{"id":454407,"date":"2026-06-02T12:00:00","date_gmt":"2026-06-02T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=454407"},"modified":"2026-06-02T12:00:00","modified_gmt":"2026-06-02T16:00:00","slug":"o-apelo-do-papa-leao-xiv-por-missas-bem-celebradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=454407","title":{"rendered":"O apelo do papa Le\u00e3o XIV por missas bem celebradas"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/02081046\/papa-leao-xiv-audiencia-27-maio-ettore-ferrari.jpg.webp\" \/><span>O papa Le\u00e3o XIV na audi\u00eancia de 27 de maio, quando pediu aos padres que respeitem as normas lit\u00fargicas. (Foto: Ettore Ferrari\/EFE\/EPA)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>No in\u00edcio do ano, o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/papa-leao-xiv\/\">papa Le\u00e3o XIV<\/a> come\u00e7ou um ciclo de catequeses, nas audi\u00eancias gerais de quarta-feira, dedicado ao Conc\u00edlio Vaticano II. Na quarta-feira passada, ele falou da constitui\u00e7\u00e3o <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html\">Sacrosanctum Concilium<\/a><\/em>, sobre a liturgia. Voc\u00eas sabem, \u00e9 aquele documento que pede para \u201cconservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular\u201d; que \u201creconhece como canto pr\u00f3prio da liturgia romana o canto gregoriano\u201d, canto que ter\u00e1, \u201cna a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, em igualdade de circunst\u00e2ncias, o primeiro lugar\u201d; e tamb\u00e9m pede que se tenha \u201cem grande apre\u00e7o na Igreja latina o \u00f3rg\u00e3o de tubos\u201d. O qu\u00ea? Voc\u00eas n\u00e3o sabiam que tudo isso est\u00e1 nos documentos do Vaticano II? Mas que conc\u00edlio \u00e9 esse que est\u00e3o vendendo pra voc\u00eas?<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/it\/audiences\/2026\/documents\/20260527-udienza-generale.html\">catequese de quarta-feira passada<\/a>, o papa encerrou o trecho sobre os documentos conciliares com um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/papa-pede-a-padres-que-respeitem-a-liturgia-da-missa-e-evitem-confundir-os-fieis\/\">pedido<\/a>: \u201cexorto todos aqueles que s\u00e3o chamados a preparar a celebra\u00e7\u00e3o dos divinos mist\u00e9rios, em particular os sacerdotes que exercem o minist\u00e9rio da presid\u00eancia lit\u00fargica, a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confian\u00e7a em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade \u00e0 comunh\u00e3o eclesial\u201d. <em>Respeito pelos textos e pelas normas da liturgia<\/em>, algo que os papas v\u00eam pedindo h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, porque hoje o que mais existe, infelizmente, \u00e9 desrespeito. Por mais que o Conc\u00edlio Vaticano II afirme que \u201cningu\u00e9m mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em mat\u00e9ria lit\u00fargica\u201d, o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/catolicos\/\">cat\u00f3lico <\/a>m\u00e9dio est\u00e1 cansado de ver padres que fazem o que bem entendem com a Santa Missa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Pior \u00e9 que o papa Le\u00e3o XIV n\u00e3o est\u00e1 pedindo nenhuma novidade. Vejam o que o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/papa-francisco\/\">papa Francisco<\/a> escreveu em <em>Desiderio desideravi<\/em>: \u201ctodos os aspectos do celebrar devem ser cuidados (espa\u00e7o, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, m\u00fasica&#8230;) e <em>todas as rubricas devem ser observadas<\/em>\u201d (destaque meu). E, antes dele, Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI tamb\u00e9m ressaltaram a import\u00e2ncia de seguir as instru\u00e7\u00f5es dos livros lit\u00fargicos com precis\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>\u201cTodos os aspectos do celebrar devem ser cuidados (espa\u00e7o, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, m\u00fasica&#8230;) e <em>todas as rubricas devem ser observadas<\/em>.\u201d<\/p>\n<p><cite>Papa Francisco, na carta Desiderio desideravi.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<h2>Esquilos amestrados no ofert\u00f3rio<\/h2>\n<p>Quem estuda Direito aprende que o cidad\u00e3o comum pode fazer tudo aquilo que a lei n\u00e3o pro\u00edbe, enquanto o administrador ou funcion\u00e1rio p\u00fablico s\u00f3 pode fazer aquilo que a lei permite expressamente. A liturgia cat\u00f3lica funciona como essa segunda situa\u00e7\u00e3o: os celebrantes e seus assistentes s\u00f3 podem fazer aquilo que est\u00e1 descrito no missal \u2013 em outras palavras, precisam dizer o preto e fazer o vermelho, como diz o padre Zuhlsdorf, em refer\u00eancia \u00e0s cores das instru\u00e7\u00f5es e das partes ditas pelo sacerdote ou pelo povo.<\/p>\n<p>Para usar um exemplo que eu adorava citar na \u00e9poca do finado Orkut, o missal n\u00e3o diz que \u00e9 proibido usar esquilos amestrados para levar o p\u00e3o e o vinho ao padre no ofert\u00f3rio, mas nem por isso \u00e9 permitido fazer isso. Sim, \u00e9 um exemplo extremo, mas que ilustra a regra geral: se n\u00e3o est\u00e1 previsto no missal, n\u00e3o \u00e9 para ser feito.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a regra geral, mas h\u00e1 uma s\u00e9rie de casos em que a Igreja foi ainda mais expl\u00edcita ao dizer o que n\u00e3o se pode fazer. Canto do Gl\u00f3ria com letra diferente, tipo \u201ca v\u00f3s louvam, Rei celeste, os que foram libertados\u201d? N\u00e3o pode \u2013 est\u00e1 na <em>Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano<\/em>, par\u00e1grafo 53. Ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o sendo empregados cotidianamente enquanto o padre fica sentado l\u00e1 no presbit\u00e9rio? N\u00e3o pode \u2013 existe uma <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cclergy\/documents\/rc_con_interdic_doc_15081997_po.html\">instru\u00e7\u00e3o inteira<\/a> apenas sobre a participa\u00e7\u00e3o dos leigos na missa, al\u00e9m dos par\u00e1grafos 154 a 160 da <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/ccdds\/documents\/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html\">Redemptionis sacramentum<\/a><\/em>. Palmas pra l\u00e1 e pra c\u00e1, parab\u00e9ns aos aniversariantes da semana? N\u00e3o pode \u2013 S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII j\u00e1 dizia isso (est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X9w96aXHxkU&amp;t=37s\">registrado em v\u00eddeo<\/a>), e o papa Francisco tamb\u00e9m nos recorda algo fundamental em uma <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2017\/documents\/papa-francesco_20171122_udienza-generale.html\">catequese<\/a> de 2017:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>\u201cQuando vamos \u00e0 Missa \u00e9 como se f\u00f4ssemos ao calv\u00e1rio, a mesma coisa. Mas pensai: no momento da Missa vamos ao calv\u00e1rio \u2013 usemos a imagina\u00e7\u00e3o \u2013 e sabemos que aquele homem ali \u00e9 Jesus. Mas, ser\u00e1 que nos permitir\u00edamos conversar, tirar fotografias, dar um pouco de espet\u00e1culo? N\u00e3o! Porque \u00e9 Jesus! Certamente estar\u00edamos em sil\u00eancio, no pranto e tamb\u00e9m na alegria de sermos salvos. Quando entramos na igreja para celebrar a Missa pensemos nisto: entro no calv\u00e1rio, onde Jesus oferece a sua vida por mim. E assim desaparece o espet\u00e1culo, desaparecem as tagarelices, os coment\u00e1rios e estas coisas que nos afastam de algo t\u00e3o bonito que \u00e9 a Missa, o triunfo de Jesus.\u201d<\/em><\/p>\n<p>E no Calv\u00e1rio, como disse uma vez S\u00e3o Padre Pio, s\u00f3 quem aplaudia eram os soldados e os dem\u00f4nios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/02080926\/esquilos-ofertorio-missa.jpg.webp\" \/><i>\u201cMas no Missal n\u00e3o est\u00e1 escrito que n\u00e3o pode\u201d, diz o liturgista que gosta de inovar. Mas n\u00e3o \u00e9 assim que funciona. (Foto: Imagem criada utilizando Flow\/Gazeta do Povo)<\/i><\/p>\n<h2>\u201cAh, mas isso \u00e9 rigorismo, \u00e9 engessar demais a missa\u201d<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o \u00e9, n\u00e3o. Primeiro, porque o pr\u00f3prio missal j\u00e1 d\u00e1 ao padre uma boa liberdade em uma s\u00e9rie de momentos, da escolha da sauda\u00e7\u00e3o inicial, do ato penitencial, at\u00e9 a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. E, para arrematar, o papa Francisco tamb\u00e9m tem a resposta na <em>Desiderio desideravi<\/em>: quando as normas s\u00e3o respeitadas, quando a liturgia \u00e9 bem celebrada, est\u00e1 presente \u201co maravilhamento pelo fato de que o plano salv\u00edfico de Deus nos foi revelado na P\u00e1scoa de Jesus (&#8230;) A beleza, como a verdade, gera sempre assombro e quando se referem ao mist\u00e9rio de Deus, levam \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. O assombro \u00e9 parte essencial do ato lit\u00fargico, porque \u00e9 uma atitude de quem sabe que se encontra perante a peculiaridade dos gestos simb\u00f3licos; \u00e9 o enlevo de quem experimenta a for\u00e7a do s\u00edmbolo, que n\u00e3o consiste em remeter para um conceito abstrato, mas em conter e exprimir na sua concre\u00e7\u00e3o aquilo que significa\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O padre Lu\u00eds Fernando Alves Ferreira, da diocese de Itumbiara (GO) e mestrando em Liturgia na Pontif\u00edcia Universidade da Santa Cruz, em Roma, lembra que, na audi\u00eancia da semana passada, o papa Le\u00e3o XIV ainda deu uma explica\u00e7\u00e3o para quem tenta fazer uma liturgia a seu modo: \u201ctrata-se da atitude arbitr\u00e1ria de quem considera a liturgia insuficiente. Deixar-se tomar pela m\u00e3o e ser conduzido para dentro do mist\u00e9rio requer despojar-se totalmente de si, como disse o papa Francisco na <em>Desiderio desideravi<\/em>\u201d. Um fen\u00f4meno que se mistura ao mero estrelismo ou \u00e0 ignor\u00e2ncia sobre as normas lit\u00fargicas, da parte de quem julga ser poss\u00edvel fazer isso ou aquilo na missa, ainda que n\u00e3o esteja nos livros. O padre Lu\u00eds Fernando cita uma frase do ent\u00e3o cardeal Joseph Ratzinger no seu essencial, indispens\u00e1vel, obrigat\u00f3rio <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito da Liturgia<\/em>: \u201cSomente o respeito pela natureza preestabelecida da liturgia e pela sua fundamental n\u00e3o arbitrariedade pode doar-nos aquilo que dela esperamos: a festa em que vem ao nosso encontro a grande realidade que n\u00f3s n\u00e3o fazemos sozinhos, mas que, precisamente, recebemos como dom\u201d.<\/p>\n<h2>Forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica deficiente s\u00f3 piora o problema<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Na <em>Desiderio desideravi<\/em>, o papa Francisco destacava a necessidade de uma boa forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, tanto para quem celebra quanto para quem assiste \u00e0 missa. \u201cMas h\u00e1 um problema da baixa qualidade na forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica no Brasil, identificada ao menos desde 1974 nos Documentos da CNBB. Minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado aqui em Roma foi justamente sobre este tema. \u00c9 poss\u00edvel ver que houve um crescimento e melhora na forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica nos semin\u00e1rios, mas que n\u00e3o foi homog\u00eanea. Entretanto, \u00e9 recorrente a constata\u00e7\u00e3o de uma lacuna que se torna evidente nos abusos e arbitrariedades que ocorrem em mat\u00e9ria lit\u00fargica\u201d, diz o padre Lu\u00eds Fernando.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>\u201c<em>Quando entramos na igreja para celebrar a Missa pensemos nisto: entro no calv\u00e1rio, onde Jesus oferece a sua vida por mim. E assim desaparece o espet\u00e1culo, desaparecem as tagarelices.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><cite>Papa Francisco, em audi\u00eancia geral em 2017<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O sacerdote acrescenta que pesquisou o curr\u00edculo das faculdades cat\u00f3licas brasileiras e constatou que \u201cse v\u00ea de tudo em mat\u00e9ria lit\u00fargica: desde faculdades que atendem satisfatoriamente o que pediu o Conc\u00edlio Vaticano II at\u00e9 outras nas quais n\u00e3o se encontra nenhuma refer\u00eancia \u00e0 liturgia. Este descompasso n\u00e3o deixa de mostrar sua marca mais evidente: a arbitrariedade com a sagrada liturgia\u201d. E, embora as missas mal celebradas n\u00e3o sejam exclusividade brasileira, ele ainda aponta um problema bem nosso: \u201cn\u00f3s, brasileiros, temos um g\u00eanio rebelde. Consideramos a regra e a norma como uma imposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria \u2018de Roma\u2019, um convite \u00e0 transgress\u00e3o. Assim, a primeira coisa a se fazer em mat\u00e9ria de forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 convencermo-nos de que a regra e a norma s\u00e3o nossas aliadas e n\u00e3o nossas inimigas. Estamos do mesmo lado. Elas nos protegem e ajudam a celebrar\u201d, diz o padre.<\/p>\n<h2>\u201cNa missa tridentina n\u00e3o tem essas coisas\u201d<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">J\u00e1 posso ouvir o tradicionalista radical dizendo isso, e de fato n\u00e3o tem mesmo. Acontece que da\u00ed a querer invalidar o pr\u00f3prio rito novo, afirmar que nas par\u00f3quias por a\u00ed o cat\u00f3lico j\u00e1 n\u00e3o encontra os meios necess\u00e1rios para a salva\u00e7\u00e3o, como fez o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/marcio-antonio-campos\/sspx-ordenacoes-episcopais-cisma\/\">em breve cism\u00e1tico<\/a> padre Davide Pagliarani, superior da Fraternidade S\u00e3o Pio X, \u00e9 um salto l\u00f3gico gigantesco e absurdo. Se \u00e9 verdade que alguns ritos foram simplificados (ainda considero o ofert\u00f3rio tridentino <em>muito<\/em> superior ao atual, por exemplo), por outro lado o padre Lu\u00eds Fernando enumera alguns tesouros recuperados na reforma de 1969. \u201cEncontramos em todo o Missal ora\u00e7\u00f5es provenientes do Sacrament\u00e1rio Veronese, do s\u00e9culo 6.\u00ba; do Sacrament\u00e1rio Gelasiano, do s\u00e9culo 7.\u00ba; e dos Gregorianos, dos s\u00e9culos 9.\u00ba e seguintes, al\u00e9m de tra\u00e7os muito reconhec\u00edveis da liturgia galicana e a heran\u00e7a comum da ora\u00e7\u00e3o da Igreja nas novas ora\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas. A revis\u00e3o do Lecion\u00e1rio realizou o mesmo percurso de recupera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o. O novo Pontifical Romano preservou os textos do Veronese na prece de ordena\u00e7\u00e3o dos di\u00e1conos e presb\u00edteros, e conservou parte da prece de ordena\u00e7\u00e3o dos bispos presente na <em>Traditio apostolica <\/em>de Hip\u00f3lito de Roma, do s\u00e9culo 3.\u00ba\u201d.<\/p>\n<p>Mas nem seria preciso ir muito longe: quem quer que j\u00e1 tenha visto uma missa celebrada com toda a dignidade no rito novo \u2013 e nem precisa ser no <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/vaticano\/\">Vaticano <\/a>\u2013 pode perceber a beleza que existe ali, mas que acaba soterrada pelas invencionices. \u201cOs pap\u00e9is na parede s\u00e3o sup\u00e9rfluos, os cartazes, as evolu\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as, o barulho, mil vezes barulho, s\u00e3o todos dispens\u00e1veis. Mas a Coleta n\u00e3o. Nem o Pref\u00e1cio, nem a genuflex\u00e3o, nem o salmo responsorial, nem a vela, nem a cruz\u201d, diz o padre Lu\u00eds Fernando.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Quem tamb\u00e9m atesta esse fato \u00e9 o bispo Athanasius Schneider. Ele pode estar dizendo muita besteira a respeito das iminentes ordena\u00e7\u00f5es episcopais da SSPX, mas, fora isso, tem sido um grande defensor da ortodoxia cat\u00f3lica e da dignidade da liturgia. Na diocese onde \u00e9 bispo auxiliar (Astana, no Cazaquist\u00e3o) n\u00e3o existe missa tridentina. O motivo? Ele explicou em entrevista ao youtuber Adrian Milag: \u201cPouqu\u00edssima gente pede [a missa tridentina] porque a maioria das nossas liturgias, gra\u00e7as a Deus, \u00e9 muito digna. (&#8230;) As pessoas s\u00e3o devotas e n\u00e3o conhecem a missa tridentina; alguns nem sentem a necessidade dela porque as circunst\u00e2ncias s\u00e3o boas, mesmo com o\u00a0<em>Novus Ordo<\/em>. Ent\u00e3o, a maioria dos bispos diz \u2018certo, continuemos assim\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Se nos locais onde se celebra bem a missa nova a demanda pela liturgia tradicional \u00e9 menor, temos a\u00ed uma evid\u00eancia emp\u00edrica da beleza presente tamb\u00e9m no rito novo. Curiosamente, ou talvez tragicamente, os bispos que t\u00eam uma avers\u00e3o irracional pela missa tridentina at\u00e9 poderiam usar isso como estrat\u00e9gia, empenhando-se em promover celebra\u00e7\u00f5es dignas no rito novo em suas dioceses (se o fizessem, acabariam provando que Deus sempre consegue tirar o bem do mal). Mas n\u00e3o tenho not\u00edcia de que haja esse empenho, indicando que o problema de v\u00e1rios desses bispos n\u00e3o \u00e9 com o rito em si, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/marcio-antonio-campos\/perseguicao-missa-tridentina-bispos-aversao-reverencia\/\">mas com qualquer tra\u00e7o de solenidade e rever\u00eancia na liturgia<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/06\/02080820\/papa-leao-xiv-missa-pentecostes-angelo-carconi.jpg.webp\" \/><i>O papa Le\u00e3o XIV celebra missa de Pentecostes na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro: rito novo, bem celebrado, tamb\u00e9m \u00e9 repleto de beleza. (Foto: Angelo Carconi\/EFE\/EPA)<\/i><\/p>\n<h2>Humildade e fidelidade<\/h2>\n<p>No fim das contas, tudo se resume a essas duas palavras mencionadas pelo papa Le\u00e3o XIV. O padre que avacalha a missa (e qualquer desvio das possibilidades previstas nos livros lit\u00fargicos j\u00e1 \u00e9 avacalha\u00e7\u00e3o, goste o padre ou n\u00e3o) n\u00e3o tem a humildade de perceber que a liturgia n\u00e3o pertence a ele, mas \u00e0 Igreja, e tampouco percebe que o direito dos fi\u00e9is a uma missa bem celebrada prevalece sobre a vontade do celebrante de acrescentar ou suprimir elementos. E, ao moldar a liturgia aos pr\u00f3prios interesses, o sacerdote falha na fidelidade \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/igreja-catolica\/\">Igreja<\/a>, pois j\u00e1 n\u00e3o celebra como ela quer, e sim como ele deseja.<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papa Le\u00e3o XIV na audi\u00eancia de 27 de maio, quando pediu aos padres que respeitem as normas lit\u00fargicas. 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