{"id":485987,"date":"2026-06-12T09:02:32","date_gmt":"2026-06-12T13:02:32","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=485987"},"modified":"2026-06-12T09:02:32","modified_gmt":"2026-06-12T13:02:32","slug":"somos-umas-bestas-a-selecao-brasileira-e-a-cura-da-sindrome-de-vira-lata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=485987","title":{"rendered":"Somos umas bestas: a sele\u00e7\u00e3o brasileira e a cura da s\u00edndrome de vira-lata"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/12085704\/Escrete.jpg.webp\" \/><span>Do escrete de 1962 \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o que marcou gera\u00e7\u00f5es, o Brasil transformou futebol em identidade, mem\u00f3ria e grandeza. (Foto: Imagem criada pelo Chatgpt\/ Gazeta do Povo)<\/span>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Amigos, eu falarei muito da Copa, da Sele\u00e7\u00e3o. E muita gente j\u00e1 rosna, com t\u00e9dio e irrita\u00e7\u00e3o: \u201cFutebol \u00e9 o \u00f3pio do povo!\u201d ou \u201cNingu\u00e9m se importa mais com isso\u201d ou sei l\u00e1 qual outra express\u00e3o de mau sentimento e estado de depressividade na vida.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso redescobrir o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/polzonoff\/copa-do-mundo-2026\/\">Brasil<\/a>, reencontrar quem somos. E somente nosso escrete conseguiu nos ensinar ambas as coisas. Eu sei, o termo \u201cescrete\u201d \u00e9 esquisito, por\u00e9m necess\u00e1rio. Devolve-nos ao passado, a Nelson Rodrigues, que adorava us\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Das minhas cr\u00f4nicas futebol\u00edsticas preferidas dele, \u201cA Piada Imortal\u201d. Publicada em 27 de maio de 1962, dias antes do in\u00edcio da Copa de 1962, no Chile. \u00c9 justo nesta que Nelson afirma que \u00e9 o escrete quem revelou o Brasil, tanto ao mundo como a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O que sabemos n\u00f3s do Brasil? Perguntou ele, passando a lembrar como n\u00e3o \u00e9ramos nada ufanistas antes da primeira conquista, em 1958. Ao contr\u00e1rio, ador\u00e1vamos nos desprezar, como \u201cum Narciso \u00e0s avessas, que cuspisse na pr\u00f3pria imagem\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi nesta cr\u00f4nica que cunhou a express\u00e3o \u201cS\u00edndrome de Vira-Lata\u201d, mas \u00e9 disso que se trata, no fim das contas. E foi assim que o escrete de 1958 foi \u00e0 Su\u00e9cia. Desconfiado, duvidando em esp\u00edrito. Ainda mais depois da tr\u00e1gica derrota de 1950.<\/p>\n<p>Vencemos a \u00c1ustria, empatamos com a Inglaterra e \u00edamos para o jogo decisivo da fase de grupos contra a R\u00fassia, que era poderosa na \u00e9poca. O empate traria riscos \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o para a fase do mata-mata.<\/p>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o precisamos mais de piadas para nos dar a sensa\u00e7\u00e3o de grandeza, porque somos mais do que grandes, somos os maiores<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEu vou dizer o momento exato em que se inaugurou o verdadeiro Brasil. Foi ap\u00f3s o hino nacional brasileiro. Os jogadores ainda estavam perfilados e tr\u00eamulos. A R\u00fassia seria uma prova crucial. Mais do que nunca dava em cada jogador o dilema: \u2018Ser uma besta ou n\u00e3o ser uma besta?\u2019 E, ent\u00e3o, soou, naquele escrete contra\u00eddo, a voz de Garrincha. Com a sua candura triunfal, dizia o Man\u00e9 para o Nilton Santos: \u2018Aquele bandeirinha tem a cara do seu Carlito!\u2019. Houve, ent\u00e3o, o riso incoerc\u00edvel, total. Foi o bastante. O escrete tomou-se de uma nova e feroz potencialidade. E da piada de Garrincha partiu para a vit\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o fa\u00e7o ideia de quem fosse o seu Carlito, mas sei que o nosso Carleto \u00e9 a cara do seu Jos\u00e9 Sena, que era gar\u00e7om e, agora, com a semelhan\u00e7a, anda tentando ganhar uns trocados como s\u00f3sia do treinador do escrete atual. Mas desconfio que Nelson odiaria isso. Desconfio, n\u00e3o, tenho certeza. Fiquemos com o passado:<\/p>\n<p>\u201cAli, come\u00e7ava o verdadeiro Brasil. Ningu\u00e9m sabe, mas foi uma piada que derrotou a grande, colossal, a imbat\u00edvel R\u00fassia. A mesma piada deu ao brasileiro a sensa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria grandeza. Com um quase p\u00e2nico, o homem do Brasil percebeu que era genial.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, com um inteiro p\u00e2nico, o homem do Brasil sabe que a loucura reinante do politicamente correto derrotou a piada, qualquer piada. Garrincha seria cancelado, sen\u00e3o pelas piadas, por chamar todos os seus marcadores de \u201cJo\u00e3o\u201d. A irrever\u00eancia virou ofensa, para-se o jogo, ganha-se cart\u00e3o amarelo, quando n\u00e3o vermelho.<\/p>\n<p>Mas temos o escrete, que conquistou 1962, depois 1970, deixou de ser escrete para se tornar <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/leonardo-coutinho\/diplomacia-de-varzea\/\">A Sele\u00e7\u00e3o<\/a>, voltando a vencer em 1994 e 2002. N\u00e3o precisamos mais de piadas para nos dar a sensa\u00e7\u00e3o de grandeza, porque somos mais do que grandes, somos os maiores. Isto \u00e9 um fato. Precisamos apenas realizar mais uma vez aquela feroz potencialidade. S\u00f3 assim voltaremos a ter Garrinchas. E Nelsons Rodrigues. E deixar de sermos umas bestas que desprezam o melhor em n\u00f3s.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do escrete de 1962 \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o que marcou gera\u00e7\u00f5es, o Brasil transformou futebol em identidade, mem\u00f3ria e grandeza. 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