{"id":479535,"date":"2026-06-10T07:59:32","date_gmt":"2026-06-10T11:59:32","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=479535"},"modified":"2026-06-10T07:59:32","modified_gmt":"2026-06-10T11:59:32","slug":"apos-protestos-governo-cede-e-sinaliza-cota-extra-para-arrasto-da-tainha-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=479535","title":{"rendered":"Ap\u00f3s protestos, governo cede e sinaliza cota extra para arrasto da tainha em SC"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O governo federal vai rever a decis\u00e3o anunciada dias atr\u00e1s e <strong>ampliar a cota de captura da tainha<\/strong> destinada aos pescadores artesanais de Santa Catarina durante a safra de 2026. A decis\u00e3o foi anunciada nesta ter\u00e7a-feira (9), ap\u00f3s <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/santa-catarina\/prefeituras-pescadores-senado-reagem-proibicao-federal-arrasto-da-tainha\/\">protestos de comunidades pesqueiras<\/a> e articula\u00e7\u00e3o de representantes pol\u00edticos catarinenses.<\/p>\n<p>A pesca <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/santa-catarina\/proibicao-pesca-arrasto-tainha-tradicao-acoriana\/\">havia sido interrompida<\/a> no domingo (7), ap\u00f3s as capturas alcan\u00e7arem 1.198,8 toneladas \u2014 90% da cota coletiva prevista para a temporada. A suspens\u00e3o ocorreu antes do per\u00edodo habitual de encerramento da safra e afetou diversas comunidades do litoral catarinense que dependem da atividade para gerar renda.<\/p>\n<p>&#8220;Os peixes est\u00e3o passando, estamos vendo a movimenta\u00e7\u00e3o dos cardumes pr\u00f3ximo \u00e0 praia e n\u00e3o podemos pescar. \u00c9 um desespero para os pescadores que precisam sustentar as suas fam\u00edlias&#8221;, afirma a pescadora Maria Ivone Serpa, bisneta e filha de pescadores de tainha.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelos minist\u00e9rios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, <strong>a pesca de arrasto permanece suspensa at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de uma portaria conjunta no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;O que j\u00e1 sabemos \u00e9 que a libera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apenas para as regi\u00f5es que ainda n\u00e3o molharam as redes, que ainda n\u00e3o tiveram a passagem dos cardumes pelas praias, como S\u00e3o Francisco do Sul e Itapo\u00e1, e aqui tamb\u00e9m em Bombinhas, porque come\u00e7amos o trabalho h\u00e1 poucos dias e ainda n\u00e3o alcan\u00e7amos o que \u00e9 esperado&#8221;, diz Serpa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Fim antecipado do arrasto da tainha preocupa 42 mil pescadores em SC<\/h2>\n<p>Segundo a Federa\u00e7\u00e3o dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), o fim antecipado da captura por arrasto de praia provoca forte impacto nas comunidades que vivem da safra anual da esp\u00e9cie. \u201cTradicionalmente, a safra da tainha em Santa Catarina ocorre entre 1\u00ba de maio e 31 de julho. Em algumas praias, os cardumes ainda n\u00e3o chegaram, \u00e9 esta a preocupa\u00e7\u00e3o dos pescadores artesanais&#8221;, afirma Juliana Oliveira da Silva, advogada da entidade.<\/p>\n<p>A Fepesc reitera, assim como diversas vozes que se manifestaram nos \u00faltimos dias, o valor hist\u00f3rico e econ\u00f4mico da atividade para o estado. \u201cA pesca da tainha faz parte da hist\u00f3ria de Santa Catarina desde a coloniza\u00e7\u00e3o e representa uma tradi\u00e7\u00e3o transmitida entre gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o trabalhadores que fizeram investimentos elevados em redes, embarca\u00e7\u00f5es e na prepara\u00e7\u00e3o de toda a estrutura para a temporada\u201d, completa a advogada. A Fepesc representa cerca de 42 mil pescadores em Santa Catarina.<\/p>\n<p>O presidente da Fepesc, Ivo da Silva, relata a como\u00e7\u00e3o entre os pescadores durante reuni\u00e3o realizada na tarde da segunda-feira (8), em Bombinhas. \u201cEssa paralisa\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 safra \u00e9 um preju\u00edzo imensur\u00e1vel. Ela tem um valor financeiro, econ\u00f4mico e emocional que n\u00e3o se consegue mensurar. Foram v\u00e1rios pescadores que chegaram a chorar em nossa reuni\u00e3o, porque vivem da atividade h\u00e1 mais de 40 anos e dependem dela para sustentar a fam\u00edlia\u201d, relata o presidente da Fepesc.<\/p>\n<p>Entre as iniciativas da Fepesc, houve o encaminhamento de um of\u00edcio ao Minist\u00e9rio da Pesca, pedindo a suspens\u00e3o imediata da medida de encerramento da captura de tainha na modalidade de arrasto de praia, baseada na <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-interministerial-mpa\/mma-n-51-de-27-de-fevereiro-de-2026-689477018\">Portaria Interministerial MPA\/MMA n\u00ba 51, de 27 de fevereiro de 2026.<\/a><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi organizado um abaixo-assinado que pede a revis\u00e3o da suspens\u00e3o da pesca artesanal da tainha por arrasto. Al\u00e9m de questionar a medida do encerramento com os 90% da cota coletiva, o grupo reivindicou a amplia\u00e7\u00e3o em pelo menos 30% da cota destinada \u00e0 modalidade artesanal ou a reavalia\u00e7\u00e3o do modelo de controle adotado pelo governo federal.<\/p>\n<h2>Comunidades pesqueiras relatam a depend\u00eancia da atividade<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a reuni\u00e3o em Bombinhas, pescadores e familiares fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na praia. O grupo protestou contra a suspens\u00e3o da pesca da tainha por arrasto de praia e pediu a revis\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 atividade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s vivemos somente da pesca, desde a gera\u00e7\u00e3o do meu bisav\u00f4. Meu pai tem 85 anos e sempre sustentou a fam\u00edlia com essa atividade. Minha filha tamb\u00e9m est\u00e1 come\u00e7ando neste ramo. N\u00e3o pode haver proibi\u00e7\u00e3o, queremos cota zero\u201d, reivindica Serpa.<\/p>\n<p>A pescadora tamb\u00e9m aponta a necessidade de outras comunidades, em praias mais ao norte de Santa Catarina. &#8220;Os cardumes passaram por Florian\u00f3polis e foi poss\u00edvel fazer a pesca. Est\u00e3o come\u00e7ando a passar por aqui, na regi\u00e3o de Bombinhas, mas ainda h\u00e1 praias mais ao norte. Que vai ser desta gente?&#8221;, questiona Serpa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/09093743\/seu-joao.jpg.webp\" \/><i>Com 85 anos, Jo\u00e3o Silva representa a hist\u00f3ria da pesca artesanal no litoral catarinense. (Foto: Bianca Serpa\/Rancho do seu Jo\u00e3o)<\/i><\/p>\n<h2>Tainha migra para o litoral catarinense durante o inverno<\/h2>\n<p>A tainha passa a maior parte do ano em \u00e1gua doce e, com a chegada do inverno, inicia a migra\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao litoral para a reprodu\u00e7\u00e3o. Os cardumes saem da bacia do Rio da Prata, entre Argentina e Uruguai, e da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, passando pela costa catarinense antes de seguir para o Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Segundo a Fepesc, ap\u00f3s a passagem das frentes frias, os peixes seguem para \u00e1guas mais quentes para a desova. Nas praias, olheiros monitoram os cardumes e avisam os pescadores quando os peixes se aproximam da costa. Ap\u00f3s a captura, pescadores, moradores e turistas ajudam a puxar as redes at\u00e9 a areia, em uma das cenas mais tradicionais da safra catarinense.<\/p>\n<p>A pesca por arrasto de praia, considerada tradicional e exclusiva de Santa Catarina, utiliza redes lan\u00e7adas ao mar e puxadas da faixa de areia. J\u00e1 o emalhe anilhado, tamb\u00e9m restrito ao estado, tem cota de 1,09 mil toneladas nesta temporada, com limite de 15 toneladas por embarca\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de margem adicional de 20%.<\/p>\n<p>Outras modalidades tamb\u00e9m possuem cotas espec\u00edficas: o emalhe costeiro de superf\u00edcie pode capturar at\u00e9 2,07 mil toneladas; o cerco, conhecido como traineira, tem limite de 720 toneladas; e a pesca no estu\u00e1rio da Lagoa dos Patos pode atingir 2,7 mil toneladas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/09112228\/pescadores.jpeg.webp\" \/><i>Para muitos pescadores artesanais, a safra da tainha representa a principal fonte de renda do ano. (Foto: Bianca Serpa\/Rancho do seu Jo\u00e3o)<\/i><\/p>\n<h2>Governo de Santa Catarina questiona limite imposto \u00e0 pesca artesanal da tainha<\/h2>\n<p>Contr\u00e1rio \u00e0 decis\u00e3o, o governo de Santa Catarina informou que adotou medidas judiciais em defesa dos pescadores artesanais catarinenses. A a\u00e7\u00e3o busca derrubar a cota imposta exclusivamente ao estado ou, como alternativa, ampliar os limites atualmente estabelecidos, de forma compat\u00edvel com a realidade da pesca artesanal catarinense e com a import\u00e2ncia econ\u00f4mica, social e cultural da atividade.<\/p>\n<p>De acordo com a Secretaria de Estado da Aquicultura e Pesca, esta \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria do Brasil que pescadores artesanais s\u00e3o obrigados a interromper a atividade de arrasto de praia durante a safra da tainha em raz\u00e3o de uma cota imposta pelo governo federal.<\/p>\n<p>Segundo o governo catarinense, a medida atinge, na pr\u00e1tica, apenas Santa Catarina, justamente o \u00fanico estado brasileiro que possui a atividade devidamente regulamentada e fiscalizada, cumprindo rigorosamente as regras estabelecidas para essa modalidade tradicional de pesca.<\/p>\n<p>Conforme o secret\u00e1rio catarinense da Aquicultura e Pesca, Fabiano M\u00fcller Silva, o sistema de cotas aplicado ao arrasto de praia n\u00e3o reflete a realidade da atividade pesqueira catarinense e prejudica centenas de fam\u00edlias que dependem da pesca artesanal para sua subsist\u00eancia e para a preserva\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria do litoral do estado.<\/p>\n<p>Silva informou ainda que o governo catarinense solicitou ao Minist\u00e9rio da Pesca a amplia\u00e7\u00e3o da cota para o arrasto de praia. \u201cEsse \u00e9 um ano muito at\u00edpico. Os pescadores nunca viram, no m\u00eas de maio, a cota e o volume de peixes ampliarem t\u00e3o rapidamente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A <strong>Gazeta do Povo<\/strong> entrou em contato com o Minist\u00e9rio da Pesca, mas n\u00e3o obteve retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem. O espa\u00e7o segue aberto para manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal vai rever a decis\u00e3o anunciada dias atr\u00e1s e ampliar a cota de captura da tainha destinada aos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":479444,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-479535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/479535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=479535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/479535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/479444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=479535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=479535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=479535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}