{"id":466691,"date":"2026-06-06T08:20:05","date_gmt":"2026-06-06T12:20:05","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=466691"},"modified":"2026-06-06T08:20:05","modified_gmt":"2026-06-06T12:20:05","slug":"direito-de-ser-cristao-eu-tenho-e-os-psicologos-tambem-tem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=466691","title":{"rendered":"Direito de ser crist\u00e3o: eu tenho, e os psic\u00f3logos tamb\u00e9m t\u00eam!"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/06091904\/liberdade-religiosa-psicologos.jpg.webp\" \/><span>Resolu\u00e7\u00e3o do CPF lan\u00e7ou suspeita sobre psic\u00f3logos crist\u00e3os, com v\u00e1rios tipos de puni\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. (Foto: Imagem criada utilizando Flow\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Senado deu um passo importante ao aprovar a cria\u00e7\u00e3o da Frente Parlamentar em Defesa da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/liberdade-religiosa\/\">Liberdade Religiosa<\/a> dos Psic\u00f3logos Crist\u00e3os, iniciativa liderada pelo senador Magno Malta e que obteve parecer favor\u00e1vel do senador Eduardo Gir\u00e3o. Em um primeiro olhar, a not\u00edcia pode at\u00e9 parecer estranha. Afinal, por que uma democracia constitucional precisaria criar uma frente parlamentar para defender a liberdade religiosa de profissionais de uma determinada categoria? A pr\u00f3pria exist\u00eancia da frente revela a gravidade do problema.<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds cria instrumentos pol\u00edticos para proteger direitos que estejam plenamente garantidos na pr\u00e1tica. Quando parlamentares, ainda mais da Casa Alta, decidem mobilizar o Congresso Nacional em torno de uma pauta espec\u00edfica, geralmente \u00e9 porque perceberam um processo de eros\u00e3o em curso. \u00c9 exatamente isso que est\u00e1 acontecendo. A liberdade religiosa est\u00e1 come\u00e7ando a nos escapar.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que a liberdade religiosa dos psic\u00f3logos crist\u00e3os tem a ver com esse debate? Tem tudo. Desde a edi\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o CFP 7\/2023 pelo Conselho Federal de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/psicologia\/\">Psicologia<\/a>, muitos profissionais crist\u00e3os passaram a atuar sob uma esp\u00e9cie de suspeita permanente. Basta afirmarem publicamente sua f\u00e9 nas redes sociais, usarem express\u00f5es como \u201cpsic\u00f3logo crist\u00e3o\u201d ou adotarem algum identificador confessional em seus canais profissionais para que se abra a porta a notifica\u00e7\u00f5es, processos disciplinares, multas e, no limite, at\u00e9 \u00e0 amea\u00e7a de cassa\u00e7\u00e3o do registro.<\/p>\n<p>O problema, por\u00e9m, foi rapidamente deslocado pelo pr\u00f3prio CFP. No processo em que se discute a constitucionalidade dessa resolu\u00e7\u00e3o, a ADI 7426, construiu-se a narrativa de que o IBDR e o Partido Novo, autores da a\u00e7\u00e3o, estariam defendendo a libera\u00e7\u00e3o de terapia de convers\u00e3o para homossexuais. Nada mais conveniente e nada mais falso. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o trata da substitui\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia pela <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/religiao\/\">religi\u00e3o<\/a>, n\u00e3o autoriza imposi\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as a pacientes e muito menos pretende dar abrigo a quaisquer pr\u00e1ticas anti\u00e9ticas. Essas caricaturas servem mais para embaralhar o debate do que para esclarec\u00ea-lo. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 outra coisa: saber se um conselho profissional pode transformar a identidade religiosa de um psic\u00f3logo em ind\u00edcio de infra\u00e7\u00e3o \u00e9tica, como se a f\u00e9, por si s\u00f3, contaminasse a t\u00e9cnica, anulasse a ci\u00eancia ou tornasse suspeito o exerc\u00edcio regular de uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Desde a edi\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o CFP 7\/2023 pelo Conselho Federal de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/psicologia\/\">Psicologia<\/a>, muitos profissionais crist\u00e3os passaram a atuar sob uma esp\u00e9cie de suspeita permanente<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em outras palavras: Um psic\u00f3logo pode afirmar publicamente que \u00e9 crist\u00e3o? Pode ensinar em sua igreja? Pode publicar conte\u00fados b\u00edblicos em suas redes sociais? Pode expressar sua cosmovis\u00e3o fora do consult\u00f3rio sem que isso seja utilizado como elemento de suspeita contra sua atua\u00e7\u00e3o profissional? Pode ter uma B\u00edblia aberta ou uma imagem em seu consult\u00f3rio? Pode usar um escapul\u00e1rio ou um crucifixo \u00e0 mostra? Muitas s\u00e3o as perguntas e a mera necessidade de formul\u00e1-las j\u00e1 deveria causar inquieta\u00e7\u00e3o em qualquer defensor das liberdades fundamentais.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira protege a liberdade de consci\u00eancia e a liberdade de cren\u00e7a porque compreende que existem dimens\u00f5es da pessoa humana que antecedem o pr\u00f3prio Estado e s\u00e3o inviol\u00e1veis. N\u00e3o foi o governo que concedeu aos brasileiros o direito de possuir convic\u00e7\u00f5es. Tampouco cabe ao poder p\u00fablico determinar quais cren\u00e7as s\u00e3o aceit\u00e1veis ou quais identidades religiosas devem ser toleradas. A consci\u00eancia humana n\u00e3o \u00e9 uma concess\u00e3o estatal; pelo contr\u00e1rio, trata-se de um atributo inerente \u00e0 dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Por isso, a liberdade de consci\u00eancia ocupa posi\u00e7\u00e3o singular entre os direitos fundamentais. Ela protege justamente o espa\u00e7o mais \u00edntimo da personalidade, aquele lugar onde a pessoa humana forma suas convic\u00e7\u00f5es morais, filos\u00f3ficas e religiosas. Trata-se de uma esfera que o Estado n\u00e3o cria, n\u00e3o concede e n\u00e3o pode invadir. Da mesma forma, a liberdade de cren\u00e7a protege o direito de ter, aderir, professar, manter, n\u00e3o ter e manifestar publicamente uma f\u00e9. N\u00e3o se trata apenas do direito de acreditar em sil\u00eancio. Trata-se do direito de existir socialmente conforme aquilo em que se acredita.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente aqui que reside o problema.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, consolidou-se em alguns setores uma vis\u00e3o segundo a qual a religi\u00e3o seria tolerada apenas enquanto permanecesse confinada ao espa\u00e7o privado. O religioso poderia acreditar no que desejasse, desde que n\u00e3o demonstrasse essa cren\u00e7a publicamente. Poderia frequentar sua igreja, desde que sua identidade religiosa n\u00e3o fosse vis\u00edvel. Poderia manter suas convic\u00e7\u00f5es, desde que elas n\u00e3o acompanhassem sua presen\u00e7a na vida p\u00fablica. Mas esse nunca foi o modelo constitucional brasileiro.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o adotou um laicismo de combate franc\u00eas, tampouco um secularismo hostil \u00e0 religi\u00e3o. Nossa tradi\u00e7\u00e3o constitucional \u00e9 marcada pela conviv\u00eancia, pela colabora\u00e7\u00e3o e pelo reconhecimento da relev\u00e2ncia social do fen\u00f4meno religioso. A pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o fala em colabora\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico entre Estado e organiza\u00e7\u00f5es religiosas, rejeitando a ideia de que f\u00e9 e espa\u00e7o p\u00fablico sejam realidades incompat\u00edveis.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a cria\u00e7\u00e3o da Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psic\u00f3logos Crist\u00e3os tem import\u00e2ncia que vai muito al\u00e9m da categoria profissional diretamente envolvida. Ela funciona como um alerta institucional. Alerta para o risco de que a identidade religiosa passe a ser tratada como um fator de suspei\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de alertar para a tenta\u00e7\u00e3o crescente do Estado e de muitos setores da sociedade de vigiar consci\u00eancias em vez de avaliar condutas. Alerta, ainda, para a substitui\u00e7\u00e3o do pluralismo por uma esp\u00e9cie de uniformidade ideol\u00f3gica incompat\u00edvel com uma sociedade livre.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Quando uma sociedade come\u00e7a a desconfiar de pessoas simplesmente porque elas professam uma f\u00e9, o problema deixa de ser religioso. Passa a ser um problema de liberdade<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em uma democracia madura, profissionais devem ser avaliados por sua compet\u00eancia t\u00e9cnica, por sua \u00e9tica e por seus atos concretos. N\u00e3o por sua participa\u00e7\u00e3o em uma igreja, vers\u00edculos publicados em suas redes sociais ou por sua identidade religiosa.<\/p>\n<p>Quando uma sociedade come\u00e7a a desconfiar de pessoas simplesmente porque elas professam uma f\u00e9, o problema deixa de ser religioso. Passa a ser um problema de liberdade. Por isso, a cria\u00e7\u00e3o da frente parlamentar merece reconhecimento e aplausos. N\u00e3o porque crist\u00e3os devam receber privil\u00e9gios e muito menos porque psic\u00f3logos crist\u00e3os necessitem de tratamento especial. Mas porque a defesa da liberdade de consci\u00eancia e da liberdade de cren\u00e7a interessa a todos os brasileiros.<\/p>\n<p>Hoje o debate envolve psic\u00f3logos crist\u00e3os. Amanh\u00e3 poder\u00e1 envolver qualquer outro grupo cuja identidade n\u00e3o agrade aos detentores do poder cultural ou institucional do momento. A liberdade permanece segura apenas enquanto vale para todos.<\/p>\n<p>E \u00e9 precisamente por isso que a iniciativa do Senado merece aten\u00e7\u00e3o. Ela recorda algo que deveria ser \u00f3bvio, mas que aparentemente precisa voltar a ser dito: em uma sociedade livre, ningu\u00e9m deve ser constrangido a esconder quem \u00e9 para poder exercer sua profiss\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resolu\u00e7\u00e3o do CPF lan\u00e7ou suspeita sobre psic\u00f3logos crist\u00e3os, com v\u00e1rios tipos de puni\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. 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