{"id":511757,"date":"2026-06-24T09:24:39","date_gmt":"2026-06-24T13:24:39","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=511757"},"modified":"2026-06-24T09:24:39","modified_gmt":"2026-06-24T13:24:39","slug":"amarelinha-pirata-aquece-mercado-bilionario-de-camisas-falsas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=511757","title":{"rendered":"\u201cAmarelinha pirata\u201d aquece mercado bilion\u00e1rio de camisas falsas no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A camisa falsa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol virou a parte mais vis\u00edvel de um mercado que n\u00e3o se limita ao torcedor que procura uma vers\u00e3o mais barata para assistir \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/esportes\/\">Copa do Mundo<\/a>. Por tr\u00e1s da \u201cr\u00e9plica\u201d vendida em lojas populares e na internet, h\u00e1 uma cadeia de falsifica\u00e7\u00e3o que passa por cargas importadas, com\u00e9rcio digital, perda de arrecada\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia direta com empresas que atuam dentro da lei.<\/p>\n<p>A Receita Federal diz que ainda n\u00e3o h\u00e1 um balan\u00e7o nacional sobre apreens\u00f5es ligadas especificamente \u00e0 Copa do Mundo ou \u00e0 sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol. Mesmo assim, uma amostragem feita pelo \u00f3rg\u00e3o at\u00e9 maio re\u00fane mais de 965,5 mil camisas com poss\u00edvel viola\u00e7\u00e3o de direitos de propriedade intelectual. O recorte inclui opera\u00e7\u00f5es no Porto de Santos, no Rio de Janeiro, em Boa Vista e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Somente essa amostragem tem valor de mercado estimado em cerca de R$ 50 milh\u00f5es, de acordo com a Receita. O impacto em tributos que deixariam de ser pagos chega a R$ 39 milh\u00f5es. O \u00f3rg\u00e3o informa que as apreens\u00f5es fazem parte da rotina de fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas reconhece que produtos falsificados ligados a grandes eventos ou itens \u201cda moda\u201d costumam aparecer com mais for\u00e7a.<\/p>\n<p>No caso das camisas apreendidas pela Receita, a origem \u00e9 majoritariamente externa. O \u00f3rg\u00e3o explica que sua atua\u00e7\u00e3o ocorre sobre casos de contrabando e descaminho de mercadorias vindas de fora do pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, dados precisos sobre os pa\u00edses de origem mais frequentes.<\/p>\n<p>A forma de entrada varia. Em algumas opera\u00e7\u00f5es, as pe\u00e7as aparecem ocultas entre outros produtos. Em outras, os respons\u00e1veis sequer tentam escond\u00ea-las.<\/p>\n<h2>Pirataria consome um ter\u00e7o do mercado esportivo nacional<\/h2>\n<p>Estudo mais recente da Associa\u00e7\u00e3o pela Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Esportivo (\u00c1pice) ajuda a dimensionar o tamanho do problema fora dos dep\u00f3sitos da Receita. Em 2025, o Brasil consumiu 225,1 milh\u00f5es de produtos esportivos n\u00e3o originais, alta de 29,8% sobre 2023.<\/p>\n<p>A pirataria j\u00e1 representa 34% do mercado esportivo brasileiro. O preju\u00edzo potencial ao setor formal foi estimado em R$ 31,8 bilh\u00f5es, com R$ 7,4 bilh\u00f5es em impostos n\u00e3o recolhidos.<\/p>\n<p>No recorte de camisas de futebol, foram 18,1 milh\u00f5es de pe\u00e7as falsificadas consumidas no ano passado. O n\u00famero representa 30% do mercado de camisas de futebol e um preju\u00edzo potencial de R$ 3,6 bilh\u00f5es. A pesquisa n\u00e3o separa entre camisas da sele\u00e7\u00e3o brasileira, clubes nacionais, times estrangeiros ou outras sele\u00e7\u00f5es. O recorte considera qualquer pe\u00e7a ligada ao futebol, de jogo, treino ou passeio.<\/p>\n<p>Diretor-executivo da \u00c1pice, Renato Jardim diz que a Copa amplia a procura por camisas de sele\u00e7\u00f5es, mas afirma que ainda n\u00e3o h\u00e1 uma estimativa fechada sobre o tamanho desse avan\u00e7o em 2026. O movimento, explica ele, n\u00e3o significa apenas crescimento direto do mercado. H\u00e1 tamb\u00e9m um efeito de substitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o torcedor tende a comprar mais camisas de sele\u00e7\u00f5es no per\u00edodo do Mundial, enquanto o consumo de camisas de clubes pode perder for\u00e7a temporariamente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Pre\u00e7o alto pesa na decis\u00e3o do consumidor<\/h2>\n<p>O pre\u00e7o \u00e9 uma parte importante dessa engrenagem. No estudo da \u00c1pice, 69% dos consumidores apontaram o valor mais baixo como motiva\u00e7\u00e3o para comprar produto esportivo pirata.<\/p>\n<p>Jardim reconhece que o custo da camisa oficial pesa na decis\u00e3o de compra e associa parte disso ao chamado &#8220;custo Brasil&#8221;, ou seja, o conjunto de impostos, burocracias e encargos que encarecem a produ\u00e7\u00e3o e a venda formal no pa\u00eds. \u201cSim, o &#8216;custo Brasil&#8217; tem um peso enorme nisso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor da \u00c1pice, camisas oficiais vendidas dentro do mercado formal carregam uma carga tribut\u00e1ria elevada, especialmente quando s\u00e3o importadas. Ele diz que, nesses casos, <strong>os impostos podem superar metade do pre\u00e7o final ao consumidor<\/strong>. Para pe\u00e7as produzidas no Brasil, a carga tamb\u00e9m seria alta, mas menor.<\/p>\n<p>Esse peso tribut\u00e1rio, na avalia\u00e7\u00e3o de Jardim, ajuda a explicar a dist\u00e2ncia entre a camisa oficial e a pe\u00e7a falsificada. Ainda assim, ele afirma que o pre\u00e7o n\u00e3o elimina o preju\u00edzo provocado pela pirataria. \u201cO maior prejudicado de toda essa hist\u00f3ria \u00e9 o consumidor\u201d, afirma.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Produtos falsificados podem estar ligados n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 importa\u00e7\u00e3o irregular, mas tamb\u00e9m \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o, empresas de fachada, lavagem de dinheiro e redes criminosas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quem compra uma pe\u00e7a pirata paga menos, mas recebe um produto de qualidade inferior, com baixa durabilidade, sem garantia e sem canal formal para troca ou contesta\u00e7\u00e3o. Jardim tamb\u00e9m aponta risco ligado ao uso de <strong>produtos qu\u00edmicos<\/strong> em etapas como acabamento, tingimento e estamparia. \u201cEle n\u00e3o tem a quem reclamar e n\u00e3o tem com quem trocar\u201d, diz.<\/p>\n<p>A Receita tamb\u00e9m reconhece que muitos consumidores consideram alto o pre\u00e7o das camisas oficiais, mas afirma que combater a falsifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 defender pre\u00e7o alto. O combate \u00e0 pirataria, sustenta o \u00f3rg\u00e3o, passa pela defesa da legalidade, da arrecada\u00e7\u00e3o, dos empregos formais e da concorr\u00eancia justa. Produtos falsificados podem estar ligados n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 importa\u00e7\u00e3o irregular, mas tamb\u00e9m \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o, empresas de fachada, lavagem de dinheiro e redes criminosas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>A cadeia por tr\u00e1s da camisa falsa<\/h2>\n<p>Jardim v\u00ea a pirataria como parte de uma cadeia maior. Para ele, a imagem do ambulante vendendo uma pe\u00e7a na esquina j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 conta de explicar o funcionamento desse mercado.<\/p>\n<p>\u201cA pirataria est\u00e1 diretamente relacionada a organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, sinaliza. \u201cO ambulante \u00e9 meramente um pequeno ator ali, sendo usado por uma organiza\u00e7\u00e3o geralmente muito maior.\u201d<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do com\u00e9rcio digital ampliou o alcance desse mercado. A \u00c1pice aponta que 41% das camisas de futebol falsificadas foram vendidas por canais digitais em 2025. Jardim avalia que essa curva deve se inverter em 2026, com o <em>online<\/em> se tornando o principal canal de escoamento desse tipo de produto. \u201cEsse \u00e9 o maior desafio que n\u00f3s temos nesse momento. O canal <em>online<\/em> cresce e cresce muito rapidamente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ele, o problema deixou de estar apenas nos grandes carregamentos fiscalizados em portos e aeroportos. Parte da pirataria passou a circular por pequenas encomendas, vendidas por <em>marketplaces<\/em>, redes sociais e opera\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as.<\/p>\n<p>Jardim defende mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o para ampliar a responsabilidade de plataformas digitais na identifica\u00e7\u00e3o de an\u00fancios ilegais, vendedores reincidentes e produtos falsificados. Tamb\u00e9m v\u00ea espa\u00e7o para uso mais intenso de intelig\u00eancia artificial na derrubada desse tipo de oferta.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe bala de prata\u201d, diz. Para o diretor da \u00c1pice, marcas, plataformas e poder p\u00fablico precisam atuar de forma coordenada, porque cada barreira criada pelo mercado legal tende a ser respondida com novas estrat\u00e9gias pelos falsificadores.<\/p>\n<p>Quando a fiscaliza\u00e7\u00e3o fala em proteger a ind\u00fastria nacional e o mercado legal, o alvo n\u00e3o \u00e9 apenas uma marca espec\u00edfica. A Receita diz que essa prote\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a toda a cadeia formal do setor, incluindo empresas que produzem, importam, distribuem e vendem dentro da lei.<\/p>\n<p>A Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil, foi procurada pela reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, mas optou por n\u00e3o se manifestar neste momento. O Conselho Nacional de Combate \u00e0 Pirataria, vinculado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, tamb\u00e9m foi procurado, mas n\u00e3o respondeu at\u00e9 esta publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que acontece com as pe\u00e7as falsificadas depois que elas s\u00e3o apreendidas? A Receita diz que, quando poss\u00edvel, as camisas s\u00e3o descaracterizadas, com retirada de marcas e elementos que violem direitos de propriedade intelectual e encaminhadas para doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando esse tratamento n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, a mercadoria \u00e9 destru\u00edda. Na pr\u00e1tica, a camisa falsa s\u00f3 ganha uma segunda chance se deixar de imitar a original.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A camisa falsa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol virou a parte mais vis\u00edvel de um mercado que n\u00e3o se limita&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":511621,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-511757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/511757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=511757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/511757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/511621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=511757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=511757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=511757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}