{"id":49588,"date":"2025-12-09T14:01:27","date_gmt":"2025-12-09T18:01:27","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=49588"},"modified":"2025-12-09T14:01:27","modified_gmt":"2025-12-09T18:01:27","slug":"o-maior-roubo-institucional-esta-prestes-a-acontecer-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=49588","title":{"rendered":"O maior roubo institucional est\u00e1 prestes a acontecer \u2014 de novo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/12\/09145416\/ChatGPT-Image-9-de-dez.-de-2025-14_30_38.jpg.webp\" \/><span>A engrenagem do poder: regi\u00f5es que mais arrecadam s\u00e3o saqueadas, enquanto Bras\u00edlia concentra recursos e alimenta um esquema desigual. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O ciclo anual que precede o maior desvio institucional de recursos no Brasil est\u00e1 novamente em movimento, e suas engrenagens s\u00e3o acionadas pela revis\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria. A cada ano, o Governo Federal envia o Projeto de Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (PLOA) ao Congresso, onde se destaca a figura do relator. Este indiv\u00edduo tem o poder de moldar a distribui\u00e7\u00e3o de bilh\u00f5es de reais, estabelecendo as regras e prioridades para a aloca\u00e7\u00e3o de verbas no ano subsequente.<\/p>\n<p>O que salta aos olhos nesse processo, e que merece uma an\u00e1lise rigorosa, \u00e9 a aparente concentra\u00e7\u00e3o de poder regional. O governo atual, de esquerda, tem sua origem no Nordeste. O Presidente da C\u00e2mara, figura central na condu\u00e7\u00e3o do projeto, tamb\u00e9m \u00e9 oriundo da regi\u00e3o, e o relator nomeado por ele segue a mesma origem. Posteriormente, a Lei Or\u00e7ament\u00e1ria aprovada, que regulamenta o PLOA, ter\u00e1 seu relator vindo, igualmente, do Nordeste.<\/p>\n<p>Essa observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um apelo ao chauvinismo ou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um embate regional. Longe disso. \u00c9 um apontamento f\u00e1tico sobre como o poder \u00e9 orquestrado de forma a direcionar o processo decis\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Esse arranjo, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o final, parece ser meticulosamente direcionado para favorecer, desproporcionalmente, as regi\u00f5es Norte e Nordeste, um desequil\u00edbrio que se manifesta de maneira dram\u00e1tica na representa\u00e7\u00e3o parlamentar<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>M\u00e1quina de desvios<\/h2>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dessas regi\u00f5es j\u00e1 indica um desequil\u00edbrio estrutural. O Nordeste, detentor de cerca de 35% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, possui aproximadamente 45% de representa\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados \u2014 ou seja, est\u00e1 sobrerrepresentado.<\/p>\n<p>No Senado Federal, essa despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais gritante: 60% das cadeiras pertencem a estados do Norte e Nordeste. Isso se deve \u00e0 regra de que cada estado possui o mesmo n\u00famero de senadores, o que, dada a maior quantidade de estados nessas regi\u00f5es (17, somando Norte e Nordeste), garante-lhes uma soberania absoluta.<\/p>\n<p>Contudo, o problema central n\u00e3o reside na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em si, mas em como essa soberania se traduz na distribui\u00e7\u00e3o de recursos, gerando o que podemos chamar de um roubo institucionalizado da riqueza.<\/p>\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o federal prov\u00e9m majoritariamente do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. S\u00e3o Paulo, sozinho, responde por cerca de 40% de todos os tributos federais que comp\u00f5em o montante da arrecada\u00e7\u00e3o. Cerca de 90% da receita tribut\u00e1ria federal \u00e9 gerada pelas regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Em contrapartida, as regi\u00f5es Norte e Nordeste contribuem com uma parcela \u00ednfima, aproximadamente 10%, da arrecada\u00e7\u00e3o total. O mecanismo de devolu\u00e7\u00e3o desses impostos aos estados e munic\u00edpios \u00e9 o cerne do desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p>O Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Estados (FPE) e o Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios (FPM) operam como verdadeiras m\u00e1quinas de desvios, enviesadas, culminando em uma injusti\u00e7a representativa e fiscal sem precedentes.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O desequil\u00edbrio fiscal: FPE, FPM e a fraude do FUNDEB<\/h2>\n<p>O FPE, composto por Imposto de Renda e IPI, distribui cerca de 85% de seus recursos para os estados do Norte e Nordeste, deixando o Sudeste com meros 15%. Esse arranjo j\u00e1 est\u00e1 delimitado e serve como base para a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um esp\u00f3lio dos tributos gerados nas regi\u00f5es mais produtivas.<\/p>\n<p>O Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que geram 90% da arrecada\u00e7\u00e3o, recebem sistematicamente apenas 15% do repasse do FPE, resultando em investimentos insuficientes em infraestrutura, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a nas regi\u00f5es que sustentam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Adicionalmente, o Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios (FPM) refor\u00e7a o car\u00e1ter redistributivo, enviando at\u00e9 60% dos recursos para as cidades do Norte e Nordeste, consolidando a despropor\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o de 10% para a receita federal. A esse cen\u00e1rio soma-se o Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (FUNDEB), outro mecanismo que, sob o apelo de atender \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, destina desproporcionalmente a maior parte de seus recursos \u00e0s regi\u00f5es em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O controle dos dados utilizados para a aloca\u00e7\u00e3o do FUNDEB, realizado pelo IBGE, abre espa\u00e7o para distor\u00e7\u00f5es e suspeitas de fraudes absolutas. Relat\u00f3rios que apontam encolhimento populacional no Sul\/Sudeste e aumento populacional no Norte\/Nordeste, sem bases demogr\u00e1ficas s\u00f3lidas, precisam ser questionados.<\/p>\n<p>Esses dados, que favorecem a aloca\u00e7\u00e3o de verbas para determinadas regi\u00f5es, s\u00e3o aceitos tacitamente pelo governo e pela imprensa c\u00famplice, enquanto a sociedade civil permanece desatenta a uma pr\u00e1tica que certamente \u00e9 o maior esquema de desvio de verbas do pa\u00eds, superando em muito os valores e a corrup\u00e7\u00e3o em esc\u00e2ndalos como Mensal\u00e3o e Petrol\u00e3o.<\/p>\n<h2>A tirania de Bras\u00edlia<\/h2>\n<p>O que ocorre hoje, com o desvio sistem\u00e1tico em estatais, o corriqueiro curso ativo nas ag\u00eancias reguladoras e todos os esquemas de corrup\u00e7\u00e3o que permeiam a Esplanada, \u00e9 reflexo de um poder excessivamente concentrado em Bras\u00edlia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Quanto mais poder se concentra na capital federal, mais inefici\u00eancia, mais corrup\u00e7\u00e3o e mais tirania de Estado se instalam sobre os cidad\u00e3os brasileiros<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O questionamento que se imp\u00f5e \u00e9: se h\u00e1 tanto benef\u00edcio sendo direcionado ao Norte e Nordeste, por que o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) dessas regi\u00f5es permanece estagnado e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo diminuiu? A aus\u00eancia de melhoria nesses \u00edndices sugere que o desvio trilion\u00e1rio, que ocorre anualmente, n\u00e3o beneficia a popula\u00e7\u00e3o, mas sim uma rede de oligarcas pol\u00edticos e empresariais.<\/p>\n<p>Esses grandes desvios se perpetuam em inefici\u00eancias absolutas. Obras estruturantes, como pontes ou saneamento b\u00e1sico, s\u00e3o barradas em favor de servi\u00e7os de balsa ou de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua por oligarcas, a custos alt\u00edssimos.<\/p>\n<p>A infraestrutura de escoamento da produ\u00e7\u00e3o e a melhoria de portos e aeroportos s\u00e3o negligenciadas em prol dos oligarcas que se beneficiam de portos e aeroportos privados com alta inefici\u00eancia e que retroalimentam o sistema socialista-clientelista do governo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>A Reforma Tribut\u00e1ria e o caminho da escravid\u00e3o<\/h2>\n<p>Esse c\u00edrculo vicioso \u00e9 agravado pela iminente reforma tribut\u00e1ria. A centraliza\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de todos os tributos em Bras\u00edlia n\u00e3o apenas vai facilitar, mas deve institucionalizar ainda mais o desvio sist\u00eamico. O comando do fluxo de recursos ficar\u00e1 inteiramente nas m\u00e3os do poder central de Bras\u00edlia, que controlar\u00e1 os n\u00fameros da arrecada\u00e7\u00e3o e a destina\u00e7\u00e3o dos repasses. Estamos correndo um risco imensur\u00e1vel com a atual pol\u00edtica, a reforma tribut\u00e1ria e a falta de debate sobre temas cruciais.<\/p>\n<p>A proporcionalidade efetiva da representatividade \u00e9 um desses temas tabus. S\u00e3o Paulo, por exemplo, deveria ter entre 30 e 50 deputados a mais. Por que os deputados e senadores dos estados espoliados permanecem em sil\u00eancio? Porque abordar a quest\u00e3o \u00e9 antagonizar, \u00e9 ser tachado de regionalista, chauvinista ou, no limite, racista. O receio da pecha pol\u00edtica impede o debate sobre a boiada que passa anualmente na relatoria das leis or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n<p>Enquanto a Presid\u00eancia da C\u00e2mara e do Senado se mantiverem alinhadas a esse esquema, a espolia\u00e7\u00e3o dos estados produtores continuar\u00e1. A sa\u00edda para o Norte e Nordeste n\u00e3o \u00e9 mais depend\u00eancia dos repasses de Bras\u00edlia, que \u00e9 o caminho da escravid\u00e3o e da submiss\u00e3o. \u00c9 a busca pela liberdade econ\u00f4mica e autonomia pol\u00edtica, quebrando o dom\u00ednio dos oligarcas pol\u00edticos vinculados a governos e empresas internacionais.<\/p>\n<h2>O rumo da liberdade: autonomia e desenvolvimento<\/h2>\n<p>O governo federal e os governadores do Norte e Nordeste que de fato quisessem ajudar suas popula\u00e7\u00f5es deveriam olhar para o exemplo dos pa\u00edses vizinhos. Em vez de aumentar a regulamenta\u00e7\u00e3o e os impostos, o Brasil deveria desregulamentar e diminuir a carga tribut\u00e1ria, atraindo os empres\u00e1rios que est\u00e3o fugindo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Nordeste, em particular, era riqu\u00edssimo durante o per\u00edodo colonial e imperial, justamente porque n\u00e3o havia a burocratiza\u00e7\u00e3o e a tributa\u00e7\u00e3o esmagadora de hoje. A liberdade deve ser o lema: autonomia legislativa para que esses estados e munic\u00edpios possam criar um ambiente de neg\u00f3cios favor\u00e1vel, com tributos mais baixos, burocracia simplificada e legisla\u00e7\u00e3o prop\u00edcia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de empresas e oportunidades. O bom uso do recurso gerado \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o investirmos onde a riqueza \u00e9 gerada, estaremos fomentando a fragiliza\u00e7\u00e3o de todo o Brasil, que passar\u00e1 a depender de financiamento e produ\u00e7\u00e3o externa, dada a gigantesca inefici\u00eancia estrutural interna.<\/p>\n<p>A \u00fanica for\u00e7a capaz de reverter esse quadro \u00e9 a opini\u00e3o p\u00fablica do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que juntos representam cerca de 65% a 70% da popula\u00e7\u00e3o. Se essas regi\u00f5es se levantarem contra o esquema, ter\u00e3o tudo a ganhar e o Brasil, no longo prazo, a prosperar.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de cobrar uma postura dos governadores, senadores e deputados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que assistem, em sil\u00eancio, a esse saque institucional. Bras\u00edlia \u00e9 inimiga dessas regi\u00f5es, e cabe aos seus representantes defender seus cidad\u00e3os do cartel de criminosos que l\u00e1 se instalou.<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A engrenagem do poder: regi\u00f5es que mais arrecadam s\u00e3o saqueadas, enquanto Bras\u00edlia concentra recursos e alimenta um esquema desigual. 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