{"id":503290,"date":"2026-06-19T16:48:07","date_gmt":"2026-06-19T20:48:07","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=503290"},"modified":"2026-06-19T16:48:07","modified_gmt":"2026-06-19T20:48:07","slug":"criancas-ativistas-e-curriculos-ideologicos-o-plano-globalista-da-onu-para-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=503290","title":{"rendered":"Crian\u00e7as\u00a0ativistas e\u00a0curr\u00edculos\u00a0ideol\u00f3gicos:\u00a0o plano globalista da ONU para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>At\u00e9 2030, metade das escolas do mundo vai hastear uma bandeira verde. A imagem parece simb\u00f3lica, mas descreve uma meta concreta da Unesco, monitorada em tempo real por um painel operado em Paris e j\u00e1 adotada por 112 mil escolas de 98 pa\u00edses.<\/p>\n<p>O plano integra a Parceria para uma Educa\u00e7\u00e3o Verde (<em>Greening Education Partnership<\/em>), uma iniciativa global da entidade que busca incorporar temas relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0 sustentabilidade aos sistemas de ensino \u2014 ao longo de todas as etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>No final de abril, a campanha ganhou uma cara brasileira. Durante a comemora\u00e7\u00e3o do Dia da Terra, a ONU destacou um col\u00e9gio de Cotia, na Grande S\u00e3o Paulo, como modelo mundial da educa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. A Escola \u00c1gora, fundada em 1985, virou uma esp\u00e9cie de vitrine oficial do projeto.<\/p>\n<p>A narrativa divulgada pela Unesco (o \u00f3rg\u00e3o da ONU voltado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e cultura) \u00e9 conhecida: o planeta aquece, as crian\u00e7as precisam aprender a salv\u00e1-lo e as escolas s\u00e3o o lugar certo para come\u00e7ar. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem, ningu\u00e9m \u00e9 contra as \u00e1rvores<\/p>\n<p>O problema aparece quando se l\u00ea o programa inteiro. N\u00e3o os materiais para a imprensa, mas os documentos t\u00e9cnicos \u2014 que definem como uma crian\u00e7a de 5 anos tem de se sentir, o que um professor deve ensinar e quem vai monitorar se ambos est\u00e3o cumprindo o combinado.<\/p>\n<p>O que a Unesco chama de educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9, segundo seus pr\u00f3prios arquivos, uma verdadeira reforma curricular global. Com metas por faixa et\u00e1ria, auditoria e um sistema de certifica\u00e7\u00e3o que decide quais escolas merecem o selo de qualidade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas existem, e sim quem decide o que seu filho aprende por causa delas.<\/p>\n<h2><strong>\u201cEngajamento comunit\u00e1rio\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>A Parceria para uma Educa\u00e7\u00e3o Verde foi lan\u00e7ada pela Unesco em 2022. O programa tem quatro pilares: infraestrutura f\u00edsica, curr\u00edculo, forma\u00e7\u00e3o de professores e \u201cengajamento comunit\u00e1rio\u201d (o n\u00facleo escolar como agente de transforma\u00e7\u00e3o de seu entorno).<\/p>\n<p>O termo t\u00e9cnico usado pelo \u00f3rg\u00e3o \u00e9 <em>whole institution approach<\/em> (\u201cabordagem de toda a institui\u00e7\u00e3o\u201d). Em outras palavras, a escola deixa de ser um lugar onde se ensina e passa a ser um \u201claborat\u00f3rio de resili\u00eancia clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 baseado no Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 4.7 da ONU. E aqui vale ler o que essa diretriz determina, porque o texto oficial vai al\u00e9m do meio ambiente.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 garantir que todos os estudantes adquiram conhecimentos para promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel, incluindo \u201cestilos de vida sustent\u00e1veis, direitos humanos, igualdade de g\u00eanero, cultura de paz, cidadania global e apre\u00e7o pela diversidade cultural\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 tudo registrado e dispon\u00edvel nos canais da entidade.<\/p>\n<h2><strong>Crian\u00e7as pressionando prefeitos<\/strong><\/h2>\n<p>O documento mais revelador \u00e9 o <em>Greening Curriculum Guidance<\/em>, o guia curricular de \u201cecologiza\u00e7\u00e3o\u201d publicado pela Unesco em 2024. \u00c9 nele que a reforma deixa de ser abstrata e vira um conjunto de compet\u00eancias organizadas por faixa et\u00e1ria e aplic\u00e1veis desde a creche.<\/p>\n<p>Para os alunos de 5 a 8 anos, o texto estabelece duas prioridades. \u201cNutrir o amor pela natureza e a conex\u00e3o sensorial com o meio ambiente\u201d e \u201cAssumir responsabilidade individual e adotar h\u00e1bitos cotidianos sustent\u00e1veis\u201d. N\u00e3o se trata s\u00f3 de ensinar o ciclo da \u00e1gua, mas de formar uma conduta.<\/p>\n<p>Na faixa dos 9 aos 10 anos, o programa avan\u00e7a. Al\u00e9m de metas como horta escolar, compostagem e gest\u00e3o de res\u00edduos, os estudantes devem desenvolver \u201cadvocacia e lideran\u00e7a\u201d para &#8220;influenciar pol\u00edticas municipais\u201d<\/p>\n<p>O texto fala em \u201cag\u00eancia relacional\u201d \u2014 a passagem da iniciativa individual para uma a\u00e7\u00e3o coletiva e pol\u00edtica, capaz de influenciar sistemas e tomadores de decis\u00e3o. Traduzindo: a Unesco quer que crian\u00e7as pequenas pressionem prefeitos.<\/p>\n<h2><strong>Monitoramento permanente<\/strong><\/h2>\n<p>O guia tamb\u00e9m trata dos livros did\u00e1ticos. De acordo com o plano de implanta\u00e7\u00e3o, os governos devem \u201cfornecer orienta\u00e7\u00e3o substantiva sobre educa\u00e7\u00e3o verde para redatores\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o conte\u00fado precisa seguir o \u201cbalizamento cient\u00edfico\u201d do IPCC, o painel clim\u00e1tico da ONU. Isso significa que, antes de escrever, os autores devem seguir a orienta\u00e7\u00e3o de um organismo internacional sobre o conte\u00fado permitido.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma sala de monitoramento permanente, para garantir que as metas avancem na mesma dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 o <em>Global Dashboard<\/em>, um sistema desenvolvido pela Unesco em parceria com a Icesco (a Organiza\u00e7\u00e3o do Mundo Isl\u00e2mico para a Educa\u00e7\u00e3o, as Ci\u00eancias e a Cultura).<\/p>\n<p>O painel coleta dados em tempo real sobre escolas, curr\u00edculos e a \u201ccapacidade dos professores&#8221; de implementar as diretrizes. Surge ent\u00e3o uma pergunta leg\u00edtima: como fica o defendido padr\u00e3o \u201cglobal\u201d se o instrumento de acompanhamento tem um recorte cultural e religioso t\u00e3o espec\u00edfico?<\/p>\n<h2><strong>Alinhamento e padroniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Para evitar controv\u00e9rsias, o <em>Greening Curriculum Guidanc<\/em>e afirma que \u201creconhece a diversidade de diferentes contextos nacionais e locais nos quais a aprendizagem ocorre, e a autoridade dos governos para determinar o conte\u00fado dos curr\u00edculos educacionais em seus pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p>Mas o documento em si j\u00e1 \u00e9 controverso. Porque a Unesco estabelece resultados de aprendizagem por faixa et\u00e1ria para todos os pa\u00edses, orienta redatores de livros did\u00e1ticos, define qual ci\u00eancia \u00e9 v\u00e1lida e monitora, em tempo real, se cada na\u00e7\u00e3o est\u00e1 cumprindo o combinado.<\/p>\n<p>A soberania aparece, de leve, no guia. O direito de dizer \u201cn\u00e3o\u201d, nem tanto.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para o professor que discorda da abordagem. Ou para a fam\u00edlia que n\u00e3o quer ver seu filho 8 anos sendo treinado para \u201cadotar h\u00e1bitos cotidianos sustent\u00e1veis\u201d definidos por um organismo em Paris.<\/p>\n<p>A linguagem \u00e9 de \u201charmoniza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ca\u00e7\u00e3o coordenada\u201d \u2014 termos que, no vocabul\u00e1rio das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, costuma significar alinhamento e padroniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>Tudo pelas metas<\/strong><\/h2>\n<p>A Unesco discorda da leitura de que esteja promovendo uma uniformiza\u00e7\u00e3o global da educa\u00e7\u00e3o. Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, a coordenadora do Setor de Educa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o no Brasil, Rebeca Otero, disse que a entidade atua apenas como fornecedora de \u201crefer\u00eancias t\u00e9cnicas, evid\u00eancias e orienta\u00e7\u00f5es globais\u201d para apoiar governos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Rebeca descreve a Parceria para uma Educa\u00e7\u00e3o Verde como uma \u201ctransforma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica\u201d que envolve curr\u00edculo, gest\u00e3o escolar, forma\u00e7\u00e3o docente e engajamento comunit\u00e1rio. E defende conceitos centrais do programa, como \u201ccidadania global\u201d e \u201cag\u00eancia\u201d \u2014 este \u00faltimo, segundo ela, \u00e9 a capacidade de \u201cmobilizar conhecimento e valores para transformar pr\u00e1ticas locais e contribuir para metas globais\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o monitoramento internacional, a coordenadora afirma que os mecanismos acompanham a expans\u00e3o das escolas verdes, a inclus\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos curr\u00edculos, a forma\u00e7\u00e3o de professores e a capacidade dos sistemas educacionais. O objetivo n\u00e3o poderia ser outro: garantir que os pa\u00edses atinjam as metas estabelecidas at\u00e9 2030 (a obsess\u00e3o expl\u00edcita que norteia todo o programa).<\/p>\n<h2><strong>Acesso ao selo global<\/strong><\/h2>\n<p>Essa agenda n\u00e3o chegou ao Brasil pelo MEC. Tampouco passou pela aprova\u00e7\u00e3o do Congresso. Sua porta de entrada foi uma OSCIP \u2014 Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico, uma entidade privada sem fins lucrativos que pode firmar parcerias com governos e organismos internacionais.<\/p>\n<p>Sediado em Florian\u00f3polis, o Instituto Ambientes em Rede (IAR) representa a <em>Foundation for Environmental Education<\/em> (FEE), organiza\u00e7\u00e3o criada na Dinamarca e presente em mais de cem pa\u00edses. A FEE, por sua vez, coordena o Eco-Escolas, um programa internacional voltado \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino alinhadas a crit\u00e9rios de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Eco-Escolas foi incorporado ao projeto da Parceria para uma Educa\u00e7\u00e3o Verde da Unesco. E \u00e9 justamente por meio dessa rede que o modelo global se multiplica no Brasil (j\u00e1 s\u00e3o 30 escolas reconhecidas pelo IAR).<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, Aline Tiagor, coordenadora nacional do programa, confirmou que o instituto \u00e9 \u201ca \u00fanica institui\u00e7\u00e3o, junto com o pr\u00f3prio Programa de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental da Unesco, respons\u00e1vel pelo credenciamento de Escolas Verdes pelo <em>Greening Education Partnership<\/em>\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O IAR ainda afirma que o financiamento das atividades do Eco-Escolas no Brasil vem de taxas de anuidade pagas pelas institui\u00e7\u00f5es participantes, parcerias institucionais, patroc\u00ednios, projetos apoiados por editais p\u00fablicos ou privados e \u201ceventualmente, coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d.<\/p>\n<p>Recapitulando a cadeia: a Unesco e a FEE definem os padr\u00f5es. O IAR os implementa a partir de Florian\u00f3polis. E as escolas o executam em todo o pa\u00eds. O acesso ao selo global de \u201cescola verde\u201d depende de uma \u00fanica entidade no Brasil, sem v\u00ednculo com o poder p\u00fablico e que alimenta um sistema internacional de monitoramento com dados de escolas brasileiras.<\/p>\n<h2><strong>\u201cN\u00e3o existe mais Brasil e Estados Unidos\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>Mas por que a \u00c1gora acabou nas p\u00e1ginas oficiais da ONU?<\/p>\n<p>O col\u00e9gio n\u00e3o passou pelo Instituto Ambientes em Rede nem foi credenciado pelo programa Eco-Escolas. A pr\u00f3pria fundadora, a educadora Terezinha Foga\u00e7a, disse n\u00e3o conhecer o IAR ao ser procurada pela reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo Terezinha, a indica\u00e7\u00e3o partiu do Instituto Alana, uma ONG paulistana ligada \u00e0 agenda de educa\u00e7\u00e3o e sustentabilidade, que j\u00e1 mantinha uma longa rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1gora. Foi o Alana que levou educadores estrangeiros para conhecer o trabalho da escola e, posteriormente, sugeriu sua indica\u00e7\u00e3o para a Unesco.<\/p>\n<p>O motivo da escolha fica claro quando se observa a vis\u00e3o educacional defendida pela fundadora. \u201cO aluno n\u00e3o est\u00e1 na escola para aprender apenas conte\u00fados tradicionais\u201d, resume Terezinha Foga\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00c1gora tem \u00e1rea verde, composteira, teto solar, horta. Mas o que a tornou atraente para a Unesco vai al\u00e9m da infraestrutura. A institui\u00e7\u00e3o defende uma pedagogia de imers\u00e3o na natureza em que, segundo a educadora, \u201co aprendizado que passa pelo corpo \u00e9 muito mais significativo do que o que vai direto pro c\u00e9rebro\u201d.<\/p>\n<p>Os alunos constroem cabanas, cultivam plantas e passam um tempo significativo ao ar livre. Al\u00e9m disso, a escola usa materiais da Unesco e da ONU para trabalhar temas como imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o de mundo que orienta o projeto conversa diretamente com a agenda global. \u201cN\u00e3o existe mais Brasil e Estados Unidos. N\u00f3s estamos todos no mesmo barco que se chama planeta Terra\u201d, diz a fundadora.<\/p>\n<p>A \u00c1gora \u00e9 particular, fica num terreno arborizado em Cotia e atende fam\u00edlias que escolheram aquele modelo. Quando questionada sobre como replicar a experi\u00eancia em escolas p\u00fablicas da periferia (onde faltam \u00e1reas verdes, professores treinados e uma infraestrutura b\u00e1sica), Terezinha sugere come\u00e7ar \u201cpelo pequeno\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor que n\u00e3o plantar um boldo, para quem est\u00e1 passando mal do f\u00edgado tomar um chazinho? Ou fazer uma horta para temperar a merenda escolar que o governo manda?\u201d, ela prop\u00f5e.<\/p>\n<p>\u00c9 uma resposta bem-intencionada. Mas que revela, sem querer, a dist\u00e2ncia entre o mundo imaginado pelos educadores verdes e a realidade das 180 mil escolas p\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n<h2><strong>O problema come\u00e7a antes<\/strong><\/h2>\n<p>Para a educadora Anamaria Camargo, presidente do Instituto Livre pra Escolher e autora do livro <em>Escola Woke: Como o M\u00e9todo Paulo Freire Foi Retrofitado para os Dias de Hoje<\/em>, o problema come\u00e7a antes mesmo da agenda clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cApenas 3,2% dos alunos da terceira s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio t\u00eam aprendizagem adequada em l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica&#8221;, diz a pesquisadora, citando o Anu\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica de 2024. \u00c9 nesse contexto que a Unesco prop\u00f5e integrar sustentabilidade, valores e \u201cag\u00eancia transformadora\u201d em todas as disciplinas.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Anamaria, a quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nas \u00e1rvores nem na reciclagem. A pergunta \u00e9 outra: quem tem legitimidade para definir os objetivos da educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Ela cita o pesquisador brit\u00e2nico Ben Williamson, que usa o termo \u201cpsicocracia\u201d para descrever sistemas que tentam orientar comportamentos larga escala. Afinal, definir quais valores devem ser ensinados tamb\u00e9m significa influenciar a maneira como as pessoas interpretam a realidade.<\/p>\n<p>\u201cO que fica claro \u00e9 que h\u00e1, por parte da ONU, a certeza de que seus especialistas t\u00eam mais capacidade de definir as pautas do curr\u00edculo das crian\u00e7as brasileiras do que os pais e m\u00e3es\u201d, afirma Anamaria.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que, em 2024, o governo Lula sancionou altera\u00e7\u00f5es na Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental alinhadas a compromissos internacionais assumidos pelo pa\u00eds. Para ela, a discuss\u00e3o vai al\u00e9m do clima. \u00c9 sobre entender como metas definidas por organismos internacionais se transformam em pol\u00edticas p\u00fablicas, curr\u00edculos e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas dentro das escolas brasileiras.<\/p>\n<p>Quando os pais descobrem a mudan\u00e7a, o rumo j\u00e1 foi definido.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 2030, metade das escolas do mundo vai hastear uma bandeira verde. 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