u00e7a transforma nossa maneira de viver. Quando olhamos para o mundo e vemos desordem, lembramo-nos de que Cristo reina. Quando observamos a decad\u00eancia moral da sociedade, lembramo-nos de que Cristo reina. Quando enfrentamos sofrimentos pessoais, lembramo-nos de que Cristo reina. Nada escapa ao seu governo.<\/p>\n<p>Por isso Paulo prossegue: \u201cEm Cristo fomos tamb\u00e9m feitos heran\u00e7a\u201d (1,11). Em Cristo nos tornamos heran\u00e7a de Deus. Somos seu povo adquirido. Sua propriedade peculiar. Seu tesouro precioso. E tudo isso ocorre porque fomos \u201cpredestinados segundo o prop\u00f3sito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade\u201d. Talvez esta seja uma das maiores declara\u00e7\u00f5es sobre a soberania divina em toda a Escritura. Deus faz todas as coisas. Todas. A hist\u00f3ria inteira encontra-se debaixo da sua m\u00e3o soberana.<\/p>\n<p>Essa verdade oferece conforto profundo aos crentes. Porque h\u00e1 momentos em que n\u00e3o entendemos os caminhos de Deus. H\u00e1 perdas que n\u00e3o conseguimos explicar. H\u00e1 sofrimentos que parecem sem sentido. H\u00e1 perguntas sem resposta. Mas sabemos que o Pai continua governando todas as coisas por meio do Filho.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O evangelho n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o religiosa entre muitas outras. N\u00e3o \u00e9 uma prefer\u00eancia cultural. N\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia subjetiva. \u00c9 a verdade<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Paulo conclui esta parte afirmando: \u201cA fim de sermos para louvor da sua gl\u00f3ria\u201d (1,12). Aqui encontramos novamente o refr\u00e3o que atravessa toda a passagem. O Filho redime para o louvor da sua gl\u00f3ria. Toda a obra de Cristo possui um objetivo supremo: sua exalta\u00e7\u00e3o. Fomos redimidos. Fomos perdoados. Recebemos uma heran\u00e7a. Tudo isso existe para que a gl\u00f3ria de Cristo seja vista, admirada e celebrada. Por isso, a vida crist\u00e3 encontra sua verdadeira alegria quando deixa de girar ao redor do pr\u00f3prio eu e passa a girar ao redor de Cristo.<\/p>\n<h2>3. O Esp\u00edrito Santo aplica a salva\u00e7\u00e3o aos eleitos (1,13-14)<\/h2>\n<p>Depois de contemplar o amor eterno do Pai e a obra redentora do Filho, Paulo volta-se para a atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. A salva\u00e7\u00e3o planejada na eternidade e conquistada na cruz \u00e9 aplicada ao cora\u00e7\u00e3o dos pecadores. E esta \u00e9 precisamente a obra do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Por isso Paulo escreve: \u201cNele tamb\u00e9m voc\u00eas, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salva\u00e7\u00e3o, tendo nele tamb\u00e9m crido, receberam o selo do Esp\u00edrito Santo da promessa\u201d (1,13). Observe a sequ\u00eancia. Primeiro, o evangelho \u00e9 anunciado. Depois, ele \u00e9 ouvido. Em seguida, \u00e9 crido. E ent\u00e3o o Esp\u00edrito Santo sela o crente. Paulo n\u00e3o op\u00f5e a soberania de Deus aos meios da gra\u00e7a. O Esp\u00edrito Santo age atrav\u00e9s da Palavra. Deus decidiu salvar pecadores mediante \u201ca palavra da verdade\u201d.<\/p>\n<p>Num mundo marcado pela confus\u00e3o espiritual e pela relativiza\u00e7\u00e3o da verdade, essa express\u00e3o possui enorme import\u00e2ncia. O evangelho n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o religiosa entre muitas outras. N\u00e3o \u00e9 uma prefer\u00eancia cultural. N\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia subjetiva. \u00c9 a verdade. A f\u00e9 crist\u00e3 repousa sobre fatos hist\u00f3ricos interpretados pela revela\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Mas Paulo destaca: \u201creceberam o selo do Esp\u00edrito Santo da promessa\u201d. A imagem do selo era familiar no mundo antigo. Reis, governadores e propriet\u00e1rios utilizavam seus selos para identificar aquilo que lhes pertencia. O selo comunicava autenticidade, propriedade e prote\u00e7\u00e3o. Quando Paulo afirma que fomos selados pelo Esp\u00edrito, est\u00e1 dizendo que Deus colocou sobre seu povo a marca da sua posse. O crist\u00e3o pertence a Deus. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a marca divina gravada sobre os redimidos.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Georg Maior, disc\u00edpulo de Lutero, resumiu essa verdade de forma admir\u00e1vel: \u201cSe quiser ser selado com o Esp\u00edrito Santo, deve ouvir a Palavra e crer nela\u201d. Todo aquele que est\u00e1 unido a Cristo pela f\u00e9 recebeu o Esp\u00edrito Santo. Essa verdade traz enorme conforto aos crentes. Nossa seguran\u00e7a repousa na fidelidade de Deus. O selo foi colocado por ele. E aquilo que Deus sela ningu\u00e9m pode destruir.<\/p>\n<p>Mas Paulo ainda acrescenta outra imagem: \u201cO Esp\u00edrito \u00e9 o penhor da nossa heran\u00e7a\u201d (1,14). O Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 apenas um selo. Ele \u00e9 tamb\u00e9m um penhor. \u00c9 a garantia concreta de Deus de que a obra iniciada ser\u00e1 completada. A salva\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o chegou \u00e0 sua consuma\u00e7\u00e3o final. Mas Deus n\u00e3o nos deixou sem garantias. O Esp\u00edrito habita em n\u00f3s como a primeira parcela da heran\u00e7a futura. O Esp\u00edrito \u00e9 a presen\u00e7a do futuro dentro do presente. \u00c9 a realidade do s\u00e9culo vindouro (1,21) habitando em n\u00f3s agora.<\/p>\n<p>Por isso Paulo escreve: \u201cat\u00e9 o resgate da sua propriedade\u201d. No Antigo Testamento, Deus chamou Israel de sua heran\u00e7a peculiar. Agora, em Cristo, judeus e gentios tornam-se um \u00fanico povo pertencente ao Senhor. Somos sua propriedade. Seu povo adquirido. E o mesmo Deus que nos comprou n\u00e3o abandonar\u00e1 aquilo que lhe pertence. E por isso podemos caminhar com confian\u00e7a, sabendo que aquele que iniciou a boa obra tamb\u00e9m a completar\u00e1 no Dia de Cristo Jesus.<\/p>\n<p>Paulo encerra esta se\u00e7\u00e3o repetindo pela terceira vez o grande refr\u00e3o do texto: \u201cEm louvor da sua gl\u00f3ria\u201d. O Pai elege para louvor da sua gl\u00f3ria. O Filho redime para louvor da sua gl\u00f3ria. O Esp\u00edrito sela para louvor da sua gl\u00f3ria. Toda a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 trinit\u00e1ria. Toda a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 graciosa. Toda a salva\u00e7\u00e3o existe para a exalta\u00e7\u00e3o do Deus trino.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Ao chegarmos ao fim desta magn\u00edfica passagem, compreendemos por que Paulo n\u00e3o conseguiu conter seu louvor. O ap\u00f3stolo nos levou para antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, quando o Pai nos escolheu em seu amor soberano. Conduziu-nos \u00e0 cruz, onde o Filho derramou seu sangue para redimir pecadores. E trouxe-nos ao presente, onde o Esp\u00edrito Santo habita em n\u00f3s como selo e garantia da heran\u00e7a que ainda receberemos. Do come\u00e7o ao fim, a reden\u00e7\u00e3o \u00e9 obra do Deus trino \u2013 para sua gl\u00f3ria.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>Depois de contemplar o plano eterno do Pai, a obra perfeita do Filho e as promessas do Esp\u00edrito, a \u00fanica resposta poss\u00edvel \u00e9 a mesma que encontramos nos santos de todas as \u00e9pocas: gl\u00f3ria!<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E essa verdade transforma nossa maneira de viver. Quando somos tentados pelo des\u00e2nimo, lembramo-nos de que fomos amados antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo. Quando nossa consci\u00eancia nos acusa, lembramo-nos de que fomos redimidos pelo sangue de Cristo. Quando enfrentamos as incertezas do futuro, lembramo-nos de que fomos selados pelo Esp\u00edrito Santo. Quando olhamos para um mundo marcado pelo pecado, pela viol\u00eancia e pela morte, lembramo-nos de que Cristo est\u00e1 conduzindo todas as coisas para o dia em que ser\u00e3o reunidas sob seu governo perfeito. O crist\u00e3o vive apoiado nas promessas de Deus.<\/p>\n<p>Depois de contemplar o plano eterno do Pai, a obra perfeita do Filho e as promessas do Esp\u00edrito, a \u00fanica resposta poss\u00edvel \u00e9 a mesma que encontramos nos santos de todas as \u00e9pocas: gl\u00f3ria! Poucos exemplos resumem melhor essa verdade do que as palavras pronunciadas pelo evangelista metodista Billy Bray, \u00e0s portas da eternidade:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>\u201cNa sexta-feira, Billy Bray desceu as escadas pela \u00faltima vez. A um de seus velhos amigos que, poucas horas antes de sua morte, perguntou-lhe se n\u00e3o tinha nenhum medo da morte, ou de se perder, ele disse: \u2018O que? Eu temer a morte? Eu perdido? Ora, meu Salvador venceu a morte. Se eu fosse para o inferno, iria gritando gl\u00f3ria! gl\u00f3ria! ao meu bendito Jesus, at\u00e9 fazer o inferno ressoar, e o miser\u00e1vel e velho Satan\u00e1s diria: \u2018Billy, Billy, isso n\u00e3o \u00e9 lugar para voc\u00ea; saia daqui\u2019. Ent\u00e3o eu iria para o c\u00e9u, gritando gl\u00f3ria! gl\u00f3ria! gl\u00f3ria! louvado seja Deus!\u2019 Pouco depois, ele disse: \u2018Gl\u00f3ria!\u2019, e essa foi sua \u00faltima palavra.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Essa foi sua despedida deste mundo. E um dia, quando a igreja militante se tornar igreja triunfante, quando todas as coisas forem finalmente reunidas sob o senhorio de Cristo, n\u00f3s nos uniremos \u00e0 multid\u00e3o dos remidos para cantar eternamente:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Gl\u00f3ria ao Pai, que nos escolheu antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Gl\u00f3ria ao Filho, que nos redimiu por seu sangue precioso.<\/p>\n<p>Gl\u00f3ria ao Esp\u00edrito Santo, que nos selou para o dia da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 aquele dia, vivamos para o louvor da sua gl\u00f3ria. Am\u00e9m!<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>(A coluna de hoje \u00e9 o texto da mensagem apresentada na 1\u00aa Confer\u00eancia da A\u00e7\u00e3o B\u00edblica do Algarve, em Portugal, e foi enviada de Malta, no dia de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, durante uma estadia nas proximidades da St. John\u2019s Co-Cathedral.)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Detalhe da &#8220;Adora\u00e7\u00e3o da Trindade&#8221;, de Albrecht D\u00fcrer. (Foto: Wikimedia Commons\/Dom\u00ednio p\u00fablico) Ou\u00e7a este conte\u00fado A linguagem humana parece insuficiente&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":513549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-513548","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/513548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=513548"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/513548\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/513549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=513548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=513548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=513548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}