{"id":476971,"date":"2026-06-09T10:00:09","date_gmt":"2026-06-09T14:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=476971"},"modified":"2026-06-09T10:00:09","modified_gmt":"2026-06-09T14:00:09","slug":"curitiba-supera-sao-paulo-como-capital-que-mais-contrata-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=476971","title":{"rendered":"Curitiba supera S\u00e3o Paulo como capital que mais contrata migrantes"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Daniel Ram\u00f3n Torrealba deixou a Venezuela em agosto de 2024 na busca por recome\u00e7ar a vida. O destino escolhido foi a capital paranaense, Curitiba. Em menos de dois anos, o venezuelano trabalhar em um emp\u00f3rio no Mercado Municipal, mas tem planos mais ambiciosos. Mesmo cursando t\u00e9cnico em Seguran\u00e7a do Trabalho, pretende estudar jornalismo e reabrir o neg\u00f3cio de costura da av\u00f3.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/H7ozD2alPDA1a3twUX7jw7\">Receba as principais not\u00edcias do Paran\u00e1 pelo WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a me trouxe muitas oportunidades de trabalho, estudo e aprendizado\u201d, destaca Daniel, que planejava ir para Joinville, mas acabou em Curitiba. \u201cN\u00e3o me arrependo. Gra\u00e7as a Deus, sempre tive muita ajuda\u201d.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do venezuelano ajuda a explicar um movimento que tem ganhado for\u00e7a. Curitiba liderou o saldo de empregos formais ocupados por trabalhadores migrantes no Brasil em 2025, segundo o \u00faltimo boletim do Observat\u00f3rio Regional de Governan\u00e7a Migrat\u00f3ria (ORGMigra).<\/p>\n<p>A cidade<strong> registrou saldo positivo de 7.267 vagas, \u00e0 frente de S\u00e3o Paulo<\/strong> (6.224) e Florian\u00f3polis (2.440). O Paran\u00e1 tamb\u00e9m ocupou a primeira posi\u00e7\u00e3o entre os estados, com saldo de 21.023 empregos formais para esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Emprego e custo de vida mais baixo atraem migrantes<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros refletem um processo que vai al\u00e9m do crescimento populacional. Para a economista Ludmila Culpi, professora da Escola de Neg\u00f3cios da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR), a cidade re\u00fane caracter\u00edsticas que aumentam a atratividade para migrantes. Entre elas, um mercado de trabalho formal consolidado, oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos e custo de vida relativamente menor do que o de outros grandes centros.<\/p>\n<p>\u201cA capital paranaense tem esse protagonismo por ter um mercado de trabalho formal um pouco mais robusto do que em outras regi\u00f5es\u201d, diz a economista. \u201cTemos uma alta taxa na base industrial e necessidade de trabalhadores na \u00e1rea de servi\u00e7os\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Ludmila, Curitiba \u00e9 vista como uma oportunidade de reconstru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social para quem enfrentava vulnerabilidade.<\/p>\n<p>De acordo com o boletim, a maior parte das contrata\u00e7\u00f5es est\u00e1 concentrada em atividades operacionais. No Paran\u00e1, os setores com maiores saldos s\u00e3o a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (7.443), o com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos (5.776) e o setor de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o (1.505). Entre as ocupa\u00e7\u00f5es mais comuns aparecem alimentador de linha de produ\u00e7\u00e3o, atendente de lojas e mercados, operador de caixa, auxiliar de alimenta\u00e7\u00e3o e faxineiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/09083759\/como-curitiba-se-tornou-a-capital-numero-um-na-contratacao-de-migrantes-2.jpg.webp\" \/><i>O venezuelano Daniel Ram\u00f3n Torrealba chegou a Curitiba em agosto de 2024. (Foto: Lucia Duarte\/Acervo Pessoal)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>M\u00e3o de obra complementar<\/h2>\n<p>Apesar da crescente presen\u00e7a de estrangeiros no mercado de trabalho paranaense, os n\u00fameros n\u00e3o indicam uma disputa direta por vagas com os brasileiros. Para a especialista, o avan\u00e7o das contrata\u00e7\u00f5es est\u00e1 relacionado, principalmente, \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de postos que enfrentam dificuldades de recrutamento e alta rotatividade.<\/p>\n<p>\u201cExiste vac\u00e2ncia de setores de trabalho que o brasileiro n\u00e3o quer aceitar, especialmente nos cuidados dom\u00e9sticos, faxina, limpeza e parte da constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, afirma Ludmila. \u201cNormalmente os imigrantes se concentram em setores que demandam menor qualifica\u00e7\u00e3o e menor remunera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de preencher esses postos, a presen\u00e7a de migrantes gera efeitos econ\u00f4micos positivos para os munic\u00edpios. Ao ingressarem no mercado formal, esses trabalhadores passam a consumir e a pagar impostos, ampliando a arrecada\u00e7\u00e3o local. \u201cFrente aos dados, o discurso anti-imigra\u00e7\u00e3o acaba perdendo a credibilidade\u201d, destaca a professora da PUCPR.<\/p>\n<p>Somente em 2025, o Paran\u00e1 registrou 89.175 admiss\u00f5es de trabalhadores migrantes. O volume representa cerca de 1,4% do total de 6,26 milh\u00f5es de pessoas ocupadas no estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Rede de apoio ajuda migrantes a reconstruir a vida em Curitiba<\/h2>\n<p>Al\u00e9m das oportunidades de emprego, a adapta\u00e7\u00e3o dos migrantes depende de uma rede de acolhimento capaz de auxiliar em quest\u00f5es como documenta\u00e7\u00e3o, idioma, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o social. Em Curitiba, uma das iniciativas \u00e9 o projeto Movimentos Migrat\u00f3rios e Psicologia (Move), da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>Criado em 2014 para atender haitianos afetados pelo terremoto de 2010 e s\u00edrios que fugiam da guerra, o projeto passou a acompanhar diferentes fluxos migrat\u00f3rios ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Hoje, oferece acolhimento psicossocial, atendimento cl\u00ednico, orienta\u00e7\u00f5es sobre a Pol\u00edtica Migrat\u00f3ria na UFPR e encaminhamento para redes de prote\u00e7\u00e3o, mercado de trabalho e ensino superior.<\/p>\n<p>Para Elaine Cristina Schmitt Ragnini, coordenadora do Move e da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello\/Acnur na UFPR, a qualifica\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 uma das principais ferramentas para facilitar a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade brasileira.<\/p>\n<p>\u201cA busca por qualifica\u00e7\u00e3o pode auxiliar no acesso a trabalhos mais valorizados\u201d, explica Elaine. \u201cA revalida\u00e7\u00e3o do diploma superior pode colocar o migrante em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, reconhecendo uma trajet\u00f3ria profissional consolidada\u201d.<\/p>\n<p>A necessidade desse suporte se reflete nos desafios relatados por quem chega. Al\u00e9m das barreiras lingu\u00edsticas e culturais, muitos encontram dificuldades para validar diplomas, acessar moradia e compreender as regras do mercado nacional. Muitos migrantes apontam que, pela necessidade de renda imediata, v\u00e1rios profissionais qualificados acabam aceitando subempregos ou enfrentando situa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar dos obst\u00e1culos, hist\u00f3rias como a de Daniel mostram um caminho de pertencimento. \u201cMuitos dizem que os curitibanos s\u00e3o frios, mas os que eu conhe\u00e7o s\u00e3o o oposto\u201d, afirma o venezuelano. \u201cA mudan\u00e7a para Curitiba foi uma das melhores escolhas que j\u00e1 fiz na minha vida\u201d.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Ram\u00f3n Torrealba deixou a Venezuela em agosto de 2024 na busca por recome\u00e7ar a vida. 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