{"id":508532,"date":"2026-06-22T08:36:06","date_gmt":"2026-06-22T12:36:06","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=508532"},"modified":"2026-06-22T08:36:06","modified_gmt":"2026-06-22T12:36:06","slug":"familias-brasileiras-dizem-defender-liberdade-mas-querem-internet-controlada-pelo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=508532","title":{"rendered":"Fam\u00edlias brasileiras dizem defender liberdade, mas querem internet controlada pelo governo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/22093022\/familia.jpg.webp\" \/><span>(Foto: Imagem criada utilizando Open AI\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Pesquisa exclusiva da Market Analysis em parceria com o Family Talks revela algo forte sobre internet: 72% dos brasileiros apoiam a ado\u00e7\u00e3o, no Brasil, de uma legisla\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 australiana para restringir o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Ao mesmo tempo, 61% dizem que s\u00e3o as fam\u00edlias quem devem decidir a rela\u00e7\u00e3o entre os filhos e internet.<\/p>\n<p>A pesquisa vai muito al\u00e9m desses n\u00fameros, contradit\u00f3rios entre si. Mostra um pa\u00eds acuado diante da tecnologia, convencido de que a fam\u00edlia deve proteger seus filhos, mas cada vez mais disposto a entregar ao Estado o controle da porta de entrada da internet.<\/p>\n<p>O estudo ouviu 1.011 brasileiros adultos, das cinco regi\u00f5es do pa\u00eds, de todas as classes socioecon\u00f4micas, entre 1.\u00ba e 16 de janeiro de 2026. A amostra foi organizada com cotas cruzadas de regi\u00e3o, idade, sexo e classe social, para garantir representatividade dos diferentes grupos demogr\u00e1ficos. A pesquisa foi realizada pela consultoria Market Analysis em parceria com o Family Talks, uma ONG brasileira, classificada como OSCIP, que atua no fortalecimento das fam\u00edlias no debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>O Family Talks surgiu a partir da Associa\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento da Fam\u00edlia, criada em 1978, e passou a atuar com advocacy desde 2017. Sua frente de trabalho envolve rela\u00e7\u00f5es governamentais, produ\u00e7\u00e3o de pesquisas e atua\u00e7\u00e3o na opini\u00e3o p\u00fablica, sempre com a tese de que fam\u00edlias fortalecidas s\u00e3o uma estrat\u00e9gia central de prote\u00e7\u00e3o social. Isso importa porque a pesquisa n\u00e3o parte de uma vis\u00e3o que despreza a fam\u00edlia. Ao contr\u00e1rio, ela coloca a fam\u00edlia no centro do problema. Justamente por isso, o resultado \u00e9 t\u00e3o relevante.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, 58,8% dos entrevistados afirmam que as redes sociais prejudicam mais do que beneficiam crian\u00e7as e adolescentes. Entre aqueles que enxergam preju\u00edzo maior, o apoio \u00e0 regula\u00e7\u00e3o cresce. A conclus\u00e3o \u00e9 intuitiva: quanto mais a pessoa percebe dano concreto \u00e0 sa\u00fade mental, ao desenvolvimento, ao bem-estar e \u00e0 rotina dos jovens, mais ela aceita uma interven\u00e7\u00e3o estatal sem nem questionar as consequ\u00eancias.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>N\u00e3o basta dizer que os pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos. \u00c9 preciso perguntar se eles sabem como fazer isso. Vamos ao m\u00ednimo do m\u00ednimo. \u00c9 preciso que os pais saibam diferenciar configura\u00e7\u00e3o de privacidade de controle parental<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que esse apoio \u00e9 amplo e transversal. N\u00e3o aparece apenas entre pais, m\u00e3es, conservadores, progressistas, pessoas com filhos ou grupos espec\u00edficos. Homens e mulheres, pessoas com e sem filhos e diferentes perfis de uso digital demonstram apoio expressivo \u00e0 ideia de restringir o acesso de menores de 16 anos \u00e0s redes sociais. O tema, portanto, j\u00e1 deixou de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o de nicho. Virou um consenso social em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil segue uma tend\u00eancia internacional. Na Austr\u00e1lia, cerca de 70% dos adultos apoiam a proibi\u00e7\u00e3o do uso de redes sociais por menores de 16 anos. Uma pesquisa da Ipsos realizada em 2025, em 30 pa\u00edses, indicou que, em m\u00e9dia, 71% defendem restri\u00e7\u00f5es para crian\u00e7as abaixo de 14 anos. Na Europa, pa\u00edses como Fran\u00e7a, Espanha e Portugal discutem ou implementam medidas semelhantes. Nos Estados Unidos, o debate mistura consentimento parental, sa\u00fade mental, seguran\u00e7a online e responsabiliza\u00e7\u00e3o das plataformas. Nada disso torna a solu\u00e7\u00e3o simples.<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 ainda o Projeto de Lei 1827\/2026, protocolado na <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/camara-dos-deputados\/\">C\u00e2mara dos Deputados<\/a>, que prop\u00f5e restri\u00e7\u00f5es ao acesso de menores de 16 anos \u00e0s redes sociais. A pesquisa mostra que uma proposta desse tipo encontraria terreno f\u00e9rtil na opini\u00e3o p\u00fablica. E aqui come\u00e7a o problema.<\/p>\n<p>O dado mais revelador talvez n\u00e3o seja o apoio de 72% \u00e0 regula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o fato de que 61,2% dos entrevistados atribuem majoritariamente aos pais a responsabilidade por minimizar os preju\u00edzos das redes sociais na vida de crian\u00e7as e adolescentes. Ou seja, a maioria acredita que a responsabilidade \u00e9 da fam\u00edlia, mas apoia que o Estado intervenha para controlar o acesso.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma aparente contradi\u00e7\u00e3o nos dados. De um lado, existe o consenso de que a responsabilidade por manter crian\u00e7as e adolescentes seguros na internet \u00e9 principalmente dos pais, como se fosse um direito e uma obriga\u00e7\u00e3o exclusiva da fam\u00edlia manter o dom\u00ednio sobre essa situa\u00e7\u00e3o, evitando qualquer interven\u00e7\u00e3o externa. De outro, reconhece-se que as fam\u00edlias t\u00eam poucos recursos para lidar sozinhas com um problema dessa dimens\u00e3o\u201d, explica Fabi\u00e1n Echegaray, diretor da Market Analysis.<\/p>\n<p>Essa aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, o retrato de um pa\u00eds que n\u00e3o sabe mais como exercer liberdade diante de problemas complexos. A fam\u00edlia quer continuar sendo reconhecida como respons\u00e1vel, deseja conservar a autoridade moral sobre os filhos e tamb\u00e9m ter a \u00faltima palavra sobre a educa\u00e7\u00e3o deles. Mas a resposta \u00e9 oposta quando a pergunta deixa o campo dos princ\u00edpios e entra na rotina concreta de uma crian\u00e7a com celular na m\u00e3o, algoritmos agressivos, v\u00eddeos infinitos, pornografia, jogos, influenciadores, desafios, dopamina barata e uma ind\u00fastria inteira desenhada para capturar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>A internet chegou ao Brasil antes da educa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para lidar com ela. Isso, infelizmente, gerou o contexto em que fam\u00edlias sentem que falham ao proteger os filhos e, no desespero, acabam aceitando a tutela do Estado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A fam\u00edlia olha para si mesma e percebe que n\u00e3o d\u00e1 conta. A casa brasileira foi invadida por sistemas tecnol\u00f3gicos que nenhum pai,\u00a0 isoladamente, projetou, compreende ou consegue enfrentar em igualdade de condi\u00e7\u00f5es. A responsabilidade continuou sendo da fam\u00edlia, mas o poder real migrou para empresas que organizam a aten\u00e7\u00e3o, a recompensa, a compara\u00e7\u00e3o social e a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de crian\u00e7as e adolescentes em escala industrial. Falando francamente, os pr\u00f3prios adultos sentem que n\u00e3o conseguem se proteger de manipula\u00e7\u00f5es virtuais.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, ao se sentir impotente, a fam\u00edlia pede socorro ao Estado. N\u00e3o sair\u00e1 de gra\u00e7a. Para ser socorrida, a fam\u00edlia precisa aceitar ser tutelada. O debate sobre restri\u00e7\u00e3o de idade nas redes sociais costuma come\u00e7ar com uma frase simples: crian\u00e7as precisam ser protegidas. \u00c9 uma frase verdadeira. A dificuldade est\u00e1 no mecanismo escolhido para executar essa prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para impedir que uma crian\u00e7a acesse determinada plataforma, \u00e9 preciso identificar quem \u00e9 crian\u00e7a. Para identificar quem \u00e9 crian\u00e7a, \u00e9 preciso identificar quem \u00e9 adulto. E, a partir da\u00ed, a pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o infantil passa a produzir uma consequ\u00eancia que quase nunca aparece com clareza no debate p\u00fablico: todos os adultos podem ser obrigados a ceder todos seus dados para monitoramento com a finalidade de provar quem s\u00e3o para ter acesso \u00e0 rede.<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 proteger menores de idade mas a consequ\u00eancia \u00e9 criar uma infraestrutura permanente de identifica\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios adultos. Essa identifica\u00e7\u00e3o pode envolver documento, biometria, verifica\u00e7\u00e3o por terceiros, cruzamento de bases, reconhecimento facial, compara\u00e7\u00e3o de dados ou outros mecanismos t\u00e9cnicos que ainda ser\u00e3o vendidos como neutros, seguros e inevit\u00e1veis. O problema \u00e9 que nada disso \u00e9 neutro e se trata de coleta massiva de dados.<\/p>\n<p>Quem guardar\u00e1 esses dados? Por quanto tempo? Com que finalidade? O que ser\u00e1 coletado al\u00e9m da idade? Quem audita o sistema? O que acontece se houver vazamento? Quem responde se uma base com documentos, rostos, perfis e h\u00e1bitos de navega\u00e7\u00e3o for exposta? O usu\u00e1rio poder\u00e1 recusar? Poder\u00e1 contestar erro? Haver\u00e1 rastreabilidade entre identidade civil e conte\u00fado acessado? O Estado poder\u00e1 requisitar esses dados? Empresas poder\u00e3o us\u00e1-los para outros fins? Plataformas poder\u00e3o combinar essa verifica\u00e7\u00e3o com seus pr\u00f3prios bancos de dados comportamentais?<\/p>\n<p>\u00c9 muito fazer a popula\u00e7\u00e3o aceitar controle quando a justificativa \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. Quem levanta obje\u00e7\u00f5es passa a parecer insens\u00edvel ao sofrimento de crian\u00e7as e adolescentes. Mas uma sociedade livre precisa ter coragem de fazer perguntas inc\u00f4modas justamente quando a justificativa moral parece irrecus\u00e1vel. Medidas de vigil\u00e2ncia raramente s\u00e3o apresentadas como vigil\u00e2ncia. Elas costumam chegar embaladas como seguran\u00e7a, cuidado, efici\u00eancia, combate ao crime, prote\u00e7\u00e3o de vulner\u00e1veis ou moderniza\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Nesse caso espec\u00edfico, a prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pode ser \u00e9 necess\u00e1ria. S\u00f3 que entrou no pacote sem discuss\u00e3o uma coisa bem diferente, a identifica\u00e7\u00e3o e cess\u00e3o de dados compuls\u00f3ria de adultos. Mais grave ainda \u00e9 o fato de que a medida pode n\u00e3o entregar o que promete. Crian\u00e7as e adolescentes burlam regras. Usam contas de familiares. Mentem a idade. Migram para plataformas menos reguladas. Entram por dispositivos de terceiros. Procuram brechas.<\/p>\n<p>Quanto maior a restri\u00e7\u00e3o formal, maior pode ser o incentivo para circular por ambientes ainda menos vis\u00edveis aos pais. O risco \u00e9 criar uma pol\u00edtica que n\u00e3o protege plenamente as crian\u00e7as, mas normaliza a identifica\u00e7\u00e3o de todos os adultos. Nesse caso, o \u00f4nus real da medida n\u00e3o recai apenas sobre as plataformas. Recai sobre a sociedade inteira.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as empresas de tecnologia t\u00eam responsabilidade. O design das <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/redes-sociais\/\">redes sociais<\/a> n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno natural. Ele foi criado para capturar aten\u00e7\u00e3o, estimular perman\u00eancia, produzir depend\u00eancia, explorar compara\u00e7\u00e3o social e transformar comportamento em dado comercial. N\u00e3o h\u00e1 inoc\u00eancia empresarial nesse processo. As plataformas n\u00e3o podem continuar tratando crian\u00e7as como usu\u00e1rios comuns, enxergando a a\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias como obst\u00e1culo e admitindo manipula\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas como parte do modelo de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Reconhecer a responsabilidade das empresas \u00e9 muito diferente de aceitar qualquer solu\u00e7\u00e3o estatal apresentada como prote\u00e7\u00e3o. O debate s\u00e9rio precisa distinguir claramente regulamenta\u00e7\u00e3o de tutela ilimitada do Estado.<\/p>\n<p>Voltando ao estudo do Family Talks, a grande quest\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o do desespero que leva fam\u00edlias a se dizerem respons\u00e1veis pelos filhos nas redes sociais mas toparem terceirizar isso ao Estado.<\/p>\n<p>Existe uma raz\u00e3o forte, sobre a qual poucas pessoas pensam. \u201cTr\u00eas em cada dez adultos brasileiros s\u00e3o analfabetos funcionais, segundo dados recentes. Todas as estrat\u00e9gias de capacita\u00e7\u00e3o familiar e educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, hoje, est\u00e3o baseadas em materiais para leitura, consultas, cartilhas, enfim, quase sempre materiais que exigem um n\u00edvel educacional que a maioria das pessoas n\u00e3o t\u00eam. Enquanto n\u00e3o houver medidas p\u00fablicas e privadas para capacita\u00e7\u00e3o digital das fam\u00edlias, para que o ambiente dom\u00e9stico esteja preparado para lidar com a internet, a sociedade vai pesar a m\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o, o \u00f4nus das empresas vai aumentar e a prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as na internet n\u00e3o necessariamente ser\u00e1 melhor.\u201d, diz Rodolfo Can\u00f4nico, diretor-executivo do Family Talks.<\/p>\n<p>O debate brasileiro sobre seguran\u00e7a digital costuma presumir uma fam\u00edlia ideal: pais com tempo, repert\u00f3rio, dom\u00ednio de leitura, conhecimento t\u00e9cnico, estabilidade emocional, capacidade de acompanhar plataformas, paci\u00eancia para estudar cartilhas, disposi\u00e7\u00e3o para assistir palestras e tranquilidade para conversar longamente com os filhos sobre cada risco online. Provavelmente h\u00e1 fam\u00edlias assim, mas n\u00e3o s\u00e3o a maioria nem a m\u00e9dia do Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta dizer que os pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos. \u00c9 preciso perguntar se eles sabem como fazer isso. Vamos ao m\u00ednimo do m\u00ednimo. \u00c9 preciso que os pais saibam diferenciar configura\u00e7\u00e3o de privacidade de controle parental. Tamb\u00e9m precisariam compreender o que \u00e9 algoritmo de recomenda\u00e7\u00e3o e qual a l\u00f3gica de monetiza\u00e7\u00e3o dos influenciadores. Para al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio identificar fen\u00f4menos como manipula\u00e7\u00e3o emocional, aliciamento, desafio perigoso, conte\u00fado sexualizado, v\u00edcio comportamental, golpe, chantagem e exposi\u00e7\u00e3o indevida.<\/p>\n<p>Pedir que a fam\u00edlia proteja os filhos sem capacitar a fam\u00edlia \u00e9 apenas transferir culpa. S\u00f3 que essa transfer\u00eancia de culpa interessa a muita gente.<\/p>\n<p>O paradoxo brasileiro \u00e9 este: a fam\u00edlia continua sendo invocada como base moral da sociedade, mas, na pr\u00e1tica, \u00e9 tratada como incapaz. Quando o discurso \u00e9 abstrato, todos defendem a autonomia familiar. Mas na hora em que a solu\u00e7\u00e3o exige trabalho, m\u00e9todo e forma\u00e7\u00e3o, muitos optam pela canetada estatal. N\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica p\u00fablica capaz de substituir inteiramente a presen\u00e7a de adultos preparados, atentos e capazes de orientar.<\/p>\n<p>O Estado pode apoiar a fam\u00edlia. Empresas podem ser obrigadas a reduzir danos. Escolas podem participar da forma\u00e7\u00e3o. Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil podem produzir conhecimento e ferramentas. Mas nada disso funcionar\u00e1 se a fam\u00edlia for reduzida a espectadora de um sistema decidido por t\u00e9cnicos, pol\u00edticos, plataformas e burocratas.<\/p>\n<p>Um povo verdadeiramente livre precisa de educa\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, leitura, repert\u00f3rio, mem\u00f3ria hist\u00f3rica, responsabilidade moral e princ\u00edpios capazes de orientar escolhas quando o medo aparece. Sem isso, a tecnologia n\u00e3o emancipa. Apenas entrega a pessoas despreparadas instrumentos que elas n\u00e3o compreendem, diante de empresas que as compreendem muito bem e de governos sempre interessados em ampliar seu alcance.<\/p>\n<p>A tecnologia poderia ampliar a liberdade das fam\u00edlias brasileiras. Poderia dar acesso a conhecimento, cultura, trabalho, comunidade, organiza\u00e7\u00e3o e voz. Mas, sem educa\u00e7\u00e3o, sem forma\u00e7\u00e3o moral e sem capacidade de julgamento, a mesma tecnologia vira motivo para pedir mais Estado, mais vigil\u00e2ncia, mais identifica\u00e7\u00e3o e mais controle.<\/p>\n<p>A internet chegou ao Brasil antes da educa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para lidar com ela. Isso, infelizmente, gerou o contexto em que fam\u00edlias sentem que falham ao proteger os filhos e, no desespero, acabam aceitando a tutela do Estado sem pensar nas consequ\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Jocelaine Santos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/jocelaine-santos\/\">Jocelaine Santos<\/a><\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Foto: Imagem criada utilizando Open AI\/Gazeta do Povo) Ou\u00e7a este conte\u00fado Pesquisa exclusiva da Market Analysis em parceria com o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":508533,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-508532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/508532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=508532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/508532\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/508533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=508532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=508532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=508532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}