{"id":477274,"date":"2026-06-08T11:05:07","date_gmt":"2026-06-08T15:05:07","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=477274"},"modified":"2026-06-08T11:05:07","modified_gmt":"2026-06-08T15:05:07","slug":"arrasto-da-tainha-atrai-ate-luciano-hang-e-governo-federal-decreta-fim-da-temporada-antes-do-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=477274","title":{"rendered":"Arrasto da tainha atrai at\u00e9 Luciano Hang e governo federal decreta fim da temporada antes do prazo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Entre maio e julho, pescadores artesanais se programam para ocupar faixas de areia e arrastam redes carregadas de peixes no litoral catarinense, em uma <strong>cena que atravessa gera\u00e7\u00f5es<\/strong> nas comunidades pesqueiras do estado. Por\u00e9m, desde este domingo (7), uma decis\u00e3o do governo federal interferiu nesta rotina: o Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura comunicou que fica encerrada, a partir de agora, &#8220;a captura da esp\u00e9cie tainha (<em>Mugil liza<\/em>) na modalidade de arrasto de praia, referente \u00e0 temporada de pesca de 2026&#8243;.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, a safra da tainha aproximava-se da marca de 1,21 mil toneladas capturadas em arrasto neste ano, somando mais de 4,6 mil toneladas em todas as modalidades, conforme dados do painel de monitoramento do Minist\u00e9rio da Pesca. A pasta do governo Lula (PT) informou que &#8220;a medida possui car\u00e1ter preventivo e tem por objetivo evitar o excedente da cota de captura estabelecida para a modalidade, considerando que o limite coletivo atingiu 90% da cota autorizada para a temporada, nos termos da Portaria Interministerial MPA\/MMA n\u00ba 51, de 27 de fevereiro de 2026&#8221;.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A pr\u00e1tica do arrasto de praia, considerada tradicional e exclusiva de Santa Catarina, utiliza redes lan\u00e7adas ao mar e puxadas da areia por grupos de pescadores.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es de arrasto de praia que estiverem em atividade de pesca no mar dever\u00e3o realizar o \u00faltimo desembarque de tainha (<em>Mugil liza<\/em>) em at\u00e9 24 horas ap\u00f3s o encerramento da captura, contadas da publica\u00e7\u00e3o do comunicado no site oficial do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura, que ocorreu \u00e0s 15h26 do domingo.<\/p>\n<p>A prefeita de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, Juliana Pavan (PSD), criticou a decis\u00e3o do governo federal e manifestou apoio aos pescadores. \u201cQuando a gente fala da pesca da tainha, n\u00e3o estamos apenas falando de cotas, n\u00f3s estamos falando da hist\u00f3ria de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, da tradi\u00e7\u00e3o de Santa Catarina e do sustento de milhares de fam\u00edlias\u201d, comentou em um v\u00eddeo publicado na rede social <em>Instagram<\/em> na noite do domingo.<\/p>\n<p>A prefeita ainda lembrou que, al\u00e9m do valor cultural, a pesca da tainha tamb\u00e9m \u00e9 uma atividade econ\u00f4mica. \u201cA gente sabe que a preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 importante e necess\u00e1ria, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso ouvir quem vive do mar e respeitar a realidade das nossas comunidades pesqueiras. A pesca da tainha faz parte da identidade do nosso litoral\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>Tainha, rede e tradi\u00e7\u00e3o a\u00e7oriana: a safra que move o litoral catarinense<\/h2>\n<p>A pesca da tainha preserva uma <strong>tradi\u00e7\u00e3o trazida pelos colonizadores a\u00e7orianos<\/strong> h\u00e1 mais de 200 anos. Al\u00e9m do valor hist\u00f3rico e cultural, a atividade gera renda para fam\u00edlias de pescadores e fortalece a economia de munic\u00edpios do litoral catarinense. Em 2012, a atividade foi reconhecida como Patrim\u00f4nio Cultural de Santa Catarina.<\/p>\n<p><strong>A safra chega a alterar a rotina das praias<\/strong> no estado. Em Florian\u00f3polis, uma lei municipal determina restri\u00e7\u00f5es ao surfe em v\u00e1rios trechos da capital para que ocorra a pesca.<\/p>\n<p>Pescadores da Praia de Cima, em Palho\u00e7a, na Grande Florian\u00f3polis, estimaram a captura de mais de 30 mil tainhas durante um dos arrastos realizados no local. \u201cA temporada come\u00e7ou com expectativa muito alta entre os pescadores. Antes dos grandes lan\u00e7os em Palho\u00e7a, a gente j\u00e1 observava uma <strong>movimenta\u00e7\u00e3o intensa de tainhas nas praias de Garopaba e da Gamboa<\/strong>\u201d, afirma o pescador artesanal Ramatis Ferreira Flor\u00eancio.<\/p>\n<h2>Luciano Hang participa do arrasto da tainha em SC e defende pesca artesanal contra interfer\u00eancias externas<\/h2>\n<p>Dono das lojas Havan, o empres\u00e1rio Luciano Hang celebrou a participa\u00e7\u00e3o em um arrast\u00e3o da tainha na praia de Bombinhas. Em v\u00eddeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira (5), ele mostrou momentos da pescaria realizada.<\/p>\n<p>Nas imagens, Hang aparece ao lado de pescadores durante a retirada do cardume da \u00e1gua para a faixa de areia. Em um primeiro momento, ele consegue capturar algumas tainhas com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Depois, enfrenta v\u00e1rias tentativas sem sucesso at\u00e9 voltar a pegar um dos peixes, que lan\u00e7a para o alto em comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o federal, Hang voltou a se manifestar. &#8220;Em outros anos, a pesca da tainha j\u00e1 havia sido amea\u00e7ada. Mas proibir, como fizeram agora, <strong>\u00e9 algo sem precedentes<\/strong>. Est\u00e3o atacando uma tradi\u00e7\u00e3o que existe h\u00e1 mais de 400 anos e que faz parte da vida de muitas fam\u00edlias catarinenses&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio j\u00e1 havia registrado a import\u00e2ncia da pesca da tainha em Santa Catarina. &#8220;Os jovens t\u00eam que continuar a tradi\u00e7\u00e3o dos seus av\u00f3s, os antepassados que est\u00e3o aqui fazendo essa pesca. Olha, a comunidade tem turista, tem moradores, tem pessoas de outros lugares que vieram para c\u00e1 hoje para ver, e s\u00e3o v\u00e1rias praias que tem aqui em Bombinhas. S\u00e3o 39 praias e todas elas v\u00e3o estar a\u00ed. Deus tem aben\u00e7oado que est\u00e1 uma festa esse ano e todos os ranchos, cada um est\u00e1 matando o seu peixinho. Todas as comunidades est\u00e3o sendo alimentadas\u201d, disse Hang no v\u00eddeo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Santa Catarina ampliou cota da tainha ap\u00f3s safra superar 2,5 mil toneladas<\/h2>\n<p>Segundo a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca, embarca\u00e7\u00f5es catarinenses capturaram mais de 2,5 mil toneladas de tainha no ano passado. Para a safra de 2026, o Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura havia autorizado a atua\u00e7\u00e3o de 419 embarca\u00e7\u00f5es de arrasto de praia no litoral catarinense.<\/p>\n<p>As cotas de captura foram ampliadas em 20% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s safras anteriores. O limite total liberado pelo governo federal chegou a 8.168 toneladas de tainha.<\/p>\n<p>&#8220;O ano passado foi mais dif\u00edcil. Tivemos que <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/santa-catarina-acao-stf-contra-limite-imposto-pesca-tainha\/\">judicializar a quest\u00e3o da cota<\/a> e conseguimos um ajuste. Este ano vamos monitorar o desenvolvimento para orientar e defender nossos pescadores artesanais&#8221;, afirmou, antes da decis\u00e3o federal, o secret\u00e1rio da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Fabiano M\u00fcller Silva.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/22143647\/tainha_santa_catarina_2.jpg.webp\" \/><i>Safra da tainha movimenta turismo, gastronomia e com\u00e9rcio nas cidades costeiras de Santa Catarina. (Foto: Ricardo Wolffenb\u00fcttel\/Governo de Santa Catarina)<\/i><\/p>\n<h2>Frio impulsiona safra da tainha e amplia capturas em Santa Catarina<\/h2>\n<p>De acordo com a Federa\u00e7\u00e3o dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), a temporada da pesca vem sendo favorecida pelas temperaturas mais baixas registradas no estado. <strong>O frio ajuda a empurrar os cardumes para mais perto da costa catarinense<\/strong>, aumentando as chances de grandes capturas nas praias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa \u00e9 de uma \u00f3tima safra. A tainha busca \u00e1guas mais quentes para desovar. O frio e a amplia\u00e7\u00e3o do vento sul ajudam bastante. Esperamos bater o recorde neste ano. As cotas melhoraram, mas queremos chegar a 1,5 mil toneladas\u201d, afirmou o presidente da Fepesc, Ivo da Silva.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do arrasto de praia, considerada tradicional e exclusiva de Santa Catarina, utiliza redes lan\u00e7adas ao mar e puxadas da areia por grupos de pescadores. O emalhe anilhado, outra modalidade restrita ao litoral catarinense, tem limite de 1,09 mil toneladas nesta temporada. A t\u00e9cnica utiliza redes de emalhe com sistema de anilhas. Cada embarca\u00e7\u00e3o pode capturar at\u00e9 15 toneladas, al\u00e9m de uma margem adicional de 20%.<\/p>\n<p>As demais cotas ficaram distribu\u00eddas entre outras modalidades de pesca. O emalhe costeiro de superf\u00edcie tem limite de 2,07 mil toneladas para opera\u00e7\u00f5es no litoral e na Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE) das regi\u00f5es Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>O cerco, conhecido como traineira, poder\u00e1 capturar nesta temporada at\u00e9 720 toneladas nas mesmas \u00e1reas mar\u00edtimas. J\u00e1 a pesca no estu\u00e1rio da Lagoa dos Patos ter\u00e1 limite de 2,7 mil toneladas, conforme regras espec\u00edficas definidas para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Como funciona a pesca de arrasto da tainha no litoral catarinense<\/h2>\n<p>Segundo a Fepesc, a movimenta\u00e7\u00e3o para o arrasto come\u00e7a ainda no mar. Os cardumes deixam a Lagoa dos Patos e seguem rumo ao norte do pa\u00eds ap\u00f3s a passagem das frentes frias. O objetivo dos peixes \u00e9 alcan\u00e7ar \u00e1guas mais quentes para o per\u00edodo de desova.<\/p>\n<p>Nas praias, os olheiros acompanham o deslocamento dos cardumes do alto dos cost\u00f5es ou diretamente da faixa de areia. Quando identificam a aproxima\u00e7\u00e3o dos peixes, eles avisam os pescadores que aguardam preparados para entrar no mar e fechar o cerco com as redes.<\/p>\n<p>Depois da captura, pescadores, moradores e turistas ajudam a puxar as redes at\u00e9 a areia. O arrasto coletivo se transformou em uma das imagens mais tradicionais da safra catarinense.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre maio e julho, pescadores artesanais se programam para ocupar faixas de areia e arrastam redes carregadas de peixes no&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":474415,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-477274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/477274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=477274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/477274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/474415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=477274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=477274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=477274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}