{"id":471394,"date":"2026-06-07T14:30:29","date_gmt":"2026-06-07T18:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=471394"},"modified":"2026-06-07T14:30:29","modified_gmt":"2026-06-07T18:30:29","slug":"energia-barata-e-inclusao-social-diz-diretor-geral-da-itaipu-binacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=471394","title":{"rendered":"\u201cEnergia barata \u00e9 inclus\u00e3o social\u201d, diz diretor-geral da Itaipu Binacional"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, defendeu os avan\u00e7os nas negocia\u00e7\u00f5es entre Brasil e Paraguai sobre a tarifa da energia produzida. Apesar disso, ele admitiu que nem sempre os interesses dos dois pa\u00edses convergem nas discuss\u00f5es sobre a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/espionagem-livre-comercio-energia-arrastam-acordo-brasil-paraguai-tratado-de-itaipu\/\">renova\u00e7\u00e3o do Tratado de Itaipu<\/a>, que se arrasta desde o primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula (PT).<\/p>\n<p>\u201cO Paraguai tem direito a 50% da energia. O Brasil usa toda a sua parte e compra o que o Paraguai n\u00e3o utiliza. Ele quer vender o mais caro poss\u00edvel e precisa desse recurso para financiar seu desenvolvimento. Para n\u00f3s, por outro lado, energia barata \u00e9 inclus\u00e3o social e desenvolvimento\u201d, disse o diretor-geral, ao defender a pol\u00edtica de gastos socioambientais da atual gest\u00e3o do lado brasileiro.<\/p>\n<p>Verri, que \u00e9 ex-deputado pelo PT e foi indicado ao cargo por Lula, afirmou que o di\u00e1logo com o governo do presidente paraguaio, Santiago Pe\u00f1a, tem avan\u00e7ado e garantiu que a tarifa da energia el\u00e9trica de Itaipu permanecer\u00e1 congelada at\u00e9 2026, com previs\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o em 2027.<\/p>\n<p>O dirigente tamb\u00e9m comentou a mudan\u00e7a na estrat\u00e9gia de investimentos socioambientais da Itaipu ap\u00f3s a quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida hist\u00f3rica da usina. \u201cNo come\u00e7o, pensamos o seguinte: vamos investir nas prefeituras, com as cooperativas de reciclagem, fazer todo um trabalho estrutural de cultura ambiental. No entanto, a gente notou que estava virando paternalista. Dentro desse cen\u00e1rio, a gente preferiu investir em entidades\u201d, defendeu.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Confira a entrevista na \u00edntegra com o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri<\/h2>\n<p><strong>A capacidade f\u00edsica da usina Itaipu tem um teto. Qual \u00e9 o papel real da usina no futuro da energia do Brasil? Ela ainda consegue crescer muito em tamanho?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel. \u00c9 importante primeiro ressaltar sobre o papel da Itaipu, que foi alterado. A Itaipu chegou a representar 25% da produ\u00e7\u00e3o de energia no Brasil. Com o crescimento da economia brasileira, com as chamadas energias intermitentes (energias cuja gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 constante e n\u00e3o pode ser armazenada) como a fotovoltaica e a solar, hoje n\u00f3s representamos em torno de 8% da energia consumida no pa\u00eds. S\u00f3 que com a energia chamada intermitente, como o pr\u00f3prio nome diz, ela n\u00e3o \u00e9 uma garantia firme, porque se n\u00e3o chover, se n\u00e3o tiver sol, vento, voc\u00ea n\u00e3o tem a energia. A Itaipu passou a ter um papel de bateria no Brasil. Hoje n\u00f3s somos a garantia que voc\u00ea ter\u00e1 energia el\u00e9trica na sua casa. Por exemplo, a partir das 16 horas, onde o sol come\u00e7a a se esconder-se, n\u00f3s chegamos at\u00e9 a dobrar a nossa entrega de energia no pa\u00eds. Portanto, a hidrel\u00e9trica passou a ter um papel de seguran\u00e7a de toda a entrega de energia el\u00e9trica no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos feito estudos junto ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia para ampliar a nossa entrega de energia firme (energia cont\u00ednua e confi\u00e1vel). Isso pode se dar de duas maneiras: a primeira \u00e9 contratando uma consultoria internacional para verificar se a gente pode aumentar a produtividade da usina, que foi feita h\u00e1 50 anos. O estudo da f\u00edsica naquele tempo era um, a f\u00edsica avan\u00e7ou muito nesses 50 anos. Com as mesmas unidades instaladas, a gente consegue produzir mais energia firme.<\/p>\n<p>A segunda possibilidade \u00e9 aumentar o n\u00famero de unidades geradoras: a Itaipu tem 20 unidades, 18 sempre funcionando, e duas como seguran\u00e7a. Duas outras que a gente espera construir, tamb\u00e9m \u00e9 um projeto que est\u00e1 sendo contratado agora para saber se \u00e9 vi\u00e1vel ou n\u00e3o. Precisamos do consentimento do Minist\u00e9rio de Energia, dos nossos s\u00f3cios do Paraguai, que tem 50% da usina. L\u00f3gico que eles t\u00eam interesse tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O Paraguai tem uma economia que est\u00e1 crescendo muito, e tem interesse em ter maior oferta de energia. Pode haver uma altera\u00e7\u00e3o no n\u00edvel da \u00e1gua do rio que atinge a Argentina, e, portanto, passa primeiro por um acordo entre Brasil, Argentina e Paraguai. No que se refere \u00e0 hidrel\u00e9trica, n\u00f3s temos esses dois caminhos que est\u00e3o no nosso cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A Itaipu aposta em outras formas de energia?<\/strong><\/p>\n<p>A Itaipu pesquisa hidrog\u00eanio verde h\u00e1 mais de 20 anos, atrav\u00e9s do Itaipu Park Tech, o nosso centro de inova\u00e7\u00e3o. E tem ido muito bem, estamos em um est\u00e1gio bastante avan\u00e7ado. \u00c9 um produto que podemos oferecer em breve ao mercado.<\/p>\n<p>O primeiro barco 100% movido a hidrog\u00eanio verde da Am\u00e9rica Latina foi feito pela Itaipu e foi utilizado na COP30 (Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2025) em Bel\u00e9m do Par\u00e1. Temos uma usina dentro do reservat\u00f3rio de energia solar. J\u00e1 est\u00e1 funcionando.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 ampliar a entrega dessa energia desde que avance a pesquisa de baterias, porque a energia intermitente, essa que \u00e9 pela energia solar, o Brasil tem excesso de oferta.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o Brasil tem mais energia do que precisa. O problema \u00e9 que a energia que tem em grande quantidade n\u00e3o \u00e9 firme, ent\u00e3o \u00e9 um risco ter muita energia. Muita energia intermitente jogada na rede causa queda de energia. Isso n\u00e3o pode acontecer. Queremos desenvolver baterias para armazenar a energia solar e, a\u00ed sim, poderemos ampliar a produ\u00e7\u00e3o de energia solar.<\/p>\n<p>E por fim, o petr\u00f3leo sint\u00e9tico, que \u00e9 energia para a avia\u00e7\u00e3o. N\u00f3s t\u00ednhamos uma equipe t\u00e9cnica pesquisando. Mantivemos a nossa linha de produ\u00e7\u00e3o, mas nesses tr\u00eas anos em especial, ampliamos o cen\u00e1rio para oferecer mais energia firme e intermitente para o pa\u00eds e para o Paraguai.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Itaipu tamb\u00e9m tem apostado em biog\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p>O biog\u00e1s \u00e9 uma experi\u00eancia mais antiga. A Lei de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (que regulamenta a produ\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria energia el\u00e9trica pelos consumidores brasileiros) que existe no Brasil nasceu aqui na Itaipu. Ela fala da utiliza\u00e7\u00e3o de restaurantes, de dejetos para produzir a energia, da biomassa ou do biog\u00e1s. \u00c9 uma experi\u00eancia de 20 anos que come\u00e7amos na cidade de Toledo.<\/p>\n<p>Inauguramos recentemente um centro de biog\u00e1s, com parcerias com entidades e academias. Atrav\u00e9s da nossa pesquisa, tivemos um olhar muito especial para o biog\u00e1s, com avan\u00e7o muito grande na sua otimiza\u00e7\u00e3o. Os \u00f4nibus que circulam na usina s\u00e3o movidos a biog\u00e1s. Toda a nossa experi\u00eancia \u00e9 muito bem sucedida.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Quando falamos em negocia\u00e7\u00e3o da tarifa com o Paraguai \u00e9 sempre muito dura. Como fechar essa conta para que seja justa para o consumidor brasileiro e boa tamb\u00e9m para os nossos vizinhos?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um desafio. Para entender essa dificuldade, \u00e9 importante pensar nas diferen\u00e7as que n\u00f3s temos entre os pa\u00edses. O Brasil tem mais de 200 milh\u00f5es de habitantes. O Paraguai tem 6 milh\u00f5es e 400 mil habitantes. A popula\u00e7\u00e3o do Paraguai \u00e9 menor do que a popula\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre os dois pa\u00edses tem uma diferen\u00e7a muito grande. N\u00f3s estamos bastante avan\u00e7ados, basta ver os dados do IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano). O Paraguai n\u00e3o tem a mesma condi\u00e7\u00e3o, tem muito mais dificuldades. E o Tratado de Itaipu diz o seguinte: a energia que uma parte n\u00e3o consome \u00e9 obrigada a vender para outra parte. O Paraguai tem direito a 50% da energia. O Brasil, dentro do tratado, usa toda a sua parte e compra o que o Paraguai n\u00e3o utiliza. Ele quer vender o mais caro poss\u00edvel e precisa desse recurso para financiar seu desenvolvimento. Para n\u00f3s, por outro lado, energia barata \u00e9 inclus\u00e3o social e desenvolvimento.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos conversado muito sobre isso. Eu diria que essa gest\u00e3o do governo paraguaio, a gest\u00e3o de Santiago Pe\u00f1a, tem sido muito sens\u00edvel com isso. Estamos caminhando bem esse di\u00e1logo eu creio que n\u00f3s vamos conseguir fazer uma entrega que vai ser muito boa para o pa\u00eds. Desde quando n\u00f3s assumimos aqui em 2023, conseguimos um acordo muito bom. A tarifa do Brasil est\u00e1 congelada por quatro anos. Em 2026, a tarifa n\u00e3o subiu e, em 2027, ela vai cair. Isso eu posso garantir aos nossos consumidores. A nossa energia de 2027 ser\u00e1 mais barata do que nos \u00faltimos quatro anos. N\u00f3s derrubamos a tarifa, mantivemos congelada e vamos agora baixar um pouco mais.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A d\u00edvida contra\u00edda para a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Itaipu foi integralmente quitada em fevereiro de 2023. Acabou sobrando um pouco de dinheiro em caixa. Qual \u00e9 o crit\u00e9rio para decidir onde que esse valor \u00e9 investido?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro crit\u00e9rio \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da usina e melhoria da qualidade dela, investimentos para aumento de produtividade. N\u00f3s estamos reformando um pr\u00e9dio completo da produ\u00e7\u00e3o, cujo valor ficou em R$ 40 milh\u00f5es. Estamos investindo forte na atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e na manuten\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da usina. A ideia \u00e9 que ela tenha mais 200 anos de vida. Isso para o pa\u00eds \u00e9 importante, pensar que s\u00e3o 200 anos sem precisar fazer investimentos grandiosos \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o que \u00e9 garantir a vida da usina? \u00c9 cuidar dos seus equipamentos, do aumento da sua produ\u00e7\u00e3o, da atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que \u00e9 o investimento de R$ 5 bilh\u00f5es de atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a mat\u00e9ria-prima da usina. Se n\u00f3s n\u00e3o tivermos o reservat\u00f3rio, n\u00e3o tem a usina de Itaipu. Da\u00ed a necessidade extrema de investimentos socioambientais.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, pensamos o seguinte: vamos investir nas prefeituras, com as cooperativas de reciclagem, fazer todo um trabalho estrutural de cultura ambiental. No entanto, a gente notou que estava virando paternalista. Dentro desse cen\u00e1rio, a gente preferiu investir em entidades. Agricultura familiar, assentamentos, associa\u00e7\u00e3o de pequenos produtores. Temos v\u00ednculos e projetos com prefeituras e com entidades da sociedade civil.<\/p>\n<p>Os 399 munic\u00edpios do Paran\u00e1 e 35 munic\u00edpios do Mato Grosso do Sul, somando 434 munic\u00edpios, contribuem para a emiss\u00e3o de res\u00edduos que chegam aqui no reservat\u00f3rio. Por isso, criamos o Itaipu Mais Que Energia. \u00c9 uma grande pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia ambiental para que a usina fique viva. Investimos na preserva\u00e7\u00e3o, na organiza\u00e7\u00e3o de cooperativas de reciclagem, que s\u00e3o 260 no Paran\u00e1, com apoio das prefeituras. Investimentos em estrada rural, energia solar, para com isso diminuir a necessidade de energia hidroel\u00e9trica, que \u00e9 energia firme. Isso fez com que a gente desenvolvesse pol\u00edticas p\u00fablicas muito fortes na regi\u00e3o. Destaco duas que eu considero relevantes: energia solar nas universidades p\u00fablicas e nas Santas Casas do Paran\u00e1.<\/p>\n<p><strong>\u00canio, voc\u00ea comentou sobre essa quest\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. Sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: as secas prolongadas do rio Paran\u00e1 t\u00eam assustado. A Itaipu corre o risco de gerar menos energia nos pr\u00f3ximos anos por conta do clima?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Se ocorrer uma seca como foi em 2021, ou de 1991. N\u00f3s tivemos problemas. Hoje, temos uma equipe da hidrologia muito forte, que acompanha com detalhes. Mesmo com a seca que est\u00e1vamos h\u00e1 alguns dias atr\u00e1s, estamos no nosso limite. A vantagem \u00e9 o reservat\u00f3rio. Conseguimos mant\u00ea-lo vivo, bem cuidado.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que muitas fotos que voc\u00eas publicam da Itaipu \u00e9 naquele momento de exce\u00e7\u00e3o, quando est\u00e1 vertendo \u00e1gua dos canais. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 boa, porque aquela \u00e1gua que transbordou n\u00e3o produziu energia. \u00c9 d\u00f3lar que n\u00e3o entra para a economia do pa\u00eds. N\u00e3o temos excesso de \u00e1gua, mas n\u00f3s n\u00e3o estamos com falta d\u2019\u00e1gua para produzir energia. Pelo menos nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, a produ\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica de Itaipu \u00e9 constante e pode dar garantia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Sobre a situa\u00e7\u00e3o do Av\u00e1-Guarani, a repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica aconteceu no ano passado. Por que o Estado e a Itaipu demoraram 50 anos para fechar esse acordo?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, a burocracia. Era uma a\u00e7\u00e3o que estava no Supremo Tribunal Federal (STF), mas que tem algo a ver com a iniciativa e com o modelo de gest\u00e3o. Na gest\u00e3o do presidente Lula, embora tenha ficado oito anos, o assunto ficou preso no Supremo. O processo andou mais r\u00e1pido depois do governo da Dilma. Quando n\u00f3s chegamos, detectamos que isso era uma quest\u00e3o humanit\u00e1ria. Quando chegamos em mar\u00e7o de 2023, tivemos que comprar comida, peixe (para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena). Foi um trabalho integrado com os pescadores.<\/p>\n<p>N\u00f3s desenvolvemos o primeiro projeto chamado Opan\u00e1, que come\u00e7ou a atender as comunidades guaranis aqui na regi\u00e3o. N\u00f3s temos um trabalho para dar condi\u00e7\u00f5es de vida para esse pessoal. Estamos falando de \u00e1gua, de constru\u00e7\u00e3o de resid\u00eancias m\u00ednimas, equipamentos, assessoria t\u00e9cnica. E concomitante a isso, come\u00e7amos a construir junto ao Supremo Tribunal Federal esse acordo hist\u00f3rico. Eu confesso que eu fiquei muito orgulhoso de estar na gest\u00e3o de Itaipu em um momento como esse. N\u00f3s soltamos uma nota na principal p\u00e1gina de todos os jornais do pa\u00eds reconhecendo a d\u00edvida hist\u00f3rica com a comunidade ind\u00edgena.\u00a0<\/p>\n<p>O investimento foi a compra dos 3 mil hectares. Mas n\u00e3o basta comprar a terra e colocar os ind\u00edgenas l\u00e1, estamos dando condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o na terra. Temos uma equipe que vai trabalhar com eles, na constru\u00e7\u00e3o de moradias, produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, assessoria para a produ\u00e7\u00e3o cultural, de artefatos, manufatura para venda, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u2013 toda uma assessoria tamb\u00e9m para que essas pessoas tenham direito \u00e0 dignidade na sua terra. \u00c9 uma d\u00edvida social enorme, reconhecemos que ela n\u00e3o est\u00e1 sendo integralmente paga. Eu n\u00e3o posso esquecer que a d\u00edvida com a comunidade ind\u00edgena do Brasil come\u00e7a em 1500. O que estamos fazendo aqui \u00e9 algo que julgo muito bom e espero, no futuro, que a Itaipu continue dando assessoria e, se poss\u00edvel, compre mais terras para essas comunidades.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Itaipu investe agora em quase todos os munic\u00edpios do Estado. Essa expans\u00e3o n\u00e3o acaba pulverizando o dinheiro e tirando o foco de quem sofreu o impacto direto da usina?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00f3s temos uma rela\u00e7\u00e3o de prioridades, l\u00f3gico. Os munic\u00edpios lindeiros (que fazem limite direto com o Lago de Itaipu) s\u00e3o aqueles que sofreram os impactos imediatos, porque na verdade a \u00e1gua ocupou parte da terra deles. O valor de produ\u00e7\u00e3o dessas terras \u00e9 alt\u00edssimo, s\u00e3o altamente produtivas. Elas t\u00eam um olhar pr\u00f3prio, uma associa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e n\u00f3s fazemos investimentos espec\u00edficos para os lindeiros. Eles recebem os royalties pela ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua nas suas terras, valores substanciais, diga-se de passagem. Al\u00e9m disso, temos pol\u00edticas p\u00fablicas dentro da Itaipu e em nossa gest\u00e3o n\u00f3s ampliamos isso para atender esses munic\u00edpios. Investimentos em educa\u00e7\u00e3o, cultura, sa\u00fade, acesso a estradas rurais, investimentos nas cidades. Eu posso garantir que os munic\u00edpios lindeiros, na nossa gest\u00e3o, recebem muito mais recursos do que no passado. Por \u00f3bvio, tenho que ser honesto, porque tamb\u00e9m n\u00e3o existem mais as d\u00edvidas que existiam no passado. Agora temos mais recursos e, portanto, podemos atender da melhor forma esses munic\u00edpios.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Sobre lixo e sustentabilidade: a Itaipu \u00e9 reconhecida por apoiar projetos de reciclagem. A Itaipu tem levado esse exemplo para os munic\u00edpios?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho de 20 anos. Em Bel\u00e9m, a gente tem duas grandes cooperativas de reciclagem. N\u00f3s implantamos toda a nossa metodologia l\u00e1. Aqui no Paran\u00e1, dos 399 munic\u00edpios, 260 cooperativas foram ou est\u00e3o sendo implantadas. Essa nossa cooperativa tem todo um hist\u00f3rico, vamos chamar aqui de experi\u00eancia acumulada. A gente entra com a esteira, elevador, prensa, trator, caminh\u00e3o, para que os cooperados possam passar na cidade recolhendo. Eles recebem assessoria financeira por dois anos e assessoria social para que possam aprender a trabalhar em comunidade.<\/p>\n<p>Quem trabalha em reciclagem normalmente s\u00e3o pessoas que moram embaixo de marquises, trabalham sozinhas. N\u00e3o lhes foi dada a oportunidade de trabalhar de forma organizada, coletiva. S\u00e3o pessoas que dependem delas mesmas. Construir uma cultura como cooperativa depende tamb\u00e9m de muita coisa, \u00e9 por isso que algumas associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o progridem.<\/p>\n<p>A renda m\u00e9dia de quem entra nas nossas associa\u00e7\u00f5es ou cooperativas para trabalhar passa de R$ 4 mil por m\u00eas. As pessoas ganhavam R$ 1 mil, R$ 1,2 mil. O prefeito de uma cidade pequena estava com um problema na entrega do projeto, que chama Coleta Mais. Ele falou que o pessoal que cuida da reciclagem ganha mais que os secret\u00e1rios municipais, e agora os secret\u00e1rios municipais querem aumento. E eu disse a ele, \u2018prefeito, pe\u00e7am a eles para sair na rua recolhendo reciclagem\u2019. A justi\u00e7a \u00e9 isso, n\u00e3o \u00e9 porque o pessoal recolhe lixo que tem que ganhar menos.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do Coleta Mais est\u00e1 nacionalizada. Em Curitiba, a gente deve ter umas oito cooperativas bem solidificadas. N\u00f3s temos EPI, os barrac\u00f5es s\u00e3o lugares limpos, tem lugar para comer e tomar banho. N\u00e3o \u00e9 preciso andar de carrinho, \u00e9 feudal. Tem caminh\u00e3o que sai recolhendo. Com isso, a produtividade deles \u00e9 muito maior e a renda mensal \u00e9 muito maior. Todo mundo ganha com essa pol\u00edtica, a gente faz uma pol\u00edtica p\u00fablica que nos orgulha.<\/p>\n<p><strong>Jorge Sameki geriu a usina por 14 anos. O que voc\u00ea acabou aproveitando do modelo do Sameki e o que alterou da gest\u00e3o dele?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Aproveitei muito do Sameki. No per\u00edodo que ele ficou aqui, ele deixou a estrutura da gest\u00e3o muito bem organizada, formalizada. Ele chegou no per\u00edodo que n\u00e3o tinha concurso p\u00fablico. Isso, para n\u00f3s gestores, \u00e9 muito bom. Eu n\u00e3o tenho ningu\u00e9m me pressionando para dar cargo para uma pessoa ou outra. A transpar\u00eancia, \u00e9 claro que do tempo do Sameki para hoje, evoluiu-se muito em termos de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, de metodologia e n\u00f3s aprofundamos muito. O Samek deixou a base muito constru\u00edda para a gente consolidar no que se refere ao modelo de gest\u00e3o mais participativo, ouvindo os funcion\u00e1rios, fazendo as pol\u00edticas de g\u00eanero, de equidade que a gente faz agora.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 absolutamente transparente a gest\u00e3o. Se estive em Bras\u00edlia semana passada, no dia seguinte j\u00e1 tem na p\u00e1gina da Itaipu onde eu fiquei hospedado, quanto gastei. O trabalho que n\u00f3s temos aqui de auditoria interna \u00e9 muito r\u00edgido. N\u00f3s n\u00e3o temos lucro, somos uma empresa p\u00fablica, mas temos que ter produtividade cada vez maior, porque o excedente que eu consigo \u00e9 aquilo que eu posso investir em responsabilidade ambiental, social e gerar mais emprego e renda para o nosso territ\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O senhor foi deputado, foi secret\u00e1rio de Planejamento e Coordena\u00e7\u00e3o Geral do Paran\u00e1 no governo do Roberto Requi\u00e3o, presidente do PT e est\u00e1 na cadeira de diretor da Itaipu. Voc\u00ea acredita que realiza mais coisas como diretor ou no parlamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 incompar\u00e1vel. O parlamento \u00e9 o espa\u00e7o do debate, das ideias, das contradi\u00e7\u00f5es. Uma lei, at\u00e9 ela ser aprovada e chegar na vida das pessoas, pode nunca acontecer ou pode levar 10 anos. No executivo \u00e9 diferente, voc\u00ea muda a vida das pessoas. J\u00e1 tive a experi\u00eancia de ter sido Secret\u00e1rio da Fazenda de Maring\u00e1, secret\u00e1rio de Estado do Planejamento do Paran\u00e1, fui chefe de gabinete do Minist\u00e9rio de Planejamento e cheguei aqui. Passei pela iniciativa privada tamb\u00e9m. Claro que nesse per\u00edodo fiquei um bom tempo como parlamentar. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas, a experi\u00eancia que eu tenho com a iniciativa privada, com a gest\u00e3o p\u00fablica e com o parlamento, de forma espec\u00edfica, no meu caso, eu gosto muito mais do executivo.<\/p>\n<p><strong>Com o or\u00e7amento que a Itaipu tem hoje, ela funciona quase como um segundo governo dentro do Paran\u00e1. A usina \u00e9 hoje o maior peso na balan\u00e7a pol\u00edtica do interior. Como o senhor v\u00ea isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu prefiro entender que \u00e9 um complemento. Embora n\u00f3s estejamos na esfera ideol\u00f3gica, em \u00e1reas bem distintas, n\u00e3o temos concorr\u00eancia. Na verdade, o governo do estado tem se pautado muito na entrega de pontes, estradas. A nossa marca tem sido inclus\u00e3o social, gera\u00e7\u00e3o de renda, melhorias de emprego, investimento na universidade p\u00fablica, na sa\u00fade p\u00fablica. Eu diria que, at\u00e9 por forma\u00e7\u00e3o distinta, n\u00f3s reproduzimos mais aqui no Paran\u00e1 as pol\u00edticas do governo federal. N\u00f3s somos o governo federal dentro do estado do Paran\u00e1. Isso n\u00e3o tem gerado conflitos, pelo contr\u00e1rio, eu diria que tem dado muita sinergia e quem ganha com isso \u00e9 o Estado do Paran\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O seu di\u00e1logo com prefeitos de todos os partidos ajuda a melhorar essa imagem do partido dentro do Paran\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Quando n\u00f3s chegamos aqui, o primeiro projeto nosso, do Itaipu Mais Que Energia, abrimos um edital e atendemos os 399 munic\u00edpios do Paran\u00e1. Todos foram atendidos com investimento. N\u00e3o deu tempo para perguntar qual era o partido de cada prefeito. Se eu atender s\u00f3 os prefeitos do PT, ia sobrar muito dinheiro, pois s\u00f3 tem tr\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 muito o que se preocupar com isso.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos atendendo todos de forma muito transparente e isso resultou numa proximidade com os prefeitos. N\u00f3s temos um relacionamento muito bom com os prefeitos, isso diminui muito o preconceito. A pessoa antecipa aquela vis\u00e3o que o PT \u00e9 crime, constru\u00eddo at\u00e9 pela m\u00eddia nos velhos tempos. N\u00e3o precisa fazer politicagem, \u00e9 preciso uma gest\u00e3o profissional e t\u00e9cnica, para dar resultados de melhoria de vida das pessoas. \u00c9 absolutamente natural a diferen\u00e7a, ali\u00e1s, \u00e9 muito maduro, porque isso \u00e9 democracia. A polariza\u00e7\u00e3o empobrece a pol\u00edtica, a gest\u00e3o e, por tabela, o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Olhando a Assembleia hoje, o senhor acha que o debate pol\u00edtico melhorou ou piorou desde a \u00e9poca de deputado estadual?<\/strong><\/p>\n<p>Eu creio que diminuiu muito a qualidade do debate pol\u00edtico. N\u00e3o se trata de personalizar. A polariza\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para besteiras. Em vez de se discutir desenvolvimento, aumento de renda, pol\u00edtica ambiental, ou seja, aquilo que pode melhorar a vida das pessoas, infraestrutura, ponte, estrada, fica-se discutindo besteiras que n\u00e3o modificam a realidade de ningu\u00e9m. Ent\u00e3o, eu estou convencido que h\u00e1 um empobrecimento muito grande no parlamento brasileiro.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O agroneg\u00f3cio da regi\u00e3o Oeste \u00e9 historicamente uma oposi\u00e7\u00e3o do governo federal. Como \u00e9 sentar na mesa com eles? Existe algum pragmatismo econ\u00f4mico que acabou vencendo a ideologia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Em Cascavel tem o maior show do agroneg\u00f3cio, um dos maiores do Brasil. Dentro do evento tem um espa\u00e7o de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do agro, e Itaipu participa atrav\u00e9s do Itaipu Park Tech. N\u00f3s temos v\u00e1rias empresas que fazem pesquisas em parceria com as cooperativas para o agroneg\u00f3cio. N\u00f3s n\u00e3o temos nenhum tipo de dificuldade no relacionamento com o agro. Temos v\u00e1rios projetos de parceria com eles, n\u00e3o s\u00f3 no show rural, como no dia a dia aqui de conv\u00eanios que n\u00f3s fazemos, com parcerias em algumas \u00e1reas. Eu diria que quando voc\u00ea tem a pauta econ\u00f4mica que interessa a todos, o debate ideol\u00f3gico fica para segundo plano.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A gest\u00e3o da Itaipu tem um peso enorme na carreira. O senhor acredita que a Itaipu \u00e9 a sua \u00faltima parada p\u00fablica ou o senhor planeja voltar \u00e0s urnas?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o planejo voltar \u00e0s urnas. Vou ser muito honesto. Eu poderia responder daquele jeito tradicional: \u2018eu sou um soldado do partido\u2019, mas n\u00e3o vou dizer isso. Eu tenho 65 anos, eu me aposentei. Sou professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM). Eu creio que at\u00e9 havia a expectativa de que eu fosse candidato ao Senado, como foi acenado pelo presidente da Rep\u00fablica ano passado, mas depois ele me convidou para ficar aqui \u2013 at\u00e9 por conta do modelo de gest\u00e3o que estamos desenvolvendo. Eu pretendo ficar na \u00e1rea de gest\u00e3o, n\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de voltar a disputar nenhuma elei\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O senhor tem essa bagagem de economista, de professor. No que o senhor acredita como modelo de desenvolvimento para o Paran\u00e1 que a pol\u00edtica do dia a dia ainda n\u00e3o realiza?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Falta muita inova\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos 13 campus da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1. \u00c9 s\u00f3 aqui no Paran\u00e1 que tem, o Brasil n\u00e3o tem Universidade Tecnol\u00f3gica, mais os institutos federais. Todo esse pessoal com forma\u00e7\u00e3o em tecnologia, engenharia, f\u00edsica, qu\u00edmica e n\u00f3s n\u00e3o agregamos isso para as pol\u00edticas de desenvolvimento. H\u00e1 muita coisa para se fazer para desenvolver o estado do Paran\u00e1. N\u00f3s temos um ac\u00famulo de capital intelectual. Falta mais di\u00e1logo, conversar mais com a academia, com a universidade, com as cooperativas. Temos empresas de ponta e n\u00f3s poder\u00edamos dar um salto de qualidade no desenvolvimento.<\/p>\n<p>Temos que pensar pol\u00edticas estruturantes. Em como fazer uma pol\u00edtica p\u00fablica que melhore a capacidade daquela propriedade, para produzir mais produtos que possam obter um valor cada vez maior, pagar mais impostos. Com isso o Estado ganha, o trabalhador passa a ter um sal\u00e1rio mais justo. \u00c9 um modelo antigo, mas parece-me que o Paran\u00e1 atrasa um pouco quando se refere a isso.<\/p>\n<p><strong>A Itaipu financiou grandes obras no estado, pontes e estradas. At\u00e9 onde o senhor acha que vai obriga\u00e7\u00e3o da usina e onde come\u00e7a a falta de investimento do estado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O Paran\u00e1 tem gestores atuais com problemas de mem\u00f3ria, porque normalmente eles falam que a Ponte da Integra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra do governo do estado. Tem o acesso ao aeroporto, a Perimetral. \u00c9 um leve esquecimento que quem pagou tudo isso foi a Itaipu. Eu acho que \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o de modelo de estado, tamb\u00e9m n\u00e3o vou personalizar a cr\u00edtica.<\/p>\n<p>O estado teria que estar mais presente. Se n\u00f3s pegarmos os investimentos estruturantes do estado do Paran\u00e1, ou \u00e9 privado via ped\u00e1gio ou \u00e9 via Itaipu. Onde \u00e9 que o estado esteve presente de fato nisso? Aumentou o n\u00famero de universidades do Estado do Paran\u00e1, s\u00e3o federais. As principais pol\u00edticas estruturantes que garante o desenvolvimento a longo prazo do estado do Paran\u00e1, n\u00e3o foram efetivamente realizadas pelo governo estadual.<\/p>\n<p><strong>A Itaipu \u00e9 gerida por dois pa\u00edses com leis completamente diferentes. Que li\u00e7\u00e3o de soberania a usina d\u00e1 para o mundo hoje que \u00e9 t\u00e3o cheio de conflitos?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Indiferente do tamanho, \u00e9 poss\u00edvel dois pa\u00edses viverem bem e respeitarem um ao outro. N\u00f3s temos um exemplo aqui que \u00e9 fant\u00e1stico. O perfil pol\u00edtico do governo Lula e perfil pol\u00edtico do governo Santiago s\u00e3o totalmente diferentes. Eu posso dizer que \u00e9 o oposto, ideologicamente falando. E \u00e9 poss\u00edvel conviver, trocar ideias, sugest\u00f5es de forma muito tranquila, visando o bem dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>A Itaipu \u00e9 um modelo para o mundo porque a \u00e1gua \u00e9 motivo de guerra no mundo todo. Aqui foi motivo de paz. N\u00f3s tivemos um problema do rio, tivemos um problema de divisa, constru\u00edram a usina e a usina nos une. Portanto, \u00e9 muito comum t\u00e9cnicos da Itaipu serem convidados para dar palestras em outras partes do mundo, exatamente por mostrar o que seria um paradoxo. Enquanto os pa\u00edses se matam pela \u00e1gua, aqui n\u00f3s nos desenvolvemos cada vez mais e temos mais recursos para investir em nossos pa\u00edses gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia da \u00e1gua. A Itaipu tem muito a ensinar ao mundo sobre soberania, respeito entre os pa\u00edses e integra\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Diretor, qual \u00e9 a marca principal que o senhor quer deixar na hist\u00f3ria da Itaipu quando a sua gest\u00e3o terminar?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu creio que \u00e9 a marca da efici\u00eancia na gest\u00e3o somada \u00e0 pol\u00edtica p\u00fablica. \u00c9 provar que \u00e9 poss\u00edvel fazer uma gest\u00e3o s\u00e9ria, transparente, t\u00e9cnica e, mesmo assim, ter resultados suficientes para aplicar no desenvolvimento do seu territ\u00f3rio. A soma desses dois \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel. E \u00e9 uma miss\u00e3o de qualquer empresa p\u00fablica.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, defendeu os avan\u00e7os nas negocia\u00e7\u00f5es entre Brasil e Paraguai sobre a tarifa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":471395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-471394","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/471394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=471394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/471394\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/471395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=471394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=471394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=471394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}