{"id":509695,"date":"2026-06-22T20:00:00","date_gmt":"2026-06-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=509695"},"modified":"2026-06-22T20:00:00","modified_gmt":"2026-06-23T00:00:00","slug":"produtividade-brasileira-volta-ao-nivel-de-1958-e-trava-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=509695","title":{"rendered":"Produtividade brasileira volta ao n\u00edvel de 1958 e trava crescimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A produtividade da economia brasileira caiu 18,5% em 30 anos, segundo o <em>Conference Board<\/em>, um <em>think tank<\/em> americano, e est\u00e1 em n\u00edveis pr\u00f3ximos aos de 1958. O pico foi alcan\u00e7ado em 1980 e, desde ent\u00e3o, a produtividade caiu, tirando o pa\u00eds de posi\u00e7\u00f5es mais relevantes na economia global.<\/p>\n<p>Considerada por economistas o principal motor do crescimento sustent\u00e1vel da renda e dos sal\u00e1rios, a produtividade \u00e9 a capacidade de produzir mais riqueza com a mesma quantidade de recursos, seja m\u00e3o de obra, capital ou tecnologia. Quando ela aumenta, trabalhadores e empresas conseguem gerar mais valor sem necessariamente ampliar o n\u00famero de empregados, m\u00e1quinas ou horas trabalhadas.<\/p>\n<p><em>(Esta reportagem faz parte da s\u00e9rie\u00a0<strong>Brasil Rico<\/strong>, que aborda as escolhas erradas que travam o avan\u00e7o da economia e os caminhos para transformar o pa\u00eds em uma na\u00e7\u00e3o de alta renda.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/brasil-rico\/\">Confira aqui os outros textos da s\u00e9rie<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>Outro estudo, do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Ibre), mostra que houve um crescimento t\u00edmido da produtividade do trabalho entre 1996 e 2025, concentrado na agropecu\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>O crescimento de 6,1% no per\u00edodo \u00e9 explicado pela rejei\u00e7\u00e3o ao protecionismo estatal. Em vez de se proteger atr\u00e1s de muros alfandeg\u00e1rios, o agroneg\u00f3cio enfrentou a livre concorr\u00eancia global. Para liderar nesse cen\u00e1rio, o setor absorveu investimentos maci\u00e7os em agrotecnologias, gen\u00e9tica de vanguarda e t\u00e9cnicas de plantio moderno, com suporte estrat\u00e9gico da Embrapa.<\/p>\n<p>Apesar disso, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/estagnacao-economia-brasileira-40-anos-pib\/\">o PIB nacional expande-se abaixo do ritmo globa<\/a>l, gerando perda cont\u00ednua de participa\u00e7\u00e3o na economia mundial. Em 1980, o Brasil detinha 2,8% do PIB global; em 2024, esse n\u00famero recuou para 2,1%, segundo o Banco Mundial.<\/p>\n<p>Com expans\u00e3o m\u00e9dia anual de apenas 2,2%, o pa\u00eds ocupa a 102\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking de crescimento entre 153 na\u00e7\u00f5es. O Brasil fica atr\u00e1s de pa\u00edses que enfrentaram conflitos internos ou externos, como Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Nig\u00e9ria, Ir\u00e3 e Iraque.<\/p>\n<p>Segundo S\u00edlvia Matos, do FGV Ibre, o crescimento das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas apoiou-se principalmente no aumento do volume de m\u00e3o de obra empregada. Historicamente, o Brasil se beneficiou do chamado b\u00f4nus demogr\u00e1fico \u2014 o per\u00edodo em que a popula\u00e7\u00e3o em idade ativa cresce mais que a de dependentes \u2014, impulsionando o PIB com o ingresso de mais trabalhadores no mercado.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, por\u00e9m, n\u00e3o poder\u00e1 mais contar com essa expans\u00e3o baseada no &#8220;ac\u00famulo de bra\u00e7os&#8221;. Ela adverte que o Brasil atravessa uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural irrevers\u00edvel: a taxa de crescimento populacional recuou de 0,8% ao ano em 2015 para a metade em 2024 e deve chegar a zero nos pr\u00f3ximos 15 anos.<\/p>\n<p>Para S\u00edlvia, com o fim do b\u00f4nus demogr\u00e1fico n\u00e3o basta crescer acumulando fatores de produ\u00e7\u00e3o: o pa\u00eds precisar\u00e1 focar em produtividade.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Raio-x da baixa produtividade no Brasil<\/h2>\n<p>O F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (WEF) e o Instituto IMD, uma das escolas de neg\u00f3cios mais prestigiadas do mundo, localizada na Su\u00ed\u00e7a, apontam seis gargalos estruturais que travam a produtividade no Brasil:<\/p>\n<h3>1. Labirinto regulat\u00f3rio <\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/burocracia-inseguranca-juridica-crescimento-brasil\/\">Os problemas institucionais e burocr\u00e1ticos<\/a> refletem a m\u00e1 posi\u00e7\u00e3o do Brasil em levantamentos globais sobre o ambiente de neg\u00f3cios. O pa\u00eds ficou em primeiro lugar no \u00cdndice Global de Complexidade Corporativa (GBCI) do TMF Group em 2021 e 2022, passando para a sexta coloca\u00e7\u00e3o no relat\u00f3rio de 2025.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial destaca a burocracia governamental como um dos maiores entraves para a opera\u00e7\u00e3o de companhias no Brasil.<\/p>\n<p>A estrutura tribut\u00e1ria e o volume de normas, por exemplo, exigem que empresas aloquem alto volume de tempo e recursos financeiros.<\/p>\n<p>Outro problema s\u00e3o as constantes mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT) contabilizou a cria\u00e7\u00e3o de 2,36 normas por hora \u00fatil entre 1988 e o segundo semestre de 2025.<\/p>\n<p>A constante altera\u00e7\u00e3o das leis e a judicializa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais freiam o planejamento das empresas e a atra\u00e7\u00e3o de capital de longo prazo. Por outro lado, a aus\u00eancia de marcos legais permanentes e a instabilidade nas interpreta\u00e7\u00f5es de leis, como a de fal\u00eancias, interferem na realiza\u00e7\u00e3o de investimentos. &#8220;No Brasil, at\u00e9 o passado \u00e9 incerto&#8221;, diz S\u00edlvia Matos.<\/p>\n<h3>2. Descompasso no mercado de trabalho<\/h3>\n<p>Apesar da atual taxa reduzida de desemprego, o Instituto IMD avalia que a simples absor\u00e7\u00e3o de profissionais n\u00e3o se traduz em maior competitividade.<\/p>\n<p>A principal raiz da inefici\u00eancia reside na baixa qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e nos gargalos cr\u00f4nicos do sistema de ensino. H\u00e1 tamb\u00e9m a escassez de profissionais preparados para as demandas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios anuais do Instituto IMD apontam esses fatores como obst\u00e1culos priorit\u00e1rios, recomendando que o pa\u00eds &#8220;garanta o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e oportunidades de aprendizado cont\u00ednuo&#8221;. Os documentos tamb\u00e9m destacam a urg\u00eancia de &#8220;requalificar e atualizar profissionais para mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas din\u00e2micas&#8221;.<\/p>\n<h3>3. Atraso em inova\u00e7\u00e3o e tecnologia<\/h3>\n<p>Na infraestrutura tecnol\u00f3gica, o Brasil caiu da 58\u00aa coloca\u00e7\u00e3o (2022) para a 60\u00aa (2025). A Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), parceira do Instituto IMD no pa\u00eds, j\u00e1 mostrava em 2022 que um dos principais desafios era &#8220;encorajar maiores incentivos para investimentos em infraestrutura e desenvolvimento de tecnologia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A competitividade decorre do investimento tecnol\u00f3gico e da efici\u00eancia, e n\u00e3o de subs\u00eddios ou barreiras alfandeg\u00e1rias&#8221;, diz Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, comparando o agro \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Na infraestrutura cient\u00edfica, o desempenho do Brasil \u00e9 comparativamente melhor, embora estagnado: 36\u00ba lugar em 2022, 40\u00ba em 2024 e 39\u00ba em 2025. Os dados evidenciam a dificuldade das institui\u00e7\u00f5es em manter ritmo de avan\u00e7o e converter a base de pesquisas em ganhos de mercado. Para reverter o quadro, o relat\u00f3rio de 2025 tra\u00e7a como meta &#8220;avan\u00e7ar a capacidade de inova\u00e7\u00e3o por meio de investimento e de colabora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A defasagem nessas frentes atua como limite direto \u00e0 efici\u00eancia dos neg\u00f3cios e \u00e0 produtividade do Brasil, que caiu para a 62\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking geral de competitividade de 2025. O documento destaca que a &#8220;capacidade das organiza\u00e7\u00f5es de desenvolver inova\u00e7\u00f5es de ponta&#8221; \u00e9 um dos maiores obst\u00e1culos contempor\u00e2neos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para que a ado\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ocorra de forma efetiva, os levantamentos indicam que os aportes financeiros devem vir acompanhados da requalifica\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o de profissionais para as din\u00e2micas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<h3>4. N\u00f3 log\u00edstico que encarece o Brasil<\/h3>\n<p>O Instituto IMD aponta infraestrutura e log\u00edstica como entraves cr\u00f4nicos ao desempenho da economia brasileira.\u00a0A institui\u00e7\u00e3o, que recomenda de forma reiterada a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para a moderniza\u00e7\u00e3o log\u00edstica, indica que as defici\u00eancias nas malhas de escoamento limitam a expans\u00e3o do setor produtivo.<\/p>\n<p>A escola de neg\u00f3cios su\u00ed\u00e7a aponta que um dos focos deveria ser a cria\u00e7\u00e3o de maiores incentivos para investimentos em tecnologia e infraestrutura, bem como a necessidade de o governo atualizar a infraestrutura nacional para dar suporte ao avan\u00e7o da produtividade do Brasil.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o desse gargalo eleva os custos de transa\u00e7\u00e3o para as empresas e restringe a inser\u00e7\u00e3o do mercado interno nas cadeias globais de valor. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo, calculou que em 2021 os entraves de neg\u00f3cios geraram um \u00f4nus extra de R$ 1,7 trilh\u00e3o ao setor produtivo.<\/p>\n<h3>5. Protecionismo cr\u00f4nico<\/h3>\n<p>Outro entrave estrutural \u00e9 o isolamento comercial brasileiro. Dados do Banco Mundial apontam que a abertura comercial do Brasil em 2024 era similar \u00e0 que o mundo registrara meio s\u00e9culo antes e \u00e0 da Am\u00e9rica Latina e Caribe em 1999. O cen\u00e1rio decorre da ado\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do modelo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, que ergueu barreiras para proteger a ind\u00fastria nascente, mas se converteu em reserva de mercado permanente.<\/p>\n<p>Segundo a OMC, a tarifa m\u00e9dia de importa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 de 12%, ante 8,6% mundial \u2014 diferen\u00e7a que coloca o pa\u00eds entre as economias mais fechadas do mundo. A isso se somam barreiras n\u00e3o tarif\u00e1rias, que ampliam o custo de acesso ao mercado brasileiro.<\/p>\n<p>Segundo Lia Valls, doutora em Economia e professora da UERJ, esse processo gerou interesses setoriais poderosos que resistem \u00e0 abertura. &#8220;Voc\u00ea vai criando mercados cativos. Ent\u00e3o, a ind\u00fastria resiste a essa abertura.&#8221;<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o alimenta um ciclo de inefici\u00eancia: a falta de competi\u00e7\u00e3o aumenta a demanda por mais prote\u00e7\u00e3o, &#8220;tornando mais barato ir a Bras\u00edlia com o objetivo de manter ou aumentar a prote\u00e7\u00e3o do que investir em novas tecnologias&#8221;, diz Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.<\/p>\n<h3>6. Instabilidade macroecon\u00f4mica<\/h3>\n<p>A estabilidade macroecon\u00f4mica \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o planejamento de longo prazo e o investimento, destaca o WEF. Varia\u00e7\u00f5es na infla\u00e7\u00e3o alteram a previsibilidade de pre\u00e7os e de retornos financeiros, afetando a disposi\u00e7\u00e3o dos investidores de aportar capital.<\/p>\n<p>D\u00e9ficits fiscais restringem a capacidade dos governos de reagir aos ciclos econ\u00f4micos e de destinar recursos para medidas de competitividade. O setor p\u00fablico consolidado registra d\u00e9ficits desde novembro de 2014, o que imp\u00f5e limites ao investimento estatal.<\/p>\n<p>A taxa de poupan\u00e7a dom\u00e9stica atingiu 14,5% do PIB em 2026 \u2014 volume insuficiente para financiar o investimento nacional, de 17% do PIB no mesmo per\u00edodo, ante uma m\u00e9dia global de 26%. Essa reten\u00e7\u00e3o interna de capital obriga o pa\u00eds a importar poupan\u00e7a externa.<\/p>\n<p>Por fim, a necessidade de direcionar capital para juros sobre d\u00edvidas passadas reduz a margem do Estado para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, encarece o cr\u00e9dito corporativo e barra a expans\u00e3o do investimento privado.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produtividade da economia brasileira caiu 18,5% em 30 anos, segundo o Conference Board, um think tank americano, e est\u00e1&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":509249,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-509695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/509695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=509695"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/509695\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/509249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=509695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=509695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=509695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}