{"id":467172,"date":"2026-06-06T12:00:00","date_gmt":"2026-06-06T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=467172"},"modified":"2026-06-06T12:00:00","modified_gmt":"2026-06-06T16:00:00","slug":"transumanismo-conhecer-para-resistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=467172","title":{"rendered":"Transumanismo: conhecer para resistir"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>No fim de maio, o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/vaticano\/\">Vaticano <\/a>divulgou a primeira enc\u00edclica do nosso papa matem\u00e1tico, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/papa-leao-xiv\/\">Le\u00e3o XIV<\/a>. <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/encyclicals\/documents\/20260515-magnifica-humanitas.html\">Magnifica humanitas<\/a><\/em> trata da defesa da dignidade humana em tempos de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/inteligencia-artificial\/\">intelig\u00eancia artificial<\/a>, e j\u00e1 foi assunto de in\u00fameras an\u00e1lises aqui na <strong>Gazeta<\/strong> \u2013 inclusive <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/marcio-antonio-campos\/magnifica-humanitas-enciclica-leao-xiv-inteligencia-artificial\/\">na minha outra coluna<\/a>, semanal, dedicada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. No terceiro cap\u00edtulo da enc\u00edclica, intitulado \u201cT\u00e9cnica e dom\u00ednio \u2013 a grandeza da pessoa humana perante as promessas da IA\u201d, o papa tratou brevemente do transumanismo. Transcrevo aqui os tr\u00eas par\u00e1grafos do texto:<\/p>\n<p><em>\u201c<strong>115.<\/strong> Na tentativa de evidenciar os pressupostos culturais que acompanham a revolu\u00e7\u00e3o digital em curso, gostaria agora de focar-me em algumas correntes que interpretam o progresso como uma supera\u00e7\u00e3o do humano e que podem ser agrupadas sob os nomes de transumanismo e p\u00f3s-humanismo. Estas constituem o pano de fundo ideol\u00f3gico que est\u00e1 presente em alguns centros de poder tecnol\u00f3gico e coloniza o imagin\u00e1rio coletivo de forma simplificada, especialmente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e nas <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/redes-sociais\/\">redes sociais<\/a>, acendendo o entusiasmo pelas novas <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/tecnologia\/\">tecnologias <\/a>com uma vis\u00e3o futurista do \u2018homem aperfei\u00e7oado\u2019 ou do \u2018homem hibridado\u2019 com a m\u00e1quina.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>116.<\/em><\/strong> <em>O transumanismo e o p\u00f3s-humanismo incluem em si uma pluralidade de correntes e sensibilidades, sendo dif\u00edcil dar deles uma descri\u00e7\u00e3o un\u00edvoca. Podem ser comparados a um arquip\u00e9lago de ilhas conceituais diferentes, mas ligadas pelo mesmo mar de pressupostos: a centralidade da tecnologia e o sonho de ultrapassar os limites da condi\u00e7\u00e3o humana. O transumanismo, em linhas gerais, imagina um aperfei\u00e7oamento do ser humano atrav\u00e9s das tecnologias (biomedicina, engenharia corporal, dispositivos, algoritmos), aspirando a aumentar o seu desempenho e capacidades. O p\u00f3s-humanismo, sobretudo nas suas vers\u00f5es radicais, vai al\u00e9m: critica o antropocentrismo e prop\u00f5e uma forma de hibrida\u00e7\u00e3o entre o ser humano, a m\u00e1quina e o ambiente, chegando a imaginar uma transi\u00e7\u00e3o em que a humanidade se superar\u00e1 a si pr\u00f3pria, entrando num novo est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o. Mesmo se estas hip\u00f3teses permanecem em grande parte especulativas, elas adquirem relev\u00e2ncia, porque modificam o imagin\u00e1rio coletivo e, consequentemente, orientam as escolhas sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 integrar as tecnologias numa vis\u00e3o humana e relacional, outra \u00e9 deixar-se guiar por um imagin\u00e1rio que desvaloriza os limites e promete uma \u2018salva\u00e7\u00e3o\u2019 puramente t\u00e9cnica.\u201d<\/p>\n<p><cite>Papa Le\u00e3o XIV, na enc\u00edclica Magnifica humanitas<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>117.<\/em><\/strong><em> O ponto cr\u00edtico, \u00e0 luz da Doutrina Social da Igreja, n\u00e3o \u00e9 o uso da tecnologia em si, mas a vis\u00e3o que lhe est\u00e1 subjacente: se o ser humano for tratado como mat\u00e9ria a aperfei\u00e7oar ou a ultrapassar, \u00e9 ent\u00e3o mais f\u00e1cil aceitar que alguns sejam considerados menos \u00fateis, desej\u00e1veis e dignos. Em nome do progresso, pode chegar-se a imaginar \u2018sacrif\u00edcios necess\u00e1rios\u2019 e a fazer com que os mais fr\u00e1geis paguem o pre\u00e7o de uma suposta otimiza\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. A j\u00e1 mencionada advert\u00eancia de S\u00e3o Paulo VI mant\u00e9m-se, portanto, de grande clarivid\u00eancia: as conquistas cient\u00edficas e t\u00e9cnicas, desvinculadas do progresso moral e social, acabam realmente por se voltar contra o homem.\u00a0Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir com clareza: uma coisa \u00e9 integrar as tecnologias numa vis\u00e3o humana e relacional, outra \u00e9 deixar-se guiar por um imagin\u00e1rio que desvaloriza os limites e promete uma \u2018salva\u00e7\u00e3o\u2019 puramente t\u00e9cnica.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Alguns comentaristas lamentaram que o papa n\u00e3o tivesse dedicado mais espa\u00e7o ao transumanismo. Se voc\u00ea est\u00e1 nesse grupo, recomendo que, depois de terminar a <em>Magnifica humanitas<\/em>, pegue <strong><em>Transumanismo e a imagem de Deus \u2013 A tecnologia de hoje e o futuro do discipulado crist\u00e3o<\/em><\/strong>, de Jacob Shatzer (Vida Nova; meu exemplar foi cortesia da editora), professor de Teologia e ministro ordenado da Conven\u00e7\u00e3o Batista do Sul. \u00c9 uma \u00f3tima explica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o transumanismo, para onde ele pretende nos levar, dos motivos pelos quais temos de ter todos os p\u00e9s atr\u00e1s com ele, e de como podemos resistir e construir vidas e relacionamentos com significado.<\/p>\n<p>Shatzer come\u00e7a definindo transumanismo e p\u00f3s-humanismo em termos que complementam as palavras do papa:<\/p>\n<p><em>\u201cO transumanismo e o p\u00f3s-humanismo s\u00e3o dois movimentos filos\u00f3ficos relacionados e intimamente interligados \u00e0s promessas da tecnologia. O p\u00f3s-humanismo defende que h\u00e1 um pr\u00f3ximo est\u00e1gio na evolu\u00e7\u00e3o humana. Nesse est\u00e1gio, os seres humanos se tornar\u00e3o p\u00f3s-humanos devido \u00e0 nossa intera\u00e7\u00e3o e \u00e0 nossa conex\u00e3o com a tecnologia. O transumanismo, por sua vez, promove valores que contribuem para essa mudan\u00e7a. Ele tem em vista o p\u00f3s-humanismo, e ambos se baseiam, em grande medida, no potencial oferecido pela tecnologia. De certa forma, o transumanismo proporciona a reflex\u00e3o e o m\u00e9todo em dire\u00e7\u00e3o ao p\u00f3s-humanismo. O transumanismo \u00e9 o processo, o p\u00f3s-humanismo \u00e9 o objetivo.\u201d<\/em> (p. 32)<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Parece futurista e distante, s\u00f3 que n\u00e3o: a tecnologia j\u00e1 est\u00e1 nos mudando, e j\u00e1 faz umas duas d\u00e9cadas que est\u00e3o nos alertando para isso \u2013 o cl\u00e1ssico artigo de Nicholas Carr <a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2008\/07\/is-google-making-us-stupid\/306868\/\">\u201cO Google est\u00e1 nos deixando burros?\u201d<\/a> \u00e9 de 2008. De l\u00e1 para c\u00e1, os estudos mostrando como a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/internet\/\">internet <\/a>e o smartphone v\u00eam alterando nosso c\u00e9rebro, por exemplo reduzindo nossa capacidade de aten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, ou nosso poder de mem\u00f3ria (j\u00e1 que terceirizamos tudo para o celular, de telefones dos amigos a rotas pela cidade), s\u00f3 se multiplicam. Nosso comportamento tamb\u00e9m tem mudado: turistas trocam a contempla\u00e7\u00e3o de um lugar novo pela busca do ponto mais \u201cinstagram\u00e1vel\u201d para uma <em>selfie <\/em>(minha c\u00e2mera digital n\u00e3o tem conex\u00e3o com a internet, mas ainda assim eu percebo a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a quando tinha uma c\u00e2mera 35mm e precisava escolher muito bem o que fotografar, para n\u00e3o desperdi\u00e7ar filme), e atire a primeira pedra quem n\u00e3o conhece ningu\u00e9m que tenha ido a um show ou evento esportivo, e tenha assistido a ele praticamente todo pelo celular, em vez de com os pr\u00f3prios olhos (para depois nunca mais rever os v\u00eddeos que fez).<\/p>\n<p>O transumanismo, no entanto, n\u00e3o vai parar a\u00ed, e Shatzer lista tr\u00eas \u00e1reas para as quais o transumanismo tem grandes planos, ordenadas da mais \u201cbiol\u00f3gica\u201d para a mais \u201cvirtual\u201d: a <em>liberdade morfol\u00f3gica<\/em>, a possibilidade de fazer o que bem entendermos com nosso corpo (obviamente, n\u00e3o estamos falando de cortes de cabelo, mas de altera\u00e7\u00f5es radicais com a ajuda da tecnologia); a <em>realidade aumentada<\/em>, uma amplia\u00e7\u00e3o das capacidades humanas, inclusive com a ajuda de pr\u00f3teses ou outras tecnologias que conectem o biol\u00f3gico e o tecnol\u00f3gico; e, por fim, a <em>intelig\u00eancia artificial<\/em> (olha ela a\u00ed!) e o <em>upload mental<\/em>, que permitiriam ao ser humano transcender o corpo biol\u00f3gico, transportando sua mente (e sua personalidade, e por a\u00ed vai) para uma, digamos, \u201cbase mais est\u00e1vel\u201d e menos sujeita a falhas.<\/p>\n<p>Repito: parece futurista e distante, s\u00f3 que n\u00e3o \u2013 e uma das melhores sacadas do livro, na minha opini\u00e3o, \u00e9 mostrar como j\u00e1 estamos sendo \u201camaciados\u201d para abra\u00e7ar todas essas coisas, quando elas estiverem dispon\u00edveis. Avatares que nos permitem ser o que e como quisermos (s\u00f3 n\u00e3o entendo a profus\u00e3o de exemplos do Second Life dados por Shatzer; quem ainda usa isso?), inclusive se quisermos ser algu\u00e9m muito diferente do nosso eu real; tecnologias vest\u00edveis como <em>smartwatches<\/em>; a introdu\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s em fun\u00e7\u00f5es de cuidado ou companhia; e nosso h\u00e1bito de botar nossas vidas inteiras nas m\u00eddias sociais \u2013 tudo isso j\u00e1 vai meio que nos treinando para um futuro transumanista. E, \u00e0 medida que vamos sendo guiados nessa dire\u00e7\u00e3o, somos induzidos a repensar quest\u00f5es fundamentais como a pr\u00f3pria realidade das coisas, dos lugares, das pessoas, dos relacionamentos e de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>E o crist\u00e3o com isso? De tudo o que Shatzer traz no livro, separei dois que julgo serem os maiores problemas que eu vejo no transumanismo. O primeiro \u00e9 o fato de ele pretender \u201clibertar\u201d o ser humano do pr\u00f3prio corpo, enquanto a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/religiao\/\">religi\u00e3o <\/a>crist\u00e3, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma f\u00e9 que valoriza o corpo. Ele \u00e9 templo do Esp\u00edrito Santo, e o pr\u00f3prio Deus quis se fazer carne para nos redimir. Shatzer \u00e9 protestante, mas dou o exemplo dos cat\u00f3licos, que acabamos de celebrar a grande festa do Corpus Christi, a festa do Deus que se faz <em>fisicamente<\/em> presente na Eucaristia. E nem a vida eterna, na consuma\u00e7\u00e3o dos tempos, ser\u00e1 um mundar\u00e9u de almas soltas por a\u00ed: teremos <em>corpos<\/em> gloriosos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Uma das melhores sacadas do livro de Jacob Shatzer \u00e9 mostrar como j\u00e1 estamos sendo \u201camaciados\u201d para abra\u00e7ar o transumanismo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O segundo problema est\u00e1 no fato de o transumanismo promover uma \u201cliturgia do controle\u201d \u2013 Shatzer usa essa express\u00e3o baseando-se no pensamento de James A.K. Smith, que define \u201cliturgias\u201d como \u201cpr\u00e1ticas rituais que funcionam como pedagogias do desejo supremo\u201d, afirmando que h\u00e1 \u201cliturgias seculares\u201d como o consumo ou o esporte. O transumanismo pretende o controle total sobre n\u00f3s mesmos, nosso destino, nossa identidade, nosso futuro e o que mais houver por a\u00ed. O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/cristianismo\/\">cristianismo <\/a>prop\u00f5e o oposto: \u00e9 Deus quem est\u00e1 no controle; n\u00f3s cooperamos com Ele. Shatzer cita o ensinamento de Cristo segundo o qual, para entrar no reino dos c\u00e9us, temos de ser humildes como crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Vamos, ent\u00e3o, queimar nossos celulares e <em>smartwatches<\/em>, e viver no mato? N\u00e3o, e isso talvez nem seja mais poss\u00edvel. Mas, se entendermos para onde as tecnologias (e as pessoas que as desenvolvem) querem nos levar, poderemos resistir ao transumanismo, poderemos aprender a usar as tecnologias com prud\u00eancia enquanto nos recusamos a jogar o jogo. Uma chave importante (mas n\u00e3o a \u00fanica) citada por Shatzer \u00e9 o cultivo de relacionamentos reais, cara a cara, o compartilhamento de experi\u00eancias ao vivo, o estreitamento de la\u00e7os dentro de comunidades como a vizinhan\u00e7a, vida de ora\u00e7\u00e3o, e participa\u00e7\u00e3o na igreja \u2013 estando l\u00e1, e n\u00e3o acompanhando missa ou culto pelo YouTube. Vida real, no fim das contas.<\/p>\n<p>N\u00e3o seremos salvos pela tecnologia, mas por Jesus; e a transforma\u00e7\u00e3o que o crist\u00e3o almeja n\u00e3o \u00e9 aquela em que ele se torna um ciborgue superpoderoso, mas aquela em que ele se abandona e deixa Cristo viver nele. E, como iniciamos com Le\u00e3o XIV, terminamos tamb\u00e9m com ele:<\/p>\n<p><em>\u201c<strong>232.<\/strong> Nas promessas do transumanismo e de algumas correntes p\u00f3s-humanistas, que aspiram a uma humanidade aperfei\u00e7oada e quase desencarnada, reconhecemos um desejo que nos diz respeito: a necessidade de uma vida mais plena, menos exposta \u00e0 fragilidade e ao sofrimento. A Encarna\u00e7\u00e3o abre, por\u00e9m, um caminho diferente. Enquanto ideologias antigas e novas impelem o homem a superar tecnicamente os limites e a elevar-se acima dos outros para afirmar um dom\u00ednio, o mist\u00e9rio do Filho de Deus que entra na nossa condi\u00e7\u00e3o narra um movimento oposto: o Deus vivo desce \u00e0 nossa hist\u00f3ria para nos libertar de toda a forma de escravatura, toma sobre si a nossa fraqueza e transforma-a num lugar de salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 circunst\u00e2ncia ou condi\u00e7\u00e3o humana que n\u00e3o seja digna de Deus: \u2018Segundo o ensinamento da nossa f\u00e9, temos e adoramos, nos nossos mist\u00e9rios, um Deus que nasce na manjedoura, um Deus que vive e viaja pela Judeia, um Deus que morre na cruz, um Deus morto que jaz no sepulcro\u2019.\u00a0O futuro da humanidade encontra assim o seu crit\u00e9rio na capacidade de acolher esta forma divina de se aproximar, de partilhar o peso do mundo, de transformar as rela\u00e7\u00f5es a partir de dentro. \u2018\u00d3 maravilha [\u2026] o homem \u00e9 Deus e este Deus-Homem passa por todos esses graus, suporta todos esses estados e os enobrece, santifica e deifica em si mesmo!\u2019.\u00a0O que salva o homem \u00e9 o amor divino que desce ao ponto mais vulner\u00e1vel da sua hist\u00f3ria e a regenera profundamente.\u201d<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim de maio, o Vaticano divulgou a primeira enc\u00edclica do nosso papa matem\u00e1tico, Le\u00e3o XIV. 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