{"id":513491,"date":"2026-06-25T06:47:30","date_gmt":"2026-06-25T10:47:30","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=513491"},"modified":"2026-06-25T06:47:30","modified_gmt":"2026-06-25T10:47:30","slug":"obsessao-e-backrooms-revitalizam-as-bilheterias-ao-atrair-a-geracao-z-para-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=513491","title":{"rendered":"\u201cObsess\u00e3o\u201d e \u201cBackrooms\u201d revitalizam as bilheterias ao atrair a Gera\u00e7\u00e3o Z para o cinema"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Durante muito tempo o chamado filme B, popularizado por produtores como Roger Corman a partir dos anos 1950 e 1960, parecia estar destinado a ser simplesmente uma produ\u00e7\u00e3o de baixo or\u00e7amento. Um de seus \u00faltimos projetos, Sharktopus Contra Whalewolf (2015), um telefilme para o Sci-Fi Channel americano, custou por volta de US$ 6 milh\u00f5es. Em uma entrevista concedida ao jornalista brasileiro Paulo de Goes para o <em>Jornal do V\u00eddeo<\/em>, em 1993, Corman ficou surpreso ao saber que o jovem diretor Robert Rodriguez tinha feito El Mariachi (1992) com apenas  US$ 7 mil.<\/p>\n<p>El Mariachi ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios internacionais e colocou a carreira do jovem Rodriguez num outro patamar, que o levou a fazer o cultuado Um Drinque no Inferno (1996) e se tornar parceiro de Quentin Tarantino. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, dois filmes de baixo or\u00e7amento, de criadores de YouTube desconhecidos, est\u00e3o ajudando a atrair novamente o p\u00fablico para as salas de cinema, sem grandes or\u00e7amentos de divulga\u00e7\u00e3o, apenas com o tradicional boca-a-boca: <em>Obsess\u00e3o<\/em> (2025) e <em>Backrooms \u2013 Um N\u00e3o-Lugar<\/em> (2026).<\/p>\n<p>Os dois filmes foram produzidos muito abaixo do custo de qualquer filme padr\u00e3o feito em Hollywood. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem efeitos visuais feitos por mais de 600 pessoas como os de super-her\u00f3is, por exemplo. A discuss\u00e3o sobre custo versus criatividade vem sendo abordada por muitos especialistas da \u00e1rea h\u00e1 algum tempo. O recente artigo publicado no <em>The New York Times<\/em> pelos jornalistas Kyle Buchanan e Natalie Kitroeff, aponta que <em>Obsess\u00e3o <\/em>e <em>Backrooms: Um N\u00e3o-Lugar<\/em> s\u00e3o exemplos de uma poss\u00edvel mudan\u00e7a no mercado cinematogr\u00e1fico ao atrair em massa espectadores da Gera\u00e7\u00e3o Z para as salas de cinema.<\/p>\n<p>Segundo a an\u00e1lise de Kyle e Natalie, o motivo do sucesso dessas produ\u00e7\u00f5es est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 origem de seus realizadores, Kane Parsons e Curry Barker, que t\u00eam 21 e 27 anos de idade, respectivamente, e por isso fizeram essas duas produ\u00e7\u00f5es entendendo as experi\u00eancias e inquieta\u00e7\u00f5es de seu p\u00fablico-alvo: o jovem americano da Gera\u00e7\u00e3o Z. Na realidade, segundo a an\u00e1lise do jornal, essa dupla est\u00e1 redefinindo o suspense e o terror, g\u00eaneros que, no passado, eram t\u00edpicos da juventude que frequentava os drive-ins na d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p>O que tem chamado a aten\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria do entretenimento para <em>Obsess\u00e3o<\/em> e <em>Backrooms: Um N\u00e3o-Lugar <\/em>\u00e9 que a criatividade est\u00e1 acima de qualquer ousadia monet\u00e1ria. Diferentemente das grandes produ\u00e7\u00f5es de est\u00fadio, que frequentemente apostam em franquias consolidadas e or\u00e7amentos milion\u00e1rios, esses dois filmes investem em hist\u00f3rias mais pr\u00f3ximas das experi\u00eancias e inquieta\u00e7\u00f5es de seu p\u00fablico-alvo. Inseguran\u00e7a, paranoia digital, isolamento e a sensa\u00e7\u00e3o de viver em ambientes cada vez mais impessoais reverberam no p\u00fablico jovem, que acaba se identificando com as hist\u00f3rias criadas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o papel das redes sociais, algo inimagin\u00e1vel para Corman e outros produtores de cinema, tem sido uma ferramenta fundamental para propagar esses conte\u00fados que agradam a Gera\u00e7\u00e3o Z, essa gera\u00e7\u00e3o que usa direto plataformas como TikTok, YouTube e Instagram. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, seria como analisar uma telenovela pela audi\u00eancia de seus cap\u00edtulos e assim, mudar a hist\u00f3ria conforme a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Algo que Ray Bradbury esbo\u00e7ou no cl\u00e1ssico Fahrenheit 451, mostrando uma sociedade que aboliu os livros para criar uma interatividade for\u00e7ada pela integra\u00e7\u00e3o da TV na casa da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o pense, contudo, que toda essa criatividade nasceu por causa das redes sociais. Um dos fatores que ajudaram a formar esses novos cineastas \u00e9 a facilidade da tecnologia criada pelos smartphones. Hoje, \u00e9 poss\u00edvel fazer um filme de alta qualidade t\u00e9cnica de som e de imagem, com um dispositivo que tamb\u00e9m faz liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas. Tudo come\u00e7a com um simples v\u00eddeo postado em um canal do YouTube. Sua repercuss\u00e3o, positiva ou n\u00e3o, incentiva o criador a aperfei\u00e7oar seu trabalho a cada nova produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 assustando o sistema de produ\u00e7\u00e3o convencional, leia-se Hollywood, \u00e9 que esses novos criadores digitais est\u00e3o se tornando concorrentes cada vez mais relevantes, capazes at\u00e9 de mudar os rumos de estrat\u00e9gias tanto na produ\u00e7\u00e3o como na distribui\u00e7\u00e3o de novos filmes e s\u00e9ries. N\u00e3o por causa do baixo custo de suas produ\u00e7\u00f5es, mas pela criatividade de suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Kane Parsons, conhecido no YouTube pelo codinome Kane Pixels, \u00e9 o respons\u00e1vel pelo curta <em>The Backrooms (Found Footage)<\/em>, que ele fez em 2022 e teve mais de 190 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, ao explorar uma atmosfera de horror psicol\u00f3gico e est\u00e9tica anal\u00f3gica. O sucesso do projeto levou Parsons a dirigir seu primeiro longa-metragem, <em>Backrooms: Um N\u00e3o-Lugar<\/em> (2026), produzido pela A24 e estrelado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.<\/p>\n<p>J\u00e1 Curry Barker abandonou a escola de cinema para tentar a sorte como ator, como roteirista e diretor. Acabou fazendo as tr\u00eas atividades numa competitiva ind\u00fastria em Los Angeles, junto com o colega Cooper Tomlinson, com quem criou o canal de esquetes <em>That&#8217;s a Bad Idea<\/em>. Barker dirigiu curtas premiados e alcan\u00e7ou destaque com <em>Milk &amp; Serial<\/em> (2024), filme de terror produzido por apenas US$ 800 e que se tornou um fen\u00f4meno online. Inspirado num epis\u00f3dio de Os Simpsons, ele desenvolveu a hist\u00f3ria de Obsess\u00e3o, que produziu com menos de US$ 1 milh\u00e3o. Exibido no Toronto International Film Festival, o filme gerou uma disputa entre est\u00fadios de Hollywood, resultando em um acordo milion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mais do que sucessos isolados, <em>Obsess\u00e3o <\/em>e <em>Backrooms: Um N\u00e3o-Lugar <\/em>demonstram como o terror continua sendo um dos g\u00eaneros mais eficazes para revelar tend\u00eancias de comportamento e consumo entre os jovens, consolidando-se como uma porta de entrada para uma nova gera\u00e7\u00e3o de cineastas e espectadores.<\/p>\n<p>No passado, nomes como Steven Spielberg, George Lucas, John Carpenter e James Cameron constru\u00edram suas carreiras a partir de produ\u00e7\u00f5es modestas antes de alcan\u00e7ar Hollywood. Hoje, vemos criadores que fazem um percurso semelhante, mas utilizando a internet como principal plataforma de desenvolvimento. Hoje, vemos jovens mentes criativas, que entendem o que est\u00e3o fazendo e mais, entendem exatamente para quem produzem conte\u00fado no ambiente digital.<\/p>\n<p>Na realidade, a an\u00e1lise dos dois jornalistas no <em>The New York Times<\/em> mostra que, no fim, n\u00e3o \u00e9 o dinheiro que conta, n\u00e3o s\u00e3o os efeitos especiais ou nomes famosos no elenco. O que continua atraindo o p\u00fablico, seja de qualquer gera\u00e7\u00e3o ou formato, \u00e9 uma boa hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo o chamado filme B, popularizado por produtores como Roger Corman a partir dos anos 1950 e 1960,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":513492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-513491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/513491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=513491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/513491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/513492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=513491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=513491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=513491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}