{"id":505625,"date":"2026-06-20T15:36:50","date_gmt":"2026-06-20T19:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=505625"},"modified":"2026-06-20T15:36:50","modified_gmt":"2026-06-20T19:36:50","slug":"por-que-os-americanos-nao-gostam-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=505625","title":{"rendered":"Por que os americanos n\u00e3o gostam de futebol?"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o o principal palco da Copa do Mundo de 2026, que come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira (11). Mas um fato chama a aten\u00e7\u00e3o: \u00e9 percept\u00edvel a falta de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional dos americanos em prol da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as muitas raz\u00f5es, isso ocorre porque na terra do Tio Sam o futebol \u00e9 outro, disputado com as m\u00e3os, uma bola oval e com contagem em jardas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que o futebol como conhecemos n\u00e3o tem crescido no pa\u00eds \u2014 muito pelo contr\u00e1rio. Nos \u00faltimos anos, a modalidade tem ganhado cada vez mais investimento e tem buscado em atletas de renome como Lionel Messi, Luis Su\u00e1rez e James Rodr\u00edguez uma forma de impulsionar o interesse do p\u00fablico e fomentar a liga nacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a atual sele\u00e7\u00e3o americana \u00e9 considerada uma das melhores do pa\u00eds no s\u00e9culo e teve uma boa estreia na Copa ao vencer o Paraguai por 4 a 1.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, o esporte carece de amplo apoio local e a falta de interesse dos americanos na Copa \u00e9 apenas um sintoma.<\/p>\n<h2>&#8220;A Copa quase n\u00e3o existe por aqui&#8221;, diz brasileira que vive nos EUA<\/h2>\n<p>Se em 2014 o Brasil parou para sediar a competi\u00e7\u00e3o de sele\u00e7\u00f5es mais importante do mundo, nos dias atuais, o que se nota nas ruas americanas \u00e9 um pa\u00eds completamente &#8220;comum&#8221;. \u00c9 o que relatam turistas e jornalistas de diferentes pa\u00edses que cobrem o torneio in loco.<\/p>\n<p>A administradora Tha\u00eds Bentes, brasileira que vive no estado americano do Colorado, diz que &#8220;visualmente, a Copa quase n\u00e3o existe&#8221;. Ela detalha que os jogos s\u00f3 &#8220;passam em alguns bares&#8221; e que a reclama\u00e7\u00e3o que mais escuta dos americanos relacionada ao futebol \u00e9 que o esporte &#8220;\u00e9 parado demais&#8221;.<\/p>\n<p>Essa reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 incomum de se escutar entre os americanos: diferentemente do futebol, cuja partida pode ter um ritmo &#8220;mon\u00f3tono&#8221; e at\u00e9 terminar empatada em 0 a 0, os esportes mais populares dos Estados Unidos, como o futebol americano e o basquete, normalmente, t\u00eam mais a\u00e7\u00f5es decisivas.<\/p>\n<p>Os jogos de basquete, por exemplo, costumam ter pontua\u00e7\u00f5es el\u00e1sticas e, s\u00e3o disputados quase que a todo momento em uma din\u00e2mica de ataque contra defesa. Um time atacava e, quando perde a bola, rapidamente o advers\u00e1rio j\u00e1 consegue iniciar uma nova jogada ofensiva.<\/p>\n<p>At\u00e9 esportes que se valem da mesma din\u00e2mica que o futebol, como o h\u00f3quei no gelo, cujo objetivo \u00e9 marcar o maior n\u00famero de gols com o disco, apresentam um ritmo mais acelerado. A intensidade \u00e9 tanta que a cada dois minutos os jogadores precisam ser substitu\u00eddos \u2014 outra grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futebol de campo.<\/p>\n<p>Nos esportes americanos as substitui\u00e7\u00f5es podem ser feitas a qualquer momento do jogo e n\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero limite como no futebol. Essa rotatividade tamb\u00e9m preserva a intensidade do jogo e faz com que as &#8220;estrelas&#8221; dos times possam manter um melhor n\u00edvel durante toda a partida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, dificilmente uma partida termina empatada. Nas principais modalidades americanas \u00e9 comum o <em>overtime<\/em>, uma prorroga\u00e7\u00e3o para definir o vencedor de um jogo mesmo nas partidas n\u00e3o-eliminat\u00f3rias.<\/p>\n<p>A queixa de que o futebol \u00e9 &#8220;parado demais&#8221; n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos americanos e a FIFA, a cada ano, tenta adaptar regras para que possa manter uma boa rotatividade do jogo.<\/p>\n<p>Para a Copa desse ano, a entidade determinou um limite m\u00e1ximo de 5 segundos para cobran\u00e7as de laterais e tiro de meta e de 10 segundos para o atleta deixar o campo ao ser anunciada a sua substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, jogadores que se machucarem e precisarem de atendimento m\u00e9dico obrigatoriamente precisar\u00e3o sair do campo e aguardar por um minuto fora do campo. Essa regra veio para inibir simula\u00e7\u00f5es de les\u00f5es, artif\u00edcio usado por atletas para ganhar tempo em uma partida de futebol \u2014 pr\u00e1tica amplamente combatida nos esportes americanos, j\u00e1 que, na maioria dos jogos, nessas situa\u00e7\u00f5es, o cron\u00f4metro \u00e9 parado, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 ganho de tempo para a equipe que tenta retardar o andamento da partida.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado neste ano mostrou que, em jogos do Campeonato Brasileiro, dos 90 minutos regulamentares de uma partida, apenas 53% do tempo a bola estava efetivamente em jogo, e, nos 47%, o jogo ficou interrompido por paralisa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Futebol nos EUA: entre barreiras culturais, Pel\u00e9 e a falha em formar jogadores locais<\/h2>\n<p>Para al\u00e9m de parte dos americanos n\u00e3o gostarem da &#8220;din\u00e2mica&#8221; do jogo, fatores culturais ajudam a entender a raz\u00e3o da modalidade nunca ter se desenvolvido no pa\u00eds como na Europa ou at\u00e9 mesmo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O futebol chegou aos Estados Unidos por meio de imigrantes europeus no fim do s\u00e9culo XIX, e se espalhou por algumas cidades do pa\u00eds. Mas, o esporte praticamente desapareceu ap\u00f3s o final da Segunda Guerra Mundial. No per\u00edodo da maior guerra do s\u00e9culo passado, a Copa do Mundo foi uma das competi\u00e7\u00f5es que tiveram suas edi\u00e7\u00f5es interrompidas, n\u00e3o sendo realizada em 1942 e 1946.<\/p>\n<p>O &#8220;esquecimento&#8221; do futebol nos Estados Unidos se estendeu at\u00e9 1966, quando, pela primeira vez, a final da Copa do Mundo foi transmitida na televis\u00e3o via sat\u00e9lite, pela <em>NBC<\/em>.<\/p>\n<p>Com o ineditismo da transmiss\u00e3o, empres\u00e1rios esportivos do pa\u00eds viram no futebol uma boa oportunidade de mercado e desenvolveram duas ligas \u2014 uma delas importava times inteiros da Europa e da Am\u00e9rica do Sul \u2014 que acabaram por se fundir e deram origem \u00e0 <em>North American Soccer League<\/em> (NASL).<\/p>\n<p>A liga que se iniciou em 1968 com 17 times originais foi a principal respons\u00e1vel, na \u00e9poca, por apresentar o esporte considerado &#8220;peculiar&#8221; aos americanos.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, a modalidade n\u00e3o se popularizava da forma como os donos da liga gostariam e n\u00e3o demorou muitos anos para alguns times come\u00e7arem a encerrar suas atividades.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou a mudar em 1975, quando Pel\u00e9, considerado o &#8220;Rei do Futebol&#8221; e tricampe\u00e3o mundial, assinou com o clube Cosmos, de Nova York.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/17135720\/Pele_cosmos_press_conference-1.jpg.webp\" \/><i>Pel\u00e9 durante coletiva de imprensa como jogador do Cosmos, de Nova York. (Foto: Wikimedia Commons)<\/i><\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada de 70, a m\u00e9dia de p\u00fablico quadruplicou e a liga triplicou de tamanho. Entretanto, o fen\u00f4meno foi passageiro e, em 1984, a NASL chegou ao fim.<\/p>\n<p>O <em>New York Times<\/em> afirma que o fracasso da liga se deu pelo fato dela nunca ter tido uma &#8220;base s\u00f3lida&#8221; e ter falhado em formar jogadores americanos.<\/p>\n<p>&#8220;Pagava o dobro do valor de mercado por estrelas internacionais, mas uma ninharia para todos os outros, e n\u00e3o tinha um sistema de forma\u00e7\u00e3o de jogadores locais&#8221;, opina o <em>Times<\/em> sobre os motivos do fracasso da liga.<\/p>\n<p>Entretanto, o peri\u00f3dico diz que a liga foi feliz em fazer com que milh\u00f5es de crian\u00e7as se apaixonassem pelo esporte durante a d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<h2>A barreira social: esportes &#8220;americanos&#8221; limitam o crescimento do futebol<\/h2>\n<p>Por muitos anos, o futebol foi considerado pelos americanos um &#8220;esporte de imigrantes&#8221;, sobretudo pelas principais modalidades do pa\u00eds como o basquete, beisebol e o futebol americano serem consideradas nativas e uma paix\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em artigo publicado em 1994, ano da primeira Copa do Mundo em solo americano, o <em>Los Angeles Times<\/em> criticou o fato de a &#8220;Copa ter sido um evento praticamente imposto aos Estados Unidos&#8221; e destacou que a prosperidade do futebol no pa\u00eds se devia &#8220;\u00e0 dedica\u00e7\u00e3o dos imigrantes que trazem consigo seu amor pelo esporte&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda assim, a modalidade nunca conseguiu bater de frente com os principais esportes locais \u2014 estes, &#8220;americanizados&#8221; e moldados para o espectador local.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem defenda, inclusive, que a populariza\u00e7\u00e3o do futebol nos Estados Unidos pode ocasionar perdas das ra\u00edzes culturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela <em>Gallup<\/em> e divulgada em fevereiro deste ano mostrou que o futebol americano segue como o esporte preferido da popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 seguida por beisebol e basquete e o <em>soccer<\/em> (nome pelo qual os americanos se referem ao futebol).<\/p>\n<p>Isso acontece tamb\u00e9m porque o futebol ainda n\u00e3o conseguiu superar a barreira geracional e local nos Estados Unidos, como acontece com as modalidades &#8220;nativas&#8221;. Acompanhar um <em>Super Bowl<\/em>, a final do campeonato de futebol americano, \u00e9 parte da rotina local.<\/p>\n<p>Os principais times americanos, al\u00e9m de serem hist\u00f3ricos e acompanhados h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es \u2014 alguns deles fundados ainda no s\u00e9culo XIX \u2014, t\u00eam profundas ra\u00edzes locais. Quem nunca viu o logo dos New York Yankees e o associou diretamente aos Estados Unidos?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/17114041\/909eb62a00ac8d92d70b915dcaaf4e8c9e2b057a.jpg.webp\" \/><i>Jogador do New York Yankees, em partida contra o rival novaiorquino Mets, em 2004. (Foto: EFE\/EPA\/JUSTIN LANE)<\/i><\/p>\n<p>Por fim, embora a liga dom\u00e9stica americana esteja se desenvolvendo, ela ainda est\u00e1 longe de ser considerada a melhor e seu n\u00edvel ainda \u00e9 bem abaixo dos europeus.<\/p>\n<p>Em contrapartida, nos Estados Unidos, os principais talentos de basquete, beisebol e futebol americano se concentram nas ligas americanas.<\/p>\n<h2>O projeto esportivo que n\u00e3o passou de Gana<\/h2>\n<p>Em 1998 atrav\u00e9s do &#8220;Projeto 2010&#8221; a federa\u00e7\u00e3o americana de futebol estabeleceu uma meta: garantir que a sele\u00e7\u00e3o nacional fosse uma candidata plaus\u00edvel a ganhar a Copa do Mundo que ocorreria 12 anos mais tarde, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Entretanto, na competi\u00e7\u00e3o sediada em solo africano, os Estados Unidos n\u00e3o chegaram perto de conquistar o trof\u00e9u, caindo nas oitavas de final para Gana.<\/p>\n<p>O projeto fracassado foi anunciado com um custo de 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares e, al\u00e9m de estabelecer uma meta para a Copa de 2010, tinha como objetivo desenvolver as categorias de base para formar &#8220;futuros craques&#8221;.<\/p>\n<p>Anos se passaram e, em 2017, quando os Estados Unidos ainda eram candidatos a sediarem a Copa deste ano, a promessa voltou: &#8220;2026 ser\u00e1 o ano em que come\u00e7aremos a falar em ganhar a Copa do Mundo&#8221;, afirmou Bruce Arena, \u00e0 \u00e9poca, t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<p>&#8220;Em 1994, os EUA eram vistos como uma fronteira emergente no futebol e a FIFA queria inserir os EUA no cen\u00e1rio mundial. Em 2026, estaremos totalmente integrados ao futebol e seremos um grande protagonista.\u00a0Pode ser a nossa vez&#8221;.<\/p>\n<p>Na entrevista ao <em>The Washington Post<\/em>, nove anos atr\u00e1s, o ex-t\u00e9cnico depositou suas esperan\u00e7as no atacante Christian Pulisic e acertou sua previs\u00e3o. Hoje, ele \u00e9 o camisa 10 dos Estados Unidos e o maior nome do time na Copa.<\/p>\n<p>Em 2024, ele chegou a ter seu nome citado nas principais p\u00e1ginas pol\u00edticas americanas ap\u00f3s ter comemorado um gol com uma dan\u00e7a alusiva ao presidente Donald Trump, poucos dias depois de o republicano ter vencido a elei\u00e7\u00e3o contra Kamala Harris, do Partido Democrata.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, a Forbes destacou que a celebra\u00e7\u00e3o do gol &#8220;foi um erro de julgamento do capit\u00e3o americano&#8221; e que a a\u00e7\u00e3o poderia &#8220;galvanizar o time com a ideia de &#8216;n\u00f3s contra eles'&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, ser visto \u2014 com raz\u00e3o ou n\u00e3o \u2014 como algu\u00e9m vagamente alinhado com Trump pode se tornar cada vez mais problem\u00e1tico para Pulisic se o presidente eleito cumprir as promessas de campanha\u00a0<\/p>\n<p>de deportar milh\u00f5es de imigrantes ilegais\u00a0e limitar os caminhos para a cidadania americana&#8221;, destacou a Forbes.<\/p>\n<h2>Residentes latinos abra\u00e7aram o futebol dos EUA<\/h2>\n<p>Se os bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos na Major League Soccer (MLS), a liga dom\u00e9stica, n\u00e3o t\u00eam cativado tanto os americanos, sua profissionaliza\u00e7\u00e3o local tem conquistado outro tipo de p\u00fablico: os imigrantes, sobretudo os residentes latino-americanos.<\/p>\n<p>Parte dos times, principalmente os localizados em regi\u00f5es com grande concentra\u00e7\u00e3o de imigrantes hisp\u00e2nicos, como a Fl\u00f3rida ou o Texas, focam cada vez mais no &#8220;marketing bil\u00edngue&#8221;.<\/p>\n<p>O Houston Dynamo, do estado texano, afirma que &#8220;quase 60% de seus torcedores se identificam como hisp\u00e2nicos&#8221;.<\/p>\n<p>O Inter Miami, time do astro Lionel Messi, tamb\u00e9m \u00e9 outro time que possui forte influ\u00eancia hisp\u00e2nica, que vai desde seu nome em espanhol, <em>Club Internacional de F\u00fatbol Miami<\/em>, at\u00e9 sua torcida e seus donos, de origem cubana.<\/p>\n<p>&#8220;Isso fica claro no idioma [espanhol] escutado em cada rodinha de conversa dos torcedores, nas sinaliza\u00e7\u00f5es do est\u00e1dio e at\u00e9 no servi\u00e7o de alto-falante. O espanhol se torna a l\u00edngua oficial e, por algumas horas, aquele peda\u00e7o de terra ianque se transforma em territ\u00f3rio latino-americano&#8221;, destaca a CNN.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/16211048\/8023452157001.jpg.webp\" \/><i>Torcida do Inter Miami. (Foto: EFE\/EPA\/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH)<\/i><\/p>\n<p>Ao melhor estilo sul-americano, os torcedores do Inter Miami transformam as arquibancadas em uma festa inspirada nas principais torcidas latinas, com faixas, bandeiras, instrumentos e m\u00fasicas \u2014 claro, tudo em espanhol. O que n\u00e3o se v\u00ea nas modalidades &#8220;nativas&#8221;.<\/p>\n<h2>Casa Branca trata Copa como &#8220;um evento qualquer&#8221;; Ir\u00e3 reclama <\/h2>\n<p>Quando o Brasil sediou a Copa do Mundo em 2014, o governo brasileiro flexibilizou a concess\u00e3o de vistos aos estrangeiros e criou modalidades especiais para turistas e trabalhadores que vinham ao evento. A realidade americana atual \u00e9 totalmente oposta.<\/p>\n<p>O governo americano tem recusado sem cerim\u00f4nias a emiss\u00e3o de vistos para torcedores de pa\u00edses cuja rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 boa e tem imposto rigorosas vistorias nas fronteiras, inclusive para jogadores e comiss\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O caso que mais repercutiu foi a recusa de entrada do \u00e1rbitro Omar Abdulkadir Artan, da Som\u00e1ilia, que por consequ\u00eancia teve que ficar de fora da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O somali, que chegou a ser interrogado por 11 horas no aeroporto de Miami, estaria sendo investigado pelo governo americano por um suposto envolvimento com terrorismo. Omar nega as acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por sua vez, a FIFA lamentou a situa\u00e7\u00e3o mas afirmou n\u00e3o poder interferir em decis\u00f5es migrat\u00f3rias de pa\u00edses-sede do torneio.<\/p>\n<p>Outro caso que ganhou as manchetes foi o da sele\u00e7\u00e3o iraniana, que, por determina\u00e7\u00e3o da Casa Branca, poderia ingressar nos Estados Unidos apenas na v\u00e9spera de suas partidas, mas teria de retornar a Tijuana, no M\u00e9xico, onde est\u00e1 concentrada, logo ap\u00f3s seus jogos.<\/p>\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es locais, no retorno da delega\u00e7\u00e3o iraniana ao M\u00e9xico, logo ap\u00f3s a estreia do Ir\u00e3 na \u00faltima segunda-feira, dois membros, incluindo o capit\u00e3o da equipe, Mehdi Taremi, enfrentaram problemas com a documenta\u00e7\u00e3o, o que retardou o embarque.<\/p>\n<p>Taremi afirmou que as condi\u00e7\u00f5es impostas aos iranianos eram um &#8220;desastre&#8221; e pediu aux\u00edlio da FIFA.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos r\u00edgidos controles de fronteira, a seguran\u00e7a dos est\u00e1dios tamb\u00e9m tem sido amplamente refor\u00e7ada. Em um v\u00eddeo que viralizou nesta ter\u00e7a (16), agentes de seguran\u00e7a submeteram jogadores do Uruguai a uma revista rigorosa. Com os jogadores em fila e com o aux\u00edlio de c\u00e3es farejadores os pertences dos sul-americanos, como mochilas e casacos foram minuciosamente revistados. Nas imagens que viralizaram foi poss\u00edvel ver o descontentamento dos atletas.<\/p>\n<h2>EUA disputaram primeira Copa da Hist\u00f3ria <\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Copa do Mundo e Estados Unidos \u00e9 de longa data: os americanos disputaram o primeiro torneio, em 1930, realizado no Uruguai, e nele obtiveram sua melhor coloca\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, chegando \u00e0s semifinais.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, os Estados Unidos chegaram a se classificar para outras 11 edi\u00e7\u00f5es (1934, 1950, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2022 e 2026) mas a sorte n\u00e3o foi mais a mesma.<\/p>\n<p>A melhor coloca\u00e7\u00e3o americana, depois da primeira Copa da hist\u00f3ria, foi apenas em 2002, quando se classificaram para as quartas de final mas amargaram uma derrota de 1 a 0 para a Alemanha.<\/p>\n<p>A imprensa local v\u00ea a atual sele\u00e7\u00e3o com bons olhos, principalmente ap\u00f3s a goleada na estreia da Copa.<\/p>\n<p>O <em>New York Times<\/em> opinou que no triunfo contra o Paraguai, a sele\u00e7\u00e3o americana teve os &#8220;melhores 45 minutos da hist\u00f3ria da Copas do Mundo&#8221;, referindo-se ao primeiro tempo, em que o time americano marcou tr\u00eas gols.<\/p>\n<p>&#8220;Durante anos, os torcedores e jogadores de futebol dos EUA sonharam com este momento: uma estreia glamorosa na Copa do Mundo em casa, um palco sem precedentes para o seu esporte. Eles sonharam em vivenci\u00e1-lo, em inflamar a Am\u00e9rica, em elevar o futebol a um novo patamar&#8221;, destaca o jornal.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, o time dos Estados Unidos ainda \u00e9 considerado um &#8220;azar\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em casas de apostas, a sele\u00e7\u00e3o americana ainda figura abaixo de equipes tradicionais como a Fran\u00e7a, Espanha, Inglaterra, Argentina e o Brasil.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Estados Unidos s\u00e3o o principal palco da Copa do Mundo de 2026, que come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira (11). 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