{"id":469926,"date":"2026-06-07T05:00:00","date_gmt":"2026-06-07T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=469926"},"modified":"2026-06-07T05:00:00","modified_gmt":"2026-06-07T09:00:00","slug":"como-o-modelo-economico-das-ultimas-decadas-impediu-o-desenvolvimento-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=469926","title":{"rendered":"Como o modelo econ\u00f4mico das \u00faltimas d\u00e9cadas impediu o desenvolvimento do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Para continuarmos errando, basta continuarmos insistindo nos mesmos erros! Agora vamos para o Brasil. O Plano Real, em 1994, debelou definitivamente o longo processo de hiperinfla\u00e7\u00e3o que impedia qualquer melhoria sustent\u00e1vel para o desenvolvimento do Brasil. Para lembrar, aquele plano era alicer\u00e7ado em um trip\u00e9 econ\u00f4mico que se complementava e que continha o Sistema de Metas de Infla\u00e7\u00e3o, o C\u00e2mbio Flutuante e o Equil\u00edbrio Fiscal, fundamentais para a estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Por outro lado, a sequ\u00eancia do que foi inaugurado nos governos FHC trouxe uma distor\u00e7\u00e3o pouco percebida posteriormente e que se consolidou com o passar dos anos, sem que os analistas e gestores a considerassem. Trata-se do fato de que o equil\u00edbrio fiscal n\u00e3o deveria bastar por si pr\u00f3prio, pois o que deveria importar seria o tamanho do gasto p\u00fablico, e n\u00e3o apenas o \u00f3bvio e necess\u00e1rio equil\u00edbrio das contas.<\/p>\n<p>Nos governos FHC, viu-se a expans\u00e3o do gasto sustentada por um espa\u00e7o na arrecada\u00e7\u00e3o, o que levou o pa\u00eds a uma carga tribut\u00e1ria equivalente a 32,3% do PIB, tendo sido o presidente que mais aumentou a carga tribut\u00e1ria, em mais de 4 pontos percentuais do PIB, percentual que oscilou nos anos seguintes entre 32% e 34%.<\/p>\n<p>Os governos lulo-petistas aproveitaram a situa\u00e7\u00e3o constru\u00edda e passaram a surfar na dire\u00e7\u00e3o de um \u201cEstado grande\u201d, onde o populismo (ou irresponsabilidade) fiscal se voltou claramente para a sustenta\u00e7\u00e3o de um projeto de poder e de um conjunto de corpora\u00e7\u00f5es que passaram a orbitar em torno de um or\u00e7amento expandido e consolidaram uma grande burocracia estatal para administrar a arrecada\u00e7\u00e3o e os gastos, juntando as pontas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, lamentavelmente constatamos que n\u00e3o foi oferecido um projeto de na\u00e7\u00e3o para o Brasil, que seguiu casado com seu socialismo econ\u00f4mico, onde o sonho de uma economia liberal pouco durou e voltamos \u00e0 dura realidade da expans\u00e3o da despesa p\u00fablica como meta de governo <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ao final, no \u201cpa\u00eds do futuro\u201d com data m\u00f3vel, restou uma carga tribut\u00e1ria de primeiro mundo e servi\u00e7os p\u00fablicos de pa\u00edses subdesenvolvidos. Evidente que algo deu errado. \u00c9 importante destacar que, para uma economia se desenvolver, ela depende do fluxo econ\u00f4mico que vem da produ\u00e7\u00e3o privada e da sociedade e que gera consumo, investimento e poupan\u00e7a. Quanto mais recursos girarem, maior ser\u00e1 a din\u00e2mica e o crescimento.<\/p>\n<p>Quando, antes disso, o Estado subtrai riqueza e renda para se sustentar, cobrando o ped\u00e1gio do imposto, reduz-se o tamanho do fluxo econ\u00f4mico e, com isso, o potencial de crescimento. Acreditar que subtrair recursos do setor produtivo para sustentar o setor p\u00fablico e que isso possa ser positivo indefinidamente \u00e9 acreditar no moto-cont\u00ednuo, o que n\u00e3o existe nem na f\u00edsica nem na economia.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, o Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas investiu sempre menos que a m\u00e9dia mundial e, com isso, cresceu menos que o mundo. Para recuperar isso, dependeremos de investimentos externos para aumentar a taxa de investimentos, mas devemos combinar que a inseguran\u00e7a jur\u00eddica e a corrup\u00e7\u00e3o, que aqui se estabeleceram como marcas, n\u00e3o v\u00e3o ajudar.<\/p>\n<p>Acostumamo-nos a conviver com crescimentos p\u00edfios, sendo que crescer entre 2% e 3% ao ano seria \u00f3timo para pa\u00edses desenvolvidos, mas n\u00e3o para na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento como o Brasil, com as potencialidades que apresenta. Para piorar, todo o esfor\u00e7o para pagar impostos feito pela sociedade sofre com a m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos e com baixos retornos para a popula\u00e7\u00e3o, o que ainda potencializa a corrup\u00e7\u00e3o, estimulada pela impunidade institucionalizada.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, lamentavelmente constatamos que n\u00e3o foi oferecido um projeto de na\u00e7\u00e3o para o Brasil, que seguiu casado com seu socialismo econ\u00f4mico, onde o sonho de uma economia liberal pouco durou e voltamos \u00e0 dura realidade da expans\u00e3o da despesa p\u00fablica como meta de governo e onde o equil\u00edbrio fiscal \u00e9 desnecess\u00e1rio, a menos que seja justificativa para aumentar ainda mais os impostos.<\/p>\n<p>\u00c9 importante explicar que parte da infla\u00e7\u00e3o brasileira reflete uma quest\u00e3o estrutural gerada pela press\u00e3o permanente que o gasto p\u00fablico exerce, por ser um componente inflacion\u00e1rio. No nosso mundo real, vemos a expans\u00e3o dos gastos gerando desequil\u00edbrio fiscal e aquecendo a infla\u00e7\u00e3o, que depois \u00e9 combatida com juros altos. Para as popula\u00e7\u00f5es de menor renda, a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 o pior imposto, mas \u00e9 uma alegria para quem tem o que investir, quando s\u00e3o oferecidos rendimentos elevados.<\/p>\n<p>Quem ganha pouco apanha da infla\u00e7\u00e3o, depois falta renda e ent\u00e3o se endivida pagando juros altos e termina inadimplindo. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a consequ\u00eancia dos projetos econ\u00f4micos socialistas implantados no Brasil e o endividamento recorde de pessoas e empresas em dificuldades. Algu\u00e9m tem d\u00favidas de que o modelo econ\u00f4mico brasileiro das \u00faltimas d\u00e9cadas fracassou e n\u00e3o entregou o que a sociedade aguardava, dentro das elevadas potencialidades que o Brasil possui?<\/p>\n<p>No meu livro \u2013 <em>Brasil: um pa\u00eds que insiste em n\u00e3o dar certo<\/em> \u2013 analiso os erros das \u00faltimas d\u00e9cadas que trouxeram o pa\u00eds para um processo de subdesenvolvimento cr\u00f4nico, decorrente principalmente dos repetidos erros dos governantes gastadores que se sucederam e onde os equ\u00edvocos praticados, muitas vezes de forma dolosa, acabaram sempre sendo repetidos dentro da aventura socialista imposta ao pa\u00eds e \u00e0 economia.<\/p>\n<p><em><strong>Ricardo R. Hingel<\/strong> \u00e9 economista<\/em>.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para continuarmos errando, basta continuarmos insistindo nos mesmos erros! Agora vamos para o Brasil. 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