{"id":474936,"date":"2026-06-08T14:44:50","date_gmt":"2026-06-08T18:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=474936"},"modified":"2026-06-08T14:44:50","modified_gmt":"2026-06-08T18:44:50","slug":"a-mente-esquerdista-e-a-contrarrevolucao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=474936","title":{"rendered":"A mente esquerdista e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o da verdade"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/08154117\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-10.51.15-1.jpeg.webp\" \/><span>Ao relativizar crimes, censurar dissidentes e enfraquecer direitos, o sistema normaliza a mentira e acelera sua degrada\u00e7\u00e3o moral. (Foto: Imagem criada utilizando OpenAI\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>As not\u00edcias dos \u00faltimos dias trouxeram uma sequ\u00eancia de cenas que, para o observador desatento \u2014 e sei que esse n\u00e3o \u00e9 o caso dos meus sete leitores, embora possa ser o de meus 17 cr\u00edticos \u2014, parecem fatos isolados de nossa cr\u00f4nica pol\u00edtica. Lidos em conjunto, por\u00e9m, revelam o avan\u00e7o da podrid\u00e3o moral do sistema.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/newsletter\/?newsletter=paulo-briguet\"><strong>Receba um e-mail do Briguet: Inscreva-se gr\u00e1tis na Newsletter do Paulo Briguet e ganhe uma cr\u00f4nica exclusiva por e-mail todas as semanas.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, vimos o perd\u00e3o judicial concedido a uma mulher que permitiu a tortura e a morte do pr\u00f3prio filho de quatro anos, caso que comentei na minha <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-briguet\/henry-borel-morte-da-justica\/\">col<\/a><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-briguet\/henry-borel-morte-da-justica\/\">u<\/a><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-briguet\/henry-borel-morte-da-justica\/\">na <\/a>de domingo.<\/p>\n<p>Em Sergipe, assistimos ao ocupante da Presid\u00eancia <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/lula-silencia-decisao-eua-classificar-cv-pcc-terroristas\/\">indignar-se<\/a> contra a decis\u00e3o do governo americano de classificar as maiores fac\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras como organiza\u00e7\u00f5es terroristas, minimizando o fato de que esses bandidos controlam e atormentam milh\u00f5es de vidas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quase no mesmo instante, em Lisboa, a<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/gilmarpalooza-a-humilhacao-publica-do-stf-em-portugal\/\"> c\u00fapula luloalexandrina <\/a>reunia-se em mais um festim tem\u00e1tico do regime, onde Alexandre de Moraes pregava a urg\u00eancia da censura global para as redes sociais, com o objetivo expl\u00edcito de domesticar o debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, Fl\u00e1vio Dino liderou o voto na Primeira Turma do Supremo para suspender a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de uma fazenda em Pernambuco, chancelando uma invas\u00e3o do MST que j\u00e1 se arrasta por mais de uma d\u00e9cada \u2014 epis\u00f3dio que, como os dois anteriores, revela n\u00e3o a for\u00e7a do Estado, mas a sua captura.<\/p>\n<p>S\u00e3o epis\u00f3dios que se conectam en passant na engrenagem dos notici\u00e1rios, mas que, na verdade, pertencem a uma mesma raiz subterr\u00e2nea.<\/p>\n<blockquote>\n<p> \u00c9 poss\u00edvel identificar, na repeti\u00e7\u00e3o das not\u00edcias, os sintomas de uma mentalidade que busca a completa invers\u00e3o da realidade e da lei natural<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para entender a subst\u00e2ncia do que nos cerca, \u00e9 preciso recorrer \u00e0 ci\u00eancia do mal. &#8220;Livrai-nos do mal&#8221; \u00e9 o \u00faltimo pedido da ora\u00e7\u00e3o mais importante do cristianismo. Sempre que poss\u00edvel, gosto de repetir em sil\u00eancio essas palavras diante dos acontecimentos que nos angustiam e atormentam. Quando passamos os olhos pelas not\u00edcias, percebemos que o mal est\u00e1 solto no mundo.<\/p>\n<p>A \u00faltima frase do Pai-Nosso me veio diversas vezes \u00e0 mente e aos l\u00e1bios durante as 298 p\u00e1ginas do livro \u201cPonerologia: Psicopatas no Poder\u201d, do psic\u00f3logo polon\u00eas Andrew Lobaczewski (1921-2007). A obra foi publicada h\u00e1 alguns anos no Brasil pela Vide Editorial, com tradu\u00e7\u00e3o de Adelice Godoy e pref\u00e1cio de Olavo de Carvalho, e agora est\u00e1 com nova edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A palavra ponerologia vem do grego poneros, o mal. Trata-se de uma nova disciplina cient\u00edfica cuja meta \u00e9 estudar as origens e o desenvolvimento do mal nas pessoas e na sociedade. O dr. Lobaczewski criou o termo ap\u00f3s sofrer pessoalmente as consequ\u00eancias de um sistema pol\u00edtico ocupado por psicopatas em sua terra natal, a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>A saga do livro ilustra o fen\u00f4meno descrito por Lobaczewski. O autor precisou reescrever \u201cPonerologia\u201d tr\u00eas vezes. A primeira vers\u00e3o foi queimada pelo pr\u00f3prio Lobaczewski, antes de uma batida da pol\u00edcia secreta comunista em sua casa. A segunda vers\u00e3o foi entregue a um turista e desapareceu para sempre. O autor viu-se obrigado a escrever uma terceira vers\u00e3o, de mem\u00f3ria, nos Estados Unidos, para onde migrou depois de ser expulso pelo regime comunista, em 1977. Terminou de escrev\u00ea-lo ap\u00f3s voltar \u00e0 terra natal, em 1990.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o brasileira traz na capa um punho erguido. Os brasileiros h\u00e3o de reconhecer esse gesto, bastante comum entre os que atualmente ocupam o poder central no pa\u00eds. O punho erguido em sinal de desafio \u00e9 uma esp\u00e9cie de senha que une certos temperamentos pol\u00edticos de todas as \u00e9pocas. Andrew Lobaczewski utiliza a linguagem cient\u00edfica para descrever o que os move: a busca de atra\u00e7\u00f5es imediatas, momentos de prazer e sentimentos de poder, em detrimento de qualquer compromisso com o bem comum.<\/p>\n<p>O mais alarmante, segundo o autor, \u00e9 que esse tipo humano tem um dom especial para reconhecer seus iguais. Quando reunidos na forma de um partido ou m\u00e1fia, declaram guerra aos seres humanos normais. O homem e a mulher voltados ao amor, \u00e0 fam\u00edlia, ao trabalho, \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es habituais da vida transformam-se em &#8220;inimigos do povo&#8221; assim que eles assumem o poder. Foi precisamente isso que ocorreu no Leste Europeu, na China mao\u00edsta e na Cuba de Fidel Castro.<\/p>\n<p>&#8220;Em qualquer sociedade do mundo, indiv\u00edduos com essas caracter\u00edsticas e outros tipos irregulares criam uma rede comum de conluios, parcialmente alienada da comunidade de pessoas normais&#8221;, explica Lobaczewski. Eles alegam fazer o que fazem \u2014 mentir, roubar, destruir \u2014 em nome de \u201cum mundo melhor\u201d. Sonham com um tipo de sistema social que n\u00e3o os rejeite. Quando atingem o poder m\u00e1ximo numa sociedade, passam a inverter o sentido moral das a\u00e7\u00f5es. Os internos assumem o controle do manic\u00f4mio. \u201cTal sistema de governo n\u00e3o tem para onde ir sen\u00e3o para baixo\u201d, diz Lobaczewski.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de pessoas com essas caracter\u00edsticas numa sociedade dificilmente atinja mais de 6% da popula\u00e7\u00e3o, esse tipo de comportamento possui caracter\u00edsticas epid\u00eamicas. Autores que viveram sob regimes totalit\u00e1rios \u2014 como Anna Akhm\u00e1tova, Alexander Soljen\u00edtsin, Joseph Brodsky, Nicolae Steinhardt, Ivan Kl\u00edma e Armando Valladares \u2014 asseguram que a mentira passa a ser n\u00e3o apenas comum, como tamb\u00e9m obrigat\u00f3ria nessas condi\u00e7\u00f5es. Fazer o mal torna-se uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia. Dizer a verdade, um ato de hero\u00edsmo.<\/p>\n<p>Andrew Lobaczewski tem a ousadia de diagnosticar as doen\u00e7as mentais de alguns \u00edcones do comunismo. Karl Marx era um esquizoide. L\u00eanin, um paranoico. St\u00e1lin, um exemplo de \u201ccaracteropatia ponerog\u00eanica particular\u201d. Quando pessoas afetadas por essas doen\u00e7as mentais assumem o poder, temos o que o autor define como patocracia: a doen\u00e7a como m\u00e9todo de governo. \u201cA patocracia progressivamente paralisa tudo\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>O leitor brasileiro tem uma esp\u00e9cie de d\u00edptico indispens\u00e1vel para decifrar o fen\u00f4meno. Se Lobaczewski disseca a mente dos que chegam ao topo \u2014 os l\u00edderes, os arquitetos da patocracia \u2014, o psiquiatra americano Lyle H. Rossiter faz o trabalho complementar em \u201cA Mente Esquerdista\u201d: descreve a psicologia da massa militante que os sustenta, os hist\u00e9ricos que encontram no ressentimento coletivo uma forma de ordenar o caos interior.<\/p>\n<p>Juntos, os dois livros cobrem o espectro completo do fen\u00f4meno: de um lado, a fria aus\u00eancia de culpa e compaix\u00e3o nos que comandam; de outro, a quente e vol\u00e1til necessidade de pertencimento e vingan\u00e7a nos que obedecem e aclamam. Uma patocracia n\u00e3o se sustenta apenas pelos seus l\u00edderes \u2014 ela precisa de uma claque ruidosa e cr\u00e9dula.<\/p>\n<p>Diante desse diagn\u00f3stico, precisamos entender que o mal \u00e9 uma decorr\u00eancia do livre-arb\u00edtrio humano. Ele existe realmente \u2014 e est\u00e1 solto no mundo, tendo chegado ao poder. O caminho para nos libertarmos dele, como suplicamos na \u00faltima frase do Pai-Nosso, \u00e9 um ato de coragem: defender a verdade, n\u00e3o importa quanto ela pare\u00e7a dif\u00edcil. Afinal, como sempre repito aos meus sete leitores, n\u00e3o existe amor ao pr\u00f3ximo sem amor \u00e0 verdade.<\/p>\n<p>Essa verdade nos obriga a olhar para dentro de n\u00f3s mesmos. Confesso que sei como pensa quem hoje exerce o poder, porque j\u00e1 pensei assim. At\u00e9 os 29 anos de idade, eu vivia mergulhado na ilus\u00e3o de que poderia mudar o mundo e transform\u00e1-lo em para\u00edso por meio da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ao passar por uma s\u00e9rie de profundas decep\u00e7\u00f5es pessoais, descobri que minha vida era uma mentira.<\/p>\n<blockquote>\n<p>S\u00f3 existem duas maneiras de fazer um esquerdista mudar de opini\u00e3o: uma ordem do partido ou uma grave decep\u00e7\u00e3o pessoal. Meu caso foi o segundo, com a gra\u00e7a de Deus<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A puls\u00e3o de controle absoluto \u2014 algo que est\u00e1 presente tanto nos militantes quanto em seus l\u00edderes \u2014 n\u00e3o opera no v\u00e1cuo. Ela se materializa em engenharia de repress\u00e3o burocr\u00e1tica e psicol\u00f3gica. O exemplo hist\u00f3rico mais acabado desse modus operandi encontra-se no funcionamento da Stasi, a pol\u00edcia secreta da Alemanha Oriental comunista que, entre 1945 e 1990, transformou o pa\u00eds numa colmeia de informantes: uma em cada sessenta pessoas estava envolvida na rede em 1989.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a revolta popular contra o regime comunista em junho de 1953, a Stasi refinou seus m\u00e9todos. Se, nos anos iniciais, a repress\u00e3o vinha pela for\u00e7a f\u00edsica bruta, a partir da d\u00e9cada de 1970, preocupado com a imagem internacional, o regime adotou um m\u00e9todo sutil e terrivelmente eficaz de tortura psicol\u00f3gica: a Zersetzung \u2014 decomposi\u00e7\u00e3o ou corros\u00e3o. O objetivo era desestruturar grupos de oposi\u00e7\u00e3o e vidas individuais de tal forma que qualquer ativismo ou dissid\u00eancia se tornasse ineficaz.<\/p>\n<p>Para destruir grupos, o m\u00e9todo consistia em semear disc\u00f3rdia interna usando debates filos\u00f3ficos, dinheiro ou intrigas pessoais; sabotar atividades por meio de infiltrados que perdiam prazos e materiais; e isolar os alvos espalhando cal\u00fanias. No n\u00edvel individual, o plano da Zersetzung mirava &#8220;desligar&#8221; a efic\u00e1cia do cidad\u00e3o, minando sua confian\u00e7a, reputa\u00e7\u00e3o e meios de subsist\u00eancia. Bastavam mentiras plaus\u00edveis, mas imposs\u00edveis de refutar, ou o uso ostensivo de vigil\u00e2ncia para instalar uma paranoia paralisante. Mudar pertences de lugar dentro de casas invadidas em segredo, esvaziar os pneus do carro ou amea\u00e7ar veladamente o futuro dos filhos eram expedientes rotineiros.<\/p>\n<p>A Stasi n\u00e3o precisava esconder que usava informantes; pelo contr\u00e1rio, espalhava o boato de sua onipresen\u00e7a para que o medo fizesse o trabalho sozinho. O custo humano dessa tecnologia de corros\u00e3o psicol\u00f3gica foi devastador, deixando traumas e esgotamento mental cr\u00f4nico em gera\u00e7\u00f5es de alem\u00e3es orientais.<\/p>\n<p>Quando olhamos para as manobras e votos que pontuaram a \u00faltima semana no cen\u00e1rio nacional, percebemos que o cupim totalit\u00e1rio opera sob a mesma cartilha.<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do crime, a \u00e2nsia de calar a dissid\u00eancia digital e a relativiza\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais s\u00e3o a Zersetzung \u00e0 brasileira \u2014 o avan\u00e7o planejado da mentira como m\u00e9todo. No entanto, a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Alemanha Oriental guarda o consolo definitivo: em 1989, apesar de d\u00e9cadas de repress\u00e3o cient\u00edfica, a dedica\u00e7\u00e3o dos homens normais e a for\u00e7a da realidade ru\u00edram o muro. O poder da patocracia \u00e9 minucioso, mas \u00e9 biologicamente incapaz de prever a contrarrevolu\u00e7\u00e3o da verdade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/t.me\/briguetsemmedo\"><strong>Canal Briguet Sem Medo: Acesse a comunidade no Telegram e receba conte\u00fados exclusivos.<\/strong><\/a><\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao relativizar crimes, censurar dissidentes e enfraquecer direitos, o sistema normaliza a mentira e acelera sua degrada\u00e7\u00e3o moral. 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