{"id":459206,"date":"2026-06-03T18:34:06","date_gmt":"2026-06-03T22:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=459206"},"modified":"2026-06-03T18:34:06","modified_gmt":"2026-06-03T22:34:06","slug":"terrorismo-economico-alem-de-ormuz-a-outra-rota-que-o-ira-usa-para-estrangular-o-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=459206","title":{"rendered":"Terrorismo econ\u00f4mico al\u00e9m de Ormuz: a outra rota que o Ir\u00e3 usa para estrangular o Ocidente"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Ir\u00e3 vem usando o bloqueio de importantes rotas de com\u00e9rcio mar\u00edtimo como arma de terrorismo econ\u00f4mico mesmo antes do in\u00edcio da atual guerra com os Estados Unidos e Israel. Al\u00e9m de Ormuz, <strong>Teer\u00e3 amea\u00e7a a passagem de navios no estreito de Bab El-Mandeb, no Mar Vermelho<\/strong>, que pode ser o pr\u00f3ximo a ser fechado com ataques de drones e m\u00edsseis.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de bloqueio de importantes vias mar\u00edtimas desrespeita o direito internacional e pode levar a um colapso de cadeias de log\u00edstica global se for adotada por outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Teer\u00e3 bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde escoava um quinto da produ\u00e7\u00e3o mundial de petr\u00f3leo e derivados, em abril deste ano e passou a cobrar ped\u00e1gio para a passagem de embarca\u00e7\u00f5es civis (impedindo a passagem de navios ocidentais). Mas j\u00e1 vinha restringindo, desde 2023, a passagem de navios ocidentais por Bab El-Mandeb, no sul do Mar Vermelho.<\/p>\n<p>Por l\u00e1 passavam cerca de 30% do com\u00e9rcio mundial por navios de cont\u00eaineres e 12% dos carregamentos mar\u00edtimos de petr\u00f3leo entre 2022 e 2023. Segundo a ag\u00eancia americana EIA (sigla de Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es de Energia), <strong>Bab El-Mandeb escoava 9,3 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia em 2023. Esse n\u00famero caiu para 4,1 milh\u00f5es em 2024.<\/strong><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o aconteceu depois que rebeldes <strong>Houthis, aliados do Ir\u00e3<\/strong>, come\u00e7aram a atacar navios civis com m\u00edsseis e drones, da mesma forma como ocorre no Estreito de Ormuz, que ganhou aten\u00e7\u00e3o global com a guerra deste ano.<\/p>\n<p><strong>As a\u00e7\u00f5es iranianas nos dois estreitos violam a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar.<\/strong> Segundo analistas ouvidos pela reportagem, elas tamb\u00e9m abrem precedente para a <strong>subvers\u00e3o do Direito Internacional<\/strong>, de uma forma semelhante ao que a R\u00fassia fez ao invadir a Ucr\u00e2nia em 2022.<\/p>\n<h2>Liberdade de navega\u00e7\u00e3o \u00e9 desafiada<\/h2>\n<p>Desde o fim da Segunda Guerra, as na\u00e7\u00f5es haviam concordado por meio da Carta da ONU em n\u00e3o realizar guerras com o objetivo de expans\u00e3o territorial. Dessa forma, as grandes guerras de conquista foram praticamente banidas por d\u00e9cadas. Mas Moscou abriu um precedente para a retomada da pr\u00e1tica ao anexar prov\u00edncias ucranianas. Ruanda seguiu o exemplo e invadiu o leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo com for\u00e7as rebeldes para anexar a regi\u00e3o de Goma, no ano passado.<\/p>\n<p>Agora outro ponto fundamental do Direito Internacional moderno est\u00e1 sendo desafiado. A liberdade de navega\u00e7\u00e3o foi proposta inicialmente em 1609 e ganhou for\u00e7a no s\u00e9culo 19 com a ascens\u00e3o da teoria do <em>laissez-faire<\/em> e do liberalismo econ\u00f4mico. A liberdade dos mares passou a ser garantida pelas grandes pot\u00eancias ocidentais. Primeiro a Gr\u00e3-Bretanha e depois os Estados Unidos criaram poderosas marinhas de &#8220;mar azul&#8221;, termo usado para designar capacidade de projetar poder globalmente.<\/p>\n<p>Em 1994 entrou em vigor a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Lei do Mar (designada pela sigla internacional UNCLOS). Os Estados Unidos n\u00e3o aderiram formalmente ao tratado, mas historicamente respeitam seus principais pontos, originados do direito costumeiro. E um deles \u00e9 o direito de livre navega\u00e7\u00e3o e passagem a\u00e9rea por estreitos como o de Ormuz e Bab El Mandeb.<\/p>\n<p>&#8220;O interesse coletivo da navega\u00e7\u00e3o global tem que prevalecer. Imagine se todo mundo fosse cobrar ped\u00e1gios. Se a Espanha fosse cobrar direito de passagem no Estreito de Gibraltar, o I\u00eamen em Bab El-Mandeb, a Mal\u00e1sia no Estreito de Malaca ou Singapura no estreito de Singapura. Isso seria o caos no com\u00e9rcio mar\u00edtimo internacional. Temos que lembrar que a grande maioria dos produtos comercializados internacionalmente transita pelos mares&#8221;, disse o coronel da reserva <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-filho\/\">Paulo Filho, analista militar e colunista<\/a> da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo Cezar Roedel, doutor em Filosofia, mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, <strong>as a\u00e7\u00f5es do Ir\u00e3 quebraram a ideia de livre navega\u00e7\u00e3o. Elas podem encorajar outros pa\u00edses a adotar a\u00e7\u00f5es semelhantes<\/strong>. O presidente americano Donald Trump chegou a cogitar uma cobran\u00e7a de taxas para manter a seguran\u00e7a no Estreito de Ormuz, mas descartou a ideia. A China tem aumentado as restri\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o no mar ao sul de seu territ\u00f3rio com manobras de barcos civis e pode intensificar esse tipo de a\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds j\u00e1 constr\u00f3i ilhas artificiais para tentar aumentar seu espa\u00e7o de mar territorial.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Ir\u00e3 amea\u00e7ou duas vezes fechar completamente Bab El-Mandeb<\/h2>\n<p>Em meio a um fr\u00e1gil cessar-fogo entre Ir\u00e3, EUA e Israel, o estreito de Hormuz permanece fechado. Em paralelo,<strong> autoridades iranianas amea\u00e7aram pela segunda vez em menos de dois meses fazer um bloqueio total tamb\u00e9m em Bab El-Mandeb.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira amea\u00e7a ocorreu no dia 7 de abril, momentos antes de Washington e Teer\u00e3 concordarem com um cessar-fogo. A segunda foi em 1 de junho, quando o Ir\u00e3 disse que se retiraria da mesa de negocia\u00e7\u00f5es por causa de ataques israelenses ao L\u00edbano.<\/p>\n<p>O Estreito de Bab El Mandeb fica entre o I\u00eamen, situado na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, e o Djibuti e a Eritreia, no Chifre da \u00c1frica. Tamb\u00e9m conhecido como &#8220;Portal das L\u00e1grimas&#8221;, <strong>Bab El-Mandeb \u00e9 a passagem de entrada ao sul do Mar Vermelho<\/strong>. Ao norte, a passagem entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterr\u00e2neo \u00e9 o Canal de Suez, no Egito.<\/p>\n<p>Ele tem 30 quil\u00f4metros de largura (Ormuz tem 40 quil\u00f4metros) e est\u00e1 ao alcance de drones a\u00e9reos e mar\u00edtimos lan\u00e7ados por rebeldes aliados do Ir\u00e3 tanto no I\u00eamen quanto do Djibuti. Eles fazem parte do chamado <strong>Eixo da Resist\u00eancia<\/strong>, junto com terroristas do Hamas e do Hezbollah.<\/p>\n<p>As maiores empresas de transporte mar\u00edtimo, como a Maersk, j\u00e1 vinham dando prefer\u00eancia desde 2023 \u00e0 rota que contorna o continente africano para evitar o Mar Vermelho. Mas a viagem se torna de duas a tr\u00eas semanas mais longa. Com o in\u00edcio da guerra do Ir\u00e3, as transportadoras ocidentais praticamente suspenderam a passagem de seus navios por Bab El-Mandeb.<\/p>\n<p><strong>Segundo fontes israelenses consultadas pela reportagem, na pr\u00e1tica, apenas navios sem rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, Israel e outros aliados podem passar pelo estreito atualmente.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Cezar Roedel, a necessidade de mudar de rota gerou n\u00e3o s\u00f3 um tempo maior de viagem das mercadorias, mas mudou o custo com seguradoras e resseguradoras e aumentou os custos gerais de navega\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso acabou remodelando e a cadeia global em conjunto com o fechamento de Ormuz e afetou at\u00e9 o Brasil, que depende de cadeias log\u00edsticas para comprar combust\u00edvel e vender os produtos do agroneg\u00f3cio&#8221;, disse.<\/p>\n<h2>Tecnologia de drones e alian\u00e7as regionais possibilitam terrorismo econ\u00f4mico do Ir\u00e3<\/h2>\n<p>Durante a guerra Ir\u00e3-Iraque (1980-1988), for\u00e7as iranianas e iraquianas lan\u00e7aram minas navais e bombardearam navios que operavam no Golfo P\u00e9rsico. Os Estados Unidos organizaram comboios militares para escoltar embarca\u00e7\u00f5es pela regi\u00e3o e atrav\u00e9s do Estreito de Ormuz. Uma fragata americana foi atingida por uma mina submarina e outra foi bombardeada por um avi\u00e3o de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>O estreito n\u00e3o chegou a ser completamente fechado. Mas desde ent\u00e3o a tecnologia e o cen\u00e1rio do com\u00e9rcio global evolu\u00edram. Hoje interditar um estreito por a\u00e7\u00f5es militares \u00e9 relativamente mais f\u00e1cil e o impacto no com\u00e9rcio global \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Drones mar\u00edtimos e navais de baixo custo, m\u00edsseis antinavio e radares de monitoramento costeiro, al\u00e9m das conhecidas minas navais, permitem que pa\u00edses mais fracos desafiem na\u00e7\u00f5es mais fortes.<\/p>\n<p>Foi isso que come\u00e7ou a acontecer em 2023, depois que terroristas do Hamas lan\u00e7aram um ataque surpresa contra Israel que deixou centenas de mortos e ref\u00e9ns e deflagrou uma guerra em outubro daquele ano. Rebeldes Houthi passaram ent\u00e3o a usar esse tipo de armamento para atacar navios civis em Bab El-Mandeb e apoiar o Hamas.<\/p>\n<p>Ao assumir a presid\u00eancia em 2025, uma das primeiras a\u00e7\u00f5es militares de Trump foi ordenar um bombardeio no I\u00eamen para reduzir as capacidades militares dos Houthi, mas eles n\u00e3o foram totalmente desarmados e desmobilizados. Em paralelo, Washington exerceu press\u00e3o sobre o Panam\u00e1 para expulsar empresas a China que operavam no Canal do Panam\u00e1, outra passagem mar\u00edtima estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Mas, segundo analistas internacionais, os EUA subestimaram a capacidade do Ir\u00e3 de fechar o Estreito de Ormuz quando iniciaram o bombardeio ao pa\u00eds em fevereiro desde ano. Segundo Roedel, para for\u00e7ar a abertura do estreito militarmente, fazer comboios para escolta de navios n\u00e3o seria suficiente. Os EUA teriam que fazer uma invas\u00e3o terrestre na regi\u00e3o e lutar com o ex\u00e9rcito iraniano. A op\u00e7\u00e3o poderia levar \u00e0 perda de milhares de combatentes sem garantia de sucesso.<\/p>\n<p>Por isso, a op\u00e7\u00e3o adotada por Trump tem sido fazer um bloqueio naval, posicionando embarca\u00e7\u00f5es americanas a centenas de quil\u00f4metros da costa para impedir que navios transportando petr\u00f3leo iraniano saiam do Golfo P\u00e9rsico. A ideia \u00e9 estrangular as fontes de recursos internacionais do Ir\u00e3 relacionadas \u00e0 venda de petr\u00f3leo e assim obrigar a reabertura volunt\u00e1ria do estreito.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a luta contra o terrorismo econ\u00f4mico iraniano<\/strong>. O fechamento de Ormuz por Teer\u00e3 fez o petr\u00f3leo chegar ao pre\u00e7o de US$ 117 por barril no auge da crise. A reten\u00e7\u00e3o de 20% do fluxo global da <em>commodity<\/em> na regi\u00e3o fez o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) projetar para este ano uma queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mas essa \u00e9 uma estimativa conservadora que leva em conta a reabertura iminente do estreito.<\/p>\n<p>An\u00e1lises mais pessimistas apontam que o crescimento do PIB mundial pode cair de 3,4% em 2025 para 2% em 2026. Isso pode levar uma grande quantidade de pa\u00edses mais fr\u00e1geis a um cen\u00e1rio econ\u00f4mico desesperador.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ir\u00e3 vem usando o bloqueio de importantes rotas de com\u00e9rcio mar\u00edtimo como arma de terrorismo econ\u00f4mico mesmo antes do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":459207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-459206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/459206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=459206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/459206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/459207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=459206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=459206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=459206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}